2.9.10

Cabelo

Eu vivia perfeitamente bem com meu cabelo até chegar perto dos 30. Aí o bicho degringolou - ou fui eu que me tornei mais exigente, acho que um mix das duas coisas. Meu cabelo tem frizz. E achata bem em cima da cabeça. Sabe aqueles dias em que você acorda, se olha no espelho e já diagnostica: hoje meu cabelo não vai colaborar comigo? Então, o famoso "bad hair day". Pois comigo não existe isso, existe o "good hair day". Porque de vez em quando meu cabelo resolve ser querido comigo. Mas só bem de vez em quando. Gasto milhões de dólares com meu cabelo (ai, que mentira), mas até hoje, nenhum resultado realmente positivo (espero que Laurinha resolva meu problema!).
Pois bem. Mas o drama maior da minha experiência de vida capilar ocorreu na infância, e acredito que quem tem mais ou menos a minha faixa etária saiba do que estou falando. Porque nós tínhamos os famosos cortes "Chitãozinho e Xororó", modernosamente chamados, na época, de moicanos. Tínhamos o corte "cuia", cujo formato era basicamente o resultado obtido após se colocar uma cuia na cabeça e passar a tesoura no que restava, do lado de fora (também jocosamente apelidado de "corte penico"). Tínhamos a franjinha, os cortes joãozinho, perversamente escolhidos por algumas mães para erradicar a piolhada, mas que infelizmente só serviam para estimular a sapatice latente nas meninas. Ah, e tínhamos os glamourosos acessórios: tiaras forradas e gigantescas, flores de plástico imensas, trecos fluorescentes. Um horror.
Lembro que, aos 12, consegui deixar meu cabelo bem compridinho e, influenciada pela prima, adentrei, soberana, em uma cabeleireira de fundo de quintal munida do dinheirinho contado para pagar o haircut. Era moda, boba, e ela me aplicou o Chitãozinho - e porque EU pedi. Cara, foi traumático. No fim das contas a própria cabeleireira começou a rir e disse que parecia ter sido cortado a foice. A foice. Ouvi muito esta expressão nos meses subsequentes.
Agora soube de uma historinha cabreira: menininho é hostilizado no colégio por ser o único entre os guris a não adotar o corte de cabelo "Justin Bieber". Que é, basicamente, um corte cuia estilizado. Pensei em dizer a ele para contar no colégio que Justin Bieber é gay, mas vai que ele apanha, né?
Com a história, desencavei mais uma passagem maligna do passado, com relação às minhas madeixas. Certo dia, por volta dos dez anos, por algum motivo desconhecido mamã mandou ver no corte cuia pra primogênita aqui. Tudo bem, tinha uma novela cujo personagem exibia o mesmo corte, deve ter sido por isso (ou foi crueldade mesmo). Ai fui dar aquela voltinha na rua, pra me exibir. E uma vizinha (pouco mais velha e meio agressiva) passou de bicicleta, cantou o pneu, parou na minha frente, apontou o dedão e ficou gritando: "AHAHHAHA, Juruna, Juruna, Juruna!". Eu não sabia direito quem era o Juruna na náite, mas sabia exatamente do que ela estava falando. Sofri como sofrem as crianças vítimas de bullying.


O corte da moda...


... e o personagem sensação dos 80's. Mães, não deixem seus meninos fazerem isso.

2 comentários:

Laura Peruchi Mezari disse...

Há, nós crianças e nossos cabelos. Na minha infância, meu sonho era ter cabelo vermelho - o que só foi se concretizar aos 17, 18. A mãe dizia que não ia pintar de vermelho, pq meu pai me mandava embora hahaha. Cheguei ao cúmulo de ligar pra uma fabricante de tintura para saber se havia algum problema em usar o produto em cabelo de criança.
Agora já voltei à morenice... e de vez em quando sonho com os fios ruivos.

Sobre o frizz, feliz da mulher que não sofre com ele. Espero que aquela solução maravilhosa nos ajude! haha

Cíntia Teixeira disse...

Isso que eu não falei de um chanel que fiz aos 15 anos que me deixou com cara de bolacha Maria. Nossa, calafrios só de lembrar. Thanks pelo comment, Laurie!