25.9.07

Cantadas baratas

Coisa mais deprimente na face da Terra é você observar, de camarote, alguém passando uma cantada em alguém. Digo aquelas cantadas inconvenientes, sem local e hora definido, do nada, durante o expediente, por telefone, numa reunião de negócios; e não a cantada adequada, num bar ou no corredor do supermercado, sei lá - porque cantada sempre é bom, minha gente, mas se bem-feita, claro.

Semana passada presenciei uma destas saias justas e quase sucumbi à Vergonha Alheia. Um cara (35 a 40, metido a galã, camisa branca com botões abertos, peito cabeludinho a mostra), que tem cargo relativamente importante num órgão público destes da vida, conversava com uma secretária (que foi rapidamente apelidada de Formiga por nosso obsceno fotógrafo, dado seu farto derriére, like a saúva).


A bunda da moça era grande. De frente a menina era normal, nem gorda, nem magra. Ao se virar, no entanto, exibia extensão de carne das mais grandiosas. A coisa ia espichando pra trás que até dava medo, parecia uma carreta cegonheira.

Whatever, penso que o mocinho funcionário público deva ter gostado do material (ah, eu metido naquelas carnes...). Devo lembrar que obviamente não existia intimidade entre ambos, e conhecendo o mundo masculino como eu conheço (ha!), pude observar que o rapaz certamente percebeu que a cuzuda não exibia um bambolezinho dourado no dedo.
Na hora de lançar a cantada barata, a cara do sujeito se desmancha. Sim. Ele fica com um aspecto meio molóide, meio bobalhão. A voz fica melosa, mais grave, mais baixa, meio que embriagada (senÇual, diriam eles, para si mesmos). O peito infla, a postura torna-se mais ereta e rígida (conotação sexual?), e as mãos... ahhhhh, as mãos.
De uma hora para outra, o funcionário público, que certamente havia feito uma solicitação de qualquer coisa para a bunduda (um copo de água ou um blowjob) agradecia pelos serviços ainda não prestados acariciando-a nas costas. Sua mão ia e vinha, ia e vinha, ia e vinha. Primeiro, exatamente no meio das costas. Depois, os limites foram sendo ultrapassados. No fim, o cara já tava alisando a gata da nuca até o cóccix. Foi quando percebeu meu olhar zombeteiro. Aí parou tudo, estávamos em um lugar público. Mas eu o vi, minutos depois, passando um cartãozinho pra rabuda-girl. E ele TINHA o bambolezinho dourado no dedo...

Um comentário:

Elaine disse...

essa foi demais,to afinada...
No teu "relatório" pude ver exatamente a cara do blarg, garanhão,quase não me contive aqui no trabalho.
E tu ,como é que pode ,tais pior que a mãe!Fica secando os outros,observando tudo,o familhinha!
Bjos