17.12.06

De blusinha branca

Todo mundo teve, no imaginário infanto-juvenil-adolescente, aquele lugar incrível em sua cidade e/ou região onde a noite seria mágica; a banda, perfeita; a iluminação, ofuscante; as bebidas, ultra-geladas; as roupas e os cabelos, dignos da Vogue; e as pessoas... ah, as pessoas, estas seriam fofas, interessantes, inteligentes, bonitas, bem-humoradas, divertidas, abertas, comunicativas e de cara seus mais novos melhores amigos. Para mim, em minha esquecível fase teen, este lugar era a boate do Laguna Tourist Hotel (na praia que leva o mesmo nome). Ir à boate do Tourist era o equivalente a ir ao Studio 54 para os deslumbrados nova-iorquinos dos anos 70. As amiguinhas mais maduras iam, as turmas das classes acima da minha freqüentavam, e era tudo tão, tão... desejável! Lá eu realmente seria feliz. Aí quando passei a ir passei também a fingir que achava o máximo. Mais tarde, quando entrei para a universidade, trazia amigos para passarmos o Réveillon no mais alto estilo, na tão badalada (e já decadente, eu fingia ignorar) festa de Réveillon do Tourist. Frenesi. Após a popularíssima queima de fogos do inferno, quando as portas do cemitério eram abertas, rumávamos todos, chiques, impecáveis em vestidos novos, para o arrasta-pé da elite local. Aí era um show de absurdos e curiosidades grotestas. As lindas moçoilas habitués do Tourist passavam os dias que antecediam a Grande Festa inteirinhos torrando no abrasivo sol de Laguna Beach. O figurino: o mais branco possível, para contrastar com as peles pecaminosamente envelhecidas precocemente. Calças ultra-skinnies agarradíssimas aos corpos sarados, tops com muito piercing umbigal de fora, minivestidos agarrados nas curvinhas tentadoras, microsaias, mega-saltos. Escândalo fashion. A peruagem reunida tinha esgares coléricos quando a mais nova coleguinha adentrava o recinto com uma sainha mais mini que as outras, ou com uma barriguinha mais sarada que as demais, ou com um bronze mais torrado que a média. Um caça-maridos ultrajante ao sexo feminino, uma aberração sexual aviltante à ala feminina mobilizada. Um divertimento explícito e escrachado, para mim. A festa é chocha, meia-boca, os teens tomaram conta do pedaço, crentes que estão no lugar mais quente do litoral sul-catarinense, meninos de boné e regata, meninas a la brtiney spears, a bebida é quente, a iluminação é constrangedora. Não vale a piada. Não num dia que, tecnicamente, deve ser bem especial para todo mundo, a virada do ano. Metida naquele mafuá? Nossa, tá parecendo tão difícil me agradar, não é mesmo? (by Cíntia T.)

2 comentários:

Anônimo disse...

Prefiro chinelo de dedo, com areia no pé, vestido molhado e caipirinha. Moro em Laguna e concordo com a moça ai. Bjs.

Miche disse...

meu comentário para esse texto é: kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Tens razão amiga!!!! Ah, e só pra contar, tenho pavor de fogos de artifício. A menos que eles estejam no mínimo a uma distância de um quilômetro de mim... de longe, bem longe, eles até são bonitos!