10.12.09

Cera quente, suor e lágrimas

Ah, a incrivelmente árdua missão de ser mulher... Ter que batalhar de igual pra igual com as encantadoras criaturas do sexo masculino, ter que falar grosso, socar a mesa, coçar o saco, se impôr, mas tudo com a delicadeza de uma bailarina russa. E com o aspecto o mais semelhante possível ao de uma bailarina russa.
Nós, mulheres, não podemos ter cabelos brancos. Quilos a mais. Pele ruim. Odores desagradáveis (bom, ninguém deveria ter odores desagradáveis). Não podemos andar por aí com unhas descascadas nem com pêlos em profusão debaixo do braço.
Uma amiga costumava maldizer o momento em que as fêmeas resolveram pôr as manguinhas de fora e queimar sutiãs: o princípio do fim. Sim, porque antes éramos bonecas de porcelana protegidas dentro da segurança do lar e amparadas pelo provedor-mor, o marido, este sim um ser (naquela época) ultra-valorizado. Quando precisávamos retocar as raízes no coiffeur de nossa predileção, bastava bancar a Jane Jetson e esticar a mãozinha que o esposo generosamente depositava aquela quantia suficiente para limparmos as taturanas chamadas de sobrancelhas e desfilarmos com as pernas lisas e macias como as de um bebê recém-nascido.
Hoje, para estarmos belas, frescas e joviais, precisamos reservar uma parte considerável de nossos provimentos para estes gastos considerados "supérfluos" pela macharada de plantão - que pode até não notar, mas evidentemente aprova o resultado: apareça na frente dele com as virilhas enxameadas de inconvenientes pelos pubianos, pra ver só...
Além de gastarmos rios de dinheiro, há o sofrimento, este aspecto não-variável da busca infinita pela boniteza. Pois bem, meninas. Hoje me submeti a uma daquelas torturantes sessões de depilação "íntima" pós-inverno, só imaginem... Ou não.
Não bastassem a dor e as lágrimas, que me fizeram andar a Tubalcain inteira com as pernas ligeiramente abertas, há o constrangimento. Porque, ah, senhoras e senhoras, consulta ao ginecologista é água com açúcar perto de uma vigorosa sessão de depilação. Sim. A sádic... ops, a profissional te vira do avesso, te abre, te escancara, te faz sangrar, gemer e ulular - e tudo absolutamente sem qualquer espécie de conotação sexual. O talquinho salpicado ligeiramente nas partes, no momento pós-tortura chinesa, é um bálsamo colhido no Éden.
Sofremos, pois. Tudo para ficarmos dignas, limpinhas e perfumadas. E enquanto ajeito a lingerie que simplesmente colou na virilha esquerda (restos de cera, povo), marco na minha nova agenda a data do próximo martírio, em fevereiro.


3 comentários:

SaMuCaO disse...

Uma vez caí na besteira de tirar a barba com cera... não aguentei a segunda... nunca mais... As mulheres são realmente umas guerreiras!!!

Cíntia Teixeira disse...

Hahahahha... tirar barba com cera é novidade... lembrei daquela cena do filme "O Virgem de 40 anos", hahaha... Thanks pelo comentário, Sammy, volte sempre!

Guilherme Corrêa disse...

E eu que um dia reclamei que fazer a barba era chato demais. hahahaha Depois dessa, isso é fichinha!