27.9.07

Vive la fête

Madame levou alguns minutos para abrir as portas da mansão, quando nos anunciamos. Por alguma razão desconhecida, imaginou ela que, ao invés dos reles mortais Cíntia e Caetano, recebia a visita de Fabiana e Geraldo, estimados sobrinhos que costumam bater em sua porta eventualmente. "Se, ao invés de vocês, fossem eles, aí eu deveria preparar melhor o ambiente", disse, preocupada com o bom nível e a estirpe do casal de irmãos. Conosco, no entanto, beiju com cafezinho já bastam.
Bastante receptiva, Madame Louise cumprimentou-nos, como de praxe, com duas suaves bitocas nas bochechas, envolvendo-nos numa suave nuvem de seu perfume predileto, Chanel nº 5. Sugeriu que sentássemos nas poltronas do living room e iniciou uma de suas história pra lá de agradáveis - no entanto, o relato foi iniciado sem uma introdução.
"Então, quando cheguei foi uma festa, tava todo mundo lá. Gente que eu não via fazia... o que? Mais de 20 anos, boba!", exclamava, ela mesma admirada da dimensão do tempo. Na "festa" de Madame muita coisa boa rolou, muita fofoca quente foi posta em dia, muita gente pode se reencontrar após anos a fio. Entre croquetes e bolinhas de queixo, além de muito cafezinho recém-passado, tios, sobrinhos, primos e agregados resgataram historietas do Arco da Velha, riram a valer, divertiram-se como nunca.
"A minha paixão* foi ter perdido o Ogeno. Ah, o Ogeno... ele baba. Mas é bom da cabeça, trabalha num banco. O Ogeno casou com uma japonesa, ela morreu. Agora tá viúvo. Todo mundo viu, menos eu, tinha saído aquela horinha!", lamentava madame, referindo-se a Eugênio, primo que há muitos anos foi residir no Norte catarina.
Animada com tantas novidades simultâneas, tentava eu, em vão, interromper o relato emocionado para perguntar quando tal grandiosa festa havia ocorrido. Muitos minutos depois consegui meu objetivo. "Ah, foi lá no velório do tio Jacó", informou Louise, às gargalhadas, enquanto enfiava na boca mais um pedacinho de rosca.

* paixão, neste caso, é sinônimo de frustração.

2 comentários:

Anônimo disse...

Cintiaaaaaaaa
O tio Jacó (pai da Claudinha) já morreu tem uns 5 anos, esse velório foi do tio Ezaú.

hehehehehe

Deia

Cíntia T. disse...

Hahahahah, ultimamente eu só tô dando bola fora, meu Deus... deixa assim mesmo, vai?