13.11.07

A maldição dos comerciais de CD

Uma das inúmeras desvantagens - talvez a maior - em se assistir à TV aberta são as detestáveis propagandas de CDs de artistas populares (e cujas gravadoras eventualmente estão ligadas à própria emissora, caso da Orbit Music com a RBS, ou da Som Livre com a Globo). Ou seja: faltou inserção comercial, toca calhau (que nem acontece nas publicações impressas). Aí é uma overdose de merchandising. E sabe como é - quanto mais horrorosa é a balada, mais ela gruda como chiclete derretido na nossa mente ociosa.
A edição com os "melhores" hits de determinada banda e/ou cantor, com destaque para os trechos mais populares, entra no ouvido e de lá não sai mais. Foi deste jeito maldito que aprendi a cantar a música "Leilão", dos tais César Menotti e Fabiano, do início ao fim, sem ao menos conhecer a cara da dupla.
É deste jeito que a gente absorve as podreiras pop do dia-a-dia, é assim que aprendemos a cantar "Tem culpa eu, tem culpa Kátiaaaaa, a desgramada da Katchaça...", antecedida por "A balada é minha casa, fazer love é meu emprego, minhas noitadas não me pedem arrego..." e finalmente por "Festa no apê" (Hey, hey, hey, Latino é nosso rei).
Pois agora existe uma banda aqui do Sul, do gênero denominado Tchê-music, que enche o saco da galera de tanto que vem pra Shark tocar (procurei no google e achei Tchê Garotos e também Garotos de Ouro, agora tô em dúvida). Bom, os caras estão com a bola toda, bombando de Sudeste ao Sul do país, e viraram a menina dos olhos da RBS. E dá-lhe propaganda com os hits dos gaudérios. Pai amado... o problema não é você odiar o gênero e aquela pataquada toda sobre o palco, os caras se requebram mais que Carlinha P. O problema é que as letras das canções deste último disco, especificamente, e que já não saem de minha intelectual cabecinha são totalmente PEDÓFILAS!!! Vamos conferir?
Tem uma que é assim: "Moleca, bonequinha, sapeca, vem me dengar...", hit que deve fazer a alegria de 10 entre 10 adolescentes pentelhudas e bem nutridas, daquelas com cara de 40 anos, aparelho nos dentes e shortinho com a polpa da bunda pra fora. Adolescentes, no entanto. Aí eu já olho atravessado, esse negócio de boneca é como eu chamo minhas duas princesinhas, de cinco e três anos.
Aí em seguida já vem outro hit bombástico, o "Minha Menininha" (eitcha, Google véio de guerra!), com o refrão singelo "Ah! Que saudade da minha \nmenininha!, que saudade da minha menininha!... (repete ad infinitum).
Sério, eu fiquei nauseada. Então vamos para o comercial de CD que mais infernizou a vida da galera catarina por pelo menos um ano:
"Ô, meeeu, toca uma reggaeira aí..." (maldito Armandinho!)

8.11.07

Ugly Betty

A versão mexicana já me encantava com suas cores gritantes, seus penteados exóticos, caras e bocas em profusão e, claro, com todo seu overacting, que novela mexicana sem mega-fake-atuações não é novela mexicana. "Maria, nós não podemos nos casar!!!" (lágrimas). "Ohhhhh, mas por que, José? (pronuncia-se Rossê). "Porque... porque... porque SOMOS IRMÃÃÃÃÃOOOOOOS!". Coisas do gênero. Aí que uma produtora de séries estadunidense (se não me engano envolvida com Penélope Cruz) descobriu Betty, A Feia, pérola da teledramaturgia latina, e adaptou-a ao gosto americano _ e, conseqüentemente, ao padrão televisivo que impera mundo afora, pelo menos junto aos que têm TV a cabo. Devemos dar o braço a torcer: os gringos manjam do assunto. Ugly Betty é absurdamente irresistível, engraçado, comovente e clichê dos clichês.
Para quem não conhece a trama, vejamos: Betty é inteligente, competente, profi pra caralho, mesmo nunca tendo trabalhado na área onde se formou (qualquer coisa entre jornalismo e moda, like a Devil wears Prada). Mas, é claro, como diz o nome da série, a muié é um bagulhaço, monoselha, bigoduda, gorda e ainda se veste... como uma mexicana típica! (hahahaha, que pré-conceito). Com direito, inclusive, a poncho and everything, mega-colors, mega-volumes, muita sobreposição com coletinhos e sapatos padrão masculino.
Ela consegue uma boquinha na maior revista de moda do mundo, como assistente de um galã playboy que só pensa em comer a mulherada. Como é feia, o gajo inventa de dispensá-la, mas, como não pode demiti-la, faz o Capitão Nascimento e apronta o demônio até a moça "pedir pra sair".
No fim tudo dá certo, o cara reconhece o talento da medonha e a recontrata, provocando a inveja-monstro de mil vagabas lindas e anencéfalas que trabalham no mesmo lugar (e cobiçam o cargo de Betty).
Não há como não torcer pra taturana-girl, não há como não querer que ela consiga dar a volta por cima, que depile o bigodón, que vá ao Cláudio Sobrancelhas se arrumar, que emagreça, pare de comer donuts e invista em modelos mais interessantes (ou menos bizarros). Que pelo menos penteie o cabelo, ó, meu Deus! Porque ela é um amorzinho, uma fofa, conquistou a América e vai conquistar o mundo (pelo menos o mundo da cultura pop). Viva Ugly Betty (em inglês é bem mais chique, né?).

P.S.: Se os americanos dão show de bola comprando idéias alheias, o contrário, no entanto, é absolutamente lamentável. Vide a versão nacional da adorável Desperate Housewives, ambientada na Terra dos Hermanos. Podre

6.11.07

O casório, o dentinho e o guardanapo de linho

E como hoje é dia de postar, here go para os últimos acontecimentos do findi. Enjoy it!

Parte I

Há três meses todo o clã Teixeira se preparava para a cerimônia que prometia entrar na história dos casórios sul-catarinas. Madame, que não é boba nem nada, comprou roupa nova de cetim na butique, mandou engraxar os sapatos de salto (couro de crocodilo) e, para dar aquele up no visú, tascou para o protético a missão de desenhar nova dentadura que ressaltasse suas belas maçãs do rosto. Dito e feito. Pagamento antecipado, três dias antes do casório a dentadura nova e brilhante chega, em embalagem exclusiva da Hérmes. "Olha só que coisa linda, a gengiva é até rosa. A antiga é que não valia nada", disse madame, repetindo um mantra proferido na ocasião da compra de cada uma de suas dentaduras, ao longo da vida. A anterior nunca foi boa, só a nova.
Aí foi testar o apretrecho. Atirou os dentes antiguinhos, gastos de tanto serem lavados a escovão, num canto escuro da mansão. De dentes novos, madame sorria a torto e a direito. "Dentes bem grandes, compridos, parece um cavalo", gabou-se Maísa, revelando um segredo até então desconhecido por Cíntia, que não sabia que dentadura encolhe com o uso.
Exibida, madame circulou por toda a orla do bairro universitário, distribuindo sorrisos gratuitos a todos. À noite, um perhaps: a chapa nova ainda não aderira de todo à boca de madame, ou, como diria o saudoso David, não "fez a casa". Dor, muita dor e muito tylenol, para aliviar a pressão na arcada enquanto o apetrejo novo se moldava da maneira mais adequada.
Faltando apenas um dia para o casamento, madame faceira, roendo seu croissant e bebericando seu chá matinal, a surpresa. Faltava-lhe um dente, logo o caninão, bem na frente. O bichinho sumiu do mapa. "Acho que eu engoli. O negócio é espiar depois, quando for ao banheiro", calculou madame, levemente tensa pelo incidente que lhe custaria o sorriso de ouro, na grande festa do casório. Drama.

Parte II

Sábado, o grande dia. Cíntia, Déia e madame, devidamente agasalhada em seu visón, rumam ao instituto de beleza mais próximo, alisar as madeixas e carregar no make-up. A vaidade é tanta que o também saudoso Zé mandou avisar que vai suspender a milionária pensão de madame, lá do além, para que ela dê um fim a estas frescurinhas de fêmea. Madame mandou-o se catar. Fez as unhas, uma drenagem linfática rápida, bronzeamento artificial e ainda coloriu os cabelos (chocolate ao leite). Linda, mas ainda frustrada: a falta do dente na chapa nova e a obrigatoriedade de ter de resgatar a dentadura velha lhe trouxe uma leve dor de cabeça.
Entrada triunfal no salão de baile, e a lembrança da dentaça avariada não lhe saia da mente ("Segunda-feira de manhã já tô lá", esbravejava madame, tão furiosa que chegou a dar pena do protético, que numa hora destas já deve ter sido xingado de cara de cu e de ilhorpa pra baixo).
O drama desanuviou-se após doses generosas de uísque, martine e batidinhas de coco, além do melhor champagne gelado (madame jamais larga sua flute). Comilanças, sobremesas generosas, muita dança e diversão. Vou ao banheiro aliviar-me de tantas bohemias consumidas quando deparo-me com madame, que ainda fechava o zíper de sua calça de cetim enquanto acionava a descarga da privada.
"Conseguiu encontrar o danado?", perguntei, brincando. "Que nada, o bacio é muito fundo", observou, levemente tensa, enquanto limpava as mãos freneticamente em um guardanapo de linho.

P.S.: mais do casório da Carol, em breve. Aguardem.
P.S.2: Caetano não mais admite textinhos que ponham em risco a reputação de madame. Está furioso, aliás, com a suposição (fantasiosa) descrita acima.

Na boquinha da garrafa

E como nem tudo são pedras e paus, vamos a um momento de descontração...

Aqui, Teteu divertindo-se em festa familiar. Tudo muito respeitoso, deixo claro...


Crisis momentum

Em momento terrível de crise, recebo o mailzinho de onde menos se espera, com seguinte mensagem:

"Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor".

Vai dizer que não é pra chorar?

28.10.07

O parquinho, o shoyu e os CDs

Eu e marido gostamos de brincar de papai e mamãe (ops!, no bom sentido, neste caso), e sair por aí com Jukinha a tiracolo, de vez em quando. A menina da madrinha faz as nossas alegrias - num período MÁXIMO de dois dias - quando tudo ao redor se assemelha a um comercial de margarina, com muito cor-de-rosa, doces, risadas e site da Barbie. No sábado levamos a pequena para almoçar no shopping, e felizmente sou, euzinha aqui, uma pessoa absolutamente nada popular na cidade. Não conheço ninguém e ninguém me conhece. Assim, pude conduzir habilmente um carrinho de choque, tentando fugir da dupla marido/Ju; e me balangar vertiginosamente no Barco Viking, brinquedo destinado a crianças de menos de 10 anos, provavelmente.
A tarde foi tão corrida, movimentada e quente (vem chegando o verão na abafada Shark city) que, quando fomos jantar, eu e marido, lá pelas nove da noite (sushi), troquei as bolas e, ao invés de entornar o copo de Coca light, o fiz com a xícara de molho shoyu. Só percebi após um GRANDE gole. Grande mesmo. Eu tomei um golaço de shoyu, caramba, e não consigo me perdoar até agora. Nem tinha bebido cachaça. Fiquei tão assustada e desnorteada que não quero mais saber de sushi nas próximas semanas. Raiva.
Em compensação, ainda à tarde, na Americanas, reforçamos nossa discoteca com CDzinhos bár-ba-ros, a citar:
GHV2, da Madonna;
Off the Wall, do Michael Jackson;
Puro Suingue, do Jorge Ben (delícia);
Maria Bethania;
e um combo do Secos & Molhados (luxo).
"Por causa de você bate em meu peito baixinho, quase calado, coração apaixonado por você, menina..."
Eu já disse que AMO Jorge Ben?
Anyway, tudo isso ainda não aplacou de fato minha mágoa por ter bebido o shoyu. Só um pouquinho...

26.10.07

Summer tone

Primeiro foram as lipos. Corta dali, suga daqui, e a barriguinha de pochete simplesmente desaparecia, como num passe de mágica. Aí foi a vez do silicone. Enxerta, aperta, aplica e as mocinhas saem empinadinhas e com novos sutiãs a tiracolo. Veio o botox e sua máscara grega, deixando todo mundo sem nenhuma expressão. O último grito na batalha pela beleza irretocável (???) ficou por conta do esquisitíssimo bronze laranja, obtido após intensíssimas sessões na câmara que dá aquela corzinha da cenoura artificialmente. Vide Xuxa e Donatella Versace. Até programa no adorável E! a "modalidade estética" (???) ganhou, o Sunset Tan, onde milionários descerebrados torram doletas mil para ficarem tostadíssimos como se acabassem de voltar de um mês de férias no Mediterrâneo. Sem protetor solar.
A gente gosta mesmo é de criticar modismos e loucurinhas que levam tantos por aí a apelar para o ridículo em busca de um ideal torto de beleza. Mas é fato que, vez por outra, lançamos mão de artifícios destinados a nos deixar mais atraentes, jovens e saudáveis: a fila para clareamento dental, peitões novos e cinturinha de pilão não pára de crescer.
Eis que um evento de suma importância surge no horizonte. Preocupada, corri atrás do vestidinho ideal. Aí vieram os sapatos, os adereços, os acessórios e a make-up ultra-carregado, que de gloss e rimelzinho a Julia já tá cheia (Julia: 5 anos). Sendo de um vaporosíssimo tecido verde-doirado, a peça escolhida por moi pedia, sem sombra de dúvidas, uma coloração a mais em minha pálida pele encarceirada por um longo inverno. Com escrúpulos suficientes (e sem a menor possibilidade financeira) de apelar para o bronzeamento em câmaras cancerígenas, deixei-me seduzir pelo simpático comercial de um produto que promete a cor do ouro às mais transparentes epidermes.
E a palavra mágica é: Dove Summer Tone, descrita como "uma loção hidratante com agentes bronzeadores". Rá. A Califórnia jamais abrigou tamanha morenice acobreada e brejeira sob seu sol. Em apenas CINCO dias adquiri aquela corzinha só conquistada com muita exposição da figura na areia da praia - e em pleno janeiro, nesta região do mundo. O sucesso foi arrebatador. Já recomendei tantos Doves Summer Tone por aí que merecia, sinceramente, uma cestinha de mimos da Dove (sei lá, não custa tentar).
Agora meu tratamento colorífico iniciou novamente (é que depois de suspender a aplicação, a cor some, snif). Outra festança das boas, em breve. E pra que se expor aos perigosos infravermelhos, não é mesmo?

P.S.: Lado negativo? O creminho milagroso não tem lá um cheirinho muito agradável. Argh.

25.10.07

O hamburguer, a faxina e as Buds

A moça, morenaça belzebu, é convidada a jantar um delicioso hamburguer com molho especial do Nordeste na casa daquela amiga sertaneja cuja residência há tempos não pisava. Ela aceita, decidida, a fim de forrar seu estomagozinho tão maltratado por abobrinhas e chuchus. Esverdeada de fome, a pobrezinha Charlotte C. ainda tem de passar no Angeloni para garantir sua metade nas Buds de um litro que serão consumidas noite adentro (seis dela, seis da anfitriã, pra ficar de bom tamanho e porque hoje é só segunda-feira, não convém abusar).
Exaurida de suas forças e tomada por uma fome abissal e sem precedentes, ela chega na casa da mameluquinha mais amada do Sul pedindo migalhas dormidas do seu pão, raspas e restos que interessam.
No entanto, ao invés de alimentar a enfaimada, G. girl decide abrilhantar sua mansão com uma pequena faxininha-relâmpago. Esfrega dali, alisa de lá, passa Veja multiuso acolá, e Charlotte, the somali girl, contorcendo-se pela cozinha, enquanto fumava um luke strike atrás do outro.
"Fui pra internet. Fiquei lá, navegando. Fumei, fumei, fumei. Roubei um cigarro dela, mentolado, ela nem viu", relata a pobre mártir. "Afinal de contas, eu tenho que ir embora às 22h30", reforçou.
Coisa de meia hora depois, G. continuava no ir e vir dos lençóis (sim, eram 22h00 e a moça insistia em arrumar a cama justamente naquele horário). Charlotte implorava por atenção e comida. Decidiu entrar em ação.
"Falei: Ô, sertanékia, eu vou fritar UM pra mim (hamburguer). Tu vai querer?", questionou a moça. G. girl disse sim. "Era só o que me faltava... me convida e depois me manda pra cozinha? E olha que eu tinha que ir embora às 22h30, trabalho no outro dia, tá pensando o que?", vociferou a paulistana louca da calcinha.
Manekinha, que é gente boa como todo baiano, lembrou, enquanto passava algumas peças de roupa, de deixar a amiga bem à vontade. "Fique à vontade, Carla. Corta um tomatinho...", sugeriu.
"Rodela fina ou grossa?", perguntou Charlotte.
"Grossa", respondeu G.
Tudo pronto, Manékia finalmente desliga o aspirador de pó e vem comer. "Ô, Carla, tu fizesse hamburguer pra mim? Gosto tanto de ti...", disse, sempre muito carinhosa com os seus (apesar do leve traço de ironia da declaração).
Mesa posta, hamburgueres fumegando, Wanderlee até o talo. A mameluquinha solta mais uma: "É tão bom a gente comê, né?".
Aí vieram as Buds e os conversês intermináveis. Claro, tudo dentro dos conformes: Charla deveria sair dali às 22h30. Chegou em casa às 3.

24.10.07

Pessoas-spam

Você percebe o quanto é amada/admirada e idolatrada ou desprezada/odiada e ignorada pelas pessoas com as quais convive ou já conviveu pela quantidade e pela qualidade dos e-mails que estas te enviam.
Sabe aqueles antigos colegas de faculdade e/ou de trabalho, com quem você mantinha uma relação cordial e bem-educada, mas que ao perderem contato ficou sem sentido mantê-los no messenger ou no Orkut, mas que você ainda mantém JUSTAMENTE por educação (sempre bloqueados)? Então.
Dia desses uma amiga recebeu o mesmo e-mail vindo de duas pessoas diferentes, das quais não recebia sinal de vida há quase um ano. Pois bem: os caras-de-pau tiveram a ousadia de bombardear a caixa de mensagens da moça com um daqueles terríveis spams/corrente que fizeram fama e fortuna no início dos anos 2000, com ameaças de maldições e de mortes horripilantes caso você, recebedor, não cumpra com o exigido no final da mensagem, ou seja, enviar para 10, ou 20, ou até 30 contatos de e-mail.
O que acontece é claro como o dia: você não manda spam/corrente para seu namorado (se tiver um), para suas amigas do coração nem para os simpáticos e descolados colegas de trabalho. Você manda spams para os contatinhos do Hotmail que você ou odeia ou despreza. Porque, cá entre nós, ninguém merece uma foto-montagem de um fantasma samara morgan style te ameaçando a vida se você não encaminhá-la.
Mas o que mais me impressiona neste mundo de meu Deus não é o pouco caso que pessoas-spam têm com você, é a possibilidade delas mesmas acreditarem em "maldições virtuais de 2000". Wake up, people, a onda virtual do momento é roubar senhas de banco e transferir dinheiro para contas-laranja. Seringa aidética na poltrona do cinema, boa-noite, cinderela na bebidinha free na boate e, é claro, a garotinha que têm um câncer terminal desde 1996 (ela não morreu ainda?) são tãããão last season...

22.10.07

O bandejão, a língua e o desespero

Quando o sogrão convidou para um almoção de domingo no meio da comunidade, fiz-me de rogada, mas marido garantiu presença dizendo: "Vamos, boba, vai ser bom!", afirmava, convicto.
Fui. Ao chegarmos, pude observar o povão, feliz, enchendo seus pratos em formato monte everest, coisa linda de Deus, comer é vida.
Peguei meu utensílio (plástico, claro) e segui, junto a Caetano, para a mesa do buffet. Enquanto me servia de apetitosas saladas fresquinhas e um purezinho fino de aipim com molho de carne (delícia), Machadinho rumou convicto para o setor de carnes. Estranhei a demora na escolha de seu filé e, em pouco tempo, o alcancei.
Qual não foi minha surpresa ao ver o moço com uma carinha que ia da náusea ao pânico, enquanto olhava para as duas cubas de carne: uma delas com pedaços de aparência rugosa, boiando num molho vermelho: a famigerada língua; a outra, também encharcada de molho, com generosas coxas e sobrecoxas de frango ensopadaço. Pânico na Zona Sul. Sem saber se ria ou o auxiliava, apontei para um cantinho do salão comunitário, onde dois solícitos garçons fatiavam um fabuloso churrasquinho, o que deveria minimizar o impacto popularesco da refeição dominical.
Não foi de grande valia. Como já havia se servido, precipitadamente, de frango, lá ficou marido, com carinha de desespero, olhando o pedação de alguma parte ainda não identificada da galinha, laranja e gordurosa. Medo.
Já pensava eu em blogar as frescurinhas de maridón quando este se aprochega e, discretamente, sopra em meu ouvidinho: "Tô me sentindo no Laio´s".

P.S.: o frango acabou, enfim, sendo devorado, já que eu pus fogo dizendo que é falta de educação deixar comida no prato, até porque Jesus chora, como diria Neidé. A carinha de desconsolo, no entanto, ficou registrada em minha mente, para minha diversão eterna.

19.10.07

Carência cristã

Charlotte estava carente. Sedenta de um abraço, um chêro no cangote, um mimo, um bibelô. Curtindo sua agitadíssima single life, considerou a morena brejeira ser mais fácil ganhar bens materiais do que um abraço de urso, macho, quente e peludo (tempos difíceis em que espécimes masculinas para uma manutenção básica são itens de luxo no mercado).
Zapeando em frente a TV, parou, estática, na programação de seu canal predileto, a TV Universitária, da mesma instituição da qual ela já fez parte. Lá, aos brados, um homem identificado como da "Igreja Adventista" convocava o telespectador a entrar para o clã dos escolhidos. De repente, merchandising. O pastorzinho saca de um CD brilhante e, foco na câmera, informa que o primeiro a telefonar para o número XXX ganharia, na chincha, aquele exemplar único, raríssimo e disputado das "melhores do mundo gospel 2007".
Sebo nas canelas: o sonho de Charlotte se materializava em sua frente! Pois não era ela mesma que, há poucos dias, havia se lamentado com a vizinha mais curvilínea do Dehon quanto à necessidade desesperada de ganhar alguma coisa, qualquer coisa, um abraço, um real, uma passada de mão?
Discou, divertida (há, vou ter o que contar amanhã na escola), já esperando o indefectível sinal de ocupado do telefone. De repente: "Alô, boa tarde! Você é a feliz contemplada de um CD da Igreja Adventista com As Dez Melhores do Forró-Gospel - by DJ Retardado Show!". Três dias depois, o mimo tão sonhado chegou pelo correio. Aleluia, irmãos!

P.S.: Ainda sobre religiosidades e afins, Teteu boy acredita que nossa amiga, a pseudo-jornalista e "poeta das aspas" Z., deverá começar sua matéria sobre a bem-aventurada Albertina da seguinte forma: Amém.

16.10.07

Bienvenue!

Eu orgulhosamente dou hoje as boas-vindas a uma querida nova leitora que, pretendo eu, deve se tornar habitué neste espaçozinho. O post acanhado mas honesto tem toda razão de existir, já que esta nova leitora é nada mais nada menos que minha mamãe, Neidé, a francesa que não deu certo, que ama melancia mais que tudo no mundo, que é viciada em paciência e que sonhava em conhecer Veneza na adolescência. Dona Neide, seja muito bem-vinda ao Imediatas, entre, sente-se e fique a vontade, a casa é sua. Então aproveite e me lava aquela louça da pia, sim?

15.10.07

14.10.07

A chapa, o falecido e o cachorro

Momentos difíceis, aqueles... há coisa de cinco anos (ou mais, ninguém lembra ao certo), monsieur Joseph, patriarca do Clã Rosa, acamado e indisposto como estava, sofreu uma piora em seu estado de saúde e foi levado às pressas para a Clínica Santé (reduto dos ricos e elegantes destas plagas). No corre-corre do atendimento, as enfermeiras, muito solícitas, retiraram cuidadosamente o aparelho ortodôntico de sir Joseph - sua dentadura, ou ponte, como era chamado o artefato, carinhosamente - e a entregaram à filha e primeira-herdeira Andrea Rosa. Levemente nauseada (Déia é dada a frescuras, onde já se viu?), a moça tascou a dentarada na mesinha mais próxima da clínica. Atordoada pelos últimos acontecimentos, acabou esquecendo-a ali.
A história poderia ter terminado deste jeitinho, mas não. Quando se trata do Clã Rosa (ou do Clã Teixeira, whatever) nada é suficiente.
No dia seguinte, atarefada com uma série de compromissos, princesa Déia e Madame, sua eterna companheira (não é, Kátia?) dirigiam-se à agência do CitiBank mais próxima para sacar algumas malas de dinheiro quando ambas foram interpeladas por uma jovem senhôura. "Moça, não é você que tá com o pai mal, doente no hospital? Então, o meu também tá lá, e ontem eu te vi lá perto da UTI. Você esqueceu a dentadura dele". Não bastassem as lágrimas em profusão de Déia ao lembrar do incidente, a moça ainda põe a mão em sua própria bolsa e retira dali, sã e salva, uma rosada dentadurinha cheia de dentinhos (ou aparelho ortodôntico, como queiram), que era lavada diariamente com o bom e velho escovão do tanque. O mimo foi direto para a valise importada de Madame Louise.
Infelizmente a boa ação não foi necessária. Monsieur Joseph não resistiu e acabou falecendo, ao longo daqueles dias difíceis. Ao se tomarem as providências quanto ao traje fúnebre que seria posto no bom homem, Madame e Andrea lembraram-se, tardiamente, da tal dentadura, que jazia, murchinha, sobre a mesa da cozinha. Ao interpelarem o jovem da capela mortuária, foram tranqüilizadas: a boca do falecido não penderia, murcha, sem a chapa, na hora do velório. No lugar do adereço, colocaria-se muito algodão dentro da boca, para dar um up nas belas feições de Joseph.
Ao retornarem, ambas, para Mansão Rosa, em busca de mais alguns detalhes, surpreenderam-se com o bom e velho Chico, que Deus e São Francisco de Assis o tenham no céu. Chico, velho de guerra, havia subido à mesa da mansão (hábito do pobre cachorrinho) e, numa forma de homenagear seu querido dono Zé, exibia entre os próprios dentes caninos a dentatura do morto, espécie de sátira bizarra. Para tirar a chapa da boca foi um trabalho. O aparelho foi devidamente enterrado por Madame no quintal, para tristeza de Chico.

10.10.07

A notícia mais irrelevante do ano (sério)

Longe de mim querer aderir à linha de blogs como os excelentes Te Dou Um Dado?, Shoe me e Papel Pop, que divertem gongando celebrities e pseudo-celebrities brazucas e internacionais, entretenimento dos bons para DEPOIS do trabalho (deixo claro). Mas não pude resistir aos apelos de notinha enviada pelo amigo Matheus Leão Lobo Madeira. Sério, se não existisse um vídeo provando (ao qual não assisti, deixo claro), seria difícil acreditar que bizarrices assim acontecem, a torto e a direito, e passam incólumes na "carreira" destas criaturas.
Deu no Babado (trechos em parênteses são meus):

Siri canta "Tô nem aí" para Alemão e repórter do TV Fama (ai, ninguém mais merece Sirisleine e Germany boy, fala sério. Nem a Germana agüenta mais).

Íris Stefanelli, apresentadora do TV Fama, da Rede TV!, tirou sarro - no ar - do affair entre uma repórter do programa e seu ex-namorado, Diego Alemão. Siri cantou o hit "Tô Nem Aí" aos risos, após uma piadinha combinada com Nelson Rubens (até ANTES da piadinha COMBINADA, eu poderia sorrir discretamente com a sacanagenzinha da bruaca, mas...):
- Bruno de Lucca, você foi visto! Estava dando carona para a repórter do TV Fama, Tatiana Welikson, e Diego Alemão. O que estava tocando no rádio? (disse Nelson Rubens)
- Tô nem aí, tô nem aí, completou a ex-BBB. (!)


(e agora, a MELHOR síntese de planos-para-o-futuro/ quero-ser-apresentadora-e-atriz de todos os tempos EVER):

Tatiana passou a noite de sexta-feira com o moço e teria dito aos amigos que ele é "insaciável" e que agora ela quer posar nua.
Fim

Tá. O que o fato dele ser insaciável TEM A VER com o fato de ela querer POSAR PELADA? O ex-BBB tem o pinto de ouro (como diria Madame), o fabuloso dom de deixar a mulher mais gostosa e atraente depois de comida, ao ponto de ela TER, obrigatoriamente, que mostrar a xavasquinha melada pra todo mundo? Se nos basearmos na Iris, NOT!

7.10.07

Piratas do Caribe

Tropa de elite, osso duro de roer, pega um, pega geral, também vai pegar você!

* Valeu, Diogo!

4.10.07

Heartbreaker

Uma série de imagens sacras dão um ar dramático à gruta construída no local da morte da menina santa. Nossa Senhora de Aparecida, Santo Antônio e o meu mais novo amigo, São Miguel Arcanjo, perfilam-se rentes às paredes da pequena edificação.
Uma das imagens, de uma mulher sustentando um carneirinho em um braço e uma planta no outro, cujo nome ainda não descobri, exibe um pequeno papelzinho bem dobrado em seu colo. Certamente um pedido de graças, bastante comum em igrejas e santuários religiosos.
Vou lá e o desdobro, assim como fiz com os da Albertina. Pedi permissão aos santinhos, não há pecado, ora bolas. Até porque compartilhei daquelas dores e daqueles desejos pendentes (saúde, emprego com carteira assinada, uma vida sem vícios).
O bilhetinho no colo da santa sem nome (conte a história da menina, Germana!) é um pouco diferente. Em letra tremida, insegura, com erros básicos de português, a mensagem passa a dor de um coração partido. "Santinha, faça com que o Valdemar me telefone ou me procure, para conversarmos". Ô, dó...

Upgrade: Movida por uma curiosidade incessante quanto à vida dos santos e santos, fui pesquisar mais a respeito da santa com o cordeiro e a planta. É Santa Inês, bela, poderosa e casta. Vamos à história?


Santa Inês, tambem conhecida com Santa Agnes, foi uma virgem e martir do século III. Veio de uma família nobre e rica e a medida que crescia se tornava uma linda donzela de sedutora beleza. Seus cabelos vermelhos e longos ascendia os desejos dos jovens romanos. Mas ela havia prometido castidade perpétua e sofreu várias tentativas de violações, sempre orando a Jesus para protege-la. Assim, o primeiro homem que a quis violar foi cegado por um raio de luz. Santa Inês o perdoou e ele pode ver de novo.

Foi então denunciada como sendo cristã. Prenderam-na e a torturam para que ela oferecesse sacrifícios aos deuses romanos. Como ela se recusava, levaram-na a um bordel, mas o homem que tentou violenta-la foi morto por um raio de luz.

Foi então acesa uma fogueira para ela ser queimada. Quando colocada na pira, ela orou e o fogo milagrosamente se extingüiu. Colocada para ser desmembrada por cavalos, seus punhos eram muito pequeninos e não havia grilhões de ferros para ela. Tentaram amarrá-la com correntes, mas as correntes escorregaram em seu corpo, e as que ficavam simplesmente arrebentavam.

Finalmente foi decapitada com a espada.

Vários milagres foram creditados a sua intercessão e sua fama se espalhou rapidamente. Agnes significa casta, em grego, e em latim, ovelha. Talvez por isto na arte litúrgica da Igreja ela é representada sempre segurando uma ovelha.


Atenção, single girls ----> Segundo a tradição, Santa Inês ajuda a encontrar um noivo para um feliz casamento. É padroeira da pureza e da castidade e é invocada na proteção da castidade. Sua festa é celebrada em 21 de janeiro.


E olha só que bonitinha:


Virei devota.

Malvados again

Eu já disse o quanto este cara é genial? Não? André Dahmer rules!


2.10.07

Pixote

"There´s no place like home", já dizia a fashion icon Dorothy, de The Wizard of Oz. Em casa podemos tudo, andar descalços e/ou sem camisa (mulheres inclusive). Podemos usar o banheiro de porta aberta, passar uma manhã inteira de pijamas, ver TV com o rosto ensebado de creme hidratante (desde que o marido não vomite), usar havaianas e calça jeans sem passar vexame. Nossa casa é nosso reino, onde nos sentimos mais a vontade, livres e libertos para aprontarmos quaisquer peripécias entre nossas quatro paredes. Só lá falamos mais alto, cutucamos o nariz e coçamos partes pudentas sem constrangimentos. Só em casa cantamos no chuveiro e fazemos montações malucas usando peças de roupa exóticas escondidas no armário.
E, claaaaro, dentro de sua casa, cada louco tem sua mania. Micheline, por exemplo, em casa vive de câmera fotográfica em punho atrás do filhote Theo, isso quando sai da internet.

Germana tranca as portas, e cinco minutos depois volta para conferir se trancou as portas, e cinco minutos depois volta para conferir se trancou mesmo as portas. Aí bebe vinho e vai pra net.

Denize (já descrita no blog) cuida de afazeres domésticos enquanto domina o mundo.

Andréa NUNCA pára em casa.

Neide também não.

E Charlotte, ah, Charlotte... o hábito secreto de Charlotte não poderia ser menos excêntrico do que o de todas as outras pessoas. Enquanto cozinha abobrinhas e tomates, lava roupas e passa aspirador do carpete, Charlotte não se desfaz de sua fiel companheira. Ela, a meia-calça cortada que faz as vezes de touca protetora dos fios alisados da brunette belzebu. Assim, uma vibe meio pixote, manja? Vez em quando, os vizinhos Cíntia e Caetano conseguem vislumbrar um naco de Chagas passando pela janela, apressada. De cabelos devidamente escondidos na touca-meia. Fina. E nós merecemos esta visão privilegiada, certamente. Daiquiri no Santo Graal or something.



30.9.07

As Marcianas, o Hominho e o vestido prata

Graças a Deus eu não comprei o vestidinho prata! Glória Jesus. Passei o fim de tarde de domingo trabalhando E vendo - pela TV - o glamuroso show com As Marcianas, em comemoração ao aniversário de uma emissora de TV ligada a universidade de Shark city. Foi um dia legal, cheio de apresentações de artistas locais, bastante populares, e o povão adorou, pôs roupa domingueira e veio prestigiar. Massa.
A questão é As Marcianas. Cara, quando eu era criança elas já existiam há tempos. Aí fui descobrir que a dupla é renovada de tempos em tempos. Só que agora há uma disparidade grande: uma marciana já deve estar dobrando o cabo da boa esperança dos 50, e a outra ainda tá gata, 30 e tantos. Magra, e tals. A cinquentona, ai, coxas meeeega volumosas, eu sou uma sílfide perto dela. Barriguinha sexxxy. As moças, claro, como toda dupla sertaneja, foram vestidinhas de par de vaso. E agora vem meu momento de alívio máximo: as fofas se exibiam em puro lamê PRATEADO. Curtíssimos, ajustados na barriguim. O povo lá de baixo deve ter tido uma visão privilegiada de suas partes pudentas - principalmente as partes pudentas da véia mais "robusta", por assim dizer.


Aí que no sábado eu finalmente comprei meu vestidim pra ir pro casório da Grasi. Fiquei entre duas peças fofas e baratinhas, um dourado e um PRATEADO. Tá, já dá pra imaginar que eu vou de golden girl pro festerê, né? Glória, Jesus.

E PÁRA TUDOOO!!!!!!! Quem acompanha o blog e as historietas fantásticas de Madame Louise já leu a respeito de seu humilde serviçal, o Hominho. E adivinha quem tava SE REQUEBRANDO na frente do palco das Marcianas, gritando uhu, braços pra cima, feliz da vida? SIMMM, o HOMINHO, eu tô vendo ele pela TV agorinha mesmo! Ah, o que é a alegria de viver, não é mesmo, minha gente? Hominho agora esticou o braço esquerdo e pôs a mão direita no peito, simulando estar dançando acompanhado. Desceu até o chão. Alguém me socorre, pelamor... "Vou te amarrar na minha caaaaaama, só pra fazer amor comiiiiigo...".

P.S.: Não agüentei e fui ver na
Wiki, saca só (copiado e colado, itens alterados em itálico): As Marcianas é uma dupla sertaneja brasileira que surgiu na década de 1980 e tem como uma das integrantes Celina Santangelo, filha do cantor João Mineiro (acho que esta deve ser o açougue ambulante). Conquistou o público brasileiro devido ao estilo romântico e... (atenção agora) ÀS ROUPAS SENSUAIS (caixa alta é por minha conta). Ganhou vários troféus e prêmios, entre eles alguns discos de ouro e até mesmo de platina. Sempre comparecendo em programas de televisão, teve como grande sucesso Vou te amarrar na minha cama, de 1992. Celina integra a dupla ao lado de sua amiga, Adriana, e ambas curtem a natureza quando não estão trabalhando (Cuén?).





Viu? Graças a Deus que eu não comprei o vestido prata (crédito da fotinho: Lougs D.)

27.9.07

Vive la fête

Madame levou alguns minutos para abrir as portas da mansão, quando nos anunciamos. Por alguma razão desconhecida, imaginou ela que, ao invés dos reles mortais Cíntia e Caetano, recebia a visita de Fabiana e Geraldo, estimados sobrinhos que costumam bater em sua porta eventualmente. "Se, ao invés de vocês, fossem eles, aí eu deveria preparar melhor o ambiente", disse, preocupada com o bom nível e a estirpe do casal de irmãos. Conosco, no entanto, beiju com cafezinho já bastam.
Bastante receptiva, Madame Louise cumprimentou-nos, como de praxe, com duas suaves bitocas nas bochechas, envolvendo-nos numa suave nuvem de seu perfume predileto, Chanel nº 5. Sugeriu que sentássemos nas poltronas do living room e iniciou uma de suas história pra lá de agradáveis - no entanto, o relato foi iniciado sem uma introdução.
"Então, quando cheguei foi uma festa, tava todo mundo lá. Gente que eu não via fazia... o que? Mais de 20 anos, boba!", exclamava, ela mesma admirada da dimensão do tempo. Na "festa" de Madame muita coisa boa rolou, muita fofoca quente foi posta em dia, muita gente pode se reencontrar após anos a fio. Entre croquetes e bolinhas de queixo, além de muito cafezinho recém-passado, tios, sobrinhos, primos e agregados resgataram historietas do Arco da Velha, riram a valer, divertiram-se como nunca.
"A minha paixão* foi ter perdido o Ogeno. Ah, o Ogeno... ele baba. Mas é bom da cabeça, trabalha num banco. O Ogeno casou com uma japonesa, ela morreu. Agora tá viúvo. Todo mundo viu, menos eu, tinha saído aquela horinha!", lamentava madame, referindo-se a Eugênio, primo que há muitos anos foi residir no Norte catarina.
Animada com tantas novidades simultâneas, tentava eu, em vão, interromper o relato emocionado para perguntar quando tal grandiosa festa havia ocorrido. Muitos minutos depois consegui meu objetivo. "Ah, foi lá no velório do tio Jacó", informou Louise, às gargalhadas, enquanto enfiava na boca mais um pedacinho de rosca.

* paixão, neste caso, é sinônimo de frustração.

26.9.07

Momento celebrities

Ó, eu até não tinha nada contra o arremedo de atriz Daniele Winnitz (eu não sei como se escreve e juro que não vou procurar no google). Aí que a bicha engravida e bléarrrrghhhh, chega a me dar náuseas. Olha só: a brega e a moça do maridón maquiado dela estão espalhando que o filho vai se chamar BENÍCIO, pai amado, Benício só não é pior que Nicanor, pra mim o nome mais feio do mundo. Também estão "divulgando" que a criaturinha foi "feita" em Paris, porque o casal se hospedou lá numa viagem bate-e-volta de fim de semana, num hotelzinho de quinta, ralou a bacurinha e a monstra engravidou. Agora diz que o Benício foi feito na França. Eu mereço. Vou pra Martinica, engravido lá e espalho pra galera. Pelo menos vai ser mais original.

Upgrade: Céus, a ermã Elaine lembrou que BENÍCIO é o nome do filho da ANGÉLICA E DO LUCIANO UGH! Há! E o nome do filho da Winnits (tive que procurar no gógle) ainda não foi devidamente "divulgado". Dá nada. Thanx, Lane!




E circulando pelo óoooootzimo Te dou um dado?, encontro esta foto. Ai, eu nem sei o que dizer...


25.9.07

Cantadas baratas

Coisa mais deprimente na face da Terra é você observar, de camarote, alguém passando uma cantada em alguém. Digo aquelas cantadas inconvenientes, sem local e hora definido, do nada, durante o expediente, por telefone, numa reunião de negócios; e não a cantada adequada, num bar ou no corredor do supermercado, sei lá - porque cantada sempre é bom, minha gente, mas se bem-feita, claro.

Semana passada presenciei uma destas saias justas e quase sucumbi à Vergonha Alheia. Um cara (35 a 40, metido a galã, camisa branca com botões abertos, peito cabeludinho a mostra), que tem cargo relativamente importante num órgão público destes da vida, conversava com uma secretária (que foi rapidamente apelidada de Formiga por nosso obsceno fotógrafo, dado seu farto derriére, like a saúva).


A bunda da moça era grande. De frente a menina era normal, nem gorda, nem magra. Ao se virar, no entanto, exibia extensão de carne das mais grandiosas. A coisa ia espichando pra trás que até dava medo, parecia uma carreta cegonheira.

Whatever, penso que o mocinho funcionário público deva ter gostado do material (ah, eu metido naquelas carnes...). Devo lembrar que obviamente não existia intimidade entre ambos, e conhecendo o mundo masculino como eu conheço (ha!), pude observar que o rapaz certamente percebeu que a cuzuda não exibia um bambolezinho dourado no dedo.
Na hora de lançar a cantada barata, a cara do sujeito se desmancha. Sim. Ele fica com um aspecto meio molóide, meio bobalhão. A voz fica melosa, mais grave, mais baixa, meio que embriagada (senÇual, diriam eles, para si mesmos). O peito infla, a postura torna-se mais ereta e rígida (conotação sexual?), e as mãos... ahhhhh, as mãos.
De uma hora para outra, o funcionário público, que certamente havia feito uma solicitação de qualquer coisa para a bunduda (um copo de água ou um blowjob) agradecia pelos serviços ainda não prestados acariciando-a nas costas. Sua mão ia e vinha, ia e vinha, ia e vinha. Primeiro, exatamente no meio das costas. Depois, os limites foram sendo ultrapassados. No fim, o cara já tava alisando a gata da nuca até o cóccix. Foi quando percebeu meu olhar zombeteiro. Aí parou tudo, estávamos em um lugar público. Mas eu o vi, minutos depois, passando um cartãozinho pra rabuda-girl. E ele TINHA o bambolezinho dourado no dedo...

24.9.07

Regras de etiqueta para o mundo virtual

Ah, a internet e os constrangimentos que tanto nos proporciona... Tá pra nascer o sujeito que, desde os tempos imemoriais do e-mail (épocas em que Zipmail era rei), ainda não tenha pago um bom miquinho enviando mensagem para a pessoa indevida; excluindo aquele mala-sem-alça do messenger sem muito tato; deixando scraps mal-criados e desaforados no Orkut ou, pior, postando fotos comprometedoras e só depois vê-las parar em comunidades como o Vergonha Alheia ou pior, no Kibe Loco.

E se todo mundo tem uma boa gafe internética pra contar, o que dizer de quando somos nós as vítimas desta gafe? Exemplinho: você que tem mais de 50 amigos no site de relacionamentos Orkut e que, paralelo a isso, preza por um texto caprichado e bem escrito já deve ter passado pela saia justa de receber um scrap ou mesmo um depoimento (testimonial) com garatujas digitadas em idioma incompreensível.

O que fazer? Afinal de contas, recusar a homenagem feita pelo coleguinha com quem você cruzou duas ou três vezes na academia ou deletar as honrarias escritas com o suor do rosto da moça que você conhece do balcão da padaria ou da locadora não é nada simpático. Seu contato (desconhecido) de Orkut passou trabalho pensando em você e em suas inúmeras qualidades (as quais, mesmo que raras, ele não teve chance de conhecer) para deixar uma marca em sua página, vista e revista diariamente por tantos e tantos admiradores (assumidos ou mesmo secretos, que a Bina do Orkut não me deixa mentir).

Quer uma dica? Aceite. Aceite e peça praquele amigo metido a poeta e/ou escritor que, em seguida, lhe escreva um mega testemunho (mesmo que falso e forçado, vá lá) para ocultar ou eclipsar o vexame que a sobrinha de 13 anos daquela amiga de colégio ou o filho do porteiro do prédio lhe fez passar. Tudo para manter sua imagem intacta.

Você também pode ser mais cara de pau e dar umas dicas preciosas para os analfabetos funcionais que habitam seu Orkut, condenando os miguxismos e o internetês, por exemplo (o que já seria fantástico).

Modelito - Agora, caso você se enquadre no outro lado da história e escrever uma lista de compras lhe parece um martírio, vamos facilitar-lhe a vida. Simplérrimo. Não sabe escrever, basta seguir o "molde para depoimentos no Orkut". Fácil, rápido, barato e nada cansativo (embora a fórmula já tenha sido desenvolvida e descoberta por 70% dos usuários deste universo paralelo). Assim, ó:
"O que dizer de ________________ (preencher com o nome do homenageado)? Amiga (o) para todas as horas, esta pessoa (aí entra ou o nome, de novo; ou o apelido ou expressões como "criatura" ou "filho da puta") já fez muita festa/ tomou muitos porres/ participou de muitas orgias/ dançou muito na boquinha da garrafa/ qualquer coisa que o homenageado certamente não costuma sair revelando por aí. Cara (ou gata, ou linda, ou bródi), te considero pra caramba. (E pra concluir): Te doluuuuuuuuu!". Viu como é fácil?

21.9.07

Novo bloguinho na área

ÓOOOOOOOOdio mortal de Charlotte C. Porque a bicha abriu blog anteontem e já tem gente deixando comentários mil por lá. Inclusive minha própria IRMÃ, vejam só, que JAMAIS acessa meu blog, quando mais deixar um mísero comentariozinho. Só pode ser puxa-saquismo. Aliás, aos que se interessarem, vão lá, no blog da Carlotinha, the brunette belzebu. Em breve, eu incluo o Pimenta nos meus favoritos, aí do lado. E certamente não deverei esperar por retribuição, não é mesmo?

Hoje fomos a um churrasquinho óóóótzimo da press sharkcitiana, tão bombardeada por mim, esta infiel, nos últimos dias. Tantas e tantas observações engraçadinhas, mas, curiosamente, não me animo, agora, a enquadrá-las aqui. Só posso dizer que foi bonito ver o prefeitinho mais rosado do Sul-catarina vir nos comprimentar, eu, Cíntia, e Micheline Z., todo sorridente, dizendo: "Olá, Jaqueline, olá, Milena!". Desmontei.

20.9.07

"Amiga, sou eu, o Gegê!"


Gente, assim, ó: eu sei que não é nada bonito tripudiar do trabalho, do suor e do esforço alheio; sei também que ninguém é perfeito, todos cometem erros, tropeçam, caem, capitulam diante das adversidades da vida. Sei que todo bom macaco deve olhar para o próprio rabo, e quem sou eu, ora bolas, para apontar meu dedinho petulante às feridas do vizinho? Mas não dá. Desta vez, não dá. E o blog é meu, convenhamos, posso sentar a lenha em quem eu quiser.
Em se tratando de "Jornalismo", eu, como representante da categoria, diplominha guardadinho numa pasta esquecida no canto do armário, posso discordar da linha de pensamento de gente como Clóvis Rossi, Ricardo Kotscho, Mônica Bergamo, Rosana Hermann e Nina Lemos, for example, quando achar necessário. Posso até sentar a lenha em seus respectivos lombos, também pelo caráter público destas celebridades da comunicação - que chegaram onde estão não foi por incompetência nem falta de talento, vamos e venhamos.
Posso também falar de minhas próprias (e inúmeras) mancadas, nas de meus coleguinhas de redação, nas do marido (coisa que faço com freqüência, mesmo sem ele pedir). Mas quando retornei a terrinha natal, tenho me surpreendido cada vez mais com o (baixo) nível dos colegas de press que habitam estas plagas. Céus, é coisa do demo, arco-da-velha, da pqp, do diabo a quatro, cão chupando manga, o horror, o horror! Prato fartíssimo para qualquer um destes sites que vão do Kibe Loco ao Xingatório da Imprensa.
Mesmo assim permaneci (mais ou menos) em silêncio durante todo o tempo do blog (pouco mais de um ano), sendo que neste período tive oportunidades ímpares de satirizar com pessoinhas da pá virada que lançam mão das mais nonsenses expressões jamais criadas na literatura brasileira (vide "dragão de sete cabeças" e "farol de milho").
Mas hoje não deu pra agüentar. Caras, não me é possível suportar tamanho rojão sem dar uma zoadinha básica no bloguinho mais debochadinho de Shark Blue City. O pior (ou melhor?): a pérola foi escrita por uma criatura NÃO-JORNALISTA. Trata-se de um jornal diário que, dizem, já viu dias melhores e hoje se mantém contratando qualquer maluco que bater à porta. A garota já é famosa no meio por sua "exuberância" na hora de redigir suas "matérias" e pelo "excesso" de "aspas" em seus textos "medonhos".
A notícia era a seguinte: ontem a cidade foi uma das contempladas com o credenciamento para realizar tratamento oncológico, coisa pela qual vinha lutando há bons anos. Legal, excelente notícia, palmas para todos, ipi, ipi, urra. A lindona abre com a seguinte pérola (nomes serão omitidos):

"Redação do XXXX, exatamente 15h30min. Telefonema 1: "Amiga, sou eu, G. Olha que coisa mais linda: o hospital foi credenciado pelo SUS. Graças a Deus! Se a irmã quiser já pode começar amanhã mesmo".
Redação do XXXX, exatamente 15h35min. Telefonema 2: "Z., sou eu, A. Graças a Deus, à Nossa Senhora Aparecida, a todos os santos e mais um monte de gente. O credenciamento do hospital saiu!".

Sacaram? Vamos traduzir para os que caíram de pára-quedas por aqui. O assunto é sério. Seríssimo. Foi uma grande conquista para a cidade e vai ajudar a um bando de gente que faz tratamento quimioterápico e que tinha que ir a Floripa todo dia. A gata, no entanto, parece estar falando dos organizadores do jantar-dançante da comunidade, que conseguiram a doação de mais um engradado de cerveja (uhu, caraca, gata conseguimos!).
Não bastasse, vamos aos nomes. G. é deputado. DEPUTADO! E ele chama a TODAS as mulheres do mundo de coisas que vão do "amiga" ao "princesa", passando pelo gata, cheirosa, gostosa, coisinha do papai e meu chêro. Whatever, você aí, que escreve pra qualquer jornal de bairro do mundo, deve saber que isto é IRRELEVANTE, ele podia tê-la chamado de puta, e aí?
Mais uma: A. é um secretário de Estado, famoso por sua fervorosa religiosidade. Se eu fosse ele, mandava massacrar a louca que o ridicularizou por tão desnecessários comentários extras.
Outra: há de se destacar o caráter politiqueiro da conquista, agora só vai dar gente querendo ser o pai da cria. Por um acaso, os dois políticos amigooooos da repórter são do mesmo partido, o que dá uma cara meio tendenciosa (meio?);
Para acabar com esta palhaçada: cansei de observar o que eu achei absurdo neste lead fantástico que vai entrar para os anais do jornalismo bizarro de Shark City. Desde a primeira frase até a última, tudo é tão absurdo que ainda não entendemos como a universidade que forma jornalistas, aqui na região, e o sindicato da categoria ainda não pularam nos pescoços destes hereges, exigindo fechamento imediato daquela pocilga. Mas aí seria ruim. Com o que nos divertiríamos (ou nos horrorizaríamos) todos os dias?



P.S.: Argh, bem que eu tentei dar um print-screen básico, mas o resultado fica muuuito ruim, então esqueçam. Ódio.
P.S.2: Conseguiiiiiiiiiiiiiiiiiii!!!!! Hahá!


19.9.07

Tópicos tensos

  • Eu me preocupo quando estou "de TPM" sem estar na TPM really. Acho que deve ser algo tipo disfunção hormonal, or something else. Mas de vez em quando não consigo relevar. E o mundo parece mais idiota que o habitual.
  • No momento tenho (pausa para contar) três bons livros em minha mesinha de cabeceira (ou criado-mudo, whatever). Crime e Castigo, de Dostoiévski; Corpo Presente, o primeiro livro do brilhante João Paulo Cuenca, e infelizmente não tão brilhante assim (o livro); e "O Silêncio dos Inocentes", de Thomas Harris, que deu origem ao filme (que eu acho ótimo, aliás. O filme. A-do-ro Anthony Hopkins). E mesmo assim fico na TV até meia-noite e caio duríssima na cama. Sem leitura nenhuma. Que o diga marido, que levou quase quatro meses pra terminar Moby Dick, haha! Era ler uma página e capotar com o livro sobre a barriga. Sexxxy.
  • Mas concluí Clube dos Suicidas, de Robert Louis Stevenson. Interessante.
  • Na quarta-feira coraçãozinho bate mais do que o habitual. É a maldita Chama se aproximando, com DJs-bandas de pagode-malabares-e-venda-de-ingresso-no-canáriocafé.
  • E dane-se a dieta. Quando o homem inventou o pão, estava inspirado por Deus. Massa é mais! E o doguinho do Chafariz é o que há! Agora, é compensar nas corridinhas matutinas.
  • Blog há dias desatualizado por conta de uma enxaqueca arrasa-quarteirão, acompanhada de trabalho extra durante folga do marido. Agora, tudo normal. Tanx, God.
  • Crime e Castigo vai empoeirar e juntar traça...

13.9.07

Um buquê de lírios...


Morreu hoje o ator/comediante/jurado (???) Pedro de Lara, aos 82 anos, de câncer de próstata. Achei curioso: o sujeito recusava tratamento. Já em fase terminal, passou mal e foi levado às pressas à clínica mais próxima, onde chegou morto. Je sui désolé. Tenho uma fortíssima ligação sentimental com júris de show de talentos e protagonistas de pegadinhas do Silvio Santos, coisa da infância, you know what I mean. Tudo bem, tem gente que prefere o Renato Aragão...
P.S.: coroas de flores com lírios certamente não vão faltar.




12.9.07

O escracho mora ao lado

A serelepe Charlotte, the brunette girl (a única que pode manter aquela coloração de cabelos no Brasil e no mundo), mostrou suas garrinhas afiadas na noite de terça-feira. A moça, em visita à simpática residência de seus queridos vizinhos, provou que é digna o suficiente para sustentar seus pontos de vista, sempre polêmicos, polvilhados com aquela agressividade saudável que é sua marca registrada. A english teacher mais querida do Sul-catarina desafiou a tubaronense residente ao clamar: "Em Shark city só existe MULHER FEEEIIIIAAAA!!!", sentenciou, juridicamente, não se importando com a cara de mágoa de cabocla da mocinha ao lado. "Não, Charla, honey", tentei argumentar. No chance. "Feiaaaaaaaaaaaas!!!!!! E barangas!", garantia, do alto de seu 1,80m, sem saltos, e por trás de impenetráveis olhos verdes faiscantes. De acordo com a teoria de Charlotte girl, as moças bonitas vistas circulando por Shark city são provenientes de Fortune River, Big Stones e Capiva Under, cidades vizinhas. Ninguém belo de fato nasce no HNSC.
A moça empolgava-se no discurso quando um clip oitentista, no VH1, chama sua atenção. "Argh!", exclamou, após esvaziar a garrafa de vinho rosé "ruim, ruim, horrível!", da vizinha. "Eu DETESTO estes caras que fazem cabelo estilo MOSAICO". A bonita referia-se ao cabelo moicano, diga-se de passagem.
Ainda indignada com a baranguice escrachada da mulher sharkcitiana ("São todas umas Schirleynnes e umas Khênocas", afirmava, citando nomes fictícios), nossa heroína paulistana predileta percebeu que havia esvaziado a terceira garrafa de vinho (ruim, muuuuito ruim). "Eita, foi mais uma. Tás bebendo demais, hein, Cíntia?", gritou, ameaçadora. Depois, decidiu reconsiderar. "Amanhã eu trago uma garrafa pra ti", prometeu, pela 14ª vez. Duas horas mais tarde, após beber todo o aceto balsâmico e o vinagre de álcool da casa, Charlotte decidiu nos deixar, para nossa tristeza.

Taís? Quem é Taís?

Só agora posso perceber que meu boicote à Globo e à revista Veja, às vezes (bem raramente), apresenta alguns inconvenientes. Por exemplo: não há lugar do mundo onde eu vá ou blog que eu leia que não se fale/escreva sobre a famigerada morte da tal Taís (Alessandra Negrini, também não sou tão alienada assim). A questão que mais interessa ao brasileiro médio, do Oiapoque ao Chuí, nas últimas semanas, é quem matou a personagem. Crise aérea, cassação de Renan Calheiros, (mais um) vexame da Britney Spears? Mas, bah! O interessante é saber quem matou Taís. Chovem teorias e esquemas elaborados quanto à identidade do até agora desconhecido assassino. Coisas das mais fabulosas do mundo. Miche diz que a irmã má matou a boa e tomou o lugar dela, mas eu não consigo entender direito o que isso significa. Devo lembrar: não assisto, nunca, a tal novela. Nem as chamadinhas. Aí que meio que me senti deslocada. Mas passa. Até a novela acabar. E até começar a próxima, claro.

11.9.07

Seis anos

O assunto que rege a maioria dos blogs, hoje, é, sem sombra de dúvida, o ataque terrorista de 11 de setembro, nos EUA. O aniversário de seis anos do pior pesadelo americano quase ofuscou o papelão de Britney Spears no VMA, que ainda rende comentários dos mais diversos (Free, Britney!). Sou do Sul do país e, naquela fatídica época estava morando em Pernambuco, para onde havia ido a trabalho, malas e cuia. Ao sair para o almoço, passei por um dos quiosques do gigantesco Shopping Recife e reparei numa multidãozinha de tamanho considerável, embasbacada, olhos grudadinhos numa TV de tela grande, sem som. Não conseguia entender direito aquele aviãozinho que "sumia" por trás do portentoso WTC.
Aí começaram as especulações, os comentários e as teorias conspiratórias mais absurdas do mundo (absurdas agora, naquele momento a força das imagens e o medo estampado na cara dos jornalistas da Platinada me faziam acreditar em tudo). Alguém lançou que haviam acabado de derrubar a Estátua da Liberdade, símbolo-mor da Terra das Oportunidades. Um outro garantia que um avião teria despencado sobre a Disney, exterminando milhares de vidas infantis. Ninguém percebia que no momento dos ataques os EUA haviam acabado de acordar _ e a Disney, assim como o World Trade Center, acabara de abrir as portas. Falava-se em 100 mil mortos, um pesadelo.
Liguei pra minha mãe, em pânico. Me sentia sozinha, desamparada, e se fosse para morrer em uma grande guerra nuclear, queria era estar ao lado dos meus. Desejei ardentemente voltar para casa. Mas não arriscaria tomar um avião. Não naquele momento...

7.9.07

O desfile cívico e a catapora

Não sou do tipo que pinta a cara de verde e amarelo quando insatisfeita com o governo. Também não me visto de Seleção em épocas de Copa do Mundo. Mas confesso gostar bastante do desfile cívico de 7 de Setembro, com todo aquele patriotismo - em outros momentos do ano engavetado - aflorando, ainda que de maneira tímida em Shark city. Adoro ver crianças e jovens representando suas instituições de ensino, acho bacana as coreografias ensaiadinhas das meninas de saia rodada e as evoluções das bandinhas marciais (mesmo que estas tenham nos infernizado meses antes do feriado).
Como bom refugiados que somos (sim, eu e marido fugimos assustados de nossa residência, ontem à noite, devido à maldita Chama, que vai me pagar o infortúnio com juros e correção), rolou de acordar diante da avenida mais movimentada da cidade, e utilizada como passarela para o desfile da Independência. Adoro.
Lembrei-me de mim mesma, há uns 20 anos (ou mais), enquanto me produzia, ansiosa, para meu primeiro 7 de Setembro. O tênis imaculadamente branco (naquela época era assim, hoje acho que não é mais), ligeiramente grande demais para meus pezinhos (coisa de mãe, pra aproveitar bastante, caso eu crescesse); o uniforme cheiroso e impecavelmente passado. Passava eu um pente pelos cabelinhos quando olho no espelho. Pintinhas avermelhadas, como num passe de mágica, tomaram conta de todo o meu ser. Era pinta do couro cabeludo até os dedinhos dos pés em tênis novos (incluindo partes pudentas). Diagnóstico: catapora.
Sério: nerd como era, chorei de soluçar com medo de perder pontos na média (era a ameaça, para comparecermos em massa) e triste por não participar desta festa tupiniquim. Não pude ir, minha mãe me deixou em casa, e iniciou os preparativos para o almoço do feriadão enquanto ouvia a rádio local, que informava o andamento do evento.
Só pude concretizar o sonho de marchar garbosamente pelo Centro de minha bela cidade azul um ano depois. Mas valeu muito a pena. Foi lindo de se ver. Os tênis? Sim, eram aqueles mesmos, jamais usados até então. Não disse que eram grandes demais?

4.9.07

Avalanche do ódio

Sempre quis ser rica. Para comprar bastante, de um tudo. Jeans, bolsas, sapatos, perfumes e make-ups. Presentes pra todos. Salmão no doncamilo dia sim, dia não. Sushi sem data comemorativa. Champã e vinho do bom na geladeira. Às vezes, no entanto, tenho desejos incontroláveis de ser MUITO rica. Para (que minha mãe não leia isso) parar de trabalhar. Porque - e aí vou chover no molhado - já disse isso várias vezes, eu adoro o que faço e já me readaptei a esta cidadezinha provinciana e azul no Sul do mundo. Mas há um problema: não suporto, não consigo aturar o convívio com gente incompetente, burra, limitada, preguiçosa e egoísta.
E se as características acima relatadas designassem apenas UM colega de trabalho, talvez o mundo não fosse um lugar tão amargo. Mas não. São dois. DOIS. Dois débeis mentais, absolutamente retardados, lesados, brutalizados, em permanente estado alterado de consciência, se é que vocês me entendem. E querem me dar ordens. E querem mandar. AHHHHHHHH, céus, como eu queria ser rica, beeeeem rica, pra mandá-los tomar no imundo buraco de seus cus.
E ó, enganem-se quem pensar que eu os odeio. É desprezo em seu mais puro grau. Só não quero ter o desprazer, nos próximos quatro anos de casa nesta boa empresa que me abriga, de ter que compartilhar tarefas com estas duas crias do Cão (não, Germana, não tô falando de ti!).
Digo mais: rehab neles. Urgente. Tenho nojo e preconceito de drug addict. Falei, pronto.

P.S.: dieta pegando fogo em seu segundo dia (tá, há dois meses disse que estava de dieta, mas marido anda tãããão relapso... agora é sério). Aí é só somar fome intensa + TPM brava + retardados no ambiente de trabalho = Cíntia pronta para saltar da janela do sexto andar.

31.8.07

Blog Day 2007


Há um ano estávamos, eu e Stellita, adentrando no mundo dos blogs (nossa iniciação foi em julho, I guess), e ambas fizemos posts sobre o Blog Day 2006, comemorado em todo o mundo no dia 31 de agosto - vejam só - pela semelhança pictórica da data (31/08) com a palavra blog.

Hoje comemoramos mais um Blog Day, nesta feita mais experimentadas com a ferramenta (mas nem tanto). A idéia (conforme inúmeros sites e blogs vistos hoje) é que cada blogueiro sugira cinco outros blogs legais, com breve resumo sobre cada um e o respectivo link. Acho bárbaro. Acho válido. Mas hoje é sexta-feira, e, pai do céu, temos que matar nosso leãozinho diário nesta agitada correria do dia-a-dia. Não foi desta vez (talvez durante a próxima semana).

Anyway, have a nice Blog Day neste fim de sexta-feira, que o dia foi árduo mesmo. Com direito a Chupa-cabras e tudo. Uhu (a história vem depois).

30.8.07

Caminhos do Coração

Já viram a nova novela (nova novela parece cacofonia) da Record, Caminhos do Coração? Nãããããoooooo??????? Não sabem o que estão perdendo. A soup opera é poesia pura, é luz, emoção e magia, é a arte do folhetim, é cultura pop em capítulos, é... A COISA MAIS TRASH que já vi na vida, ever. Na noite de quarta-feira sentei-me em frente à TV e, delicadamente, surrupiei o controle remoto de Caetano para zapear à vontade pela vasta programação da cable tv. Eis que me deparo com umas personalidades de além-túmulo, tipo Patrícia Travassos e André Debiasi, e páro tudo: era a tão comentada e esperada novela do canal do bispo. Caetano olhou-me atravessadamente, mas entendeu a boa causa e mergulhou em seu Moby Dick. Curti. Curti do primeiro ao último minuto da programação, salivei com os diálogos consistentes, com a riqueza do roteiro, com o primor de direção, e com o brilho e o carisma do rico elenco. Coisa linda de Deus. Claaaaro que estou sendo irônica. Caminhos do Coração é aquele tipo de programa que, de tão podre, tão absurdo, tão ruim, torna-se cult, imperdível, adorável. Vão lá, caros amigos, mergulhem na programação da Record todos os dias, às 22 horas, e deixem de lado a déspota da Rede Globo. Vale muito a pena. Para os não-iniciados, aí vai um resumo báááásico de tudo aquilo que vocês já perderam. Enjoy it!

Bianca Rinaldi (ex-paquita), de cabelo tónhónhóim molhado encharcando a regatinha, lamentando o chifre que levou do namorado junto à sua mãe (quem, quem?), Fafá de Belém, sempre bela. Fafá, que na novela é dona de um circo, para animar a filha começa uma lição de moral primorosa, com pérolas do tipo: "Se todo mundo risse mais, o mundo seria melhor".
O namorado de Bianca Rinaldi é galinha e explode de tesão quando vê a malabarista da tenda ao lado (ambos atores absolutamente desconhecidos). Eles começam o agarramento com muito tesão e calor na bacurinha, química pura, e o diálogo é mais ou menos assim:
- Você tá louco, fulano! Você tem namorada! (arfando e gemendo)
- Tô louco de desejo por vocêêêê... (gemendo e arfando muuuito)
- Você tá errado, você tá errado, você tá errado! (enquanto beija e geme muito de prazer)
A dupla é flagrada e o canalha, ainda de pinto duro, sai atrás da oficial, para se desculpar:
- Me desculpa, me desculpa, me desculpa! Eu te amo!
- Não!
- É que eu sou homem, pô. Não resisti!
- Não. Acabou para sempre.
Fim

Bom, todo mundo já sabe que a novela tem um circo completo, cópia barata do Cirque du Soleil, um bando de crianças mutantes (X-Man encontra Heroes) e um caso de criança roubada que 30 anos depois vai descobrir que era filha de um milionário, mas isso só no fim da novela. Aí vocês vão encontrar gente do naipe de Toni Garrido (como um palhaço), Alexandre Barilari (jura que não sabem quem é?), e até... tchamtchamtcham... PRETA GILLLLL! Me acabei. Preta Gil é uma bandidona, casada com o Tuca Andrada, que é bandidão. Eles são marginália mas moram num apartamento super bem decorado, o fino do brega.

Sabem quem também dá o ar da graça na superprodução? A pierçuda Karina Bacchi!!! De óculos, fazendo a intelectual. E o Cláudio Heinrich (não sei como escreve esta porra). O Claudinho vai fazer um gay, vai até beijar o namorado. Já li por aí que paquito (ou ex-paquito) e gay é pleonasmo.

Durante um momento de reflexão, pensando na vida, alguém solta esta: "Ahhh (suspiro profundo). Como diz um amigo meu, tudo na vida é passageiro. Menos o motorista e o cobrador". Sério, seríssimo.

Outra extraordinary fica por conta da lôca do edy do Leonardo Vieira. Ele faz o papel do pai de uma menina mutante. Estão os dois mais a mulher jantando num restaurante. Ele vai cagar no banheiro, a mulher come um bombom envenenado e cai dura no chão em dois segundos. Ninguém se mexe pra ajudar. O marido chega, tenta socorrer a mulher, mas ela diz que não, que sabe que vai morrer e quer dizer as últimas palavras. Só que estas últimas palavras duram uns 10 minutos, tempo suficiente pra mulher receber socorro e sobreviver. Mas ninguém socorre! Help! Como palavras finais, a mulher faz um discurso mais longo que os do Fidel com os do Chávez juntos. "Protege nossa filha! Descubra porque ela é assim, porque tem poderes especiais, porque é uma mutante!". Vira para a filha e continua: "Filha, obedeça seu pai, me desculpe por eu morrer e não te ver crescer". Sério. Vira para o marido, de novo. "Seja feliz. Eu tô partindo. Amo vocês. Bláblábláblábláblá", horas a fio. Aí morre, finalmente. Aí que o pessoal do restaurante esboça alguma reação. Entre eles, Gabriel Braga Nunes. E aí... a menina começa a gritar e todos os cristais, e taças, e janelas do restaurante explodem!

Ah, vai dizer que não é um espetáculo? Vai lá: "Caminhos do Coração", na Record, às 22 horas.

28.8.07

Barraco-mãe

É o que dá não abrir a embalagem do produto ainda dentro da loja. Dia desses, tio Crébinho, muito faceiro, dirigiu-se até a Americanas mais próxima e adquiriu o video-game dos sonhos, um Playstation. Além do aparelho, o moço aproveitou para levar duas fitas de games sensacionais (ao preço médio de R$ 100 cada). Embrulhou pra viagem e sartou fora, rumo a Cowsland, onde reside, no Sul deste Brasilzão de meu Deus. Até aí tudo bem (a la Amy Winehouse). A questão é que o tolinho, ao chegar no conforto de seu lar, descobriu que as caixinhas dos jogos estavam absoluta e completamente vazias, oquinhas da silva. Desespero na Zona Sul. "Manhêêêê!!!", gritou o moço, por telefone, à Madame Louise que, muito fina, mas sempre preocupada (mãe é mãe) pulou no pescoço da eterna hóspede Cíntia T. exigindo algumas explicação para o entrevero. Cíntia disse: "Deixa comigo!", e ligou para a Americanas, comunicando o fato. Ok.
Crébinho mandou as caixinhas vazias by sedex (R$ 18). As caixinhas chegaram. Acreditando que não iriam se expressar da forma mais convincente possível, já que são muito meigas, tímidas e delicadas, Madame e sua protegida, Déia, suplicaram à barraqueira Cíntia T. que esta fosse com ambas às Americanas e armasse um bafão exigindo a entrega efetiva das fitas. "Só porque somos pessoas de bem e de posses não quer dizer que vamos arcar com este enorme prejuízo, não é mesmo?", questionava Madame, enquanto se abanava com um leque de seda francesa.
Só para garantir o furdunço, Cíntia chamou a sertaneja Gê girl para apoiá-la. E assim rumou a comitiva ao Farol Mall: esta escriba, Gê, Déia e Madame, além de Rafa, a Cadela. Pronta pro crime, a jornalista chegou na Americanas chutando o balde. Chamou um mocinho simpático e explicou, com relativa civilidade, a situação. "Quero devolução djá!". Mesmo com tanta irracionalidade e virulência, a truculência de Cíntia fez com que a situação se mantivesse num impasse. Foi quando uma cabocla muito da enfezada baixou na distinta figura de Madame. "Escuta aqui, rapaz! Eu vou é pôr no jornal e na rádia já! Meu filho gastou R$ 50 (!!!) em sedex pra mandar estas caixas pra cá, exijo um ressarcimento!", trinou suavemente Madame Louise no meio de uma Americanas lotada e paralisada, em choque. Déia, que não perde em classe e elegância, fez coro: "É isso aí, quebra tudo, avaí, queremos nosso dinheiro!".
Despreparadas para todo este randevú desproposital, Cíntia T. e Germana girl põem os rabitos entre as pernocas e saem batidas, algo entre o roxo e o púrpura de puro constrangimento. Não foi surpresa, no entanto, momentos depois, encontrar Madame e Déia, dirigindo-se ambas ao motorista, que as esperava frente ao shopping, carregadas com sacolas cheias de toalhas, potes de vidro e CDs de R$ 9,99 do Kalypso, um patrocínio das Americanas. "Não disse que eu recuperava o dinheiro?", declarou Madame, desafiante.

Apelidos (primeira parte)

Inicio agora a série sobre apelidos macabros que escolhemos para nominar certas criaturas que marcaram (ou não) definitivamente nossas vidinhas. Dispenso saber os apelidos que eventualmente já inventaram para mim. Esta história é sobre Podrinho, que Deus a tenha (hahahaha).

Eu não lembro direito do nome da moça. Sei que estudamos juntas por longo, longo tempo, aqui mesmo, em Shark city. Demos a ela, eu e uma amiga inseparável de ocasião, o sugestivo apelido de "Podrinho" - apelido este que, deuzulivre, jamais caiu em ouvidos alheios além dos nossos. Podrinho não era bonita. Não era brilhante, nem popular. Não era rica ou boazuda. Era, aliás, bastante medíocre, principalmente porque, numa vã tentativa de se livrar da mediocridade que a azucrinava, vivia babando o ovo das meninas bonitinhas e pops da escola. A filha da diretora, a campeã do time de vôlei, a que tinha namorado aos 12 anos, a que já transava, enfim, Podrinho queria freqüentar, queria ser alguém.
Corria à boca pequena, no entanto (e cidade pequena, todos sabem, é o inferno para os que têm algo a esconder) que a família de Podrinho era a maior velhaca da praça. Num dia, chegava o caminhão da Koerich abarrotado de mesas, sofás e camas. No outro dia, lá vinha o caminhão da Koerich levar tudo de volta. O telefone era cortado um mês sim, um mês não. A casa, óbvio, num bairro sofisticado, era alugada. Mesmo assim Podrinho exigiu uma festança para comemorar seus esquecíveis 15 anos (uó), com pompa e circunstância. Valsa com amigas, dois vestidos, Termas da Guarda.
Podrinho se achava a tal. Mas não tinha grana pra ir ao dentista e consertar o dentão podre e enegrecido bem na parte fronteiriça de sua lata amassada. A menina até desenvolveu o hábito de rir com a mãozinha tapando a boca. E mantendo a pose, sempre. Pensando em Podrinho agora, vejo que ela era um resumo mal-lapidado de uma sharkcitiana padrão. Verniz por fora, podridão por dentro. Em todos os sentidos. Como se fosse diferente em outros centros urbanos...

P.S.: em breve, a história por trás de "Ardida"

To you!

Foi com ele que eu troquei correspondências por quase um ano, diariamente, durante minha fase nordestina. Com ele, viajei para Sumpaulo e dançamos na boate cujo teto abria para dar entrada ao ar frio da manhã. Já caminhamos juntos na praia e fomos vítimas de um homem nu que corria de braços abertos em nossa direção. Já tomamos porres homéricos e rimos até às lágrimas de coisa nenhuma. Já trocamos um número sem-fim de confidências picantíssimas e problematicíssimas que nem Freud explica _ e encontramos mais respostas do que durante a terapia. Com ele eu tomei meu primeiro comprimido para dormir, porque não agüentava seu ronco estridentíssimo durante a noite. Badalamos por shoppings, balançamos na ponte de arame, tricotamos em pubs e afins, dividimos cigarros em nossas fases fumantes, consolamos um ao outro em fins de relacionamento, dançamos axé na Ferrugem e funk em Laguna (e não venha me desmentir).
Quando voltei para minha sharkcitiana terra natal, foi dele a primeira saudade mais doída (tá, logo em seguida, veio a saudadinha da Rúbia, the chicken girl). Mas ele está lá, continua lá, firme e forte, entre aulas de francês e engenharia civil, enquanto aponta para o mapa e escolhe o próximo destino da próxima viagem que fará _ eu espero, algum dia, em minha companhia novamente. John, sweethearth, amado meu, toda a felicidade do mundo pra você neste dia, amanhã e sempre, sempre, sempre.

Com amor,
Cíntia T., your best friend 4ever

P.S.: Este tipo de post já se tornou um clássico no Imediatas (em sua segunda edição). Desta vez, no entanto, fui pontual (graças ao alarme no meu celular e ao deus Orkut).

26.8.07

Inferno no condomínio

Estávamos tranqüilos em casa, os quatro, tentando ignorar o baticum estridente que vinha do quarto ao lado - ou melhor - do pardieiro que se denomina Chama e que me impede o sono dos justos de quinta a sábado.

Os moradores do Universitário amaldiçoavam, com ameaças de bomba e boletins de ocorrência, a boate maldita quando uma vozinha tímida e trêmula se insuflou contra nós. Germana, a nordestina mais farrapeira ever, ousou dizer que via a Chama com bons olhos, e que seu amante, Big T., a havia convencido a aceitar o "perfil" da boate no Orkut como amigo. Sim, Gê girl é amiga da Chama, mas não o é de Charlotte, the TPM girl, no site de relacionamentos.

Iniciou-se um processo de linchamento. Afinal, amiga que é amiga preocupa-se com você e com seu sono. No caso, Germana parecia "celebrar" o sucesso da pagodeira da noite de 5ª feira, com 10 carros no estacionamento da casa, enquanto bebericava sua Malzebier. Ódio no coração.

Questionada sobre a possibilidade de participar do "levante popular contra os malditos promoters de Shark city", Gê foi evasiva. Disse apenas: "Deixem os meninos se divertirem. Eles não me incomodam mesmo...".

Raciocínio genial e generoso, tendo em vista a angústia que corroia a alma do trio de atormentados pelos mauricinhos semi-analfabetos do Çamba-10.

Já nos levantávamos em busca de paus, cordas e porretes quando G. girl foi salva pelo gongo. Charlotte mira a televisão e, brilhantemente, afirma: "Ei, vocês estão assistindo à SPA Brasil!, destacou, referindo-se ao canal de esportes 24 horas, ESPN Brasil. Inconformada com a galhofa que se seguiu, a morena ainda insistia: "He-lo-u! I´m a english teacher. Olha lá: I-Éss-Pi-Ei= Espa". Demos o caso por encerrado.


P.S.: alguém me indique um advogado? Preciso processar uma casa noturna por tortura chinesa.

23.8.07

Madame viúva procura

Viúva rica e bem fornida, madame Louise agora investe pesado em produtos que realcem ainda mais seu perfil clássico de senhora de meia-idade. Nesta semana, madame adquiriu produtinhos valiosíssimos para recuperar o vigor da cútis - levemente esmaecida devido à idade, mas nem tanto. Sua revendedora number one dos produtos Avène, Clarins e Lancôme, mademoiselle Neidé, surpreendeu-se com a urgência da cliente-mor em reacender o viço que outrora atraia tantos e tantos zangões doidos por uma ferroada. Madame está ready for love, adentrando em sua segunda primavera da paixão. Candidatos, no entanto, não devem pecar pela afoiteza. Madame não dispensa classe, postura, bons modos e cavalheirismo. Chêro no pescoço só depois de encostar a bicicleta no muro e tomar um cafezinho recém-passado, que ela se dá o respeito.

21.8.07

Do contra

Eu sou uma pessoa um pouco diferente das demais que encontro por estas plagas sharkcitianas. Nunca alimentei o sonho dourado de entrar, braço dado com papai, vestida de bolo fofo branco, lagriminhas discretas, na igreja, em direção ao "meu homem" (viu, Miche?). Nunca. Nunca mesmo. Adoro casamentos, acho lindo, choro e me emociono mais rápido do que ao assistir um episódio de Desperate Housewives. Mas nunca almejei este sonho nupcial.

Eu gosto de crianças. Gosto mesmo. Juka e Rafa estão aí para confirmar. Mas, aos 29 do segundo tempo, ainda me questiono se realmente vou me arriscar ao perigoso e absurdinho universo das mães. Claro, porque toda mãe faz parte de uma seita secreta que rejeita o ingresso de não-mães, gays e homens. Porque a partir do momento em que uma mulher pari (????, não sei conjugar parir, pqp) uma vida, ela se torna uma outra pessoa, totalmente louca, surtada, psicótica (ok, pelo menos na maioria dos casos. Existem algumas exceções por aí que são o oposto).

Eu tenho desprezo mortal por tudo o que é unanimidade nesta terra de ninguém. O que todo mundo gosta, eu odeio. Já me achei bem retardada por, sem a menor intenção, ser a do contra. Hoje acho que retardados são os outros, parodiando Sartre. A melhor banda, a melhor festa, o melhor "modelon" (de roupa, cabelo, sapato), a mais bonita, o mais descolado, eu simplesmente rejeito tudo o que vira hit em Shark. E não é de sacanagem, eu juro.

Dizem por aí que Shark city é um local pra se passar a infância (e se acomodar na velhice). Desde meu retorno (não tão) triunfal à cidade mais azul e bonitinha do Sul-catarina, tenho encontrado motivos para pensar diferente - motivos estes certamente defendidos pelo meu macho, sharkcitiano ferrenho e com muito orgulho. Sigo, feliz, faceira e bem realizadinha, destoando da voz dominante, só tomando o cuidado de não revelar minhas posições tão "radicais" abertamente, sob risco de receber ovos e tomates na cabeça.

Declarar meu ódio a Renato Aragão e Hirisleyneh, a Crustácea, só junto ao querido Teteu boy. E queixar-me das botas drag-queen e dos legginhos em profusão, ao pé do ouvido de M.Z. O resto eu engulo e deixo passar. Há de se ser tolerante.

20.8.07

The Ring

O mini-post-relâmpago de hoje é uma singela homenagem a nossa amiga number one, the Cistite girl. Sabe unanimidade? Sabe quando pessoas de todos os naipes, de personalidades distintas, com pontos de vista e opiniões absurdamentes diferentes em tudo concordam em número, gênero e grau com a antipatia desta criatura? Então. Samarinha Morgan é nosso lixo do dia, enjoy it. Saca aquele tipinho que chega a dar nós nas tripas e provocar pobrema de nelvos pela simples e silenciosa presença? She´s the devil and doesn´t wears Prada.


P.S.: by the way, assisti ao Saneamento Básico, filminho nacional dos bons, bem divertido - apesar de algumas forçassões de barra no desenrolar da história, tudo bastante perdoável, diga-se de passagem. Até porque Fernanda Torres, Wagner Moura, Camila Pitanga e Lázaro Ramos, juntos, só podem fazer coisas boas. Recomendo.

18.8.07

Cansadinhos

Na boa? Como levar a sério uma campanha besta, elitista, arroz de festa, cujos "integrantes" revezam-se na capa da Caras e dormem em colchões forrados de dinheiro? Como levar a sério uma proposta que não tem encontrado voz nem junto a tradicionais anti-lulistas, como revista Veja e Folha? E, por favor, como levar a sério uma campanha que conta como REPRESENTANTES gente do naipe da Hebe, do Ivetão, da Regina Vagisil Duarte e da Ana Maria Brega? Hein? Tenho muito medo do "Cansei", bizarrice pouca é bobagem. Pesadelos à noite. Saca só a foto da campanha:


Sério, me dá náuseas (ugh). Manja as pretensas carinhas de "indignação"? Indignação com que, caras-pálidas, com cachê de R$ 700 mil pra cantar numa festa de peão? Com os preços dos vestidinhos do Roberto Cavalli? Ou porque perdeu um brinquinho numa festa brega no Projac?


P.S.: A loja maldita que é fã de Calypso, vizinha à minha sogrita, agora está tocando o CD todinho, frente e verso, da sapata baiana-mor. Ivete, meu rei, por que não casa de uma vez com a Xuxa e mudam-se, as duas, para uma ilha deserta, levando apenas um vibrador, cenouras e uma câmara de bronzeamento artificial?

17.8.07

Pirataria


Tornei-me uma criminosa. Por intermédio dos teenagers aqui da redação, sou a dona-sócia-proprietária de um exemplar piratíssimo da grande película do ano, "Simpsons, the movie", do qual vinha falando com tanta insistência nas últimas semanas. É claro que eu já assisti. Duas vezes. Mas como sou uma criminosa arrependida, devo sim recomendar o filme aos leitores. Desde que estes o assistam no cinema, pagando ingresso. É o mínimo que posso fazer para contribuir com o engordamento dos cofrinhos de Matt Groening. Vale a pena todo centavo (no meu caso, nenhum centavo). E a despeito dos invejosos que se acham PhDs em Simpsons só na base do trailler, vai a dica: a seqüência do deus Homer com o spider-pig é really amazing! Tsá, Teteu? Mágoa de cabocla não dói...

P.S.: Transformers já tá na mão...

I´m back

Voltamos à nossa programação normal.

13.8.07

Tristeza

Sempre que posso, procuro buscar temas de interesse geral para abordar aqui no bloguinho. Moda, cultura, Jornalismo, comentários aleatórios. E, principalmente, histórias sobre minha vida e das pessoas com quem mantenho um relacionamento. Normalmente, gosto de abordar todos estes assuntos seguindo uma linha bem-humorada e descontraída. Hoje teria inúmeras pautas do gênero a serem abordadas, e que infelizmente deverão ser adiadas, sem previsão de postagem. Espero que brevemente. A razão da minha súbita e repentina capacidade para não conseguir escrever/falar/brincar da maneira que habitualmente faço já é de conhecimento dos mais próximos: perdi um grande amigo, pessoa que teve papel importantíssimo ao longo de minha vida. Choque e indignação. Neste momento, meus pensamentos se voltam à família dele, também de igual importância para mim. Peço aos amigos orações e pensamentos positivos.

7.8.07

Quando ouvi Salif Keita, dancei... (ou O Atropelamento)

Shark city está em festa. Até o próximo sábado a cidade sedia a terceira edição da Feira do Livro, evento que conta com três ou quatro livrarias, que vendem de Dan Brown a Paulo Coelho (passando por Zíbia Gasparetto, sure), pelos mesmíssimos preços praticados em qualquer lugar do Brasil (ou seja, carésimos para o bolso da modesta população sharkcitiana). Desta vez, a prefeitura, que organiza o furdunço, está trazendo uma celebrity para tentar inflar o número de visitantes no local. Há alguns meses, chegaram a anunciar a vinda do meu amado todo-poderoso Rubem Fonseca, e eu quase morri na Sapucaí de tanta emoção. Não, ele não vem.

Aí divulgaram a vinda do ex-titã Arnaldo Antunes, grandes bostas, enlouqueceu o povinho daqui - e eu, burrinha, que nem sabia que ele escrevia, minha gente! Bom, A.A. TAMBÉM não vem. Mas indicou um amigo tão literato quanto: Chico "Mama África" César. E é aí que começa nossa diversão. O toquinho de amarrar bode do cabelón a la Amy Winehouse vem, sim, à Cidade do Peixe Grande, palestrar, dar uma palhinha de seu novo disco (???), e contar de suas escrituras, seja lá o que for isso. Imediatamente eu e M.Z. relacionamos o paraibano com nossa amiga sertaneja da terra dos rios Beberibe e Capibaribe. É que, pasmem, dona Germana tem histórias em comum com o moço cantor/escritor. Porque ela já o atropelou.

Sim. Era Carnaval. E era Olinda. Gê girl, a bordo de seu possante bólido envenenado, atulhado de bons amigos, circulava a toda pelas estreitas vielas olindenses. Eis que surge, do nada, no meio do caminho, um arremedo de homem, um goleirinho de pebolim, uma miniaturinha de gente. Não deu outra: com o teor alcoólico de Gê, a velocidade empreendida no automóvel e o teor festivo permeado em toda a ocorrência, o encontrão tornou-se inevitável. Ao sair, trôpega, do carro, para socorrer a criança que havia acabado de esmagar com as rodas dianteiras de seu fuscão, Gê encontra seu ídolo: Chico César. Semi-inconsciente, o pobre homenzinho ainda teve que autografar os peitos de Gê, e uma ou outra barriga de amigas mais afoitas. Alguns beijos foram roubados. Depois, todos se levantaram, gingaram ao som de Mama África e bóra pro Frevo! Pelo menos, é isso que ela conta...

Obs: tiraremos a prova hoje à noite, durante entrevista coletiva com o homem do cabelo de ninho de pomba. Se ele avistar Gê girl e sair correndo, é sinal de que a história é verdadeira.

Obs2: Yes! 150ª postagem!

6.8.07

A finura e o cachorro

Tive a honra de receber em meus aposentos, neste fim de semana, Madame Louise e sua fratella Neide, ocasião na qual foi servido farto café típico da colônia, com os quitutes trazidos pelas duas generosas senhoras: roscas de polvilho, broas de milho, pães caseiros, nata, schimiers e apfelstrudel, além dos frios saborosos feitos pela cozinheira de madame, alemoa de orige: salames e queijos variados.

Enquanto sentávamos para degustar tantas iguarias, conversávamos amenidades, num clima agradável de confraternização. Madame comunicou que muito em breve sua filha Déia irá adquirir um finura de última geração para Rafa, A Cadela. "Não tem mais porquê comprar um trambolho daqueles. O finura vale muito mais a pena", garantiu Madame, incentivando a própria irmã a investir no artefato - finura é o nome da nova versão do computador iMac, com tela de LCD, desenvolvido pela Apple. Madame, como sempre, está antenada com tudo o que há de moderno no universo tecnológico.

Enquanto roía um biscoitinho de polvilho, delicadamente, Madame também relatou as últimas de seu serviçal mais que eficiente, Hominho. "Outro dia apareceu lá, pedindo coisa. Perguntou se tinha cafezinho, um servicinho pra fazer, aí disse que tinha pego uma mulher. O problema é que a mulher tinha um cachorro, achado na rua. E não largava do cachorro. A mulher gostava tanto do cachorro que até dormia com ele na cama. Hominho disse que o cheiro na casa inteira da mulher era putrefato. Catinga! Aí ele disse: ou ele ou eu. A mulher não teve dúvidas. Dispensou o hominho, na hora".

3.8.07

Palma d´água

Após insistente pressão, Charlotte, a megera indomável, aceitou o convite de uma grande amiga e foi sassaricar na bela Capital do Estado catarina. Era verão, o sol cozia, a pino, os mais desavisados; a cerveja gelada implorava por um beberico; e o povo bonito e sarado da Lagoa da Conceição exibia-se, no cio. No bólido da amiga, Charlotte, de carona, cantarolava a música que rolava no rádio, a plenos pulmões. "Quem vem com tudo não cansa, Bete Balanço, meu amor! Me avise quando for embora...", achando-se a oitava maravilha no quesito voz sensual, atrás apenas de Vanessa da Mata, Calcanhoto, Maria Rita, Bonnie Tyler, Fábio Júnior, o cara do Poison e da deusa Ana Carolina (morri).
A amiga, faceira, acompanhava o ritmo, batucando na direção, enquanto secava os peitorais desnudos que circulavam pelas Rendeiras, pranchas a tiracolo.
De repente Charlotte, a cantora, dá um arrancão e, gemendo na voz, tasca: "No paraíso perigoso, que a PALMA D´ÁGUA não mostrou...". O carro quase emborca na duna mais próxima. "O QUEEEE????", gritou a amiga, fã ardorosa de Barão Vermelho. Irritada, Charlotte repetiu, com ousadia. "NUM PARAÍSO PERIGOSO, QUE A PALMA D´ÁGUA NÃO MOSTROU!!!", urrou, furiosa, prestes a estapear a colega.
"O QUEEEEE????", questionou, mais uma vez, a amiga, rolando de rir até a asfixia. Timidamente, Carla, a paulistinha safada, balbuciou: "Que a palma d´água não mostrou?"... Dúvida na zona sul.
Até a moça aceitar que a letra, na verdade, queria dizer "palma da tua mão mostrou", foram horas a fio de rubor e constrangimento. Afinal de contas, quantas vezes não teria pago mico, mostrando seus dotes vocais em público, sem que ninguém ousasse corrigi-la? Shame on her...

2.8.07

Fúria bregocida

Hoje pela manhã estava eu em casa de sogritos, fuçando o Orkut, quando um sentimento de aversão extrema me acometeu. Progressivamente, meu sangue foi esquentando até entrar em ebulição. Em algum lugar não-definido, alguém ouvia a maldita banda Kalypso, com a mulher mais desgraçadamente feia e desafinada do mundo mugindo a plenos pulmões. Tive ânsias.

Sério: a pessoa assina TV a cabo para NÃO assistir, em hipótese alguma na vida, programas do tipo faustão e gugu; não escuta nenhuma rádio local pra não ter contato com coisas desagradáveis às orelhas; foge como o diabo da cruz para passar incólume às pragas social-populares que assolam este Brasil de meu Deus, e no entanto, ainda continua à merce destes mostros da tortura.

Saí, fui almoçar. Quando retornei e voltei ao computador, lá ia ela, faceira, ganindo e rosnando furiosamente coisas do tipo "a lua me traiu". Ah, maldita, forçando o tom like a Uánessa Camargo do Norte (que por sua vez baseia-se na tosca da Mariah Carey) . Descobri que aquele som absurdo era proveniente de uma loja de calçados, bem no Centro da city. Porra, os malucos tocam Kalypso até o talo e esperam atrair clientes? Aí eu lembro que uma pesquisa apontou que a banda mais monstruosamente brega do país, desde O Tchan, é também a mais amada, ganhando inclusive de Zezé e Luciano e da Sangaluda.

Lamento informar, portanto, que o bom gosto popular, este bicho de sete cabeças, será o responsável por ondas de violência gratuita em Shark city - é que ouvir Kalypso desperta em mim tendências altamente homicidas. Ah, e eu tô falando sério. Mesmo.

Mas éééé carnaval...

"Mas é carnaval, não me diga mais quem é você
Amanhã tudo volta ao normal,
Deixa a festa acabar, deixa o barco correr,
deixa o dia raiar
Que hoje eu sou da maneira que você me quer..."
Ela bailava pela avenida, acompanhando o bloco, até porque atrás do trio-elétrico só não vai quem já morreu. Feliz, braços pra cima, sorriso de orelha a orelha, paradinhas básicas só para comprar aquela cervejinha gelada com os ambulantes e para tirar fotos com os personagens fantasiados de maneira criativa, de super-heróis a Fiona Shrek. Eis que ele surge, no meio da multidão. Camiseta molhada, brilho apaixonado nos olhos: "Carol!". O abraço apertado foi se estreitando até se transformar em beijo caloroso, mãos percorrendo o corpo todo, de cima a baixo. Línguas flamejantes. A barba dele roçava com força sua cútis branquíssima. Fogo e paixão.
Foi quando nossa heroína da vez (não disse que postaria, Carol?) percebeu que a vida - e a festa - continuavam, e que, em pleno Carnaval, no coração da República Juliana, no miolo do Bloco da Pracinha, não valia a pena, DEFINITIVAMENTE, se comprometer, se homens brotavam do chão e caíam dos céus a todo instante. Dispensou o barbudinho querido, gentilmente.
Muito axé na veia e funk requebrando até o chão, e eis que, apaixonado, barbudinho volta, desta vez já restabelecido, de camiseta nova. Mais carícias e abraços calientes, apertõezinhos e bulinações, tapas e beijos, esfregações e chupões no pescoço. Mais uma vez, Carol interrompe o frenesi erótico para dispensar barbudinho. Quando o fazia, no entanto, seus belos olhos castanhos se fixam em outra pessoa, bem atrás de seu affair. Era o barbudinho, ainda de camisa molhada e olhar entristecido. E como assim, Bial?
Carol, nossa heroína, havia acabado de se refestelar nos braços do CUNHADO. Barbudinho era gêmeo, resolveu procurar sua musa mais uma vez, mas foi passado para trás pelo próprio irmão, ó, crueldade. Ela nega a história até a morte. Mas há testemunhas.