2.3.07

Chiquinho forever

O saudoso Chiquinho deixou lembranças comoventes na memória de Madame Louise. Juntos por longos dez anos, a dupla se consagrou por protagonizar as histórias mais hilárias e nonsenses da face da Terra. Para os desavisados, Chiquinho era o bichón-frissé de Madame, cãozinho da mais fina penugem, branca como a neve; do mais alto pedigree jamais sonhado; com o maior número de premiações dada sua nobre linhagem. Um gentleman em forma de cachorrinho. Chiquinho nos deixou há coisa de um ano e meio, e com ele foi-se parte da alegria da grande Mansão Rosa. Pouco antes de bater as patinhas, no entanto, o adorável animalzinho nos aprontou mais uma daquelas, fato extraordinário que já entrou para os anais da Família Teixeira. Era uma noite quente e abafada de outubro. Madame Louise dirigiu-se à casa de uma vizinha, senhora mui respeitosa, evangélica, de longos cabelos grisalhos caindo-lhe às costas, muito embora bem embrulhadinhos em formato de coque. A intenção era solicitar à vizinha - vamos chamá-la de dona Jurema - mais um corte de alfaiataria (dona Jurema é exímia costureira e estilista). Muito apegado à dona, Chiquinho posicionou-se aos seus pés e seguiu-a, como costumava fazer.
Após uma conversa rápida, Madame lembra-se de sua sobrinha, que estava em casa e poderia se interessar por um jogo de bolsas Louis Vuitton (a vizinha também trabalha com importação). Ela volta, carrega a sobrinha e, quando a dupla se aproxima mais uma vez da ampla residência de dona Jurema, a surpresa. Por trás do vidro da porta, aquela criatura branca e delicada se agitava, feliz em vê-las. Era Chiquinho. Sem que Madame notasse, o danado adentrou sem-vergonhamente pela casa de Jurema, e de lá não saiu. As mulheres riram do incidente, abriram a porta para o animalzinho sair e continuaram, muito animadas, a conversar amenidades. Chiquinho havia desaparecido momentaneamente, fato sem importância. Até então. Eis que surge, mais uma vez, o petit de estimação de Madame. Ele vinha da cozinha da senhora evangélica e, surpresa das surpresas, carregava NA BOCA um apetitoso frango assado, INTEIRINHO, com aquela casquinha dourada, recheadíssimo de farofa com bacon, estalando de novo, e exalando aquele perfume inebriante que só as coisas sofisticadas e deliciosas da cozinha francesa têm.
Alarmada, Madame até tentou conter o pequeno faminto, mas este rosnou ameaçadoramente para a dona, caso ela ousasse tirar o quitute de suas mandíbulas. Raivoso, o bichinho foi rumando em direção à sua casa (Mansão Rosa), deixando um rastro de farofa, gordura e pele de galinha. Marie Louise tentou disfarçar, mas foi pega no flagra por Jurema, que só conseguiu balbuciar: "Ai, minha janta!". Envergonhadíssimas, Madame e sobrinha sairam cabisbaixas, após mil e um pedidos sinceros de desculpas. Já em casa, Chiquinho foi alvo dos mais furiosos esporros que já havia levado em toda a vida. Sem entender direito, o bichinho oferecia com o focinho o prêmio que havia "caçado" em casa alheia, o franguinho dourado, como se incentivasse as duas a servirem-se. Passada a vergonha, Madame, muito justa, retornou à casa da vizinha e a recompensou pelo prejuízo - com a generosa paga de R$ 5. Negócio resolvido. (by Cíntia T.)

Um comentário:

Eduardo Mattos (teu primo...hehehe) disse...

Cara!!! Eu sei de quem tu tais falando... kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk.