1.10.08

Energizada

Numa olhada rápida, parecia que aquela senhora havia confundido o endereço da missa e entrado no Bar da Luz Vermelha por engano. Mas bastava observar com mais atenção para flagrar a septuagenária magrinha e miúda requebrando até o chão, ao som de Beatles, enquanto sugava com vigor um de seus incontáveis cigarros.
Um show de vitalidade, um exemplo às novas gerações, um caso típico de amor desbragado pela vida, blablabla, clichês não faltariam. Mas a pequena mulherzinha, do alto de seus 1,50m, muchibinhas pendentes no lugar dos peitos, rosto vincado pelo tempo, pelo cigarro e possivelmente pelos excessos noturnos, ainda assim teve que se render à idade avançada, em determinado período da noite.
Após ingerir alguns generosíssimos copos de cerveja, a idosa dançarina procurou lugar na fila do banheiro feminino - foi quando pudemos trocar algumas palavras.
Com a lentidão de algumas fêmeas - que devem urinar à conta-gotas - velhinha não se agüentou e partiu para táticas menos ortodoxas de retenção de urina. Ali mesmo, apertou a xaninha enrugada com a mãozinha crispada, aflita. "Incontinência urinária, boba", relatou-me, em segredo.

2 comentários:

Guilherme Corrêa disse...

Acho que posso ler esse texto umas 20 vezes que ainda vou rir muito desse causo popular que só as noites de capiva city pode proporcionar! Bjaoo CT

Marcos Dalmoro disse...

Ahhhh mau pai...
Certas histórias agente tenta esquecer, mas é impossível não recordar...
Final de festa rende cada uma!