29.2.08

Tópicos congelantes (e literários)

Ah, as férias... dias de sol, mar, manhãs de mergulhos e frescobol, tardes de produtivíssimas sonecas, momento perfeito para pôr a leitura em dia. E neste período de ócio extremado e inatividade em plena forma, pude degustar alguns bons exemplares da literatura mundial. Se não, vejamos:
* O primeiro foi O Gattopardo, de Lampedusa, obra primorosa que conta a história (do tipo apogeu até a derrocada) do príncipe de Salina, do fim do século 19 ao início do 20, coisa de 30 ou 40 anos, passando pela conturbada unificação da Itália. Uma saga deliciosíssima, com um texto primoroso - sem nem citar o encantador Bendicò, um dos personagens mais cativantes e que me valeu uma ou outra lágrima furtiva, em determinados capítulos (que não convém citar).


* A Ilha do Dia Anterior, de Umberto Eco: esse me aborreceu um pouquinho, mas só lá no final. Quem sou moi pra questionar Umberto Eco, amo e senhor, mas eu faria um final diferente. De resto, a habilidade do intelectual italiano nas letras é incontestável, coisa linda de Deus, a ponto de me fazer parar a leitura em alguns momentos para dizer, abismada: "Vai escrever bem assim na putaqueopariu".

* E, finalmente, o desafio do ano, o cultuadíssimo calhamaço de James Joyce, Ulisses, o qual, até o momento, consegui vencer (mais ou menos) 300 páginas. São (mais de) 800. E olha que eu não sou de contar, mas a letra é tããããooooooo pequenininha... Tem tudo para se tornar o novo Crime e Castigo e empoeirar na minha mesinha de cabeceira.

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E nestes últimos dias de meu período de reclusão voluntária na Terra de Anita têm sido extremamente prejudicial para meu bronze-tentação-Guarapari-sun, conquistado a duras penas com Sundown fator 8 (!!!). O frio e o vento cortante, aliados ao guarda-roupa exclusivamente feito por peças veranescas, fazem com que eu circule por aí (inclusive aqui na lan house) enrolada em uma bela canga praiana cheirando a maresia, muita fina, elegante e sincera. Se a blond ambition M. Zim me visse nestes trajes abriria um blog só para zoação pura e sem reservas.

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E em dias em que não contamos com a intercessão divina na TV a cabo, devemos nos contentar com o que há na programação gratuita. E entre tanto lixo pavoroso e embrutecedor (como Maria Cândida, Geraldo Luís, Poeira em Alto Mar, Zorra Total, Caminhos do Coração e Duas Caras), descobri um programinha-lixo mais palatável e totalmente supimpa na Record! Viva! É o Troca de Famílias, todas as terças e quintas no canal dos bispos. Sério, é imperdível. Pelo menos uma olhadinha rápida.

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Os votos de get better soon de hoje vão para a loiraça mais papelão de Shark. Miche girl decepou o cotovelo enquanto passeava, toda pimpona, a bordo de saltinhos 12 (baixos assim porque eram apenas para a aula de inglês, queriam o que?). Nada que um band-aid da Hello Kitty não resolva, não é mesmo?

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Aí que a parentalha finalmente enxergou possibilidades na pessoazinha aqui, e descobriu que valeu de algo eu ter ido estudar fora: virei a escritora oficial do Clã Teixeira. Já foram biografias (parte da vida e obra de Madame Louise, por exemplo), discursos, homenagens, redações, dicionários, requerimentos e petições diversos.
A tarefa de hoje, no entanto, ficou em exaltar os 15 anos de uma prima distante, completados amanhã. Ok, sem problemas. Questão importantíssima é que o textículo deverá ser recitado por nada mais nada menos do que um locutor de Disk-homenagem, que desembarca de um carro plotado até o motor com corações, flores e balões coloridos, com Celine Dion, Kenny G. ou Ivete Sangalo até o talo, manja? A verdadeira visão do inferno para 10 a cada 10 Johns (hahahahaha).

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E agora que o ano começa de vez, iniciam os movimentos para a mega-festança que vai barbarizar Shark city em maio (só perdendo para o casório da Carol), em comemoração (hein?) à minha entrada triunfal no mundo balzaquiano (mas com carinha de 26). Aguardem. E economizem para os presentes.

20.2.08

The Next Day

E não bastasse o randevú da reunião de condomínio, vizinha (ex) bate em minha ex-porta mais uma vez, no dia seguinte, para bebericarmos um inofensivo licorzinho de genipapo. E, oras, bolas, férias é para isso mesmo, não é?
Aí que, de duas, tornamo-nos quatro (marido e Manékia). E, de quatro, sete (Tulipinhos 1 e 2 e Chapola), e de sete, nove (Carooool, Amigaaaaaaaa e seu Bebê). Danou-se total.
E não bastasse dona C. Chagas ter quebrado a TV, o computador e o home theater de Manékia, a Vizinha do Mal quebrou também meu carésimo e idolatrado CD da trilha sonora de Marie Antoinete. Só porque eu não quis emprestá-lo (e porque ela só devolve quatro anos depois, e se).

Quando observei que talvez, em breve, nos mudaríamos para um edifício lúgubre e mal-iluminado (e longe da maldita Chama, afinal), Charlotte pia mais alto: "Não vão, não vão, não vão! Procurem melhor, senão vão acabar morando numa caverna que nem a da Germana!".

Depois disso, foram múltiplos os devaneios de uma deliciosa noite de verão. Seguem alguns dos inúmeros e hilários diálogos:

Germana: "Se Carla fosse para o BBB, ou ela seria a primeira eliminada ou seria a vencedora. Sem meio-termo. Iria apanhar na rua depois, de qualquer jeito..."

Germana: "Ó, manda mensagem pra Carol, eu tenho crédito".
Carla: "Tá".
Carla: (um minuto depois) "Ah, não vou mandar não".
Germana: "A Carla é baiana..."

Alguém para outro alguém (devidamente não identificáveis): "Eu vou dormir lá na tua casa. Vou cagar tanto, mas taaaaaaaanto lá..."

Carla: "Germana, eu tava lendo (fuçando) o teu perfil no Orkut... bem interessante, né? Aí diz assim. Livros: todos, menos os de auto-ajuda. Aí eu pergunto, Cíntia e Caetano, O Segredo é livro de que?
Cíntia e Caetano, em uníssono: "AUTO-AJUDA".
Germana: O Segredo é auto-ajudaaaaaaaaaaaaaa??????????", (horrorizada).

Frases esparsas:
Germana: "Eu tenho medo do Perna Cabeluda
Carla: "Cabeluda my ass!"

Carla: "O Saci não é cabeludo, eu já passei a mão!".

O reencontro:
Carol, minha amiga e de Germana, finalmente reencontra a coleguinha Carla, a fugitiva, após mais de dois anos de contatos apenas virtuais.
"Amigaaaaaaaaaaaa, que cabelo é esse?", questionaram, ambas, ao mesmo tempo.

No final de tudo, Chagas buscando (e encontrando) isqueiros alheios na mesa (acho que o do Chapola). "Eu vou acender meu fogão com este isqueiro amanhã", planejou, enquanto guardava o dito em sua misteriosa bolsa marrom.

Reunião de condomínio

A primeira reunião de condomínio a gente nunca esquece (!). A gente percebe que já não é mais uma garotinha ao participar de uma reunião de condomínio (!!!). Nenhuma reunião de condomínio passaria em brancas nuvens se contasse com a presença contagiante da (agora ex) vizinha Charlotte.
Foram cutucões bruscos, risinhos abafados e lágrimas na periferia ocular, tudo por conta de nossa morenaça belzebu favorita.
Primeiro, porque, ambas de férias, não conseguimos recusar aquela(s) gelada(s) minutos (horas) antes do grande encontro condominial. O resultado foi este mesmo: já entramos tropeçando na pobre Marmota.
Aí descobrimos que aquele empresário de renome que até comunidade-homenagem no Orkut tem é um baita de um velhaco de condomínio. Carla não pôde se conter e lançou-me a pérola, ao pé do ouvido:
"Não sei porquê, mas lembrei-me de Germana, coitada... Sabe como é, né?, ladrão que rouba ladrão...". Entendam como quiserem.
Depois foram os antitabagistas crônicos, os gays nervosinhos quebradores de portas alheias, a aparição surreal de Jesus Christ Superstar até que minha amiga, acusada injustamente de verter uns gorós goela abaixo com extrema freqüência, lança, acusatória, ao presidente da mesa:
"W., eu bebo, sim. Eu bebo. Mas eu bebo porque CHOVE DENTRO DA MINHA CASA!", queixou-se, usando as pobres goteirinhas de seu apê como causa de seu vício.
Não encontrei mais motivos reais para continuar naquele recinto e me retirei.

6.2.08

Shark city´s tales

Dexter
Sim! Finalmente assisti ao primeiro episódio da 4ª temporada de Lost! E como diria dona Neide, acho que eles botam maconha nisso. Totalmente viciante.
E para os seriemaníacos, um novo (e glorioso) período se inicia. Após este tedioso Carnaval, na próxima semana, início das novas temporadas. Yes! CSI, CSI, CSI! And Desperate Housewives!

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Putz, agora que lembrei... certamente não vou dispôr de cable tv na praia. Mas e não é esta a idéia? Um pouco de sol e ar fresco sempre caem bem (tanta contradição...)

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Soap Opera
É muito ruim assistir ao capítulo de uma novela/ programa de TV qualquer que exija acompanhamento prévio quando você não faz sequer idéia da trama nem do título do folhetim. Tão ruim quanto ler em letras garrafais, na capa de uma revista bagaceira, "VALDEMIR É ASSASSINADO NA FAVELINHA", or something. E como assim alguém consegue "roubar" uma universidade? Tragicômico.

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Conflito
Chego na casa da avozinha e, após cumprimentos de praxe, observo que meu Carnaval está sendo uma merda, já que marido colou na frente da (única) TV vendo o campeonato africano.
A vó nem perde tempo simulando pena. "Deixa, ué?", disse, segurando meu braço. "Deixa ele ver futebol. Ele não é um marido bom? Então?".
Madame Louise, muito fina, mordiscando biscoitinhos recém-assados pela criada de vovó, acrescenta. "Deixa, boba! Sai sozinha, ué? Pior seria se ele estivesse no bar, enchendo o escorno de cachaça, ou ainda pior, na putaria. Deixa ver o jogo, menos mal", observou.
Neide, que sabe da "paixão" da filha pelos festejos momescos, disfarça certa compaixão e sugere: "É melhor comprarem outra TV. Ou então chama a Carla e a Germana!".

Fim

3.2.08

Doctor 90210 ou a frivolidade do bisturi

Enquanto executava minha faxina de início de férias (a próxima será só no fim deste período. Sorry, marido), fiquei acompanhando um de meus programas prediletos, o Doctor 90210, no meu canal favorito, o E!. No programa, pessoas resolvem diuntudo: de seríssimos problemas ditos "estéticos", como a falta de um pênis (sério) ou lábios leporinos volumosos, até "necessidades" bastante esdrúxulas, do naipe da Angela Bismarck, como pular do sutiã 52 para um 62, com próteses de 1 litro, ou enxertar gordura animal na beiçola pra fazer a Jolie.
Ontem (sexta-feira) foram dois casos extraordinariamente mais absurdos do que a média (para mim, pelo menos): uma garotinha de uns 17 anos que vivia REALMENTE infeliz e deprimida, a ponto de preocupar a própria mãe, por conta de seus peitos - bastante normais para o padrão brasileiro. A mocinha, apoiadíssima pela mãe, que queria vê-la livre desta angústia, sonhava em inflar o sutiã para o 44 grande, sabe-se lá o que isso representa na América.
A menina, bem bonitinha, Avril Lavigne style, magérrima de doer, ficou discutindo com a médica (ainda que educadamente), insatisfeita com os APENAS 350 ml que a doutora queria pôr (achava pouco).
Em outra situação, um andróide monstruoso plastificado, identificada como Tabitha Stevens, atriz pornô bastante conhecida naquele país (hahahahahaha), fez mais uma participação no programa. Desta vez a moça bonita estava em pânico porque tinha observado uns "furinhos" na parte posterior de suas coxas. Quase caiu pra trás quando o médico disse que era celulite. Só para constar: Tabitha Stevens já fez anal bleaching - para quem não sabe, o clareamento da região anal, com produtinhos específicos. Mas ela precisa, néãm?, ossos do ofício...

Sou totalmente pró-cirurgia plástica, acredito mesmo que, se há algo incômodo no visual, não há problemas em se submeter a um procedimento cirúrgico para correção. Mas vamos por partes:
A mãe da adolescente sofria pela filha porque esta havia sido "infeliz" durante todo o high school por conta dos peitinhos ditos miúdos. Não era mais eficaz pagar uma terapia? No fim, com tanta amargura e complexo, até torci pra menina ficar corcunda com tanta comissão de frente, mas que diabo de sociedade é esta (tanto lá quanto aqui, vamos e venhamos) que tem o poder de deprimir uma menina linda porque ela não faz a linha Pamela?
Ninguém se dá conta de que há algo absurdamente errado nisso? É a ditadura do bisturi, dos analistas e do Prozac.
E quanto à coroa Angela Bismarch style (a atriz pornô), a lôca teve a ousadia de perguntar ao médico se, após o tratamento, deveria evitar tapinhas, beliscões e sexo selvagem, por algum tempo. A surpresa, aliás, só durou até eu descobrir que ela era atriz de "filmes adultos". Depois a gente entende, claro, somos muito compreensíveis, trabalho é trabalho...

Tensão Permanente de Merda...

Aí que uma incômoda sensação de aperto na boca do estômago me assolou durante as últimas semanas. Claaaaro que só podia ser câncer e permaneci por dois ou três dias fritando na cama all night long, obcecada por todas as conseqüências de se viver com uma doença tão cruel. Aí, por insistência (e instinto de auto-sobrevivência) do marido, este pobre atormentado, fui ao médico. And guest what? Tensão.
E aí que me perguntei, após a consulta: em que momento euzinha aqui, outrora tão relax girl, me transformei em uma pessoa absolutamente ansiosa, tensa e aflita - a ponto até de assustar o próprio doutor, certamente habituado a conviver com os mais surtados hipocondríacos? Quando me forcei uma auto-avaliação pude enxergar uma mulherzinha de fala terrivelmente rápida, torcendo as mãos e soltando risadinhas sem graça enquanto descrevia seus múltiplos sintomas e suas dores infindas - e que, como já me antecipei, foram atribuídas só e unicamente ao estresse.
Então finalmente pus as mãozinhas delicadas na cabeça e tomei minha primeira resolução de Ano-novo (de toda a minha vida): voltar a ser tão tranqüila e despreocupada quanto o era antes, há alguns bons pares de anos. Ui, resoluções são tão dramáticas, decisivas e impactantes... já tá até me dando um nervoso...

31.1.08

Holydays

Yep! Primeiro dia das minhas tão merecidas férias! E para ilustrar este momento ilustre, imagem de minha querida sertaneja, Germana girl, em momento "bate forte o tambor, eu quero tiquetique tiquetique-tá". A moça, repórter de mão cheia, num furo de reportagem com o bandleader da outrora tão famosa Carrapicho, conhecido popularmente como Bruxa do Pica-Pau ou, ainda, Zezinho. Direto de Manaus:



A moça se encantou foi com os cachos doirados de Zezinho. Fogo e paixão. "Vermelho, vermelhaço, vermelhusco, vermelhante, vermelhão!" (...)

E agora, sem mais delongas, despeço-me, que vou pra casa dormir enquanto a chuva pinica a janela. Eitcha, que este Carnaval promete...

26.1.08

Gossip girl

O que eu quero nesta vida, minha gente, é ver o circo pegar fogo. Quer dizer, nada assim, do gênero "Roma em chamas", algo mais suave, menos brusco, algo que não mereça a capa dos tablóides sensacionalistas (haha). Mas que tenha fogo, que tenha implicações mil, que tenha veneno, picardias, que tenha múltiplas versões, controvérsias e uma pitadinha de polêmica.
O que eu quero é ser confortavelmente informada sobre quem está comendo quem, que a filha da fulana está prenhe, que o político influente em cidade X vai até cidade Y dançar vanerão e Latino de calça colada acompanhado de um séquito de amigos, todos igualmente gays. Que a nova funcionária daquela empresa está dando para o estoquista, no sétimo andar, deixando camisinhas usadas em todas as lixeirinhas (hahahahaha).
Quero só saber de coisas do tipo bizarre style, como o caso do coleguinha de trabalho que solicita serviços de disk-tóxico com certa freqüência; da moça aquela, do carro fechado na película, que pediu a escova de dentes da amiga (nem tão amiga assim) emprestada; da magrinha ninfomaníaca que, na cara dura, pediu DOZE folhas de cheque emprestadas para todos do setor onde trabalha.
Que o beltrano se separou; que a ciclana foi chutada e que a dita-cuja passa suas inúmeras horas de solidão fazendo sexo virtual usando uma falsa identidade na net. Que a amiga da amiga passa suas longas e insuportáveis noites agarrada num garrafão de rum e que aquele conhecido tem ornado a cabeça da esposa com belas hastes chifráceas durante todas as quartas-feiras, quando vai se divertir com alguém colhido no trevo da Vesul (ou rua da rodoviária nova, whatever).
Enfim, são coisas que fazem a vida valer a pena, não é mesmo? E coisas que, infelizmente, não podemos abrir assim, sem comprometer imagens alheias. Mas que dariam histórias bombásticas por estas plagas, ah, dariam... quem sabe um dia (ou uma noite, em casa de G. girl). Em breve, mais.

24.1.08

Momento ternurinha felina

Prefiro os cãezinhos e sou mais da prosa que da poesia, mas não pude resistir a este poeminha do Ferreira Gullar, roubado do blog Fogo nas Entranhas (do qual gosto muitcho). Não é que é isso mesmo? Motorzinho... hahahahaha! Pra ilustrar, a blogueira ainda usou a foto de um gatinho cinza-prata, igualzinho ao meu Catherine (era macho, mas como o acolhemos micro-filhote não sabíamos o sexo, ele mal tinha pintinho. Como eu lia O Morro dos Ventos Uivantes, na época, pus o nome da protagonista. Aí ficou Kathy, forever. Lindo e antipático de morrer).


O gato é uma maquininha
que a natureza inventou;
tem pêlo, bigode, unhas
e dentro tem um motor.

Mas um motor diferente
desses que tem nos bonecos
porque o motor do gato
não é um motor elétrico.

É um motor afetivo
que bate em seu coração
por isso faz ronron
para mostrar gratidão.

No passado se dizia
que esse ronron tão doce
era causa de alergia
pra quem sofria de tosse.

Tudo bobagem, despeito,
calúnias contra o bichinho:
esse ronron em seu peito
não é doença - é carinho.



A imagem eu não tirei do blog, e sim do google. Igualzinho ao Kathy. Saudades do meu bichinho...

19.1.08

Zodíaco

Nasci às 7h45 de uma quinta-feira de outono, em 4 de maio de um já tão distante 1978. De acordo com o João Bidu, responsável por iniciar milhões de pessoas, no Brasil, às artes da astrologia, sou taurina, ascendente em Gêmeos, e no horóscopo chinês meu signo é o Cavalo. Você pode até me apresentar teorias das mais elaboradas mostrando que a posição de determinados astros e estrelas celestiais, no exato momento em que você nasceu, tenham influenciado de alguma maneira seu jeito de ser e de agir, sua personalidade e suas características mais marcantes. Fique com estas teorias, portanto. Eu, particularmente, me recuso a acreditar, ou sequer tentar entender, o cultuado universo das forças astrais. Detesto. Acho brega, coisa de empregada doméstica (sem querer desmerecer a categoria, for god´s sake). Na minha fantástica cabecinha imaginativa eu relaciono horóscopo com um quartinho 2x2 com um pôster do Amado Batista (ou do Kalipso, sejamos mais modernos) pregado na parede. Pessoas que gostam e acreditam em horóscopos pintam as unhas das mãos e dos pés de manga-rosa, têm o cabelo descolorido bem maltratado e usam legging sem cobrir a buzanfã. De botas mega-plataforma.
Ok, desconto para o desprezo com os fãs da astrologia. É que esta “ciência” (há!), especificamente, na minha humildíssima e taurina opinião, é um pouco pior que religião. São fatos desarrazoados baseados em teorias não muito sensatas, sem qualquer credibilidade e/ou respaldo científico. Acredita quem quer, assim como os que freqüentam cartomantes ou os jogos de búzios.
Probleminha maior é quem pauta sua vida em razão das previsões astrológicas para seu signo. Exemplos constrangedores: há alguns anos, fui visitar minha querida amiga Jane Marie em seu novo apartamento, o qual dividia com algumas moças até então desconhecidas, para mim. Chegando lá fui recepcionada por uma vizinha, que já havia se apresentado e feito “amizade” com as novas moradoras. Eu sento no sofá, a guria, que ficou meio enciumada, me olha dos pés a cabeça e lasca: “De que signo você é?”. Eu, já levemente nauseada, respondi polidamente. “Tour...”. Não acabei de concluir a palavra e a moça solta: “Ai, eu ODEIO quem é de Touro!”. Meu queixo caiu em algum lugar entre o chão da sala e da cozinha. Ela complementou: “Meu pai e minha mãe são de Touro, os DOIS! Por isso que a gente não se dá bem”, concluiu a sábia. Eu já não sabia mais onde enfiar minha carinha constrangida quando minha amiga veio ao meu socorro. É claro que a moça não batia muito bem, mas acredito que a crença em astrologia havia piorado seu estado de espírito e sua relação com outras pessoas.

Ainda há poucos dias alguém soltou a pérola, perto de mim. “Nossa, que pessoa interessante, é bonita, inteligente, bem-humorada... SÓ FALTA SER DE ÁRIES!”. Hahahahahahaha! Como se a pessoa, perfeita do jeito que parecia ser, precisaria necessariamente pertencer ao signo de Áries – tipo pacote completo.

Também há poucos dias coleguinha de trabalho metido a astrólogo afirmou com convicção que “o signo de Aquário é o melhor do zodíaco. O melhor. Não há ninguém melhor que os de Aquário”. Não preciso nem comentar, não é mesmo, minha gente?, com todo respeito que tenho pelos aquarianos, incluindo aí meu amorzinho, a Juju.

O pior de tudo isso? Trabalho num veículo de comunicação e acompanho mais de perto o trabalho dos ditos “astrólogos” em enviar suas previsões “diárias”. Diárias o caráleo, os joãos-bidús mandam um pacotão de previsões para o mês todo, e muito mais, às vezes. Putz, como é que funciona isso? E devo admitir: em alguns momentos da vida, revisando páginas aqui e acolá, euzinha mesma fiz a Bárbara Abramo e escrevi, de próprio punho, as previsões para um dia repleto de realizações e/ou tragédias iminentes para o seu signo regente. Olho vivo...

A dica é: se nada parecer muito promissor e as previsões apontarem para um inferno astral sofrido, é só partir pra macumba. Ou a Cientologia.

18.1.08

Girl power

Então na escola nós aprendemos que existem os três poderes: o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. Aí no curso de Jornalismo nós, orgulhosamente (foca é foda), somos informados de que, oh, glória das glórias, jornalistas são o QUARTO poder (hhahahaha). E aí de repente você se vê beirando os 30, labutando arduamente para poder continuar comprando seus sushis, sashimis e bonecos da Liga da Justiça, quando percebe que existe um quinto poder de soberania inquestionável neste mundo de meu Deus (pelo menos no Ocidental). É o poder da mulher, o poder da racha-mestra, a força que emana debaixo das saias em formato A. Sim, porque devemos admitir, todos, homens e mulheres: poucas entidades são tão poderosas quanto a mulher, quando o querem.
Sem mais delongas, vou relatar a história do dia: um grupo de amigos, todos homens, foi agraciado pela presença inédita de uma jovem nova funcionária no ambiente de trabalho, um escritório de contabilidade de Shark city (hahahaha...). A menina, magrinha, poucas curvas, penetrantes olhos amarelos (né, André?), BURRA feito porta, risadinhas incontroláveis all the time, deslumbrada com as infinitas possibilidades que consegue dimensionar, em seu novo local de trabalho. Os rapazes, moços descolados, vividos, experimentados, curtidos na vida, simplesmente caíram de quatro pela amareladinha. QUATRO. Queixo caído.

As coleguinhas de trabalho mais "antigas" dos moços relatam que o grupo, agora, simplesmente esquece suas obrigações diárias e passa horas a fio a cercar a menina, tal qual atração bizarro/turística, como se um extra-terrestre desse expediente no escritório, tamanha fascinação.

A menina ri. Eles riem também. A menina suspira. Ouve-se um jogral de suspiros. A menina espirra. Uma avalanche de "saúde!" e "God bless you". A menina ronrona (sim, ela é mestra em ronronar). Eles gozam de prazer.

Agora a menina, a qual, mesmo sem conhecer, já aprendi a admirar profundamente, tomou gosto pelas piadinhas. E dá-lhe piada. Os garotos debulham-se no chão de tanta graça e beleza. Ela estrala os dedos, todos se ajoelham aos seus pés. E juro, não há (muito) exagero.

Quer ter homens ao seus pés? Quer se sentir uma Marilyn Monroe em "Os homens preferem as loiras", mesmo sem necessariamente aderir à tintura platinada?
It´s soooo easy, baby! Não estude, não leia, não se informe, não force a barra tentando ser inteligente. Ronrone. Solte risadinhas descontroladas. Gema. Suspire. Faça carinhas, boquinhas e denguinhos. E voilá! Os homens se jogarão aos seus pés, boquiabertos. Deslumbrados. Quarto poder? Quá! O poder é das mulheres, mesmo...
P.S.: não posso esquecer de outra dica muito importante: seja minimamente bonita. Um corpinho de tábua ou uma cinturinha de bujão não ajudam muito.

13.1.08

Privacidade (and happy birthday to you)

Hola, que tal? Então, época de férias são tempos duros para certa categoria de blogueiros que se divide entre dormir e passar o resto do dia trabalhando - os últimos dias (semanas) têm sido deveras duros para a moça aqui, que até então não entendia direitinho a velha e boa expressão jornalística "matar um leão por dia" (há, odeio). But, whatever. Sigamos, entonces.



Vamos então hablar sobre privacidade. Ou a falta dela. Ou o desrespeito a ela. Há alguns dias estávamos, me, marido, Charlotte, the brunette-barraco, and Nordestina girl bebericando alguns mojitos bem gelados quando a anfitriã, em sua nova casinha, lembrou-nos que seu mais novo colega de trabalho - o gringuinho simpático - estaria habitando o mesmo prédio que ela. Ok.

Surpresa foi o que veio dias depois. O hermano chegou para nossa querida nordestininha e, como quem não quer nada, questionou quem seriam as pessoas que dividiam o espaço do diminuto apartamento com ela, exatamente na noite dos mojitos.

"Era uma barulheira, uma mulherada falando e barulhos de latinhas sendo abertas", disparou o intrometidinho. O que me queimou foram "latinhas sendo abertas", coisa de pobre, eu jamais bebo nada que venha em latas (hahahahahaha).

Sem nos bandearmos para o lado da falta de respeito com a vizinhança (vide o caso da boate Chama), e admitindo que, sim, fazíamos certa fuzarquinha, o que raios tem a ver o tal do chilenito para nos interpelar por nossas latinhas abertas? Ó, faça-me o favor... faltou apenas perguntar exatamente O QUE conversávamos, o curioso sem-noção. Antipatia à primeira vista, manja?



E por falarmos em privacidade, descobri algo maravilhoso em minhas incursões orkutianas. Bloqueei qualquer espécie de contato com gente estranha e esquisita que fuça lá pelas minhas paradas. Para ver meu belo e sorridente rostinho nas fotos do álbum, só sendo "amigo". Para fuçar os scraps, too. Mas que coisa mais legal que é este Orkut, não é mesmo, minha gente? Viva!



Ok, hoje o dia está meio fraco de novidades. Volto em breve, com mais news. Beijos e abraços a todos,



Cíntia T.



Ahá! Mas não pense que esqueci, nordestininha arretada. Feliz aniversário para minha queridíssima amiga, vinda da exótica terra do boi voador, do suco de cajá e das ladeiras vertiginosas. G. girl, que voltou a Shark city de mãos abanando, sem a minha galinha d´Angola e meu lampiãozinho, saiba que mesmo assim ainda te queremos muito bem (eu e marido). Felicidades mil!

3.1.08

Fedora

Ah... como eu odeio modismos... brinco gigante numa só orelha, mega-plataforma de madeira torneada, LEGGING, cabelo da Victoria Beckham, por aí. Aliás, modismos e modinhas são tema recorrente por estas plagas. Agora, se há algo mais detestável que modismos, são modismos que-já-dataram-há-anos-luz no mundo e só então chegam nesta região do país.

O amigo André encantou-se pela moda dos malditos chapéus-fedora, hit (re)lançado há coisa de dois anos (ou até mais) pelo carismático e legítimo fazedor de moda Justin Timberlake. Ok.


Só que o André não sabe disso - foi passar o Réveillon numa praia gaúcha e, como é de praxe, voltou se achando muito fashion observer. "A moda agora é usar camisa listrada e um chapéu meio desabado na cabeça", lançou o cabeludo. Não pude deixar de imaginá-lo com o ridículo acessório no meio da vasta cabeleira de R$ 3 mil.
Vamos então analisar a proliferação da maldita moda do chapéu fedora.
De acordo com o oráculo Wikipédia, Fedora é um tipo de chapéu ordinariamente em feltro, fabricado no formato do chapéu Panamá, e que fez grande sucesso no século XX, a partir dos anos 20 (vejam só).
O porquê do nome? A Wiki também tem a resposta! Fedora é um nome feminino russo, versão local para Teodora - e que foi tornado popular na peça teatral Fédora, de Victorien Sardou, feita para Sarah Bernhardt - e depois vertida em ópera, em 1898 - grande sucesso no começo do século XX.
Chega de história. Quando Justin lançou, em 1996, o CD Future Sex Love Sound (eu não curto Justin, só o considero uma grande personalidade), lançou também a moda do chapeuzinho arriado de banda.
Meses depois, no Brasil, a boa-moça-de-família Júnior Lima passou a freqüentar a noite a bordo de um exemplar do gênero (jurando que fazia a linha Justin, há!). Mais muitos meses depois, um maldito Big Brother - que, não à toa, ganhou o apelido de Justin - também posava para as câmeras com um fedora (imitação baratérrima do camelox).
Quaaaase mais um ano depois (e atualmente), e voilá! O fedora aporta em terras sul-brasileiras. Meu novo amigo, Guilherme, disse que o acessório bombou na cabeça dos "mais descolados", em Laguna. E, nas mãos, o hit era uma garrafa pet cortada ao meio cheia de caipirinha de cerveja. Argh...

A dois passos do paraíso

Por uma deliciosa coincidência do destino, nossas amigas habitués do bloguinho mais abandonado de Shark city encontraram-se - ora, vejam só - na RODOVIÁRIA (fino) mais movimentada da América Latina, na Paulicéia Desvairada.
Germana girl, bronzeada (neste caso, bronzeada é eufemismo, para não parecer crime racial), sorridente e saudosa da terrinha sul-catarina; e Charlotte, a furona-de-festa-de-Réveillon-regada-a-champagne-do-bom, mais alisada do que nunca e ostentando um bronze branco-iglú.
Juntas, as meninas bandearam-se para o botequinho mais charmoso das margens do Rio Tietê e, pedidos de ovo de codorna com doses de catuaba feitos, desataram num conversê sem precedentes.
Após brindes animados celebrando o encontro - ora feitos com chopps, ora com rabo de galo - as amigas tiveram que se separar. A paulistana, bem instalada num bólido da Reunidas, ar-condicionado no máximo.
A nordestina, a bordo de um Pluma caindo as pedaços, cujas janelas tiveram que permanecer abertas all the time para aliviar o mormaço de 38 graus. A asa da graúna gritava alucinada no narizinho delicado da garota do Norte, acostumado à água de flor de laranjeira. Ô, dó!
Pior foi o mega-engarrafamento. Foram cinco cruéis horas extras dentro de seus respectivos veículos, esperando pela liberação da via que liga o resto do Brasil ao nobre Estado catarina.
"O que me animou foram os torpedos da Germana, enviados ao longo de todo o trajeto", regalava-se Charla, the refreshing girl.
Germana, por sua vez, narinas pregadas com grampo de roupa para não sentir o mafuá gambasístico de seu recinto móvel, torcia as mãozinhas de excitação a cada quilômetro percorrido, cada vez mais próxima do verdadeiro paraíso terrestre, o Rincão.

P.S.: Germana, a pândega, sempre muito divertida, ainda teve a presença de espírito de enviar torpedinho-pilhéria para nossa amiga brunette. "Onde tu tá?", dizia a mensagem. A remetente, no caso, estava presa no bus, mais uma vez, desta feita em Laguna. O Pluma quebrou, após exaustivas 100 horas de viagem desde Recifolia, cruzando este Brasil de meu Deus. Mais vale o lombo do jegue, como dizia certa redação de jornal...

24.12.07

Best wishes

Passagem rápida só pra desejar um feliz Natal aos queridos e fiéis leitores (e aos poucos que se aventurarem a circular por aqui em pleno feriadão, com destaque). O post é só pra dizer que eu amo Porto Alegre, amei o brick da Redenção e sempre vou amar momentos consumistas. Vou-me, até mais.

21.12.07

Personal VIP

Charlotte C. é uma mulher prática. Adquiriu o cartão Ibi/Angeloni justamente porque o bichinho, além de facilitar sua vida e permitir-lhe luxos como home theather em 48 prestações, ainda reverte em pontos parte da grana investida (coisa na casa dos milhares).
Eventualmente, quando a moça acumula uma boa pontuação (o que acontece com freqüência), ela ruma ao amigo Angelo Toni munida do Ibizão embaixo do braço para trocar por mercadorias úteis. "Pra que vou deixar acumular pontos? Pra trocar por um home theater? Home theater eu já tenho", costuma dizer, gabando-se.
Dia desses os simpáticos, finos e bem-sucedidos vizinhos Cíntia e marido circulavam em busca de sushi pelo Angeloni quando deparam-se com a morenaça negociando com o trocador de pontos do estabelecimento. Debaixo do braço, sua mais nova aquisição trocada: um pacote de Personal V.I.P., branco, folhas duplas, 40 metros.
"Se estou precisando de papel higiênico em casa, venho e troco pelos meus pontos mesmo, ora essa... além do que, não devo explicações a vocês!", disse, furiosa, enquanto nos enxotava do supermercado.
Na hora, pensei: "Isso dá um post no bloguinho". Demorô. Charlotte, espero que o papel higiêncio macio Personal VIP tenha lhe caído bem. E jingle bell, jingle bell, acabou o papel. Não faz mal, não faz mal, limpa com jornal. Nunca a musiquinha satírico-natalícia caiu tão bem, não é mesmo, minha gente?

17.12.07

Visita


Visitinha das mais agradáveis no fim de semana... Ju se prepara para o Natal.

Festas de fim de ano: todo cuidado é pouco

Festas de fim de ano podem se tornar uma lancinante dor de cabeça pelos próximos 12 meses de sua vida. As realizadas como confraternização com colegas de trabalho, então, só devem ser encaradas com seriedade, cuidado redobrado e muito tato.
Não à toa, é bom evitar excessos na bebida e/ou contato físico com companheiros de jornada com os quais você até então só trocava um oi. Sempre é bom lembrar: você está sendo observada. Invariavelmente, pela chefia.
Tábata (nome fictício) é funcionária, há poucos meses, de uma universidade da região. Empolgada com o novo cargo, comprou um bonito vestido estampado, que realçava suas exuberantes formas de 23 aninhos, para ir ao jantar de fim de ano na casa dos chefes (digamos que o dono da casa é uma espécie de reitor, e sua esposa, uma coordenadora-mor, ou qualquer coisa do gênero. Very Important Person).
A moça chegou e aceitou um drink gentilmente servido por um dos garçons. A partir de então, "deitou o queixo", como diria Madame Louise. Foram cervejinhas geladas, vinhos perfumados, martinis ultra-doces, batidinhas de coco e uma dosezinha de uísque para rebater. Do jantar, sequer provou uma azeitona (álcool tira a fome).
Não deu outra: foi parar no banheiro social da elegante residência, literalmente agarrada à privada, reencontrando todo o líquido ingerido na noite e algo mais, entre arroz e banana, não identificável.
Além dos jorros de vômito no banheiro da chefia, Tábata desandou a chorar e a implorar pelo emprego - já o considerava perdido. Mesmo com todas as garantias (ainda que mentirosas) de que ela seria mantida no cargo, por parte da chefia, a moça não parava de se lamentar. De repente, desmaiou.
Pânico na high-society universitária. Ninguém sabia direito o que fazer até que a Big Boss notou um bambolê dourado na mão direita da pobrezinha desfalecida.
- Ei, vamos ligar para o NOIVO dela! Só ele poderá salvá-la! - pensaram todos.
Munida de celular, a patroa encontra o número do noivo da bêbada, importante funcionário público num balneário da região, e relata, educadamente.
- Fulano, olá, tudo bem? Olha, estamos com um probleminha por aqui. A Tábata tomou alguns drinks a mais e agora não está passando muito bem... Tem como você vir buscá-la?
A resposta foi a mais surpreendente. Noivos há quatro anos, o casal já planejava juntar os trapinhos, em breve. Com a notícia da bebedeira, no entanto...
- O QUE??? EU NÃO TENHO MAIS NADA A VER COM ISSO! ELA QUE SE VIRE! - desabafou o rapaz, rompendo um longo noivado por telefone, através da chefe e diante de todos os colegas da rapariga, boquiabertos.
Isso é que é dor de cabeça para 2008...

Quelzinha, a Vênus platinada (parte 2)

Continuando a odisséia de nossa musa tropical, Quelzinha.

Confesso que, maldosamente, eu, John e o amigo Adelson, quarto integrante da trupe, não conseguíamos reprimir risadinhas e nos espetávamos muitas vezes, proferindo comentários jocosos a respeito do visú de nossa querida companheira. Ora, vejam só, deveríamos morder a língua...
Todos solteiros, saímos à caça. Raquel, no entanto, desprezando aquela muvuca toda do Latitude, só soube bocejar e dizer:
- Será que se eu pedir, este DJ não toca uma valsinha?
Perfumados, maquiados e elegantemente vestidos, eu John e Adelson minguávamos com a falta de sucesso. Ninguém nos dava importância. Quando olhei para o lado, Quelzinha já estava sendo cortejada por DOIS interessantíssimos homens. Ar blassé total.
- Acho que nestes lugares que vocês vêm ninguém paga cerveja pra mulher, né? Que pobreza... Lá no 11 eles pagam tudo - provocava.
Um dos que disputavam os encantos de Raquel pulou na frente e se adiantou, oferecendo-lhe o que ela quisesse beber, exposto na geladeira transparente do bar.
- Quero aquela garrafinha azul ali, ó! - apontou, com o dedinho de unhas roídas até o sabugo. Era uma Smiroff Ice, de preço nada popular. Ela provou, fez careta e me entregou inteirinha.
- Coisa ruim, isso aqui! - queixou-se. Eu nem pude.
No fim da noite, 5 horas da manhã, rumávamos para o carro. Saldo negativo para os três. Quelzinha, no entanto, foi acompanhada pelo insistente e charmoso pretendente da Smirnoff Ice.
- Me dá teu telefone, vamos nos encontrar. Adorei te conhecer. Vou para Shark city e você vai me levar neste tal de 11, prometo dançar vanerão - jurava o moço.
O mais incrível? O trelelê de fim de náite não era apenas cantada barata. O sujeito, rico, endinheirado, VIP no Latitude, realmente pegou a estrada e veio ver Quelzinha, a moça das roupas escandalosas e do baton vermelho Valentino, que gosta de vanerão e de beber de graça.
- Mas não quis não, dispensei. Éramos muito diferentes - sentenciou, enquanto ouvia Bruno e Marrone no rádio.

Quelzinha, a Vênus platinada (parte 1)

Raquel havia rompido um casamento de alguns anos e agora estava decidida a recuperar o tempo perdido e cair na náite. Sem contato com as velhas amigas da adolescência, resolveu procurar a prima aqui (eu, Cíntia, como diria Z.) para diverti-la.
Num belo findisemana estava eu acampada na mansão Joenck. À noite, planejávamos, eu e John, um bonde do rolê para a Lagoa da Conceição. Quando menos espero, toca o telefone:
- Animale? É a Raquel!
Para resumir, a prima pedia pouso, seus planos para a Capital catarina tinham ido por água abaixo e a moça não tinha onde pernoitar.
Sempre generoso, John ordenou que seu motorista fosse buscá-la e mandou o mordomo ajeitar um dos quartos de hóspedes.
A princípio, Quelzinha queria apenas um bom banho morno de espuma e uma cama macia com lençóis de algodão egípcio. Mas quando soube de nossos planos para a noite, mudou de idéia.
- Vou com vocês!
Ok.
Fomos nos arrumar para a balada, e foi aí que começou a diversão. A bordo de um jeans ultra-skinny stretch muito-muito-justo três-números-a-menos-que-0-dela, e sem bolsos atrás, montada em plataformas vertiginosas e ostentando um decote até o umbigo, Quelzinha era a definição do glamour, muito linda e digna para freqüentar o Latitude 27, reduto universitário descolado bastante badalado, à época.
Ornando a produção, baton vermelho Valentino nos lábios; um perfume doce-náusea e os cabelos, delicadamente oxigenados.
Decidi intervir. Por que? Porque quem conhece Quelzinha sabe de suas formas "exíguas". Para melhor comprensão, digamos que a moça não tem "volume" glúteo, e é do time das que "deram com uma pá atrás".
E se ali não abunda, peito inexiste. O decotão pronunciado passava em brancas nuvens, assim como o jeans sem bolsos atrás.
O saltão plataforma dava um toque kitsch totalmente desnecessário, e o baton vermelho... bom, o baton vermelho...
Com alguns sugestões, conseguimos modificar, de leve, o look beira de estrada da moça, apesar de seus protestos. Não abriu mão, no entanto, do baton vermelho, apesar da boca finíssima. Fomos para a balada, finalmente. (continua)