27.8.08

No bus, na Ilha

É ultrabrega, mas não consigo evitar visitinhas rápidas (ou nem tão rápidas assim) para conhecer shopping center novo. Coisa de provinciano, de colono, estancieiro impressionado com a cidade grande? Claaaaro que sim, ainda que o prazer de bater perna por longos corredores e namorar inúmeras vitrines continue garantido, a despeito do meu senso de ridículo. No último findi fui passear em terras florianopolitanas em visita ao querido amigo Johnny boy, que aniversaria esta semana (26 anos, hein? Tô quase lá).
Após uma agitadíssima noitada regada a champagne (hahahahah), no Confraria, com direito a uma deliciosa boquinha madrugal no Bob´s, decidimos passar o dia seguinte num shopping novinho em folha no querido bairro Santa Mônica (Lora, você não vai mais reconhecê-lo). Após horrores de compras desenfreadas (uau...) decidimos tomar o rumo de casa usando o velho e bom transporte público. Foi aí que tudo começou.
Meu amigo e eu escolhemos os últimos bancos antes da porta de saída, aqueles mais altos. Enquanto nos acomodávamos com nossas centenas de sacolas, fomos surpreendidos por alguém que cantava uma musiquinha bastante da safada, em princípio apenas murmurando, logo a seguir elevando o volume, tal e qual um radinho de pilha, até chamar a atenção de toda a galera do coletivo:

"Quero seu amor!
Quero seu carinho!
A onda agora é dançar agarradinho!
Que gostosinho, nesse passo miudinho,
com jeitinho safadinho
Eu só gosto com você..."

Neste momento o cantorzinho dá uma requebra fenomenal de quadril e passa a gritar a plenos pulmões:

"No xenhemnhém da sanfona
no plim plim plim da viola
Bate na palma da mão
Remexe, requebra, rebola!"

Já rolando no chão e em lágrimas, Johnny boy and me notamos que enquanto todos se divertiam com o maluquete fã de Daniel, um sujeitinho muito do mal-encarado nos observava de canto de olho, sorrateiro, e com uma mão estrategicamente escondida dentro do casaco, como se segurasse algo junto ao peito. "Um revólver", pensei.
Lembrei do dia anterior, quando, ao circular pelas ruas da cidade, deparei-me com um Notícias do Dia, na banca, que alarmava: "Aumentam casos de assalto em ônibus na região". A região era aquela mesma, Floripa. Achei melhor deixar minha bolsa debaixo do banco, com sorte o ladrão me deixaria em paz e eu teria dinheiro para pagar minha passagem de volta.
Breve confusão mental: enquanto nos encantávamos com o menino cantor/dançarino/despudorado, tremíamos na base com os olhares cada vez mais ameaçadores e frequentes vindos do homem-mal-com-a-mão-sob-o-casaco. Pensamos em sair dali, mas o artista rodoviário bloqueava o caminho enquanto gemia e requebrava gostosinho até o chão.
De repente, o homem mal se levanta. "Chegou a hora", imaginei, em pânico. Nos dá uma última olhada e ruma em direção à porta de saída do meio. Desce. Suspiramos, felizes e imensamente aliviados.

Aí o cantor-dançarino engraçadinho puxa um trezoitão e anuncia um assalto.

20.8.08

Laura Palmer

A moça, do interior, era a mais recatada das criaturas. Namorado firme, noivado em vista, planos de casório, de casinha com cerca branca, três filhotes gordos e rosados, galinhas, uma vaca holandesa e um leitãozinho no chiqueiro, a ser sacrificado no Natal.

De repente, mudou - curiosamente, pouco depois de conhecer sua nova roommate, meio amalucadinha. Pintou os cabelos, trocou o guarda-roupa, passou a usar maquiagem. Num dia, roubou um delineador, nas Americanas. Até hoje não sabe como conseguiu escapar do constrangimento de ter a bolsa revistada por um segurança.

Em outra ocasião, aceitou dar um rolê com seus colegas de trabalho. Foi quando fumou seu primeiro baseado. O primeiro de muitos. Largou o namorado e tornou-se figurinha fácil na noite daquela ilha dos desejos permitidos. Transformou-se em uma exímia predadora. Nas festas, escolhia o espécime masculino que mais lhe chamava a atenção e atacava, despudoradamente. Sempre com sucesso.

A roommate maluquete elaborou uma lista com os nomes (às vezes, apenas um apelido) das vítimas já abatidas. O rol tornou-se quilométrico.

Insaciável, a moça ganhou o apelido de Laura Palmer, alusão à obra de David Lynch, que traz a história de uma belíssima jovem, um anjo em família e um demônio de saia e cinta-liga no submundo.

Mas esta Laura Palmer tupiniquim não teria o triste fim de sua alterego. Esperta, decidiu que sempre tomaria as rédeas de qualquer situação. Quase sempre dava certo. Como no dia em que saiu com Girso, um de seus affaires de ocasião. "Só sabia pegar o rumo pra São José, um motel pocilga que tinha por lá. Eu odiava, ele podia pagar coisa melhor, mas sempre pedia o quarto mais simples. Neste dia eu reclamei. Disse: ai, a gente só pega este quarto. Ele se coçou, pediu um melhor, tinha banheira com hidro e um teto de vidro", conta a perversa.

Mas a mágoa pelo pouco caso de seu partner quanto às instalações onde fariam amor já estava instalada em seu coraçãozinho pequeno-burguês. Odiou-o naquele momento, e continuou odiando-o enquanto se requebrava sobre ele, na cama de lençóis baratos.

"Dei uma surra. O coitado saiu até tonto. Era verão, estava quente, ele decidiu se jogar na banheira. Com as pernas bambas, escorregou e bateu a testa na quina da banheira".

Enquanto improvisava um curativo, Laura Palmer se perdia em devaneios: "Bem feito", pensou, contorcendo-se em risadinhas internas.

Inconstâncias da moda e o biquíni de lamê

Jovens na faixa dos 20 anos talvez desconheçam as delícias de se travar amizade com mulheres com mais de 40, do tipo que já viveu um ou dois casamentos, que tem filhos na universidade, que já viajou o mundo, já trabalhou, já foi dona-de-casa e hoje não sabe bem se arruma um amante ou se faz uma (outra) pós-graduação. Mulheres com mais de 40 são terríveis, espertas, descoladas, maliciosas e de língua afiada. Praticamente como eu, só que com muito mais bagagem. (Quase) todos os dias, pela manhã, tenho encontro marcado com algumas mulheres com mais de 40 (vamos chamá-las de MCMDQ). Enquanto suamos na esteira, falamos um pouquinho de tudo: olimpíadas, cinema, pessoas, jornalismo e até moda, assunto, aliás, que já se tornou recorrente.
Uma dessas MCMDQ expôs, dia desses, seu maior pesadelo: mulheres que não fazem distinção quanto ao frio e ao calor. Tipos, a moça comprou botas novas para um inverno que prometia ser de gelar os ossos. Na semana passada, pescou na lojinha favorita o lançamento primavera-verão que vai bombar: uma singela frente-única axadrezada. Na primeira balada possível, o look já está pronto: botões até o joelho, insinuando neve na Sibéria, e braços, ombros e nuca à mostra, numa vibe Caribe - esta desproporção térmica também me irrita profundamente.

Irrita quase tanto quanto biquíni metalizado. Todo mundo sabe que o Brasil produz os trajes de banho mais pimpões do mundo, lindos, de fato. Mas as americanas (principalmente as que freqüentam a telinha do E! Entertainment) parecem não saber disso. "Pudicas", cobrem suas derriéres com calçolões que constrangeriam até minha santa avozinha.
Em contrapartida, mal escondem seus vastos melões em cortininhas minúsculas de janela basculante.
E o material destes biquínis, meu Deus? Lamê? Prata ofuscante ou dourado reluzente, a idéia é shine like a star nas areias de Miami. Mas tem gosto pra tudo neste mundo, mesmo...


- "Tô bunitãmmmm?"

18.8.08

Mansão Rosa em obras (ou O Cadastramento)

Há alguns dias fui visitar a querida Madame Louise - não sem antes reservar um horário em sua atribuladíssima agenda. Quando cheguei aos portões da Mansão Rosa, surpresa: operários da construção civil, sarados, suados e em trajes sumários, desfilavam carregando vigas, ripas de madeira, galões de tinta e brochas, para cima e para baixo. Madame está a reformar suas tão grã-finas dependências. Minha antiga suíte, por exemplo, encontra-se no momento soterrada com as prateleiras de mogno da biblioteca real de Madame, com todas as enciclopédias, as edições de luxo de primorosas obras literárias e as revistas Caras, as quais Madame tanto preza, delicadamente encadernadas em couro, tudo displicentemente espalhado por todos os cantos.

Madame, sempre muito ativa, contratou a organizadora de ambientes Susana Rock para auxiliá-la em mais esta grandiosa obra. "Agora Susana está dando um acabamento original na mobília. Por exemplo, nas peças da sala de jantar ela optou por fazer uma pata, ficou lindo", comemorou Madame, referindo-se à técnica de decoração feita com sobreposição de tintas (olhei no google).

A reforma, que promete não sair nada barata, foi motivo de questionamento junto aos três rebentos de Madame, princesa Déia e duques Crébinho e Édinho. Édinho, o primogênito, chegou a interpelar a nobre senhora para apurar as verdadeiras razões para tão radical mudança. "Mas meu filho, tu sabes que esta reforma vai servir para aumentar meu matrimônio", tranquilizou Madame, querendo garantir um futuro tranqüilo para si mesma e para seus descendentes (como se precisasse se preocupar com assuntos tão mundanos).

Meus olhos, até então fixados nos operários, se voltam para o backyard de Louise (ou quintal, para os menos poliglotas). O que vejo, para minha surpresa absoluta? Um pequeno cãozinho amarelo, atado a uma corrente de ouro 18 quilates. "Mas do que se trata isso?", quis saber. "Ah", sorriu Madame, matreira, "Esta é a Lala, adquirimos a bichinha numa petshop da cidade. Já veio até cadastrada", observou a amante dos animais, lembrando do importante método que impede cadelinhas de emprenharem por aí, à toa. Enquanto eu me divertia com Lala, um pequenino inseto, vulgarmente conhecido como pulga, saltou de seu focinho para minha camiseta...

E mais uma deliciosa tarde se passou na Mansão Rosa (agora, em obras).

9.8.08

Topicozinhos básicos

* Faltou luz no prédio (e na cidade toda) e o vizinho, adolescente, bateu timidamente à porta pedindo emprestado um palito de fósforo. Cedi-lhe a embalagem inteira, uma caixa miúda de 1,80 por 1,10m, da Fiat Lux, adquirida por marido quando de nossa primeira mudança, ainda no Universitário. Educadamente, o menino agradece e promete voltar em breve, para devolver. Com a falta de luz, o fogão da família, elétrico, não tinha condições de ser acionado e a hora do almoço já se anunciava. Já faz uma semana e a caixa de fósforos que nos acompanha desde o início de nosso matrimônio informal ainda não deu as caras. Confesso ter certo pudor de subir e reivindicar meus palitos de madeira, acho que a iniciativa deveria partir de quem pediu o treco. Ainda correria o risco de ser taxada de "unha de fome" porque quis de volta uma caixa de fósforos. A MINHA caixa de fósforos. Chocada com tanta falta de respeito e de consideração.

* Fiquei contente porque, no bailão de formatura de Suzanita, percebi que as meninas universitárias de Shark estão finalmente deixando de (apenas) imprimir brega. Muita gente bem vestidinha, roupinhas descoladas, calçados decentes. Mas, hahá, para a exceção virar regra, ainda falta muito pano pra manga (e para todo o resto do corpo). Por exemplo, a gata da academia que, apesar de contar com formas relativamente enxutas, ostenta uma barriguíssima de quem já pariu e que ela insiste em exibir usando o legging na linha do púbis e a camisetinha embaixo dos mamilos. Se acha boazuda, mas, fala sério, é constrangedor.
Aí eu flagro conversinha entre ela e uma amiguinha, combinando de ir pra buátchi, mais tarde: "Acho que vou com aquele legging todo recortado, de cima a baixo". Ansiei. Aí ela complementa: "E com a plataforma de madeira". Céus, não poderia ser mais típico.

* Quem-matou-Thaís revival: há alguns anos eu tenho o privilégio de não assistir a absolutamente nada da programação da TV aberta (só o Jornal do Almoço ou só quando visito Manékia girl, a globalizada). Mas o que é retratado na telinha da Vênus Platinada não se restringe ao horário da novela das oito, vai muito além: pessoas discutem rumos de personagens na mesa do mar, no ambiente de trabalho, no jantar em família; revistas trazem previsões assustadoras para os próximos capítulos; blogs (até os bacanas) elaboram teorias das mais absurdinhas sobre os possíveis desfechos dos folhetins.
Se há alguns anos me senti totalmente deslocada com a polêmica em torno da personagem de Alessandra Negrini, Thaís, em uma novela (da qual sinceramente não lembro o nome), agora o drama volta na forma de Donatela e Zé Bob (e outros nomens bizarros). Ainda assim, e mesmo em período de entressafra dos enlatados americanos, não retrocedo. Detesto Cláudia Raia, canastrona que só ela.

2.8.08

O Perseguidor

Tínhamos 16 anos e o mundo conspirava contra nós. Entre os planos de morar juntas na Ilha da Magia, para cursar a faculdade, e o de instalar bombas em pontos estratégicos de Shark, passávamos nossos dias num conversê dos mais produtivos. Nosso hobbie nas inúmeras horas vagas era o de bater perna pelo Centro da cidade e traçar perfis absurdos de pessoas que só conhecíamos de vista, pelo ir e vir da minilópole.
Havia o John Lennon, o Queixo de Tamanco, a Gorda, o Cowboy, o Anão, um outro Anão (que nos infernizava em sala de aula), o Cabeça de Massinha, o Homem dos Dentes de Diamante, os pedrês e as faxis.
E havia ele, um rapaz de aparência pouco notável, olhar levemente psicótico, discos de vinil debaixo do braço e camiseta de banda.
O encontro, praticamente diário, se dava na esquina da Tubalcain com a Patrício Lima e seguia por esta avenida até a rótula do Angeloni (esta é só para quem manja a geografia de Shark).
Como ocorria com frequência, concluí que o rapaz seria o namorado ideal para minha fiel escudeira, Lora W. Para rebater, Lora percebeu que ele cairia como uma luva em meus braços. Até hoje não sabemos quem ele realmente desejava, mas isso é irrelevante.
O moço cravava seus olhos desvairados em nós, nós o encarávamos, falsamente sedutoras, tremendamente sacanas, enquanto nos cutucávamos mutuamente, aos beliscões, dado o impacto de cada um desses encontros explosivos.
Belo dia e nos despedíamos, eu e Lô, bem ali no trevinho bendito: eu seguiria pela Expedicionário e, se desse sorte, pegaria carona na CGzona power de Tio David. Ela seguiria em frente, pela P.L., com destino ao Luluca S., seu endereço residencial, à época.
Enquanto tricotávamos, nosso apaixonado anônimo ia e vinha, vinis do Guns n´Roses no suvacão, sorrizinho besta no cantinho dos lábios.
Lá pela quinta passagem do moço, soa um alarme: este rapaz está nos perseguindo, constatei.
Pânico na Zona Sul. Lora W, sempre chorosinha, verteu copiosas lágrimas de terror. Eu já rolava no chão, de tanto riso e desespero. E o moço firme, indo e vindo, colado no Use Your Illusion.
Nos desvencilhamos, às pressas, após uma brecha dada pelo rapaz, correndo e torcendo, cada uma por si, para não sermos "a eleita" e, consequentemente, "a perseguida".
Depois deste episódio dei-lhe um nome: Perseguidor. Ou Per, para não darmos muita bandeira. Per tornou-se personagem célebre em nosso pacato dia-a-dia e em nossos agitadíssimos fins de semana. Fosse no Barbata, no 7 ou na Sssssíder, em Capiva Under, lá estava ele, sempre solito, a nos observar.
O tempo passou. Quase dez anos depois, voltei a Shark, a procura de um rumo na vida. Fui convidada a passar aquele verão na casa de praia da Madrinha. Sem $ nem para o bus, fiquei na espera de que uma alma caridosa me tirasse daquele calor infernal da cidade, em pleno janeiro. Madrinha mexeu os pauzinhos e arrumou um esquema: "Os filhos da fulana vão passar por aí pra te dar carona". Feito.
Quem abre a porta do carro é uma moça simpática e prestativa. Entro no veículo meio desajeitada, de microssaia jeans (tava calor, pessoas!), e cumprimento o motorista pelo espelho retrovisor.
Com um meneio de cabeça, ele retribui o cumprimento, vi pelos olhos. Aqueles olhos.
Em um segundo quase dez anos passaram voando por mim. Per. O perseguidor de minha adolescência se materializava ali, na minha frente, olhando para o vão das minhas pernas em saia jeans, pelo espelhinho. Tremi.
Durante todo o trajeto Per manteve-se praticamente em silêncio, respondendo monossilabicamente às perguntas feitas pela irmã. Quando chegamos ao meu destino, ele sai do carro e me ajuda a carregar a mala. Foi quando percebi que sim, ele lembrava de mim.

29.7.08

Telefone sem fio e outras maravilhas da vida adulta

Sexta-feira à noite e, de acordo com a mais nova mania dos jornalistas e agregados sharkcitianos, galerinha firmeza nas dependências do Youngest Child, bebericando Originais (até que estas se esgotaram e foram substituídas por skolzinhas modestas). Vários mexericos, babados, futricas e inverdades venenosas rolando soltíssimas, como de hábito. Constrangemos horrores o amigo Andrezãããão diante de sua amiga Elaine, recém-introduzida no grupinho, e Elaine tratou de constranger Andrezãããão diante de nós, juntando a fome com a vontade de comer - torturar Andrezãããão é uma das atividades mais unanimamente deliciosas do bando.
De repente, após insistentes cochichos ao pé do ouvido, envolvendo uns e outros, surgiu a brilhante e maduríssima idéia de brincarmos alegremente de telefone sem fio. Sucesso que tem tudo para se transformar no clímax das noites de sexta.
Ninguém lembrou da origem, mas no fim a mensagem era: "O pão do André solta fogo pelo rabo". Mas há controvérsias. Posteriomente, marido garantiu que a frase formada foi: "André soltou um pão pelo rabo", or something. Whatever.
Anyway, chegamos à conclusão de que precisamos mudar de point, unfortunelly. Youngest Child não nos merece - nem bem soam as badaladas indicando duas da matina e a garçonaria assanhada inventa de atrasar a cerveja, retirar mesas e cadeiras e bloquear a entrada para o banheiro. Até mesmo - pasmem - apagar as luzes, só pra dar aquele sustinho.
Estamos à procura de uma nova sede. Ai, que saudades do Laio...

23.7.08

(como se fosse) A primeira vez

Moça pura e virginal, Susan Rock foi instruída a procurar atendimento especializado e descobrir as razões para seus calores internos, suores frios, arrepios na espinha, inchaço dos seios e espasmos vaginais.
A senhorita mais correta e casta da família Teixeira, portanto, procurou o postinho de saúde mais próximo, na putaqueopariu, e lá chegou bem cedinho, antes das sete da madrugada. "Sentei-me lá e esperei durante toda a manhã. Chegou todo tipo de gente, coxos, cegos, epiléticos e possuídos pelo demônio, e nada de eu ser atendida", relata.
Meio-dia e meia, postinho vazio e finalmente uma atendente chama a ingênua e angelical moça, já em cólicas de ansiedade. "Tire toda a roupa e ponha esta camisola aqui", ordenou a funcionária, atirando-lhe um trapo que não cobria nada.
Deveras constrangida, Susan delicadamente se deita na maca, perninhas juntas. A mulher determina que a paciente encaixe as pernas na engenhoca de ferro frio que permite visualizar os recônditos mais secretos de uma fêmea.
Mademoiselle Susan, neste momento, já ardia de vergonha por expôr tão explicitamente suas indecências até então imaculadas. Foi quando passou a observar a enfermeira providenciar o equipamento para fazer um ultrassom transvaginal.
"A mulher puxou um tabaco de aço bem grosso, gigantesco, e encaixou uma camisinha. Sem cerimônia, virou para mim e foi metendo aquela monstruosidade grotesca em minhas entranhas", confidenciou aos amigos mais íntimos.
Susan, praticamente uma noviça, enrijeceu-se totalmente. Prática e bem treinada, a funcionária a incentivava, enquanto alisava o estômago retraído da pobrezinha: "Relaxa, querida... relaxa que melhora"...
Instrumento de aço vem, instrumento de aço vai, e de repente um grito desesperado e lancinante corta o silêncio no postinho de saúde. "AHHHHHHHHHHHHHHHH!!!".
Susan Rock estava curada.

20.7.08

Nove anos depois (ou "uma parte de mim")

Mesmo que ela chegasse com o cabelo detonado, roupas bagaceiras e adereços exóticos, mesmo que ela estivesse gorda, velha e precisando de uma esfoliação facial urgente, mesmo que ela surgisse loira blond ambition, de legging tigrado e saltos 15, eu não me enganaria. Mas ela apareceu e foi como se quase longos dez anos ficassem para trás. Cabelos impecáveis (tô cheia de fios brancos, ela disse), pele de pêssego (uso renew de manhã e à noite, religiosamente, revelou), cinturinha silfídica, jeans 36 (ou 34?). Lindíssima e ainda mais doce do que minhas últimas recordações. Sim, Lora W. is back, baby!
Quem me conhece há alguns anos sabe que por um longo e produtivo período - da pré-adolescência ao início da vida adulta - me and Lora éramos unha e carne, meia-calça e cinta-liga, chicotinho e salto alto. Corda e caçamba. Gelo e limão (chega de comparativos).
Mas as idiotices daquela enfadonha fase menina/mulher e estudante em fase de TCC fizeram com que nos afastássemos. Era 1999. Neste fim de semana, nove anos depois, o reencontro.
Encontrei uma mulher mais madura, muito mais segura, mais centrada, um quê casadoira (se cuida, S!). Mas também (re)encontrei a mesma menina franca, delicada, mas firme, amiga daquela Skol geladinha (tás sempre com o copo na mão, né, nega?), dedicada à família, romântica, amiga.
Foi com Lora que tomei os primeiros (e muitos) porres homéricos, foi para ela quem contei de minhas primeiras experiências românticas, dividi angústias e aflições adolescentes, com ela (e com a mãe maravilhosa dela) li meu nome entre os aprovados no vestibular. Com ela teve praia, Canto Grande, Carnaval, Barbatana, Ssssssíder, moda e modismos, terceirão, universidade, planos para o futuro.
Fico em dúvida se realmente nos distanciamos por nove anos ou se por apenas um dia muito longo e conturbado. Porque tudo foi tão natural, fluído, rápido, divertido (embora com momentos dramáticos), foi tudo uma grande e revigorante sessão de terapia.
Foi dela que eu precisei tantas vezes nestes longos anos, em diversos momentos cruciais. Mas o que são nove anos passados, se ainda temos meros 30 e uma vida inteiríssima repleta de possibilidades pela frente?

(devido à ânsia em atualizar-nos mutuamente, cometi o erro medonho de não registrar o reencontro fotograficamente. Mas Lora W. há de me enviar uma fotinho, ainda que das antigas, né?)

18.7.08

Erasure, o celular e o motoboy

Aí a morenaça belzebu mais alisada ever - sempre ela - resolve quebrar o marasmo da noite de quarta-feira com a seguinte pérola:


Eu: Então, Manékia diz que todas as músicas do mundo são dela, a fazem lembrar de bons momentos de sua vida. Seu "hino", por exemplo, vejam só, é a breguérrima "Deixa a vida me levar, vida leeeeva eu...", cantarolei.

Esperta e antenadíssima, Charlotte rebate, muito defensorinha das raízes da Música Popular Brasileira:

- Ah, mas essa tudo bem, né? Martinho da Vila é legal.


Silêncio...


Manékia quebra o gelo observando:

- Mas isso aí é Zeca Pagodinho...


Ok.


Com a chegada da nova integrante do clubinho mais restrito do mundo, Talita, os ânimos se inflamaram. Skolzinha vai, Skolzinha vem, acabou o estoque.

- Liga pro motoboy e pede maaaaais! Eu pago! - bradou a nordestina latifundiária e cacaueira.

Charlotte, obediente e já de boca seca, se agarra ao telefone e encomenda mais uma dúzia. Quando o motoboy chega, no entanto, não havia troco para uma das inúmeras notas de R$ 100 de nossa rica anfitriã. Belzeba se agita:

- Mas como assim? Eu PEDI troco! - garantia, categórica.

O jeito foi o rapaz deixar seu próprio telefone celular como garantia, até trazer o devido troco. Aí começou a festa.

Primeiro porque, de posse do celular, e esquecendo momentaneamente conceitos importantes como respeito ao próximo, tratei de fuçar as mensagens do rapagão. Eram duas. A primeira dizia:

"Fiquei muito preocupado com você, princesa. Chegou bem no castelo?".

Achei fofo, bonitinho, mega-romântico, uma graça. Aí, a segunda mensagem, em caixa alta:

"VOCÊ É CASADA???".


...


Charlotte, a DJ nas horas vagas, trata de zapear o cellphone do rapaz em busca de hits musicais. Tinha Aerosmith, tinha Engenheiros do Hawaií e tinha até MV Bill, que o mano não era fraco. Mas aí descobrimos Erasure:


A Little Respect


I try to discover

A little something to make me sweeter

Oh baby refrain

From breaking my heart

I'm so in love with you

I'll be forever blue

That you give me no reason

Why you're making me work so hard

That you give me no

That you give me no

That you give me no

That you give me no

Soul, I hear you calling

Oh baby please

Give a little respect

To meeeeeeee!!!!!!!!


Vibramos, ensandecidas com o revival oitentista. Cafofo de Manékia transformou-se em boate badalada. Todo mundo rebolando até o chão. Toca o interfone.

"Ai, o celular do rapaz!", gritamos, as quatro. E quem diz que a técnica em telefonia celular nas horas vagas, Charlotte C., conseguia desligar a geringonça? Aperta daqui, aperta dali, e o motoboy subindo.

Me escondi atrás do armário, riso convulsivo, vergonha absoluta.

A gênia da Charlotte calculou que seria interessante trancar-se no banheiro com o celular disparado nas mãos.

Manékia conseguiu recobrar um tantinho de bom senso e esmurrou a porta do bathroom exigindo o telefone, enquanto "A Little Respect" tomava conta de todo o ambiente.

O rapaz, já na porta, felizmente gargalhava.
A morenaça, um quê constrangida, abriu uma micro-frestinha da porta, esticou o braço e entregou o telefone a uma nordestina em pânico, com o sonzinho no último volume.
Celular entregue, desculpas sinceras aceitas, e reparamos que o bofinho se encontrava com o zíper abertíssimo.
Desfaleci...

Alguns goles depois, decidimos, finalmente, ir embora. No caminho, brunette lembrou-se de solicitar os préstimos de um mototaxista, que o conduziria até sua residência.
Enquanto esperávamos, ríamos da noite conturbada, torcendo para não cruzarmos mais com o mocinho do celular do Erasure, pelo menos nos próximos meses.
A moto de Charlotte desponta na esquina da padre Bernardo. E adivinha quem era o motoboy?

16.7.08

O retorno de Madame (ou "A Inhóga")

A escolinha da neta de Madame Louise, para os ignorantes uma das figuras mais influentes na sociedade sharkcitiana, realiza, com certa freqüência, eventos que envolvam pais e filhos. Pois bem. No último fim de semana Madame, cercada por seus asseclas (princesa Déia e os súditos Guigui e Henrique), acompanhou Rafaela I ao colégio, onde a pequena participaria de um divertidíssimo convescote social. Divertidíssimo é apelido.
Todos sabemos aqui da relutância de Madame ao aceitar os milenares hábitos e costumes orientais. A prática da swásthya yoga, por exemplo, é capaz de fazer Madame adormecer em questão de segundos. "Inhóga... humpf!", resmunga Louise, questionando a eficácia dos movimentos lentos e delicados feitos sobre um colchonete fino.
"Várias salas foram transformadas em oficinas para a realização de atividades das mais diversas. Em uma delas, encontramos os tais colchonetes espalhados pelo chão. Não tive dúvidas, chamei Guigui e Henrique e nos jogamos", conta princesa Déia, que, como se sabe, não paga imposto para rir (ou gargalhar, ou perder o fôlego e se afogar em lágrimas de tanto riso). Não deu outra. Todos posicionados, perceberam a presença de Madame, contrariada, pertinho da porta, sentada em uma cadeirinha, tentando controlar seu ar blasé.
A mulher-instrutora de inhóga, de frente para o grupo, pede que todos relaxem, respirem bem fundo e "imaginem uma luz branca entrando". Madame se contorce na cadeira, faz aquela cara de quem perguntava "entrando aonde?" e passa o dedo indicador pelas narinas, como que se livrando de um incômodo fio de cabelo ou de uma gota de coriza, gesto universalmente reconhecido por todos os integrantes do clã Teixeira, independente de qual continente habitem.
Pra piorar o quadro, instrutora pede que todos executem o mais famoso mantra da técnica de relaxamento, o Ohmmmmm. Pronto. Madame geme alto e circunda os lábios com o indicador e o polegar, como se limpasse os contornos de um batom mal-aplicado. Foi a gota d´água. Princesa Déia não se contém e atira-se sob o colchonete, em movimentos convulsivos. Foi retirada da sala pela segurança do campus universitário.

A Estranha Perfeita (nem tão perfeita assim)

Baseado em fatos reais:

Por algum motivo ainda desconhecido da humanidade, acreditamos piamente que as mazelas sofridas pelos outros jamais irão bater em nossas portas - até o dia em que batem. Acidentes bizarros, confusões absurdas, dramalhões mexicanos, grandes problemas familiares, tudo parece muito distante de nossas pacatas realidades quando nos encontramos na função de meros expectadores.
Alceu acompanhava, indignado, os noticiários da TV, onde a podridão da sociedade é cruelmente dissecada, todos os dias. Jamais imaginou que um revés digno de Manoel Carlos se abateria sobre sua vida. Bem casado, Alceu julgava ser uma pessoa desmedidamente feliz. Para espantar os momentos de solidão longe da amada - o casal, modernamente, vive em casas separadas - o rapaz teve a infeliz idéia de circular por determinados ambientes virtuais que lhe proporcionassem certo amparo sentimental.
Foi quando conheceu Danielle B. A moça, carente e solitária, eternamente à procura de um grande amor, contou passar seus dias entre a fábrica onde ocupava um importante cargo de engenheira e sua casa, onde morava com sua mamã. Curiosamente, a pobreza de vocabulário e a estreiteza das idéias não provocaram desconfiança a Alceu.
Da sala de bate-papo a amizade migrou para endereços de e-mail e de conversas instantâneas mais privadas. Quando deu por si, o rapaz já havia se habituado ao frescor de uma conversa descompromissada em meio ao seu turbulento ritmo de vida; habituou-se à bajulação da admiradora à distância, sempre tão solícita, disponível, compreensiva e carinhosa. Seu ego e sua auto-estima foram parar nas alturas e até o relacionamento com a esposa, sempre tão tranqüilo, tornou-se subitamente mais picante e passional.
"Certo dia ela me contou que faria uma delicada cirurgia de períneo. Deu detalhes, revelou que sofria com incontinência urinária e que sempre sonhara em acordar limpinha e seca em sua cama. Disse que também iria aproveitar a intervenção cirúrgica para cauterizar algumas verrugas genitais, coisinha básica. No dia da cirurgia, mandei mensagem desejando boa sorte. Logo depois, enquanto resolvia importantes questões de trabalho, na firma, recebo uma ligação dela. O céu desabou", relata Alceu, o idiota.
Danielle - se é que ainda podemos chamá-la assim - parecia outra. Não mais a moça inexperiente de antes. Uma outra mulher, de língua ferina e vocabulário (ainda mais) chulo. Revelou não se chamar Danielle B., não trabalhar em fábricas paulistas, não ser engenheira, não nada. Contou uma história maluca onde teria sido muito bem paga para fisgar o otário do Alceu e levantar o máximo de material possível - entre e-mails, conversas de messenger e telefonemas - que comprovassem o menor indício de infidelidade da parte do gajo. O plano maligno visava chantagem.
"Meu trabalho aqui já foi feito, encomendado por uma pessoa que te odeia muito e que quer destruir o teu casamento" (sim, foram estas as palavras usadas pela golpista, e não apenas um recurso literário piegas). "Fiquei tão nervoso que, se fosse mulher, minha menstruação teria descido na mesma hora", contou Alceu aos amigos, depois.
Drama maior foi contar toda a travessura para sua tão amada esposa - antes mesmo que esta descobrisse por outras vias. Tudo foi resolvido e o casal, felizmente, voltou às boas.
Alceu abandonou de vez a internet - hoje só a usa para trabalhar.
E Danielle B.? Esta, enquanto trata de suas verrugas genitais - este ponto, de acordo com a mesma, era o único verdadeiro - está sendo cuidadosamente vigiada. Por enquanto, à distância. We´re watching you, Danny girl...

Relato de uma noite em Shark city

Nem bem se assentava a segunda Original e a pernambucaninha arretada já pedia água - ou melhor, pedia louça. Aí que euzinha aqui fiquei por longos 20 minutos solita na mesa do lendário Youngest Child, em Shark, reduto das beldades mais cinquentonas do Sul catarina.
Fiquei então a observar a movimentação intensa da casa que serve deliciosas "carnes na tauba ®", onde a voz e violão de ocasião capricha num mix entre Djavan, Jota Quest e Ivetinha, levando muitas às lágrimas enquanto cantarolam: "Voe por todo o má-ar, e volte aquiiiiii, pro meu peeeeeitooo".
Nordestininha girl volta, finalmente, translúcida e suando frio: "Olha, acho que botei a febre pra fora", observou. A febre, as taças de Original e o filezinho-falcatrua.

A galerinha foi chegando e se aboletando à mesa e eu finalmente me digno em ir ao bathroom. No recinto, três gatinhas que já ultrapassaram o cabo da boa esperança há milhões. Uma delas, a mais "madura", se exibia faceira em um caftan (há, pergunta se ela sabia o que era caftan?), de tecido vaporoso e print felino (esta eu aprendi lendo a Estilo). As companheiras, em uníssono:
- Ai, amiga, que brusa linnnnnnda!
- É, né? Comprei na ABaratinha. Lá as peça é tudo excrusivo. Se alguém levar uma, tu não achas igual. Se não tiver do teu tamanho, tu vais ficar sem. Esta blusa aqui, por exempro, você já não vai encontrar mais por lá".

Pensei: "Graças a Deus".

A noite terminou de maneira tranqüila e habitual, com os garçons do Youngest Child nos colocando para fora do recinto, junto com o lixo. Sim, eu também estou nesta comunidade do Orkut...

11.7.08

Saia justa ao vivo

E então o apresentador/colunista mais popular da TV catarinense entrevistava a cantora Marina Lima, que toca em Floripa neste findi, I guess. Sou da época em que "À Francesa" não era conhecida apenas como um pagode do "Jeito Maluco" (né, Teteu?) e sempre gostei da moça. Aí que após um período conturbado na carreira (de acordo com o colunista, depressão, síndrome do pânico, perda de voz e etecétera), Marina volta à carga. Mas a entrevista, oh, meu Pai do céu, foi o cúmulo da Vergonha Alheia, coisa jamais vista por moi.
Primeiro que o moço já tascou perguntinha indiscreta querendo saber se a mulher se identificava com a diva Amy Winehouse. Ai. Aí que Marina disse que nem sabia direito quem era ela, desconversou, sem graça. Afinal, não é muito legal ser comparada com uma absurdinha de 20 e poucos que se embriaga diariamente em frente às câmeras e defende o marido-marginal em público, com unhas e dentes - apesar de toda a sua genialidade, devo admitir, como fã da inglesinha.
(observação pertinente: Marina não dava sinais de total lucidez ou controle sobre si mesma, acho que a síndrome do pânico ou o TOC ou o transtorno bipolar ainda não foram curados).
Pergunta besta vai, pergunta besta vem, e aí surge o horror:
O colunista observa:
- 1980, eu e Nelsinho Motta acompanhamos um de seus primeiros shows, na Bahia. De lá pra cá, o que mudou?
Marina, emputecidíssima e louca da calcinha, rebate:
_ Ah, é? E vocês, continuam juntos?

...

O rapaz, casado e pai de filhos, totalmente sem graça, só balbucia:
- Somos grandes amigos.

Cuén.

29.6.08

Anarriê

Frase do mês (junino):
"Isso daí, ó, isso daí quem tem chapa não pode comer".


(Madame Louise, referindo-se à maçã do amor caramelisadíssima, na festa junina da Ju. O que mostra seu espírito solidário a todos os infelizes que não possuem seus molares e caninos originais).

"Sexo na cidade", ou "Saudades eternas"

Sim! Fui assistir à tão esperada produção Sex and the city. Uau! Amei, simplesmente amei, apesar de não ter muita certeza quanto à decisão da querida Charlotte. Mas o que faz um par de Manolos, não é mesmo? Vou rezar pra conseguir o meu, algum dia nesta vida. Afff. Porque tudo fica melhor com um Manolo nos pés, né?
E quando os dias ficam meio nublados e indistintos acho que a gente tem é que escrever pra desabafar, não é? Porque o blog é pra isto mesmo. Então, em breve, post sobre minha querida avozinha, que me deixou na última sexta-feira. Tá lá agora, me olhando de cima e torcendo por mim, como sempre o fez. Te amo pra sempre, velhinha!

Frutíferas

Assistindo ao meu mais novo programa preferido, Miami Ink (já planejo uma tattoo no quadril), recebo mensagem de Johnny boy dizendo estar debulhado em lágrimas vendo o programa da musa Lu Gimenez. Confesso que desde o advento da cable tv no meu recinto, tenho desprezado programas cults como o da nossa querida rollingstone girl, sempre imperdível (Madame Louise que o diga).
Numa rápida zapeada (até aprender que a Rede TV! é o canal 6), vejo a musa recebendo o que eu acho se chamar MC´s, com suas respectivas dançarinas - as meninas-fruta do momento, em terra brasilis. Vergonha.
Enquanto o sujeitinho se contorcia em trejeitos de gueto, a gata ficava expondo seus atrativos: a vantajosa (e hiperdotada) derrière, "privilégio" que descobri não ser unicamente da bizarria denominada "Melancia". Subitamente, dezenas (ou centenas?) de meninas de quadril de 1,20m dominaram o Brasil.
Bons tempos em que as partes baixas das ordinááááááárias Carlinha P. e Scheilas do Tchan impressionavam, com meros 1 metro de quadril. Agora, o céu (e uma boa calça Da Gang) é o limite.
Que venham os pães recheados de linguicinha e molho vinagrete!
Quando eu começava a acreditar na chegada de uma nova era - quando nós, mulheres, começaríamos a sermos finalmente vistas como algo a mais que meros instrumentos para a perpetuação da espécie e para satisfazer os desejos masculinos, e sim como companheiras, iguais, surgem estas aberrações e parece que décadas de dura evolução foram em vão - Deus me livre abusar do teor panfletário/feminista.

Mas uma coisa não víamos há tempos: a celebração da mulher (over) gostosa, da mulher-Brasil/ mulher culote e barriguinha saltada, mulher musa de Botero.
Pode se considerar este amor à gordura um ponto positivo, em frente à obsessão pela magreza às últimas conseqüências? Não, definitivamente.
Em ambos os casos, a mulher ainda não passa de um reles objeto feito para o sexo, com alguns orifícios para a introdução de paus.

Cidadã

São os R$ 20 mais fáceis do mundo. O cara do exame demissional (ou admissional, para os felizardos) carimba seu documento que atesta, para os devidos fins, que você não adquiriu nenhuma moléstia durante os anos de serviço prestados à sua (ex) empresa.
Aí ele te entrega o papel carimbado e - achei curioso - te deseja boa sorte. Aí era aquela filinha de desempregados (ou recém-admitidos) na porta da sala do cara (que é médico, haha) e ele dizendo, intermitente: bom-dia, boa sorte; bom-dia, boa sorte; bom-dia, boa sorte...

O próximo passo é fazer o "cartão do cidadão". Há! Se há um ponto positivo em tudo isto? Com fgts, saída, salários, blablabla, tornei-me uma mulher riquinha. Paris está logo ali, bem mais próxima...

19.6.08

Tempos de ócio

Uma das vantagens de estar desempregada é poder ficar bundando em casa o dia inteiro de moleton. O ruim é não precisar usar brincos nem make-up.

É bom ter todo o tempo disponível para fazer pequenas coisas, como ir ao supermercado comprar Pringles, ir à manicure (que andava tão atrasada), tirar a sobrancelha, estudar ou ler "As Mulheres Mais Perversas da História" (que eu já terminei). Mas existem os (inúmeros) momentos em que nem mesmo a vastíssima programação da tv a cabo é suficiente para te distrair.

É muito bom saber que você tem um bocado de afazeres domésticos para serem concluídos e que mesmo assim pode se dar ao luxo de protelar a hora da faxina, porque sempre haverá tempo para tais atividades mundanas.

Sem dúvida o pior em se ficar desempregada é não contar com aquele troquinho que pingava em sua conta bancária mensalmente. E tão ruim quanto isto é se ver afastada dos bons amigos cultivados durante o tempo dedicado à empresa. No meu caso, por exemplo, entrei numas de me sentir mega-ultra carente, acho que todos vão me abandonar a qualquer momento, buá.

Acho que uma boa alternativa de uso da grana que devo receber pela saída é ir às lojinhas descoladas da cidade e gastar tuuuuuuuuuuuuuuudo em roupas e sapatos que eu jamais vou usar (ahahahahah, ironia pura e piada interna).

Ainda não cheguei na fase de me preocupar com o futuro (claro, estou demitida há apenas dois dias), e espero voltar à labuta antes de passar por tudo isso. E como ainda não tenho motivos para me descabelar, vou ali tomar um café na padaria e depois me enrolar no cobertor azul na frente da TV. Hum, tive uma idéia: chocolate quente!

Ah, sim: voltem a trabalhar, que vocês têm família para sustentar.

P.S.: com todo este tempo livre, prometo tornar as blogagens mais freqüentes, até pra não enferrujar na bela arte de escrever (bobagens).

14.6.08

Você sabe que...

Você sabe que o limite da intimidade foi alcançado quando a amiga, em uma noite de sábado, depois de alguns cálices (cálices?) de vinho (vinho?) vira pra você e diz:
- Hum, acho que preciso mudar de desodorante...
É o vinho, né?