17.12.06

Banho de cidra?

Talvez pela idade, ou pelas atuais companhias, ou mesmo por já ter aprontado diumtudo em outros carnavais (e réveillons), eu já não me animo tanto assim para embarcar em uma praia abarrotada, com gente saindo pelo ladrão arrotando peru e cerveja choca e dando banho de espumante Perlage em tudo o que se mexe ao seu redor. Nestes festejos de fim de ano, o que eu quero é paz - na noite do dia 31 e no resto do ano inteirinho, e da vida, ever. Durante anos a fio a minha programação consistia em cozinhar (normalmente sozinha ou com ajuda de Mammy) pra um bando de esfomeados, na casinha de praia, depois ir me arrumar às pressas, agüentar as filas frente ao único banheiro, resistir ao impulso de quebrar a cara da irmã, que monopolizava o único espelho para fazer a makeup, e sair correndo, voando, às pressas, tensa, para não perder a queima de fogos no Mar Grosso. Me lembro e já me arrependo imediatamente. Afinal, por que não ficávamos todos juntos, em casa mesmo, longe do furdunço e das multidões? Por que não confraternizávamos uns com os outros, amigos e familiares, justamente aqueles em quem pensávamos e com quem nos preocupávamos de verdade ao longo de todo o ano? Para que a necessidade desembestada de seguir a corrente predominante e brigar, ombro a ombro, com os farofeiros, carregando caixas de isopor; as místicas, vestidas de branco com flores nas mãos para Iemanjá; e os bêbados, figurinhas fáceis, que tiveram como ceia um apetitoso cachorro-quente meio frio, tudo para chegar na areia? Ritual macabro, este, e que agora, curiosamente, não me apresenta sentido algum. Ano Novo é renovação, energias positivas vibrando a mil, pensamentos puros e plenos sendo trocados com intensidade, e eu confesso achar interessante este contato com a natureza (e com uma praia, conseqüentemente) nesta noite. Mas enfrentar uma multidão enlouquecida e sedenta pela banda de axé e pagode que se apresenta depois da contagem regressiva? Never more. Ainda não tenho programa para o Ano-Novo, e aceito convites. Mas vê lá pra onde você vai querer me levar, hein?
P.S.: nos próximos posts, mais relatos de festas micadas de réveillon. Afinal, quem não tem uma pra contar? (by Cíntia T.)

2 comentários:

Caetano disse...

Oi,
Finalmente, virou anti-lemingue!

Beijo,

Caetano

Miche disse...

Concordo em gênero, número e grau!!!! Por isso meu programinha básico de réveillon este ano será passar a virada junto de papy, mamy e Théo, feliz da vida! E prometo que se meu cérebro loiro lembrar de algum desses micos "reveillonísticos" eu conto aqui. Aliás, até lembro, só estou com preguiça de escrever aqui às 3h da manhã ... kkkk