16.8.09

Banho de água fria

Era 2001 e eu morava em Recife, fazendo sabe-se lá o que. Tínhamos uma doméstica, indicada pelo porteiro (a senhora era a sua mãe), que limpava e cozinhava. Humilde, a mulherzinha vinha trabalhar todos os dias, bem cedinho, de pés descalços. O único par de sapatos era reservado para os cultos da igreja que frequentava. Era "inverno", naquela região do país (hahahaha), e os termômetros registravam agradáveis 27 graus. Sim, muita gente andava de cacharrelzinha de lã, tiritando de frio, enquanto a moçoila aqui suava em bicas a regatinha (eu disse regaTinha, com T).
Belo dia e a senhora, cabisbaixa, faz um pedido inusitado: queria permissão para tomar banho de chuveiro "elétrico". Com mais de 50 anos de idade, ela nunca havia tomado banho de água quente. E, como estávamos "no inverno"...

Desde sexta-feira tenho encarado o chuveiro em sua versão mais cruel, principalmente para os padrões sul-catarinenses: frio. Ele não explodiu, não se incendiou, nem fez aquele barulhinho pavoroso indicando que a resistência já era. A água simplesmente ficou gelada. E eu não fujo de minha herança tupi-guarani, senhores: enfrento o chuveirinho assim mesmo, de peito aberto (quer dizer, bem encolhidinha, pra falar a verdade), que minha porção portuguesa é absolutamente irrelevante para me convencer a ficar sujinha.
E ao contrário de alguns conhecidos, eu não tenho a menor habilidade para reparos gerais: mal sei trocar uma lâmpada; botijão de gás, nem a pau (medo de deixar vazar), há meses venho sofrendo com um vazamento ridículo na pia do banheiro. Nem ouso esticar a mãozinha pra mudar a temperatura do chuveiro (e se levar choque?).
Felizmente, tenho pessoas jeitosas na família que, queira Deus, poderão livrar-me deste infortúnio. Espero que o socorro venha logo, já estou sentindo uma incômoda pontada no pulmãozinho...



6 comentários:

Fernanda Kuke disse...

Cíntia Teixeira sempre foi uma agradável, inteligente, divertida e saborosa leitura... Dia desses, recebi em meu e-mail um link para o blog do ilustre Matheus Madeira (outro jornalista de texto afiado!), entrei, li e encontrei lá um nome conhecido... Cíntia Teixeira... Lembrei-me imediatamente das deliciosas matérias dessa moça no Diário do Sul e, claro, de nossos também deliciosos cafés, com a amiga Carla! Desde então, pasei a frequentar "As Imediatas"...

Anônimo disse...

Sua louca! Vai ficar gripada... Eu disse que ieria arrumar esta pia mas vc nem lembrou, e acabei indo embora sem consertar a pia! Ao contratário de vc, sou chamada de Eng. Rúbia aqui em casa.

BJs

Guilherme Corrêa disse...

Só imagino, nesse clima verão aí do país tupiniquim, numa cidade que não sofre com pandemias, se você sai tossindo de casa! Tá lôca, muié?

Ju Neves disse...

isso jah aconteceu comigo n vezes. as resistências não vão muito com a minha cara, vivem queimando. Tah que eu AMO agua quente, mas já tive que encarar banhos gélidos. E minhas habilidades com concertos em casa? Nasci sem amiga.kakaka

Lilian disse...

Afinal, a mulher tomou ou não o banho de água quente? Bjs

Cíntia Teixeira disse...

Beijinhos pra Kuke, pra Rubitcha (a anônima), pro Guigui e pra Jujuba. E Lilian, sim, a senhôura pode realizar seu sonho de banhar-se em águas quentes. Ficou feliz da vida...