14.7.09

Cinderela e as CGs assassinas

A moça não andava com sorte, ultimamente. Há pouco menos de um ano havia sido arremessada do veículo de seu motoboy favorito, voando sobre um carro e esborrachando em plena beira-mar (é, Charlotte, tem motoboy na história, mas hoje o conto não é sobre a senhorita, sorry). Na semana passada a globeleza mais manezinha ever, integrante da Unidos da Coloninha ("Nasci na comunidadji", conta, orgulhosa), rumava célere para o trabalho quando, ao atravessar uma movimentadíssima Gama D'Eça, do alto de seus saltinhos berinjela, foi colhida, já na calçada, por uma outra motocicleta (como diria Davis, "o que que o pobre passa?"). É, poderia ser um dos importados que invadiram a querida Ilha da Magia, mas os incidentes de Rubinha têm paixão por CGs turbinadas.

O voo foi longo e doloroso. "Quase batsi de cabeça na quina da eshcada", relatava, detalhista ao extremo. Curiosos foram se aproximando e a vítima ainda conseguia ouvir, esticadinha na calçada, como estava, comentários do tipo: "Ah, só pode ter morrido". Não morreu não, que seu santo é bombado. Foi carregada ao hospital e, meia hora depois, rumou novamente (e um tanto mais cuidadosa) ao trabalho, que Rúbia não faz corpo mole jamás.

O fato é que só após o atendimento a moça percebeu que havia perdido um de seus lindos sapatinhos berinjela. Catou uma havaiana qualquer e não se deu por vencida, mas no dia seguinte foi lá bater na frente da crime scene fuçando sarjetas e lixeiras. Perguntou ao porteiro: "Alguém por aí viu um sapatsinho?". Não, ninguém havia visto.

O par desamparado ficou pendurado em sua bancada de trabalho, triunfante, prova cabal de sua resistência às vicissitudes da vida. Quinze dias se passaram e a morenaça mais alisada de Imaruí (hahaha) ainda alimentava uma chaminha de esperança em seu belo coraçãozinho, sonhando em encontrar o calçado desaparecido. Não deu outra: seguindo, sempre no mesmo horário, para cumprir com suas obrigações trabalhistas, foi avidamente chamada pelo porteiro (nesta hora, já amigaço íntimo): "Ei, moça! Moça! Tu não ésh a moça atropelada pela moto? Então, achamos teu sapatinho!!!".

Ipi, ipi, urras de felicidade, abracinhos e lágrimas furtivas. O berinjela afivelado repousava, calmamente, sobre uma árvore. Sabe lá Deus como chegou lá em cima.

2 comentários:

João Lucas disse...

tá na hora de arrumar aquele texto do cabeçalho.
"(Quase balzacas)"?
25 não se faz durante cinco anos.
=)

Cíntia Teixeira disse...

Hahahhahahaah, shut up, Mister Chaps! É fácil, só retirar a expressão inteira...