24.8.10

A ladra misteriosa

Ela caminhava, faceira, pelo shopping Cidade Jardim, bolsa Kelly a tiracolo, scarpins Jimmy Choo saltitantes do piso de mármore, plocploc, plocploc. Saíra de sua confortável residência, a Mansão Rosa, no bairro Universitário, para dar aquela espairecida e adquirir mais algumas pulseiras de ouro – nossa heroína da ocasião tem como hobbie colecionar peças em ouro, porque, sorry periferia, ela pode.
O ar-condicionado central do estabelecimento deixava a temperatura extremamente agradável, mas Madame, que não é boba nem nada, não se desfazia de seu pullôver de cashmere caramelo, que lhe caia suavemente pelos quadris.
Tomou um sorvetinho da Gelateria Häagen-Dazs, fez uma apostinha básica na lotérica (que Madame é rica, mas também não quer deixar a sorte grande escapar assim impunemente), parou para um chá com biscoitos num bistrô até que sentiu aquela pressãozinha na bexiga: “Preciso ir ao reservado das senhôuras”, pensou Madame, dirigindo-se apressada para o banheiro.
Lá chegando, cerrou a porta, jogou displicentemente sua Kelly ao chão, desabotoou sua calça de linho egípcio e, quando se preparava para despejar as primeiras gotículas de urina na privada, percebeu, não sem espanto, uma mão. Sim senhores, uma mãozinha malandra esgueirava-se por debaixo da divisória do banheiro. “Por que será que eles não fecham a porta até o chão?”, reclamou Madame, horas depois.
Pois foi por aquela pequena abertura na parte inferior do reservado que uma gatuna tentava surrupiar os ricos pertences de Madame Louise. “Segurei na borsa, bem firme, e só gritei: Vagabunda!”.
A ladra não retrucou. Permaneceu no banheiro até que Madame o desocupasse. “Queria era olhar na cara dela! E era rica! Com os dedos cheios de anéis de ouro”, garantiu Madame, que conhece bem o material, faceira por ter recuperado sua limitadíssima edição da Kelly by Hermés.
O único inconveniente foi que, com o flagrante, o ato de urinar não pode ser devidamente interrompido – lembrando que Madame pertence, orgulhosamente, à categoria da Melhor Idade, e foi mãe de três gorduchos filhotes. Ora, é claro que não se trata de incontinência, sejamos respeitosos! Mas cortar o fluxo no meio do caminho é tarefa para canais urinários mais jovens, convenhamos. “Me molhei toda. TODA. A sorte foi meu casaquinho comprido, de lã. Cobriu minha bunda. Só assim pude sair com dignidade do shopping”, relatou Madame.



Yeah, bab, she's back! Madame Louise passou por aqui para relatar mais uma de suas desventuras em série. Para os marinheiros de primeira viagem, importante explicar: madame é uma badalada socialite de Shark city, da mais pura linhagem Teixeira, protagonista e testemunha das mais alucinantes situações jamais imaginadas ever (interessados, conferir o arquivo que eu não sou escrava de vocês pra ficar lincando).

3 comentários:

Laura Peruchi Mezari disse...

Ai, amei, amei essa desventura de Madame... (como todos os seus textos né?)
Beijos

Caetano disse...

Oi,

Gostei bastante do novo visual (já tinha falado ao vivo, mas conta mesmo é aqui...)
E finalmente Madame vortou à ativa.


Beijo

Guilherme Corrêa disse...

Ainda bem que era número 1 né. haahahha Muito bom! bjo