28.8.07

Apelidos (primeira parte)

Inicio agora a série sobre apelidos macabros que escolhemos para nominar certas criaturas que marcaram (ou não) definitivamente nossas vidinhas. Dispenso saber os apelidos que eventualmente já inventaram para mim. Esta história é sobre Podrinho, que Deus a tenha (hahahaha).

Eu não lembro direito do nome da moça. Sei que estudamos juntas por longo, longo tempo, aqui mesmo, em Shark city. Demos a ela, eu e uma amiga inseparável de ocasião, o sugestivo apelido de "Podrinho" - apelido este que, deuzulivre, jamais caiu em ouvidos alheios além dos nossos. Podrinho não era bonita. Não era brilhante, nem popular. Não era rica ou boazuda. Era, aliás, bastante medíocre, principalmente porque, numa vã tentativa de se livrar da mediocridade que a azucrinava, vivia babando o ovo das meninas bonitinhas e pops da escola. A filha da diretora, a campeã do time de vôlei, a que tinha namorado aos 12 anos, a que já transava, enfim, Podrinho queria freqüentar, queria ser alguém.
Corria à boca pequena, no entanto (e cidade pequena, todos sabem, é o inferno para os que têm algo a esconder) que a família de Podrinho era a maior velhaca da praça. Num dia, chegava o caminhão da Koerich abarrotado de mesas, sofás e camas. No outro dia, lá vinha o caminhão da Koerich levar tudo de volta. O telefone era cortado um mês sim, um mês não. A casa, óbvio, num bairro sofisticado, era alugada. Mesmo assim Podrinho exigiu uma festança para comemorar seus esquecíveis 15 anos (uó), com pompa e circunstância. Valsa com amigas, dois vestidos, Termas da Guarda.
Podrinho se achava a tal. Mas não tinha grana pra ir ao dentista e consertar o dentão podre e enegrecido bem na parte fronteiriça de sua lata amassada. A menina até desenvolveu o hábito de rir com a mãozinha tapando a boca. E mantendo a pose, sempre. Pensando em Podrinho agora, vejo que ela era um resumo mal-lapidado de uma sharkcitiana padrão. Verniz por fora, podridão por dentro. Em todos os sentidos. Como se fosse diferente em outros centros urbanos...

P.S.: em breve, a história por trás de "Ardida"

2 comentários:

Eduardo disse...

Ow, e o que se deu da Podrinho? (essa eu não conheci. Não consigo identificar...)

Cíntia T. disse...

Não, não, a Podrinho sabe-se lá por onde anda, nunca fomos íntimas, really... mas outros perfis virão, aguarde!