12.5.09
TPM, esta maldita (ou Carefree é frescor)
3.5.09
É o fim (ou Como recompor um coração partido)
26.4.09
Uma biografia

Boa história é com você mesmo. Adora ouvir, contar, recontar. As de pessoas interessantes e revolucionárias são as suas preferidas. Tem gente que liga para você só para saber das últimas fofocas. E confesse: com seu jeitinho manso e detalhista, você dá aos fatos um sabor todo especial. Além disso, não se contenta em reproduzir o que já foi dito. Por isso, se fosse um livro, você só poderia ser uma boa biografia, daquelas que faz os leitores deitarem na rede do fim de semana e se entregarem às peripécias de uma grande personagem. Aliás, você já pensou na profissão de repórter? Ou de escritor? "Carmen – Uma Biografia" (2005), sobre Carmen Miranda, é uma das aclamadas biografias publicadas por Ruy Castro, também jornalista e tradutor, considerado um dos maiores biógrafos brasileiros.
Eu adorei. Quer fazer o teste? Clique aqui.
13.4.09
Papanicolau
Olhamos eu mais quinze passantes, não que se chamassem Cintia, mas pela mera curiosidade inerente ao nosso cotidiano de província. A dona da voz, uma simpática senhora, continua: "Teu nome é Cintia, né?". Eu confirmo, num menear tímido de cabeça. Os expectadores já eram em maior número. Ela acrescentou: "Marquei teu preventivo, tá? Terça-feira, ali no postinho!". E para deixar bem claro, frisou: "Teu PREVENTIVO, lembra que tu pediu para eu marcar?".
Percebi um ou outro risinho sarcástico, "háhá, tá coçando a bacurinha, é?", que, dignamente, tentei ignorar. A senhora em questão é minha mui querida agente de saúde, para quem não sabe integrante deste fabuloso grupo de trabalhadoras do serviço público brasileiro que batem de porta em porta pregando práticas para uma vida saudável e incentivando o povaréu a procurar atendimento médico, quando necessário. Ocasionalmente recebo sua visita para um checkup rápido: tudo certinho? Menstruação ok? Grávida? Alguma doença? Felizmente, até então tudo tem estado na mais perfeita ordem. Percebi, no entanto, certo desapontamento quando revelei possuir plano de saúde. "Mas quando precisares, já sabes, é só agendar comigo", insistia a senhora.
Na ocasião da última visita, tonta devido ao soninho da tarde, impulsivamente aceitei visitar seu QG para um examezinho básico - mesmo tendo passado menos de seis meses de minha última visita ao gineco, o material aqui está zeradíssimo, by the way. Com fortes tendências hipocondríacas, no entanto, cedi aos apelos: "Ok, pode marcar". E esqueci imediatamente do compromisso.
O resto vocês já sabem. E como se não bastasse meu constrangimento público, a querida agente de saúde ainda conclui com esta: "Tem sentido alguma ardência, alguma coceira?". Céus.
9.4.09
Sushi, teu nome é tomate seco
Era uma "reportagem". A repórti (vergonha alheia mode ON) entrevistava os convidados para a "festa de inauguração da nova cobertura de Cléber Bambam". Há. A mulher tagarelava com uma criatura para mim totalmente desconhecida. Bom, TODOS na festa eram desconhecidos e faziam fila para serem entrevistados. O entrevistado da vez era de uma dupla sertaneja. Mais tarde vim a descobrir que era ou o Bruno ou o Marrone, juro por Deus que até conheço "Dormi na Praça", mas nunca tinha tido a grata oportunidade de olhar naquelas carinhas. O cara contou que curte Big Brother e que se emocionava com os participantes. "Chorei muito na final", segredou.
Entre os desconhecidos, célebres desconhecidos, como a assistente de palco da Gimezes, something Limonge; Carlão (ex-BBB, hahaha, horas pra lembrar de onde eu conhecia aquele careca marrento) e mais uns dois que me lembraram alguém - é, o programa dá tanta importância pra este segmento profissional (celebridades do B) que acredita piamente serem todos suficientemente populares para não merecerem legenda.
No "buffet", quilos de sushi. Desfaleci. Porque há coisa de cinco, dez anos, sushi ainda era considerado hype. Aí chegou aos ouvidos (e às papilas gustativas) da plebe rude e virou a nova coxinha. Sushi é a rúcula com tomate seco dos anos 90. Lembram? Tudo o que continha "tomate seco" era tido como sofisticado. É o strogonoffe com batata palha dos 80, o melão com presunto dos 70. Porque vou te contar: depois que Cleber Bambam dá festcheenha oferecendo buffet de sushi, meu amor, nem mesmo se o Mioshi se oferecesse pra me alimentar de graça... (mentira)
QI - Triste do povo que tem como referencial de "inteligência" alguém como Priscila do Big Brother. Como assim, Bial, Priscila é inteligente? Não é porque a boa-moça-de-família é mais "vivida" (ou, como diria minha mãe, curtida) que pode ser assim, facinho, classificada como criatura intelectualmente privilegiada. É, mas foi o que ouvi do povo por aí - e de apresentadores de TV também - nas últimas semanas.
7.4.09
O cliente sempre tem razão
Resolveu não ser boazinha desta vez. Rumou convicta em direção aos ovos de Páscoa e, lá, descobriu que, na compra de dois, o cliente ganharia uma linda necessaire com o logo da marca, Menino.
Mas dois ovos daquele tamanho (vintão) não caberiam em seu orçamento. "A demonstradora era uma imbecil", sentenciou. "Não sei como selecionam alguém assim, no mundo já não há mais lugar para incompetentes".
Consumidora voraz dos produtos Menino, não se convenceu, no entanto, com a proposta. "DOOOOOIS ovos número 20? Era só o que faltava! A vida toda comprei chocolate desta marca, eu tenho direitos. A necessaire É MINHA!". Foi aí que deu-se início o furdunço.
A demonstradora, já impaciente, resmunga qualquer coisa ininteligível e vira as costas com a chegada de uma colega, representante da marca L, concorrentes na teoria, boas amigas de corredor, na prática. "Ignorou-me sobremaneira. Senti-me um lixo. E o pior: a moça da marca L já chegou dizendo pra reservar uma necessaire pra ela. A MINHA NECESSAIRE! Protestei".
Introduzindo seu corpo esguio (só Charlotte, a morenaça belzebu, pode se dar ao luxo de se entupir de chocolates sem acrescentar grama alguma à cinturita de pilão) entre as funcionárias, que já papeavam animadamente. A paulistana tresloucada gritou: "Como é que é? E eu?".
Enquanto a concorrente dava no pé, assustada, a Menino's girl tratava de desfazer o mal entendido.
Comprando uma única barrinha de Talento, das pequenas, Charlotte saiu do supermercAdo sobraçando sua tão cobiçada necessaire. "A idiota ainda sugeriu que eu escondesse o trequinho do segurança, para não pegar mal. Ah, faça-me o favor! Não tô roubando...".
31.3.09
Espelho, espelho meu...
Já disse em outras ocasiões que nasci para ser rica - o que, unfortunatelly, não aconteceu (mas bóra tentando...). Porque para ficar minimamente apresentável preciso da assessoria integral de cabeleireiras, manicures, maquiadoras, fazedores de sobrança, sou uma completa incapaz (sei passar perfume, vale?).
Todo este enorme preâmbulo para ressaltar a que ponto vai a vaidade de algumas mulheres (mulheres comuns, não vamos fazer referência às biônicas que moram em clínicas de estética, aka Angela Bismarchi). Claaaaro que é legal estar sempre bonitinha, na adolescência eu acordava um tantinho mais cedo para acertar no "book" (para os não iniciados, topete preso com passadeirinha, moda nos 90's). Mas certas coisas beiram o ridículo: 7h30 da manhã de uma terça-feira, um calor tropico-infernal, e, no banheiro do shopping que acomoda minha academia e um colégio, duas adolescentes deslizavam cuidadosamente a chapinha pelos cabelos (mal) pintados de vermelho - e cada uma com a sua prancha de estimação, não tem esta de repartir não.
Pior que isso só a moreninha de 38 quilos da academia (já falei dela, está cada vez mais magra), que, antes de suar a bacurinha em bicas pedalando a ergométrica e saltitando no jump, alisa os vários cachinhos um por um com a chapinha que carrega permanentemente na mochila.
Ontem lavei os cabelos e fui dormir com eles molhados. Deu uma pregui de pegar no secador...
25.3.09
De melissa a crocs

Eu comprei uma destas pra minha sobrinha. Branca, da Hello Kitty. A menina tem sete anos, mas já acha meio cafona.
23.3.09
Tópicos típicos
- Eu definitivamente prefiro o inverno. Principalmente se alojada neste Sul catarina do meu coração (hohoho). Porque o Sol é massa, calorzinho é gostoso, verão é bonito de se ver, mas nada mais civilizado do que um termômetro indicando menos de 18 graus.
Porque temos as roupas bonitas. E os cachecóis. As botas. E tem as comfort foods. Né?, porque, fala sério, salada é saudável, sorvete é tudo, mas uma sopinha fervilhando num dia frio de trincar os ossos é muito reconfortante. E vinho. - O que é você sustentar bem uma montação, não é mesmo? Assistindo a episódios de Sex and the City no Fox Life, sempre me surpreendo com Carrie Bradshaw. Sempre. Porque ela carrega dignidade de qualquer jeito, seja usando um tubinho preto de jersey ou um trapo furado e esfarrapado. Mesmo que este trapo esfarrapado for Roberto Cavalli. A roupa era tão feia, a Sarah Jessica Parker é o cão chupando manga, mas, ah, reles mortais... o conjunto da obra é sempre fantástico. Estilo: ou você tem ou você não tem. Seja com Roberto Cavalli esfarrapado ou com regatinha de R$ 9,99 da Renner.
- Preferia ter lido algo a respeito de Watchmen antes de assistir sua versão para o cinema - até porque viajei horrores nos primeiro 30 minutos. Aí depois foi esquentando - principalmente quando Dr. Manhattan aparecia como veio ao mundo - só que azulzinho. Sim, taradas (os) de plantão, Watchmen tem nu frontal masculino! Ainda não é o suficiente para conduzi-lo ao cinema? Ok, é um bom filme de ação (bons efeitos, mocinhos vilões, zzzz...).
- Você sabe que tem tudo para recuperar aqueles quilos que custosamente perdeu quando já se enche da academia na primeira semana... Anyway, não quero nada de Páscoa mesmo... nada comível, deixo claro. Um sapato luxo com salto de cone invertido iria bem...
- A velhice chega para todos, não há como escapar. Mas para Shannon Doherty ela foi mais cruel. Vide a velha e boa (?) Brenda Walsh, na nova versão de Beverly Hills 90201. Com direito a queixo duplo e tudo.
- E que venha o inverno. Que eu tô louca pra usar meu casaqueto vermelho.
- Eu já contei que quase me afoguei no rafting? (dããããã...)
18.3.09
Miguelito, o anti-arcanjo
Para ele não havia tempo ruim. Qualquer terça-feira era boa para reunir a galera em suas luxuosas dependências, onde oferecia cerveja gelada, uísque importado, paella, tacos, guacamole e doses generosas dos produtos colombianos "tipo exportação". A vida era uma bela e colorida festa.
No Carnaval, marcou época em Shark city ao desfilar abraçado a sete vampiras traficantes lésbicas. Na campanha eleitoral, encheu a burra de money, money, money vendendo a alma a Deus, ao diabo, anjos, santos, íncubos, súcubos e quem mais se interessasse. Mas não votou: seu título é de Pedro Juan Caballero.
Virou figurinha fácil em lojas de móveis e eletrodomésticos, redecorando seu flat com o típico bom gosto paraguajo. LCD de 49 polegas, sofás de couro, chaise de camurça fina, tapetes, cortinas, esculturas. Obras de arte das mais variadas, luxo e ostentação.
Aos que o visitavam em suas dependências, tudo. Filés de linguado, camarões gigantes na manteiga, lagosta ao termidor, prosecco geladíssimo. E entre garfadas de risoto de açafrão e golinhos de vinho, estalava a linguinha marota e exibia fotos de sua intimidade com a adorável esposa. "Numa delas a bichinha abocanhava até o talo. Depois tentaram dizer que era um brinquedinho de borracha, mas, ah, meu bem, de pau eu entendo", revela D., testemunha das orgias gastro-sexuais de Miguelito.
Se com a esposa o sexo parecia tão ardente, sem ela o panorama era de filme pornô. Bastava a bichinha ir embora visitar familiares distantes e era aquele desfile de criaturas-que-fazem-da-calçada-local-de-trabalho.
Os vizinhos, na (vã) tentativa de preservar a moral e os bons costumes, pediam para que ele não posasse tão ostensivamente, nu, balagandãs à mostra, apalpando coxas, bundas e peitos, em frente à janela com vista para o playground, às 11 da manhã. Para sua fúria, que jamais permitiu ser cerceado em suas vontades.
Só muito tempo depois foi que perceberam o rombo. Tentaram interceptá-lo, mas não houve tempo hábil. Háhá, amadores...
No meio da madrugada Miguelito evaporou com todos os seus recém-adquiridos pertences não-pagos. E dívidas, muitas. No rent-a-car, na Fatia de Baguete, lanchonete de Shark, na rotisserie, na locadora, na padaria, imobiliária... enfim, ainda gastou a última gota de sua lábia invejável para levar, na faixa, um equipamento fotográfico de última geração.
Pânico em Shark city.
A polícia foi acionada, autoridades comunicadas, mas já era tarde. Na parede do apartamento vazio, um recado desaforado dirigido a todos os seus "desafetos" - e escrito com o conteúdo da uma fralda bem cheia da filha mais nova...
10.3.09
Little black underpant
Uma agência (do Rio) enviou, como sugestão de pauta, um pacote onde relaciona o hit "Você não vale nada (?????)" com uma personagem da novela O Clon... ops, Caminho das Índias. Coitadinha da Dira Paes, que figura como protagonista no meio dessa cafonice... Sente o drama (as observações em itálico, entre parênteses, não vieram no release, evidentemente):
Melô da boa: Forró 'Você Não Vale Nada', tema de personagem de Dira Paes, é o maior sucesso da novela 'Caminho das Índias'!!! (as exclamações são luxo e alegoria)
'Você não vale nada mas eu gosto de você!' Toda vez que Norminha (Dira Paes) aparece em 'Caminho das Índias', o forró cantado pela banda Calcinha Preta (yep!) marca os olhares e o requebrado da fogosa mulher do guarda Abel (Anderson Muller). Nem a exótica abertura da novela de Glória Perez faz tanto sucesso com o público. É um sucesso entre as mulheres.
A Agência XXX oferece esta matéria especial composta por texto e imagens, no valor de: R$ 120,00 (caí pra trás: não é que eles COBRAM por isso?).
Essa é a basiquinha da turma. Peitinho murcho, mas com dignidade, macacãozinho fiiiino de risca-de-giz e cintão branco adornando a cinturita de pilão. Gamei na franjinha estrategicamente cobrindo meia testa. E o relógio?
...
Heheheh... mas isso é Brasil, meu povo! Olha o piRci no umbiguinho! Olha o macacãozinho sedutoramente aberto até o púbis! Olha o franjão! Ela deve frequentar o mesmo saloon onde seu colega de banda faz a progressiva.
Fio-terra
Pois bem, volta o menino e, desta vez, acompanhado por uma garota, a namorada. Aí que, noite de sábado, a mãe provavelmente "trabalhando duro" no Little Castle, e o rala-e-rola dos mais calientes pôde ser ouvido em minhas dependências. Dos mais calientes vírgula, porque sexo adolescente - ainda que pós-adolescente - me soa tão aflito, angustiado, tão ejaculação precoce que eu relembrei porque é bom ser adulta e se relacionar com seres adultos.
Aí foram aqueles ruídos sôfregos, nervosos, grunhidos de ambas as partes, uma coisa gutural. E os tapas... Ah, minha gente, era schlep daqui, schlep dali, uma espancação hard core. Fiquei alerta pensando que o bruto estaria machucando a pobre menininha, mas, qual!, de repente escuto a voz dele, abafada, implorando para que ela pegasse mais leve: "Devagar aí!", dizia o garoto, pedindo água. A menina gargalhava, perversazinha.
Uns dez minutos de esfregação e gozo depois, e o silêncio. Pensei que minha experiência sexual auditiva tinha chego ao fim quando escuto o menino pedindo mais. Ela recusa, regateia, faz beicinho. Aí o guri fecha com chave de ouro: "Se tu não queres mais, então tira o dedo do meu cu!".
Humpf... já não se fazem adolescentes românticos como antigamente...
3.3.09
BBB

Nossa... esta eu não perco de jeito nenhum. É, já ultrapassei a barreira da vergoinha por estar acompanhando o BBB. E para os iniciados: continuo meio que fã da catarina retardada, mas o Ralf não é nada mais do que a versão carolinística de calças. Ou sunga branca, whatever.
1.3.09
Mitômana
Juro que ainda tentei seguir indiferente, mas percebi que todo o blablablá e a postura overreacting da gritona poderiam me render horas de puro deleite. Pois bem.
Mal se acomodou em sua poltrona e a mulherzinha vociferou para sua partner de viagem: "Vim a trabalho. Trabalho em Porto Alegre mas tenho casa em Garopaba, aí já viu, né? Tive que vir, tinha um monte de projetinho atrasado. Mas deixei minha filhota com a avó. Coisa booooa, né? Ter alguém pra cuidar da filhona assim...". Estranhei o tom de "gabância" do comentário. Casa em Garopaba, a meca litorânea dos gaúchos, muitos projetos, sinal de dinheiro entrando... decidi continuar bem atenta.
Quando ela comunicou, em seguida, que preferiu não vir com seu automóvel (um Omega GLS), resolvi analisar o visú da gata. Camiseta do time do (meu) marido (no Rio Grande do Sul simpatizei com o Grêmio, justificou), daquelas encontradas penduradas em série na barraca do camelô; jeans "corsário" (afff) e sandálias de salto colossal de madeira, cobertas com camurça puída; bolsa adquirida, provavelmente, no mesmo lugar onde encontrou a camiseta. E as bagagens, inúmeras, socadas com força na parte superior de sua poltrona, entre bolsões sintéticos e gigantescas sacolas plásticas repletas de badulaques. Foi quando desconfiei da incapacidade da menina de falar a verdade.
Ela mentia, juro que mentia. Mas mentia com tanto orgulho e sinceridade que certamente levava sua interlocutora a acreditar. Contou dos projetos que desenvolveria (móveis de mdf); da filha liiinda de enormes olhos verdes; das belezas, atrações e deficiências de TODAS as cidades por onde passávamos. Ah, fala sério, ninguém sabe nada de Maquiné a não ser que lá tem um restaurante de beira de estrada que vende bala de banana. De Sharkcity, ela fez apenas comentários supérfluos, en passant.
Cansei de tanta lorota e abstraí por algumas horas. Na paradinha para um xixi básico, mais mitomania. "Agora a gente pára aqui pra comer um sanduíche natural e um chocolate quente", instruia ela, exatamente o lanche eleito pelo inconsciente popular coletivo como sendo "fino", hahaha, não sei de onde saem estas coisas. Um calorão fdp e a guria foi seca no "chocolate quente" (nescau), pose é tudo neste mundo.
Só fui me deter na criaturinha novamente pouco antes de desembarcarmos. Havia despirocado. Marcava um encontro com sua companheira de viagem, levaria a linda filha de olhos verdes para conhecê-la. Disse que havia retornado, há pouco, de Buenos Aires, e que já se programava para fazer um tour ligeiro pelo Uruguai (adoro fazer compras lá). Também falou da possibilidade de um cruzeiro, teria amigos em Fernando de Noronha, para onde costumava ir com regularidade.
Não ouvi o motivo de ela ter desembarcado em Shark, já que, originalmente, seu destino era Garopaba. Ainda antes de descer, perguntou para as paredes (ou janelas da Santo Anjo) se seria melhor ligar e pedir para a família vir buscá-la ou chamar um táxi. Optou por ligar.
No orelhão, telefonou a cobrar e convenceu alguém a vir buscá-la alertando para os diversos presentes que havia trazido (imagino que acondicionados na sacolona de plástico paraguaia). Percebi certa relutância do outro lado da linha, já que chovia, mas como tinha presentes na jogada, em pouco mais de dez minutos uma humilde senhora, pilotando uma bicicleta, com uma menininha encardida na garupa, chegou para receber nossa protagonista. A rapidez teve explicação óbvia: quem conhece a geografia de Shark, sabe que a localidade de Capão Cagado fica logo ali atrás da rodô.
27.2.09
Momo e seu Mundo Bizarro
Aí que neste Carnaval tive my own private experience mundobizarrística. Não que o balneário que me acolheu durante os dias de folia sofresse de anomalias do tipo "Carnaval de Jesus" ou retiro-espiritual-para-livrar-pecadores-da-tentação-da-carne. Não. Em Cassino beach, quase lá na fronteirona, Chuí praticamente, o Carnaval é algo que pode ser denominado com expressões da linha "saudável", "família"e até com a odiosa "do bem".
Durante o dia, crianças, idosos e muitos, muitos jovens gauchisticamente belos e sarados exibiam seus corpos dourados ao longo da gigantesca orla praiana bebericando... chimarrão. Dos automóveis, um pouco de jazz aqui, clássicos acolá, MPB, um sambinha pra entrar no clima, tudo em volume agradavelmente moderado. Juro, em cinco dias ouvi apenas dois funks - e acho que brotavam do mesmo automóvel, deveria ser um deslocado qualquer.
À noite, a mesma galera da praia levava suas cadeiras reclináveis para a avenida e as acomodavam na calçada, de modos a ver o desfile dos bloquinhos sossegadamente, bem sentados, sorvendo sofregadamente... chimarrão.
Ei, eu disse que estava numa festa de Carnaval, não num retiro. O povo era animado, divertido, usava e abusada de fantasias das mais criativas. Tangas enterradas no rabo e vestidinhos medíocres eram sustentados com orgulho pela macharada doida para extravasar na única ocasião do ano em que isto é permitido. Palhaços, negas malucas, diabinhas, anjinhos, por aí vai. Tudo muito bonito, alegre e colorido. Acredito ter visto quatro ou cinco pessoas bebericando latas de CERVEJA (uau).
E o spray de espuma, minha gente, o maldito spray de espuma que me faz dispensar o Carnaval mais mara do sul-catarina devido a seu uso indiscriminado. Em Cassino beach o hit era jogar espuma PARA O ALTO, e não na boca dos desprevenidos. Foi quando percebi que provavelmente o inventor deste asqueroso artefato deveria ser bem-intencionado e apenas sonhava com a paz mundial e com a possibilidade de enlatar confete.
Por todo o lado ouvia-se "com licença", "boa noite", "desculpe" e afins. E por mais boazuda que fosse a loirosa de plantão ostentando um short cavado, ninguém se atreveria a passar-lhe a mão nas entranhas, que isso é coisa de degenerados.
Você até pode achar que minhas condições etílicas me propiciaram um delírio carnavalesco, mas o melhor eu deixei para o final: pela primeira vez em minha vida adulta, passei uma festança momística sem ingerir absolutamente NENHUMA gota de álcool. Sério.
11.2.09
Are, Baba!
Ou tudo não passa de um longo e ocioso período de férias diante de uma TV de (apenas) canais abertos.
Devo confessar minha queda por novelas da Glória Perez, não à toa perdi horas preciosas de minha agitadíssima vida diante da telinha, conferindo os emocionantes capítulos de "O Clone" (ai, que saudade...). Agora a coisa meio que se repete com "Caminho das Índias", parece-me mais um remake do que uma novela "nova", but, whatever.
Os make-ups, as roupas coloridas e os romances (sempre) proibidos são fascinantes, mesmo na pele da Juliana Paes (hehehhehe). Além do que, Osmar Prado e Antônio Calloni (magééérrimo) não costumam dar mole por aí (adooooro).
De lambuja, existem as curiosas expressões que certamente vão bailar na boca do povo por meses a fio (aí aguenta). E o que é Letícia Sabatella, linda de doer, de vilã? Já havia me acostumado com a mocinha só interpretando sofredoras e mártires, curti o desafio.
E como desgraça p0uca é bobagem, a moça anti-vênus platinada aqui também está acompanhado religiosamente o reality show mais bagaceiro ever do hemisfério Sul, BBB. Porcaria viciante, dá pra entender porque muitos não conseguem abandonar as drogas, o álcool e o cigarro... o pior sou eu torcendo pra catarina loira-burra retardada (eu sei, é feeeeio, Papai do céu não gosta...).
Para os que, como eu, incorreram na desgraça de acompanhar o folhetim global, aí vai um glossário muito do engraçadinho encontrado neste site. Curte só.
Expressões da Índia (todas muitíssimos bem utilizadas na novela da Glória Perez)
BALDI - Pai
TOOK TOOK - Veículo motorizado de três rodas
RIQUIXÁ - Charrete puxada por homem de bicicleta
SARI - Roupa que consiste em longa peça de tecido enrolada em volta do corpo
MAGALA SUTRA - Colar que corresponde às alianças de casamento
MAHADEVA - Deus Supremo da religião hindu, sinônimo de Shiva
FIRANGI - Estrangeiro (a)
ARE, BABA - Ai, meu Deus!
ARE, RAMA - Rama é uma das personalidades de Vishnu (deus que forma a trindade com Brahma e Shiva). É interjeição como ‘Are, Baba’
TIK TIK - Sim, sim
ATCHÁ - Tudo bem, OK
CHALO - Vamos!
6.2.09
Fevereiro, tempo de gastar (ou não)
Foi o que fizemos. Ela, com mil intenções de compras na cabeça; eu, com nenhuma, juro por Deus, eu devo estar (argh...) amadurecendo.
Mas, ahhh, a felicidade está nas pequenas coisas - ou nas coisas que não te dão vontade de comprar. Penetramos todas as portículas da Marcolino Cabral e, alegria das alegrias, absolutamente nada encantou-me sobremaneira. Uma regatinha branca ali, uma sandália cobrada acolá, tudo muito chinfrinzinho, coisitas que não valeriam nem os R$ 40 que custavam.
Fui seguindo, firme, determinada a não consumir absolutamente nada, e, dada a mesmice dos produtos em oferta, vi-me saindo vitoriosa. Mas...
foi quando decidi entrar em uma lojita razoável de Shark, onde blusinhas de malha eram ofertadas com 50% de desconto. E eu a vi. Metalizada, grandona, modelito diferenciado, meio cobre, meio prata, meio dourada, couro. A bolsa dos meus sonhos. Não, não realizei meu grande sonho, e saí frustradíssima, a poucos minutos de adentrar minha residência com aquela deliciosa sensação de "não preciso de nada". Eu precisava daquela bolsa. Mas R$ 750 não são pro meu bico. Nem com os oportunos 50% à vista, ou tentadoras quatro parcelas de R$ 100.
Só de raiva, entrei na portinha seguinte e comprei um biquíni. Quarentinha. Azul. Que deverá fazer sua estreia neste findi, aqui em Anita's beach, onde repouso temporariamente. Sem a minha bolsa metalizada, no entanto. Aceito presentes e/ou doações.
2.2.09
TPDPM
Em meses normais costumo flanar sossegadamente por este período causador de tanta dor e sofrimento às criaturas providas de útero. Mas desta vez não deu pra escapar.
Aí de repente me vi em pleno sábado de sol aborrecendo-me, sem grandes motivos, com mãmã, a sobrinha querida e o marido; me vi soluçando, aos prantos, por conta da linda propaganda de doação de órgãos; me vi achando sinceramente que o mundo iria acabar porque meu ferro de passar quebrou, porque preciso de uma câmera fotográfica nova, porque quero comprar uma bolsa mas não tenho grana, porque lembrei de minha querida vozinha (que nesta hora deve estar tricotando horrores ao lado de Virgem Mary) e fiquei com saudades.
Aí fui caminhando e chorando e lamentando profundamente por minha vidinha tão infame, monótona, sem graça, até o shopping de Shark, onde assistiria a Vicky Christina Barcelona, o novo do Woody.
Ahhhh, meninas, que Atroveran, que nada! O melhor antídoto para curar uma TPM daquelas vem da sétima arte, do lúdico, da fantasia, do cinema! Pouco mais de uma hora e meia depois renascia uma nova mulher, sorridente, confiante, bem-humorada, cantarolando a deliciosa "Barcelona" (confiram: Giulia y los Tellarini), pronta para outros dramas e adversidades (que não venham, please).
Infelizmente, o efeito não é lá muito duradouro. Enquanto escrevo este texto, hoje, segunda-feira, pós-período menstrual, tento não inundar meu teclado com copiosas lágrimas por conta do primeiro episódio da nova temporada de CSI, com o funeral do carismático personagem Warrick Brown. Lindo!
Plus lágrimas gratuitas - Evidentemente, nem todos precisam sustentar um útero para verter copiosas molhadas à toa. Quando rumava ao cinema cruzei com amigos queridos e custei a reconhecê-los. Mark and Davis exibiam olhinhos orientais, de tão inchadinhos. O culpado? Benjamin Button. O que não quer dizer nada, Davizinho chorou pencas com o fim da A Favorita, haha.
27.1.09
O Orkut e seus indecifráveis mistérios
Aí que, de vez em quando, gosto de dar uma conferidinha nas "comunidades" das quais teoricamente participo. E pela segunda ou terceira vez, sei lá, descobri-me participante de uma comu (olha a intimidade) com a qual não tenho a menor identificação e onde não entrei por livre e espontânea vontade. Imagino que a original tenha sido roubada por hackers, que tratam de modificar seu nome para coisas das mais esdrúxulas.
Por exemplo: semana passada vi-me inserida na comunidade "Viver é superar desafios". Mas, quá, dede quando euzinha aqui vou join assim, facinho, numa chumbreguice destas?
Desfiliei-me e me dei ao trabalho de fuçar suas relacionadas. São comus que não dizem nada com coisa alguma e que abusam de clichês e de filosofia rasteira, do tipo "A vida é feita de escolhas" (really?); "O segredo é NÃO correr atrás" (jura?, pois eu achava que a correria era parte da vida...); "Sou assim e não vou mudar" (é por estas que eu nunca vou fazer novos amigos by Orkut), além desta, que é o máximo: "Quem é você para me criticar?", tipo, você deve ter sido cruelmente criticada na vida para querer entrar nessa, né?
Outra recordista de participantes é "Deixe acontecer naturalmente", hahaha, muita gente que conheço está nessa, são justamente as mais ansiosas, carro-na-frente-dos-bois style.
Outra divertida (de tão cafona) é a "Atitudes valem mais que palavras" (deve ser por isso que todos amam os mudinhos) e, finalmente, "Minha atitude depende da sua" (what? Desculpa, minha inteligência rasa não consegue compreender direito o significado disto).
Eu não sei exatamente qual de minhas queridas comunidades foi furtada para dar espaço a estas pérolas da mediocridade virtual, mas será que estes hackers fdps não poderiam roubar comus do tipo "Eu amo chocolate" ou "Eu odeio acordar cedo"? É por estas e por outras que eu faço questão de pertencer a esta comunidade aqui, só pra não correr riscos...
Colegas...
Lentamente e temerosamente, a paulistana desvairada foi virando o pescocinho na tentativa de reconhecer seu interlocutor. Enquanto isto, mil pensamentos eram fabricados ininterruptamente pelas sinopses nervosas de seu cérebro em ebulição. "Ai, quem deve ser? Só tem um tipo de gente aqui na região que infla o peito pra chamar o outro de colega, os que pertencem à categoria pseudo-jornalista", antevia a médium. Estava coberta de razão.
Curioso, fosse ela médica ou advogada, a cena não aconteceria. Mas não, além de professora Charlotte é JORNALISTA, ou seja, cheinha de colegas por toda Shark city e adjacências. Colegas temos aos montes, centenas, do pedreiro ao encanador, do gerador de caracteres ao sonoplasta. Basta um microfone na mão, ou caneta e bloquinho, e voilá! Temos um colega. Argh.
Voltando à história. E quem cumprimentava nossa heroína, aos berros, copinho suado de cerveja na mão? Siiiiiim, mais um destes coleguinhas, um tipão figurinha fácil na cidade, gordo, afetado, espalhafatoso, barulhento, daqueles que vivem de lembranças dos bons tempos passados e que jura ter alcançado fama, glamour e poder protagonizando um programete de TV no canal 247 que só pega na Coronel Cabral.
Mas ele não estava só, que desgraça pouca é bobagem. Junto ao gorduchinho fanfarrão havia uma outra criatura bizarra da pseudo-press sharkcitiana, mais reconhecido por suas semelhanças físicas com um cantor da MPB do que por qualquer outra coisa.
Embriagados, os dois propagandearam os mais mirabolantes projetos, e que vão "revolucionar o jornalismo no Sul catarina", algo entre um site e um programa de rádio, whatever.
"Faço questão da sua participação, Charlottinha, contamos contigo! Me passa o teu msn!", gritava o gordo. Maldito msn. Endereço fake repassado, "um batizado me espera logo ali na São Judas Tadeu" foi dado como desculpa para fugir e finalmente nossa morenaça belzebu viu-se livre da dupla do capeta.
Sabemos da necessidade de vagas e oportunidades de emprego neste ramo que escolhemos como profissão, mas... numa hora destas limpar uma privada bem suja é praticamente poesia.
Michelle e os modelitos
Mas devo admitir ter me emocionado com a trajetória do mais novo presidente americano - quer coisa mais simbólica, e bela, e unificadora, e representativa do que um homem negro, cujo nome sustenta origens africanas, árabes e tribais, no comando da grande nação americana?
Mas o que me encantou durante o longo e memorável dia 20 de janeiro de 2009, data da posse de Barack, foi a perfeita integração da família Obama, os gestos de carinho, o orgulho e a alegria, os sorrisos largos.
Tudo - pelo menos do meu ponto de vista - parecendo muito natural, muito espontâneo, sem aquele carão de roteiro pré-estabelecido e exaustivamente ensaiado (ok, sabemos que havia um gigantesco protocolo a ser seguido, ainda assim prevaleceu a impressão de que todos estavam muito à vontade, felizes, sem deslumbramento).
Fino demais - além de mega-significativo - foi a descoberta da misteriosa designer responsável pelos modelitos de Michelle Obama, na posse. Ao contrário das apostas dos mais influentes fashionistas de plantão, que davam como certo o toque de estillistas já consagrados, a autora dos elegantes trajes da primeira-dama foi uma cubana, Isabel Toledo. Michelle já está fazendo história, e de maneira bastante positiva, no controverso hall de primeiras-damas americanas. A esposa de Barack é conhecida por optar por peças de estilistas fora do tradicional circuitinho de moda, o que, na terra dos exageros e da breguice, pode até ser encarado como ousadia - se Michelle não soubesse sustentar, o que vem fazendo com maestria desde que se tornou pessoa pública.
Mais do que uma prova inconteste de estilo próprio, elegância e bom gosto, Michelle mostrou personalidade e pés no chão, diante do maior templo da frivolidade e do deslumbramento, no mundo.
Ah, e ordenar o fechamento de Guantánamo também é sinal de que finalmente começaremos a caminhar rumo a um mundo melhor.
17.1.09
BBB e novelas wannabe Hollywood
Tanto mal me fez que não tive condições psicológicas de acompanhar a edição seguinte, de onde, como pude constatar, nenhuma pseudo-celebridade conseguiu alcançar mais do que míseros 10 minutinhos de fama, e se. Quem ganhou, fui informada, foi um emo muito do fuleiro sem o menor carisma - este é um país que sabe como ninguém eleger seus representantes...
No novo BBB diverte-me a idéia de dois velhotes dividindo espaço com bombas hormonais ambulantes, mas é tudo o que sei do programa, até então. Certamente vou seguir o conselho da amiga Charlotte e acompanhar, ainda que en passant, a odisséia dos famintos por reconhecimento e admiração - Grasi Massafera deve ser a mulher mais invejada do Brasil. E se calhar de acompanhar situações divertidas, estas serão devidamente postadas e comentadas neste espacinho cor-de-rosa. Vamos ver se vai valer a pena...
Plus A Favorita - E o engodo das oito que tem a incrível capacidade de parar um país finalmente chegou ao fim - e mais uma vez escapei incólume das garras de outra novela global. A Favorita bateu recordes de audiência com, mais uma vez, um elenco canastrão, uma trama absurda e cada vez mais parecida com suas irmãs mexicanas. Bebericando um dry-martini no nosso point de estimação, Youngest Child, pude acompanhar, num misto de fascínio e horror, o último capítulo do folhetim mais badalado da Vênus Platinada e, concomitantemente, a reação e os comentários de seus fiéis discípulos seguidores. "Ah, eu sabia que ciclana iria ficar com beltrano". Infelizmente não consegui decorar os nomes dos personagens.
O que me arrancou algumas risadas marotas (que tiveram que ser abafadas, dada a cara de reprovação das pessoas ao meu redor) foi o final feliz da atriz Claudia Raia com seu partner novelesco (hahahahha, a gay couple...). Na cara dura, o autor simplesmente "inspirou-se" no bestseller (e agora filme) Marley e Eu e encaixou um cão labrador na vida do casal. Pa-té-ti-co.
Mas o mais engraçado foi flagrar meus amiguinhos chegarem apressados ao bar, depois da novela. Todos eles com os olhinhos levemente inchados... Novelas são o ópio do povo.
12.1.09
Promoções da semana
Devo confessar: não posso ver uma folhinha com as promoções mais quentes da semana - seja de que produto for - para já ir esticando a mãozinha faminta.
Minha tara pelos folhetos tem explicações. Primeiro: vai que eu deixe passar a liquidação mega-super-blaster da minha vida? E segundo: certa vez um conhecido quebrou um galho distribuindo folhetinhos na rua e me relatou os "horrores" da ingrata profissão. Uns o xingavam por ter entregue o papelzinho, outros chegavam ao cúmulo de amassá-lo e atirar na cara do moço. Muitos simplesmente ignoravam seu humilde bracinho esticado. O problema é que até o fim do dia o sujeito tem que entregar todo aquele monte de lixo. E não adianta atirar na lixeira mais próxima - as lojas vão descobrir. Sim, estes conglomerados devem usar de magia para descobrir quando o cara entrega ou não, diz a lenda que é melhor distribuir do que simplesmente livrar-se deles.
Pois bem, estávamos eu e a nordestininha mais sumida da face da Terra circulando pelo Centrão de Shark city quando, ao passar em frente a uma "butique" conhecida da cidade - onde regatinhas feiosas de malha custam R$ 480 e onde não entra ninguém, vai entender como o dono se sustenta - vimos um lounge instalado. Uma tenda, com sofazão, estampas tropicais e jovens sarados de barriga de fora distribuindo... folhetinhos! Como pensei que a loja estivendo apelando pra um torra-torra, achei que não custaria muito espiar o folderzinho das meninas. Mas quem disse que alguém se dignou a me entregar?
Percebi que a galera que circulava pela calçada (de bermudão, tênis, regata e óculos na cabeça), coisa dos 20 e poucos, era fortemente assediada pelas meninas (e meninos) do lounge. Passou um moço de dreadlocks no cabelo, ganhou folheto. Passou uma loiraça de microsaia e calcinha vermelha à mostra, folheto. Passaram duas adolescentes pseudo-emos de jeans skinny e all-star, folheto. Passamos eu e minha idosa amiga... nada.
Não engoli a história direito. Peraí, vai dizer que os belíssimos entregadores de folheto foram orientados a distribuir os panfletinhos só para pré e pós-adolescentes? (olha o despeito...). Após algumas comprinhas, retornamos ao mesmo local. "Agora a moça vai ter que me dar o folheto", calculei. Passou um cabeludo com camiseta de banda, ganhou folheto; uma dondoquinha a la Paris Hilton, idem; uma hippie de saião arrastando no chão e cabelos desgrenhados, folheto na mãozinha. Quando cruzamos a frente do lounge as loirinhas do folheto nem tchuns, basicamente não nos enxergaram.
Como eu praticamente me debrucei no folheto para enxergar o que o bendito comunicava, descobri que se tratava da "transferência" de uma casa noturna de Shark para o balneário mais badalado da região, durante os meses de verão. Só então respirei aliviada: o lugar definitivamente não faz meu estilo. Nada contra o ritmo predominante neste tipo de náite, uma incrível mistura de DJs e bandas de pagode, que isso é Brasil (hehehe, contém ironia).
Velhos hábitos (ou O Menino e os ossinhos)
Outro problema era o meu acesso precário à net. Logo no início deste ano, quando finalmente conquistei o status on line sem restrições, calculei que finalmente o As Imediatas seria bombardeado por postagens múltiplas. Ledo engano. Bastava sentar em frente ao computador para invocar o mal-afamado "bloqueio" de escritor. Nada, branco, vazio, oco, no máximo algumas idéias esparsas que caberiam muito bem em um rascunho.
Hoje dispus-me em frente a TV e, casualmente, enxerguei meu caderninho (um dos vários que mantenho, atirados por todos os cômodos da casa). Imediatamente diversas idéias tomaram forma e foi só pegar na caneta para sair escrevendo postagens que estavam encalhadas em alguma gavetinha do cérebro.
Lembrei-me de quando acompanhava o programa dominical Fantástico - durante a infância, a família se reunia na sala de TV para assistir às reportagens especiais, era meio que sagrado esta confraternização silenciosa (porque o pai não permitia um mísero pio que desviasse sua atenção).
Uma reportagem marcou-me sobremaneira. Um repórter visitou o sertão nordestino para mostrar a vida de algumas famílias miseravelmente pobres, sem comida, sem água, sem qualquer infra-estrutura que lhes oferecesse dignidade. Mas sobreviviam, com trabalho duro, com suor e lágrimas, às duras penas.
Um menino comovou o repórter: quando não estava trabalhando com o pai (em plantações de cana ou cavando poços artesianos), ele, que deveria ter uns oito anos, divertia-se com seus brinquedinhos feitos em casa, nada mais do que pedaços de ossos de animais precariamente moldados em formatos que a imaginação da criança garantia serem carrinhos e bonequinhos.
Emocionado, o jovem jornalista retornou à cidade e lá comprou um super presente para o menino sertanejo, entregando-o nas mãos do mesmo: um autorama dos mais modernos, o equivalente a um Playstation, nos dias de hoje.
Qual não foi a surpresa do repórter ao retornar à casa da criança, semanas depois? Sentadinho no batente da porta, o menino não fazia nada diferente do que anteriormente. Brincava animado com seus pedacinhos de osso. Sobre o guarda-roupa quebrado da família repousava, quase que intocada, a caixa do autorama.
Não se tratava de pouco caso com o presente, mas o brinquedo novo era tão suntuoso, tão bonito, colorido, que trouxe preocupação a todos os membros da família. E se quebrasse? Melhor seria não mexer. Sendo assim, o menino voltou, resignado, para seus carrinhos de ossos. O repórter chorou (minha mãe também).
Neste momento quis ser repórter também, igual ao moço generoso da Globo, para conhecer universos totalmente díspares do meu, para ter contato com as mais diferentes personalidades, para constatar quão grande é este mundão, e para descobrir o quanto é difícil modificar velhos hábitos. Sei que posso fazer mais por mim e pelo blog com meus bloquinhos em punho. Subitamente, me enxeguei no menino dos ossinhos. Em breve, mais postagens (agora é sério).
3.1.09
New Yorker
Mulheres-fruta desejam desesperadamente ganhar um programa de auditório próprio. Apresentadoras de TV querem abraçar a carreira musical; cantores se arriscam o tempo todo a fazer pontas na novela das oito. Modelos wannabe Gisele.
Jornalistas também têm sonhos. Sonhos belíssimos, mágicos, esplêndidos. Sonhamos em lançar livros mega-reportagem que vendam mais de 100 mil exemplares no país (Há!, vendendo mais de mil já se está no lucro. Vender qualquer coisa já seria lucro). Sonhamos com aquele furo de reportagem que denunciaria uma injustiça social das mais atrozes. Enfim, sonhamos, basicamente, com certa estabilidade e com um salário um tantinho mais digno, o que já estaria de bom tamanho.
No Brasil, há os que almejam trabalhar na Folha. Os que preferem sonhar com o Estadão. Também há os que dariam os olhos para trabalhar na revista Veja (tem gosto e cérebro pra tudo no mundo). Conheço os que amariam topar com uma Contigo! ou uma Caras; os que se acham com o perfil da Rede Globo e os modernos, que apostam em blogs para ganhar dinheiro - há quem diga que isto poderá ocorrer, algum dia.
Como telespectadora compulsiva da programação da tv fechada, chamou-me atenção, no entanto, o sonho de TODAS as heroínas de filmes e séries dos últimos 20 anos: ser jornalista. Mas não uma jornalistazinha qualquer, trabalhando no periódico da esquina. Elas almejam a fama, a glória e o reconhecimento de um único veículo, em todo aquele país, o The New Yorker.
Rory Gilmore planejava publicar seus textinhos prolixos no The New Yorker desde bebê, provavelmente; Betty Suarez, a protagonista de Ugly Betty, rala adoidado como babá do editor da Mode, mas nos bastidores vive escrendo suas mal-traçadas mirando a prestigiada revista. Megan Smith, de Privileged, é jornalista e por enquanto passa o tempo como tutora de gêmeas milionárias, mas algum dia, ahhh, algum dia, guess what? Andrea Sachs, de The Devil Wears Prada, também só deu um tempo na Runway até ser "descoberta" pelo TNY. Até o Bryan, de Family Guy, já arriscou enviar alguns textos para a publicação.
Vale informar: de acordo com a Wiki, a The New Yorker é uma revista editada nos Estados Unidos que publica críticas, ensaios, reportagens investigativas e ficção. A publicação é reconhecida em todo o mundo ocidental pela qualidade de seu jornalismo, e é apontada como responsável pela popularização da crônica, que eu adoooooooro, como forma literária nos Estados Unidos. É só dar uma olhadinha na lista dos nomes que já se aventuraram pelas páginas desta revista para sentir o naipe do negócio, não é a toa tamanho fascínio de Hollywood e afins.
Ah, é claaaro que eu também gostaria de ser publicada na The New Yorker. Mas quer saber? O meu sonho de verdade é ter um texto publicado na revista Piauí. Ou no Diarinho, o que vier primeiro.
26.12.08
On line, finalmente (ou Meu Melhor Presente de Natal)
Desde então litros de água barrenta passaram por debaixo da ponte, e, vejam só, consegui a proeza de até montar um site como projeto de conclusão de curso - site este que deu origem a este humilde blog que vos serve.
Mas a roliça e endiabrada pulga que sempre me mordia a orelhinha era o triste fato de que, em plena era da informática e da informação, eu, como jornalista, jamais havia adquirido um pc. Para me conectar ao mundo valia de tudo: desde o ambiente de trabalho até a casa de bons amigos. Com os anos ter um computadorzinho ordinário em casa tornou-se o básico do Brasil - e vejam só, até minha mãe adquiriu um lindão e aprendeu a enviar pps "simpáticos" (contém ironia) para todos os seres de sua lista de contatos, included me.
Finalmente, ainda este ano, consegui a proeza de me presentear com um fabuloso lépitópi, coisa linda de Deus. Mas o diabinho, fininho, brilhante, tentador, não passava, assim como em 1996, de uma caixa (tudo bem, mais pasta do que caixa) sem vida, sem personalidade, oco, vazio.
Hoje, a mudança: pela primeira vez desde meu primeiro acesso à internet, estou postando de minha own private residência. Sim, o processo foi inexplicavelmente árduo e dificultoso, mas finalmente estou conectada para o mundo - e meu lindo computador adquiriu alma.
Seria desnecessário (pra não dizer praticamente impossíve) enumerar todas as possibilidades oferecidas por este já tão banal recurso, mas cito uma: diz o meu queridíssimo amigo Google que o feitiço mais cruel e maléfico que pode ser lançado pelos bruxos de Hogwarts é um só, o Avada Kedavra. Não entendeu nada? Basta saber que passei a noite anterior inteirinha quebrando a cabeça para lembrar da tal expressão - sabe aquela coisa que malditamente fica na ponta da língua e parece impossível arrancá-la dali? É... agora não tenho mais este problema. Google rules!
Um feliz Natal para todos. E sim, o meu tem sido extremamente feliz...
20.12.08
É Natal em Shark city
* Após anos alheia às comemorações pré-Natal tão típicas de Shark city, rendi-me ao mainstream local e aderi firmemente ao milho verde. Pré-Natal em Shark não existe sem boas, salgadinhas e roliças espigas de milho, "voltinhas" (ou arrodeios, como diria G.girl) pelas principais ruas do Centro, muita vitrine, muita sacolada e muito bate-quadril com a galerinha generosa que se entope de dívidas para presentear do enteado punheteiro ao cunhado beberrão. Sacolas das Casas Bahia, Magazine Luiza e lojas de calçado (a especialidade do município) são mato.
* E por falar em circular pelo pujante comércio local às vésperas do aniversário de Cristo, também urge imbuir-se de mega-paciência com a massa nervosa de pedestres, nervosa, mas não apressada, que gosta de perambular gostosamente e muito vagarosamente, em bandos, de braços dados, ocupando toda a extensão das calçadas, riso frouxo.
Não bastasse o volume atordoante de sacolas, que dificultam a ultrapassagem dos mais impacientes, existem os quadris, as super-bundas, que se durante o ano inteiro passam sentadas forrando-se de pãezinhos e coxinhas, no Natal ganham o mundo e as calçadas de Shark city. É quase impossível chegar a seu destino sem deixar de encoxar rabos assustadoramente volumosos, sátiros, como que obscenos, surreais.
* Na última quarta cruzei com o que me pareceu ser o cúmulo do oportunismo natalino - e já não estamos mais falando de Ivan Lins. Vestindo um conjuntinho de tecido sintético vermelho de regata e calça, botas de plástico pretas e uma barba lastimável, sustentando um saquinho encardido nas mãos, um Papai Noel mendigo. Mas repleta de luz, bondade e magia natalina, pude enxergar além de sua mendicância: dinheiro ele só pede aos lojistas, em forma de moedas, doces ou pratos de comida; às crianças, ele dá balas, como todo bom velhinho...
9.12.08
Española
G. girl: Se ela cantar "Regressar é reunir dois laços" eu choro...
Fafá de Belém: "Regressar é reunir... dois laços..."
G. girl: Buáááááááá (por meia hora, sem parar)
Noite adentro, cervejinha rolando solta (depois dos meus SEIS QUILOS perdidos, haha), aí ouço esta:
- Pô, estes peitos da Fafá de Belém! Putz, dava pra fazer altas espanhola!
- Ah, Fafá? Nâo, né?
- Não, não dava... (em tom de ironia). Dava e haja pau!
- Ah, sei lá... Fafá...
- Credo! Aquilo é quase um cu!
7.12.08
Sinucas de bico, furadas e roubadas da vida de solteiro
"Ela disse que morava na Zofa. Fui. Fui, fui, fui, fui, fui. Não chegava nunca. Telefonei e perguntei: onde fica, minha filha? Mais adiante, ela explicava. A chuva despencava aos borbotões. A Zofa havia ficado há muito pra trás. Casas e edifícios foram escasseando, a iluminação pública, idem. Um poste aqui, outro a 500 metros. Estradas de chão, buracos. Matagal. Finalmente, encontrei uma das referências repassadas pela menina e apeei o carro. Era lá", conta-nos Guto. Era um conglomerado de pequenas casinhas conjugadas, ou melhor, uma casa que foi espichando devido a inúmeros puxadinhos. "Surge uma senhora de short socado no rabo, botas no joelho, cabelo (mal) tingido de loiro, aquela voz alterada de quem costuma verter uns gorós goela abaixo, alternados com maços e maços de cigarro", descreve o bachelor.
"E aí, cara? Beleza?", rosna a senhora. "Entra aí, entra aí. Quer beber alguma coisa? Cervejinha?". Era a mãe de Ritinha, ela mesma já abrindo a geladeira e tomando para si uma Kaiser suada. Guto recusou e disse preferir refrigerante. Ela apontou para uma garrafa pegajosa de coca-cola sobre a mesa, com um terço do conteúdo, provavelmente aberta há uma semana. "Te serve, fica à vontade", arrematou, saindo para a rua, onde disse ter alguns "clientes" para atender.
Até então, nem sinal de Ritinha. A prima dela, no entanto, correu a seu encontro, para fazer uma sala básica. Mais uma hora e meia se passou e a danada da moreninha por quem o sangue de Guto fervia na última semana não dava sinal de vida. Finalmente, surge a musa, cabelo molhado, chinelos de dedo. "Ai, desculpa a demora. Tava fazendo minha filha dormir. Olha só a foto da minha linda!", e puxou o poster de uma menina prestes a entrar na puberdade.
Guto broxou. Ainda assim, tentou fazer o cavalheiro. "E onde vocês duas gostariam de ir hoje?", perguntou, solícito. "Ah, vai ter um baile muito bom em Capiva Under, no Casarão. Toca uma vaneira daquelas", observou Ritinha. No rádio do quarto da moça, a pérola da MPB "Chupa, chupa, chupa que é de uva..." vibrava, ad infinitum.
Despedindo-se rapidamente, alegando uma indigestão, Guto embarcou no carro e rumou para casa, cabisbaixo. Já não se fazem mais namoradas como antigamente...
27.11.08
Preparativos natalinos (ou menos 5,5kg)
O bom é que não fiz quase nada de tudo o que andei pensando, e vieram os bônus: desde a sacudida master de minha endócrino me orgulho em revelar que, em menos de um mês, CINCO QUILOS E MEIO já foram sumariamente exterminados de meu corpinho (novamente) de sílfide. Ok, nem tanto, mas já entro nos meus jeans antigos, o que é deveras salutar.
O que é legal também é perceber que este ano - até pouco tempo considerado bastante "conturbado" - está terminando de um jeito bem bacana. Claro que estamos falando de mim, particularmente, porque, convenhamos, a despedida de 2008 tem sido péssima para o povo catarinense, benza Deus. Aliás, falar em realizações pessoais diante de toda a tragédia que atingiu nosso litoral norte me fez lembrar do meu colunista predileto (hahaha), Cacau, que hoje em dia tem ganho a vida em suas aparições diárias no noticiário estadual lendo emails de "fãs". Aí rolou um estresse básico: a dondoca contou que não aguentava mais tanta chuva porque estava "engordando". Chuva pede chocolate, sopinhas, foundies, de acordo com a pôia. Outra fã de Cacau, mais solidária, lamentou o chiste da primeira, que se gabava de estar comendo do bom e do melhor enquanto milhares permaneciam desalojados, sem roupas nem alimentos, sem mais nada. Eu me cobri de vergonha alheia, o email, que era pra ser um simples gracejo, se transformou em uma declaração de insensibilidade, futilidade e egoísmo.
Anyway, voltando a falar de mim, meu assunto predileto, espero ter boas notícias para muito em breve, cruzem os dedinhos.
Este período ainda se mantém como o meu preferido de todo o ano - grande parte desta empolgação toda por conta deste infantilismo que me corrói as entranhas e me faz querer, secretamente, ganhar uma Barbie Castelo de Diamante e um pogobol. Para entrar devidamente no clima, fui até as Americanas e adquiri uma fofíssima árvorezinha de madeira, com os penduricalhos do mesmo material, pintadinha a mão, totally old school. Luxo. Ainda de lambuja tem a minha gigantesca e maravilhosa árvore de Natal adquirida no ano passado, um sonho realizado (sim, meu maior sonho na vida era comprar a minha própria árvore de Natal). E mais guirlandas, e papais-noéizinhos, e truques do gênero. Amo muito tudo isto. Minha missão agora é elaborar um deliciosíssimo cardápio para minha ceia natalina - que a dieta vai me acompanhar até no momento de maior fartura gastronômica do ano. E comprar os presentinhos da Ju. Tô achando que ela vai adorar a Barbie Castelo de Diamante...
13.11.08
A vizinha e o "namorado"
Depois que o filho partiu, a vizinha deu início a uma nova vida, repleta de emoções e adrenalina. Bela noite eu a escuto chegar em casa, no andar de baixo. "Entra, senta aí, fica a vontade. Tem cerveja na geladeira", disse ela, forte sotaque porto-alegrense, suuuuper gentil.
Como resposta, um resmungo masculino, barulho de um refrigerador abrindo e o espocar do anel de uma lata de cerveja. "Gut, gut, gut... aaaaaahhhhhh", gemeu o desconhecido, sugando a loira gelada com prazer (a lata, não a vizinha).
A gaúcha, por sua vez, continuou uma conversinha mole, amenidades, temas corriqueiros, o preço da passagem de ônibus pra SP tá pela hora da morte; queria ir até lá fazer compras; na 25 de Março tem muita coisa barata (dãããããã...).
Momentos de breve silêncio constrangedor e aí a coisa começou a apimentar - pelo menos do meu ponto de vista (ou de audição). Barulho do chuveiro.
Quando eu, maldosamente, imaginava o casal dividindo o apertado espaço do box, ouço novamente os gut, gut, gut e os aaaaahhhh do sujeito bebendo sua cerva, sossegado.
Ela finalmente sai do chuveiro, pisando firme em pesadas tamancas de madeira (pelo poc poc característico). "Tu não vais tomar um bainho?", disse, dengosa. A resposta fez meu queixo cair:
"Eu não, tomei banho de manhã e não andei com ninguém hoje", rebateu o cervejeiro porco.
A moça não gostou da insinuação. "Eu também não, imagina, mas este já é o terceiro banho que eu tomo hoje, gosto de ficar bem cheirosa".
O sujismundinho não cedia: "Não, não precisa, linda, eu tô limpinho. Se eu soubesse que era pra ter tomado banho, tinha entrado ali contigo"...
Não agüentei tanta conversa mole e fui dormir antes dos finalmentes.
Dias depois a vizinha sumiu. Evaporou do prédio, sem maiores explicações. Pensei que tivesse sido assassinada pelo porquinho, pensei que tivesse dado o golpe na imobiliária, pensei que tivesse corrido atrás do filho. Sumiço total, por mais de dois meses. Até ontem. Sim, ontem, finalmente, a gaúcha maluca deu o ar da graça. Voltou, sabe-se lá de onde, carregada de sacolas e com uma amiga a tiracolo. Faceiríssima, mais falante do que nunca.
Até então, a idéia de que a vizinha estaria fazendo programetes para quitar o aluguel se insinuava em minha mente, para horror de marido. "Não, guria, deve ser um macho qualquer em quem ela estava de olho, nada mais".
Uhum... a amiga, que estava de saída, pergunta como faria para retornar ao apartamento, mais tarde, sem atrapalhar a anfitriã, que iria "sair com o namorado". "Até porque a minha intenção não é a de te atrapalhar, né, amada? Tens um monte de aluguel atrasado, contas pra pagar, PRECISAS GANHAR UM DINHEIRINHO".
YES.
A gaúcha tresloucada complementa: "É, preciso de dinheiro mesmo. Mas pelo menos até que o namorado é bem gostosinho...".
6.11.08
Maçãs, bananas, limões

31.10.08
O que os olhos vêem...
Ele havia cansado da solteirice crônica. De bar em bar, de festa em festa, JLC foi colecionando porres homéricos, amizades efêmeras e episódios onde apagões o impediam de saber como havia chego em casa. Cansado de pertencer ao time dos "solteiros sim, sozinhos nunca", ele decidiu acasalar.
Ela, adentrando no estranho universo das balzaquianas (mas com carinha de 25), também pensou em dar um basta na rotina dos barzinhos e noitadinhas descompromissadas com os amigos. Por muitos anos S.B. cuidou da carreira, do aperfeiçoamento profissional, da obtenção de bons contatos - mas esqueceu de alimentar as coisas do coração.
Foi quando decidi entrar em ação. Ele tomou a iniciativa, numa bela tarde de outono, pressionando-me para que eu apresentasse alguma "amiga interessante". Na hora pensei nela, a moreninha mais arretada do Norte catarina.
Fiz as apresentações através de e-mail, e os primeiros contatos entre ambos também foram feitos desta maneira. As formalidades e o rigor presentes nos primeiros diálogos foram se transformando em conversas fluídas e descontraídas, em papos divertidos onde descobriram muito mais em comum do que a profissão.
A distância, no entanto, começou a assombrá-los. Os encontros - onde finalmente poderiam ficar olho no olho, cara a cara, téte a téte - nunca eram concretizados. Amuaram-se, afastaram-se, uma brisa glacial congelou as janelinhas do messenger.
Era outubro. JLC circulava, solitário e carente, pela multidão festiva da Oktoberfest. Caneco estrategicamente pendurado, chapeuzinho alemão no alto da cabeça aloirada, o moço sorvia seu 14º chopp gelado quando uma visão encantadora turvou seus olhos claros.
"De repente uma menina chama minha atenção. Ela, que conversava, descontraída, com outra moça, parecia ter algo de muito familiar. Pensei: tô bêbado, não é possível. Mas a idéia ficou remoendo na cabeça. Olhei de novo. E de novo. Em alguns momentos, era ela. Em outros, seria coincidência demais. Desisti. 15 minutos depois, retomei o projeto de abordá-la. Mas aí ela já havia evaporado", conta o moço.
A história teria ficado nisso não fosse a roliça pulga que não cansava de mordiscar nosso querido herói, bem atrás da orelha. "Apesar da janelinha alertar para ocupado, chamei-a, assim mesmo. E perguntei: por acaso era a senhorita circulando pela Oktober, acompanhada de uma amiga, muito faceirinha?".
SB só precisou confirmar: "No segundo final de semana?".
Nunca haviam estado tão próximos.
(Re)adaptação
Mas as pessoas se adaptam, se habituam, se submetem às mais terríveis crueldades. Foi assim que eu me afastei do programinha de conversação mais pop de todos, o msn. Sem acesso à internet em minha residência, foi relativamente fácil desvencilhar-me dos meus amiguinhos virtuais e dos contatos que fazíamos diariamente. O afastamento do messenger foi tão definitivo que cheguei a ser alvo de preocupação por parte de alguns amigos: "Amiga, fica bem, melhora. Volta pro messenger", tive que ouvir, dia desses.
Pois eu voltei. Sim, em outro ambiente de trabalho - nada mais que a minha própria casa - agora posso me dar ao luxo de ser eu mesma a minha supervisora. E, ora bolas, minhas chefinhas me OBRIGAM a permanecer on line all afternoon long.
Confesso que tem sido meio esquisito saber lidar com amigos/colegas e trabalho, tudo-ao-mesmo-tempo-agora, sem correr o risco de enviar "acabei de revisar o texto" pra amiga e um "e aí, piranha?" pra moça da empresa. Mas as coisas vão se ajeitando, aos poucos.
Anyway, cabe ressaltar a incrível capacidade do msn de nos envolver nas situações mais absurdinhas ever da semana. Por exemplo, na terça-feira eu estava contentinha labutando quando a janelinha "Carol T." começa a piscar enlouquecidamente. Carol T., é claro, só poderia ser minha querida prima.
Carolina diz: Oi, minha gostosa
Cíntia - Everything you like I liked five years ago diz: Oi, amore mio! Finalmente te pego on line!
Carolina diz: Onde vc está?
Cíntia - Everything you like I liked five years ago diz: Tô em XXX, ué?
Carolina diz: Como assim?
Cíntia - Everything you like I liked five years ago diz: Em XXX. Por que?
Carolina diz: Vc tá viajando?
Cíntia - Everything you like I liked five years ago diz: Hahahaha, por que?
Carolina diz: Vc sabe quem sou eu?
Cíntia - Everything you like I liked five years ago diz: Ué, a Carol Teixeira, minha prima. Ou não?
Carolina diz: é
Cíntia - Everything you like I liked five years ago diz: entonces...
Carolina diz: mas tem outra foto aparecendo aqui
Cíntia - Everything you like I liked five years ago diz: sou eu, com a mão na cara... tu sabes q eu não trabalho mais no jornal, né?
Carolina diz: jornal? q jornal?
Cíntia - Everything you like I liked five years ago diz: Caroca, maluca, acho q vc que perturbou qual é a cíntia.
Carolina diz: eu moro em Campo Grande/MS
Cíntia - Everything you like I liked five years ago diz: meu deus... Hahahaaahahaha, mulhé, eu moro em Santa Catarina! E tenho uma prima chamada carol teixeira!
Carolina diz: isso é uma incrível coincidência. Eu tenho uma prima com seu nome tbm
Cíntia - Everything you like I liked five years ago diz: céus! e faz tempo que eu não falava com a "minha" carol...
Carolina diz: que loucura. Faz tempo que eu não falo com a Cintoca
Cíntia - Everything you like I liked five years ago diz: haahahaahhah, nossa, essa merece ir pro blog...
É... confesso que gostei do "gostosa". Mato Grosso, por esta eu não esperava...
27.10.08
Beija, beija, tá calor, tá calor...
Mas há algo de (relativamente) novo no ar: estamos falando do hábito incontrolável (principalmente por parte dos mais jovens) de trocar beijos estralados a qualquer hora, em qualquer lugar, quantas vezes forem necessárias ao longo do dia. Não se trata de beijos de reencontro, beijos saudosos de amigos que não se viam há séculos. São beijos "sociais", beijos que têm a serventia do "oi". Beijar é o oi dos anos 2000.
As menininhas se encontram todos os dias no pátio da escola, às 7h30. Muac muac estralado nas bochechas. À tarde, se cruzam no shopping, mais muac muac. À noite, na portaria do prédio, "amigaaaaaa, muac muac", a coisa não tem fim.
E pode ficar ainda pior: no restaurante, o sujeito está lá, jantando, faminto, quando a amiga da facul passa e o identifica, exultante. Imediatamente já estende os beiços para o rapaz, que retribui, a boca cheia de carne e molho, o cúmulo da falta de educação e do bom senso - please, galera, deixem a pessoa comer em paz para só depooooois irem cumprimentá-la.
Na academia, as mocinhas futricavam enquanto corriam na esteira. Aí chega o rapaz, regata colada, braços de músculos salientes. Acontece que aqui em Shark só agora as meninas "descobriram" que é cool ter um amigo gay (céus). Aí foi aquela gritaria, não se viam há séculos, pensei. Há. O bombadinho chegou, serelepe e saltitante, e se esticou todo, biquinho armado, na direção das sudorentas da esteira, tascando-lhes beijocas molhadas. Uma delas quase tropeça, dada a emoção.
Marquinhos diz que esta é a "Geração Orkut", onde o miguxismo ganhou força e não se restringiu a apenas um jeito cafona de escrever, mas também a um estilo de vida (com muitas fofurinhas, abracinhos e agradinhos ao pé do ouvido até mesmo do cobrador do ônibus e da moça da padaria, que também são gente, ora bolas). Eu já defino esta beijação toda como sendo da "Geração Êxtase". A droga do amor ganhou o mundo (até as platéias mais frias, como os ingleses) liberando os instintos mais secretos e passionais de seus usuários - as pistas nunca foram tão quentes, com tantos beijos e amassos. Agora, o mundo inteiro se transformou numa Love Parade, ainda que sem o uso da balinha, necessariamente.
Dieta, abstemia e outras torturas do gênero
"O problema é que eu gosto de comer. Adoooooro comer", complementei. Ela ali, sorrindo e anotando.
"Quando vejo um Big Mac ou uma lata de Pringles eu perco o controle do meu organismo", forcei a tanga. Mais um sorrisinho esboçado, mais uma anotação no bloquinho.
"As irmãs da minha avó eram tão gordas, mas tão gordas que, diz a lenda, não passavam pela roleta do ônibus. EU NÃO QUERO FICAR ASSIM!", parti para o desespero. A mulher revirou os olhinhos, dado o exagero.
Mexe daqui, consulta dali, e o veredito (ou diagnóstico?): falta de vergonha na cara.
Foi quando meu martírio teve início. Ao invés de me receitar os populares (e controversos) comprimidinhos mágicos que reduzem um metro de sua cinturita em uma única semana, uma maldita DIETA. Di-e-ta.
Dieta amarga, do tipo dois grãos de arroz, um de feijão e um bife do tamanho da minha unha, no almoço. De free, só folhas verdes. Tomate não é liberado (só um pires). Nem abobrinha nem vagem nem chuchu, vejam só, nem o chuchu pode-se comer à vontade na minha torturante dieta.
Mas o pior ainda estaria por vir. Durante nossa longa entrevista (aí foi bom, há milhões de anos que uma consulta médica não durava tanto tempo, mais de 15 minutos, uau!) a doutora perguntou, despretenciosamente: "Mas você bebe?"
PUTZ, como diria minha saudosa brunette belzebu Charlotte.
"Sim, eu bebo", revelei, com profundo constrangimento. Ah, se ela soubesse...
"Mas bebe muuuuito, muuuito? Tipo, DUAS LATAS por semana?".
Hahahahahahahahahahahahahah...
"É... é por aí... um pouquinho mais, talvez...", murmurei, cabisbaixa. "Somos muito boêmios", tentei justificar.
"Não. Não, não, não. Cerveja engorda muuuuito. Muito. Você deve sair com seus amigos, deve se divertir, claro. Mas evite a cerveja. No máximo, no máximo, dois copinhos por semana. Mas tente trocar por Coca Light", sugeriu.
Céus. Bom, se marido consegue, por que eu não conseguiria, não é mesmo?
Mas eu prometo que, se perder uns quatro, cinco, até, pago uma rodada pra galera. Desejem-me sorte (e força na peruca).
17.10.08
Festanças bombásticas, casórios efêmeros
G. girl concordou com tudo, em absoluto. Disse-nos que na ocasião de sua formatura, em 1983 (hahahahahaha), o Diário de Pernambuco cedeu a capa para flashes dos melhores momentos do randevú universitário. Foram sete dias, uma semana inteirinha de festejos, que culminaram com um delicioso Show de Calouros a moda do tio Sílvio – com direito a solo de guitarra de nossa querida mameluquinha. Oito cabras foram abatidas e icebergs de água de coco com cachaça foram chacoalhadas na coqueteleira para satisfazer a eterna sede nordestina. “Minha mãe disse: filha, formatura é pra vida toda; o que já não posso dizer de um casamento”, relatou-nos G. Sábia dedução.
Porque se apenas uma catastrófica cagada profissional é capaz, hoje, de tirar-lhe das mãos seu tão suado diploma universitário, o mesmo não se pode dizer de um casamento, que, embora comemorado com festas arrasa-quarteirão, gastos infindáveis com flores, decoração, buffet, bebidança, convites e o indefectível vestidão-cobertura de bolo aglacesado (hein?), tem a capacidade metamorfósica de se transformar de sonho de princesa a dor de cabeça daquelas de jogar o caríssimo álbum recheado de momentos românticos pela janela aberta mais próxima.
Não se enganem os leitores com minha visão possivelmente pessimista das bodas matrimoniais. Casamento é bom, eu gosto (do meu) e é sempre bom ter um colinho macio para aconchegar-se nos dias mais frios (e nos quentes também). Mas nem tudo são flores e o mundo das celebrities está aí para não me deixar mentir – se é pra casar mesmo, faça um test-drive antes, pelo amor de Deus. Que o digam Roberto Justus, Eliana Dedinhos, Isabelli Fontana e o loiro namorado do Wolf Maia, Fábio Junior, Ana Maria Braga e os recordistas Murilo Benício e Giovana Antonelli. Isso se ficarmos no plano das celebrities, que eu não sou louca nem nada de dar nome aos bois locais.
Ao invés de impressionar seus convivas com uma mega-recepção, aplique melhor seu rico dinheirinho e impressione vocês mesmos com uma Lua-de-Mel fodástica de um mês de duração. Só por isso o casamento vai perdurar por, no mínimo, um mês a mais que a média.
Plus Bebê a bordo – D. e G. perguntam-se até quando dura o namorico de Ivetão Sangalo, agora devidamente emprenhada, e o rapazinho de 23 anos escolhido a dedo pela musa baiana, tal e qual um touro procriador cujo sêmen vale seu peso em ouro (o peso do boi, não do sêmen). Façam suas apostas. Eu digo que até março a coisa se arrasta. Sem festança de casamento, I hope so. Não quero ser pega de surpresa pela capa da Caras, ainda não recobrei a saúde mental depois do casório de Scheilloka Carvalho em Miami, o de Ju Paes e o de Clauddzinha Leitthy.