16.4.08

Assédio

O moço, amigo do peito (vamos aqui chamá-lo de Joe), telefonou-me no fim da tarde relatando um dia difícil. Relatou ele então uma série de acontecimentos memoráveis que certamente vão entrar para os anais das Imeditas (ui!). Seguem:
Todo faceiro, o hipocondríaco rumava em um bus para mais uma consulta médica (são cinco ao mês, nas mais diversas especialidades). Quem conheço o trecho sabe que do Kobrasol ao terminal da Ilha são bons 45 minutos de muita sofreguidão bamboleante. Ok. O moço entra, lindo e impecável como sempre, meias branquíssimas esticadinhas, calça no vinco, tênis novos, camiseta de grife, e ocupa o único lugar disponível no lotação. Ao lado de um sujeito pelo qual não tomou conhecimento. Até...
"Senti que o cara ficava apertando a perna dele na minha. Cara, a perna tava se chegando cada vez mais pros meus lados! Achei melhor fingir que não notava", contou-me, ligeiramente constrangido.
Não satisfeito em alisar as belas coxas de Joe dentro do busão, o desconhecido então (evidenciando uma ereção escabrosa), coçou a cabecinha de sua ferramenta acintosamente. Joe ignorou. Apelando, o vizinho-tarado pôs A MÃO inteira dentro de seus pertences pudentos. Joe, engolindo em seco, ignorou.
Finalmente, o ponto final. Todos saltam da embarcação do inferno e, mais do que rapidamente, meu querido amigo se afasta, armando (...) o guarda-chuva, pois na quarta-feira Floripa cobriu-se de nuvens plúmbeas. "A chuva despencava com gosto. Fui tomando meu rumo quando, ao esperar um semáforo abrir, na faixa de pedestres (Joe é um cidadão exemplar), alguém parou bem do meu lado. Adivinha?".
- Oi. Tá chovendo, né?
Sim, era o taradão armadão. De guarda-chuva também. Joe respondeu:
- É, bastante.
- Eu moro no Kobrasol, travessa X com avenida Y. E você?
- Moro no Jardzim Atlântsico (disse, mentindo o endereço. Vai saber?)

Momento de silêncio. O sinal abre, Joe atravessa a rua, apressado, o estrangeiro o segue. Mais silêncio.
"Tá chovendo muito mesmo, né?", continuou o insistente. "Bastante", rebateu o prolixo amigo. De repente, o pintudo solta: "Queres me visitar no meu apartamento hoje? Chego às seis e meia".
Silêncio. A pergunta é repetida. Neste momento posso visualizar meu querido amigo empalidecendo e tentando achar um meio de fugir o mais breve possível. "Não posso, já tenho compromisso", desculpou-se. De acordo com Joe, o desconhecido nem era horrível. Carequinha, faixa dos 40, certo charme. Mas, ah, faça-me o favor.
"Aí ele começou a perguntar se eu queria o telefone dele. Perguntou três vezes. Eu, praticamente já correndo, gritei: não, obrigado. E fui embora".

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Não bastasse tamanho infortúnio, nosso herói do dia, seguindo firme pela Filipe Schmidt, e assustado com tamanha ousadia em abordagens, desconcrentou-se e, com os tênis novinhos em folha, derrapou e caiu com tudo, derriére cobiçadíssimo no chão. Uma senhoura que passava ao seu lado bem no momento do desabamento ficou tão assustada que simplesmente parou e ficou olhando para o moço estatelado, fixamente, por uns dois minutos, enquanto ele se reerguia. Não perguntou se o pobre rapaz precisava de ajuda nem estendeu a mão. Joe, que numa hora dessas só queria voltar pra casa, virou pra gata e, em tom de lamúria: "Não foi nada, não foi nada...".

2 comentários:

joaobjjr disse...

Estou rolando no chão... Adorei!!!
Sorte isso nunca ter acontecido comigo, eu morro!!! rs
Bjão!!!

Caroline disse...

Essa eh boa.....rsrsrsr
Só pra rir!!!
abraços!!