13.4.09

Papanicolau

Final de tarde de uma belíssima quarta-feira ensolarada e decido descer, cruzar a rua e buscar alguns quitutes da padaria. Súbito, entre a pequena multidãozinha que locupleta as calçadas de Shark city na hora do rush (na minha rua são duas escolas, ou três, sei lá, além do portentoso comércio que é marca registrada por estas plagas), uma vozinha se sobressai, dirigindo-se à minha pessoa. "Ei, Cintia!", chamou-me.
Olhamos eu mais quinze passantes, não que se chamassem Cintia, mas pela mera curiosidade inerente ao nosso cotidiano de província. A dona da voz, uma simpática senhora, continua: "Teu nome é Cintia, né?". Eu confirmo, num menear tímido de cabeça. Os expectadores já eram em maior número. Ela acrescentou: "Marquei teu preventivo, tá? Terça-feira, ali no postinho!". E para deixar bem claro, frisou: "Teu PREVENTIVO, lembra que tu pediu para eu marcar?".
Percebi um ou outro risinho sarcástico, "háhá, tá coçando a bacurinha, é?", que, dignamente, tentei ignorar. A senhora em questão é minha mui querida agente de saúde, para quem não sabe integrante deste fabuloso grupo de trabalhadoras do serviço público brasileiro que batem de porta em porta pregando práticas para uma vida saudável e incentivando o povaréu a procurar atendimento médico, quando necessário. Ocasionalmente recebo sua visita para um checkup rápido: tudo certinho? Menstruação ok? Grávida? Alguma doença? Felizmente, até então tudo tem estado na mais perfeita ordem. Percebi, no entanto, certo desapontamento quando revelei possuir plano de saúde. "Mas quando precisares, já sabes, é só agendar comigo", insistia a senhora.
Na ocasião da última visita, tonta devido ao soninho da tarde, impulsivamente aceitei visitar seu QG para um examezinho básico - mesmo tendo passado menos de seis meses de minha última visita ao gineco, o material aqui está zeradíssimo, by the way. Com fortes tendências hipocondríacas, no entanto, cedi aos apelos: "Ok, pode marcar". E esqueci imediatamente do compromisso.
O resto vocês já sabem. E como se não bastasse meu constrangimento público, a querida agente de saúde ainda conclui com esta: "Tem sentido alguma ardência, alguma coceira?". Céus.

3 comentários:

Maite Lemos disse...

Huahuahuhau
Coçando a bacurinha é pra acabar!
Huahuahuha

Guilherme Corrêa disse...

Nossa, que pessoa simpática e atenciosa. Só faltou gritar: Ei, moça do preventivo!" hauhauahuahua

Renata Nogueira disse...

Cheguei até aqui nem sei mais como...
Adorei sua forma de escrever! Dei boas risadas lendo uns posts aí pra trás!
Bjão