30.6.20

Yes, we back


Imediata de novo? Yes, de novo! Este projeto parece mesmo viver em uma metamorfose ambulante meio seixasniana, intercalando algumas fases que são bastante significativas para o universo  feminino, para o nosso universo, pelo menos. Nasceu como projeto de conclusão de graduação láaaaaaa em 1999, ainda como proposta de um projeto de uma revista impressa, que preencheria uma lacuna no mercado editorial para um público focado em mulheres de 20 anos, nada da comportada revista Claudia, nem da ninfomaníaca Nova ou Marie Claire. De um projeto impresso transformou-se em site adequando-se à realidade financeira de três quase formandas, eu Cintia Teixeira e Renata Nymberg.

O site era divertidíssimo, que pena que não guardamos os arquivos, foram registros bem interessantes, como por exemplo, o show da Gretchen (à moda antiga! Dá pra imaginar?). Vinte anos. Recém-formadas. Muitos projetos. Muitas possibilidades. Vida amorosa instável. O mundo era nosso. 

Após alguns anos o projeto voltou em formato de blog. Acabei escrevendo pouco e a Cíntia acabou tomando a divertida tarefa de atualização do canal. Ela escrevia de Tubarão e eu (quando escrevia), de Joinville. Trinta anos. A carreira um pouco mais consolidada. Primeiras conquistas materiais. Início de um relacionamento sério. A gente se adequou ao mundo.   

E aqui estamos nós. Depois de uma breve (?) pausa de nove anos, voltamos com o olhar de quem tá na idade da loba com muito mais histórias para compartilhar. Ainda com tudo em cima, mais experientes do que nunca, sabendo o que queremos (ou não), mais decididas. Quarenta anos. Relacionamento estável. Foda-se o mundo.



We're back, bitches!!!

Quem aí não teve um caderninho cor de rosa com um cadeado minúsculo, escondido debaixo do travesseiro, que atire a primeira caneta perfumada. Ganhei meu primeiro diário aos oito anos e, desde então, inúmeras agendas reaproveitadas e cadernos velhos sucederam-se na missão de registrar minhas memórias.

Escrever um diário é uma atividade altamente recomendada - e por inúmeros motivos. Para eternizar momentos interessantes, curiosos, inesquecíveis (ou perfeitamente esquecíveis); para promover saúde mental, exorcizar demônios íntimos, fazer confissões, revelar desejos e segredos... O papel (ou algum arquivo escondido no seu computador) aceita tudo sem recriminações, como bem sabemos.

Também é uma forma interessante de autoconhecimento. Já escreveu um diário e, ao reencontrá-lo anos depois espantou-se com a maturidade (ou a falta dela), com os relatos ingênuos, absurdos, com as histórias que poderiam ser uma memória falsa se não estivessem devidamente registradas? Com o blog das Imediatas funcionou mais ou menos assim. Pensado para ser uma continuidade de nosso projeto de conclusão de curso (uma revista feminina não convencional), o Imediatas encontrou sobrevida com a facilidade e o custo zero oferecidos pela internet. Virou blog, virou diário, um livro aberto sobre mulheres adultas zero glamour e ostentação, 100% vida real com aquela pitadinha de humor safado (e mais autodepreciativo do que eu gostaria).

Reler os posts antigos (o blog teve início em 2006) me deixou bastante surpresa, ligeiramente incomodada e, de modo geral, relativamente feliz com o que eu era, fui, e pensava há mais de nove anos. Que bom que a gente amadurece. Que ruim que a gente amadurece.

Manter o blog foi uma experiência prazerosa, um exercício de escrita criativa, um rascunho para pensamentos e ideias não muito bem desenvolvidos, um registro de histórias absurdas ouvidas por aí. O As Imediatas (res)surgiu num momento legal, suprindo uma necessidade de contar histórias (algo que jamais me abandonou, de fato). Mas a vida se encarrega de te fazer perder o foco e mergulhar em outros tantos projetos e rotinas e o hábito de escrever cotidianamente acabou ficando pra trás.

O convite da amiga imediata Stella B. veio em hora boa, numa hora complicada de nossa existência e que, por isso mesmo, suscita tantos pensamentos aleatórios que talvez, para trazer alívio mental, precisem ser despejados / transformados em palavras.

Então vamos mais uma vez brincar de escrever e resgatar este hábito. Lembro de certa vez chegar em casa da escola, há coisa de trinta e tantos anos, e encontrar minha mãe, tias e primas, todas ao redor do meu diariozinho, rindo descontroladamente. A vergonha e o desconforto que senti naquele momento foram esmagadores. Hoje, não seriam. Mãe, tias e primas, fiquem à vontade para ler, compartilhar e rir de nossas histórias no Imediatas 4.0!




30.8.11

Como manter acesa a chama da paixão

Daí o namorido, todo pimpão, dá uma passadinha em meu flat (hohoho) e anuncia que vai sair com os amigos. Pela quarta vez consecutiva. Levar a mulher de sua vida para jantar? Ih, faz tempo. Cineminha? "Só quando tiver filme bom em cartaz", argumenta, muito sabido e metido a cinéfilo. Ultimamente minha vida romântica se resume a sessões intermináveis de séries, regadas a muito Kit-Kat e amendoim japonês. Não que eu esteja reclamando, até gosto desta rotininha de casal (de idosos), mas, enfim, quebrá-la (a rotina, não a cara do namorado) de vez em quando também faz bem.
Pensando nisso (e incentivada pelos últimos comentários no blog), pensei em trazer à baila, na lição de hoje, um manual basicão sobre como manter acesa a chama da paixão (HAHAHAHHAHA, sou do tipo que ri das próprias piadinhas, ok?). Sendo assim, mãos à obra!
Cansada daquela rotininha maçante proporcionada pelo maridão (noivo, namorado, rolo e afins)? Já não aguenta mais a cara do bofe estirado em frente à TV, vendo futebol e babando na capa da almofada limpinha?


As outrora vigorosas sessões de sexo foram substituídas por algo mecânico e pré-agendado (quarta-feira, amor, vamos brincar de fazer neném)? Cansada por nunca mais ter recebido elogios, flores, presentinhos inesperados e propostas de viagens-relâmpago a um romântico hotel-fazenda? Filhinha, tá na hora de dar aquela chacoalhada em seu relacionamento.
Reclame. Sim, amiga, ponha a boca no trombone, conte para as amigas, desabafe no seu blog (ahahahahha!), alfinete-o sempre que possível (mas de maneira elegante, não saia do salto). Torça para que a estratégia funcione.
Não funcionou? Ok, temos mais algumas cartas na manga.
Se o querido não toma nenhuma iniciativa, assuma a dianteira e proponha ao gajo tudo aquilo que você tem em mente (ok, talvez não tudo). Porque reclamar é fácil, néam, gata?, mas há quanto tempo você não dá aquela geralzona nas partes pudentas com brazilian wax e arrasa na lingerie novinha? Tem certeza que não está abusando das calçolas da vovó, aquelas em tom bege-espanta-homem? O visú tá em dia? E as finanças? Se estiver tudo azul, leve-o você para jantar. Presenteie-o você mesma, inesperadamente (e aí vale tudo, desde um smartphone até uma cueca no formato de elefantinho, passando pelo anel peniano ou por um livro do Proust). Faça uma massagem “relaxante”. Invista numa dança sensual só para os olhos dele. Assuma as panelas e faça aquela massa que ele tanto gosta.
Tentou tudo isso e não deu em nada? Ops, o caso é difícil (mas não impossível).
Matreiramente (como só as mulheres sabem fazer), faça-o lembrar de quando se conheceram, as primeiras baladinhas juntos, a primeira garrafa de vodka que dividiram, aquela rapidinha marota que teve que ser interrompida porque alguém queria usar o banheiro, estes grandes momentos que os transformaram no casal maravilhoso que são hoje. Apele para o “psicológico”, faça ele ter saudades de seu antigo “eu” (no caso, o “eu” dele). Diga que também tem saudades desta época.
Se depois disso, a coisa não andar, só restam duas alternativas: terapia de casal ou... é melhor arrumar alguém mais animadinho, né? (olha a ameaça...).
Enfim, estou na fase da boca no trombone (deu pra notar?). Já xinguei, briguei, fiz beicinho e afins. Aí o fofo teve o desplante de me convidar pra inauguração de um restaurante mexicano, aqui em Shark city. Detalhe: o convite, inicialmente, havia sido feito POR MIM, há coisa de uma semana. Originalidade é mato.

• dicas absorvidas e adaptadas da melhor revista feminina ever, a Cosmopolitan/Nova (contém quilos e litros de ironia).

24.8.11

Como encontrar seu príncipe encantado na balada

(o título é pega-corno no Google, sou malandra)

Aí você se encontra às vésperas de ser considerada titia oficialmente (ok, seu sobrinho mais novo já está com sete anos, agilize!) e ainda se recupera do pé-na-bunda antológico que o traste do seu ex-marido/namorado/noivo lhe deu. Respire fundo, muita calma e leia o post anterior para saber como proceder.
Então, pronta pro abate? A aula de hoje é sobre a mágica arte de conquistar sua alma-gêmea na balada. Yes! Então capricha no saltão e no batom vermelho e... ops, te peguei, hein? É, fia, definitivamente não é partindo pro clichê de Mulher Caçadora que você vai sair do 0x0. Lembre-se que sutileza é vida. Cuidado com vestidos muito curtos, saltos muito altos, batons muito vermelhos e cachos muito loiros. Você quer um marido, e não ser considerada a nova biscate divorciada/largada/abandonada do bairro, néam? Seja (ou pareça) fina. Até os bofes mais chucros se admiram com a fineza feminina. Não fale alto, não GRITE, não gargalhe atirando a cabeça pra trás propositalmente (a não ser que seja sua marca registrada, aí paciência).
Roupinha sexy-sem-ser-vulgar escolhida, maquiagem clean-fake (do tipo que parece que você não fez nada, quando passou uma hora e meia corrigindo a cobertura da base), saltinhos decentes (mas confortáveis: pior coisa é ver a muiézinha capengando no meio do salão, cuide da postura): bóra pra luta.
A escolha do lugar: aí vai depender do tipo de homem que você quer conquistar. Se for um gurizão, todos os barzinhos/boates da cidade (de todas as cidades) estão liberados. Se for um tipão mais velho, aí complica. Restaurantes descolados, onde rola um happy hour amigo, são boas sugestões. Bailões com música sertaneja: têm potencial, não os despreze. Mas seja seletiva, olho vivo! Festas na casa de amigos populares são boas dicas, sempre tem alguém dando sopa.
A bebida: um ou dois drinks não fazem mal a ninguém. UM OU DOIS DRINKS. Chutou o balde? Encerre a caça esta noite, está fadada ao fracasso. Você curte homem bêbado bafejando no seu ouvidinho? Então...
A música: não tente ser o centro das atenções exibindo suas habilidades na pole-dance. Não desça até o chão nem bote a mão no joelho, dando uma abaixadinha em seguida. O resto tá liberado.
O olhar: amiga, não faz a coruja, girando a cabeça 180º por segundo a procura de um olhar interessado. Low profile é de regra. Observe discretamente, alguém vai morder a isca, se Deus quiser.
Se alguém se aproximar, belezera. Inicie uma conversa com um sorriso simpático. Por favor, logo no primeiro encontro, não precisa informar que o bastardo do ex está com a pensão atrasada, que você está deprimida por estar solteira, que a família inteira anda cobrando casório, ou, pior, que sonha em ter quatro filhos. Cale esta boca!
Se ninguém se aproximar: não desanime. Encha-se de coragem e troque comentários com aquele tipinho interessante ao seu lado.
Sexo no primeiro encontro? Você que sabe, amiga. Se rolar, rolou. E se ele não te ligar mais depois, mande este homem das cavernas à merda. Camisinha, né?
Enfim, é por aí. Seguindo estas regrinhas de ouro, você certamente iniciará 2012 com uma vistosa aliança no dedinho. Ou, pelo menos, com alguma história hilária pra contar. Tenha fé.

Mulher Caçadora

Você, gatinha marota, que perdeu preciosos seis (sete, oito?) anos de sua vida com aquele namorado imprestável que abusava do desodorante Axe, cortava as unhas do pé na sala e dormia de meia;
Você, que investiu sangue, suor e lágrimas num (im)provável casamento, comprou terreno no Monte Castelo, deixou a manicure de lado por um ano só pra economizar pros tijolos e telhas;
Você, que já sonhava com a decoração da igreja no dia do casório, e no churrasco com maionese que se seguiria depois, no centro comunitário anexo;
Você, querida amiga, que de repente se vê novamente solteira: CORAGEM. Agora que seu relacionamento acabou, é preciso ter em mente duas certezas:
1) Não tem como você encontrar um outro sujeitinho tão mala quanto o primeiro, é praticamente impossível.
2) Homens solteiros com mais de 30 não existem.
Partindo desta triste e dramática premissa, vamos aos fatos:
a) Garotões lindos, solteiros e sarados com menos de 30 anos estão aí pra isso mesmo;
b) Homens divorciados, charmosos, inteligentes e bem-sucedidos, com (mais ou menos) mais de 40 também – e a vantagem é que já fizeram o testdrive com alguma outra pobre-coitada;
c) Sempre existe a possibilidade de você partir pro lesbianismo.

Porque, né, gente?, casar hoje virou Festa da Uva, o jovem casalzinho se apaixona e no mês seguinte já dá entrada nos papéis, sem sequer imaginar que: ele vai roncar/peidar a noite toda; ela vai esquecer a depilação por meses a fio; a TPM dela vai deixar de ser temporária para se tornar permanente, 24/7; o descaso dele pela própria aparência vai se tornar tão alarmante que será necessário tocá-lo para o banho semanalmente (pelo menos); nenhum dos dois é papai e mamãe de nenhum dos dois – e é aí que a porca torce o rabicó.

Enfim, vistas todas as suas possibilidades, vamos à luta. Perca aqueles quatro (seis, oito?) quilinhos que adquiriu durante sua vida de comprometida, passando noites a fio pedindo pizza e bebendo vinho barato em frente à TV. Afine esta cintura, pelamor. E de preferência não a engrosse mais (exceções são permitidas para casos de gravidez).
Renove seu guarda-roupa. Venda o terreno do Monte Castelo e invista em peças sexies (mas não periguetes, pleeeease), que valorizem suas novas formas pós-separação. Não esqueça dos sapatos!
Arregimente aquelas amigas que até ontem você ignorava no MSN (“ai, credo, só falam de homem...”). Elas serão sua porta de entrada para a vida da Mulher Caçadora. Sim, querida amiga-que-não-consegue-ficar-sozinha (fica a dica, Débora, que nunca vai entrar aqui pra ler isso): agora você é oficialmente uma Caçadora. Mas com muito mais expertise, savoir-faire, jogo de cintura e bom gosto (bom, pelo menos é o esperado: amadurecer também serve pra isso!).
Se sobrar dinheiro, melhor ainda: mulheres bem-sucedidas são afrodisíacas (hahahah). Não venda o terreno do Monte Castelo e construa sua casa. Só sua. Lindona.
Esqueça esta ideia fixa (que sua avó implantou em sua cabecinha) de que tem que “arrumar marido rico”. Bobinha... homens ricos casam com meninas de 20. Lindas. Saradas. Perfeitas. Em contrapartida, agora que você é uma mulher de respeito, tem casa própria e tudo, também pode se dar ao luxo de casar com um menino de 20. Igualdade entre os sexos é a palavra-chave, galero.
Estude. Leia. Ande sempre bem informadinha. Ok, pelo menos não use o português errado, “nós vai”, “eu truxe”, “tá meia cheia/vazia/estragada”. A não ser que seu foco sejam homens burrinhos. Tem gosto pra tudo.
Atenção aos detalhes: sobrancelhas e unhas em dia, cabelos impecáveis. Homem não repara em detalhe, você poderá me dizer. Mas repara o resultado geral.
Enfim, agora é só atacar! Seja seletiva, não pareça desesperada. Boa sorte.
Mais uma dica: esqueça tudo isso e vá ler um livro. Perder tempo pensando em achar homem é uó.
Em breve: como encontrar seu príncipe na balada (hahaha, vou me divertir muito escrevendo isso).

19.7.11

Nerd, não-nerd, patricinhas, mauricinhos e seja qual for o raio da tribo que exista hoje: estão todos convidados

1º NOB-TUB




Que tal entrar em contato com todo aquele povo bonito e simpático que transforma sua timeline num stand-up comedy virtual diário?
Ou conhecer "ao vivo e a cores" os avatares mais engajados, politizados e bem informados da região?
De repente, trocar urls com aquele blogueiro divertido e polêmico que tanto admira?
Esta é a sua oportunidade! Participe da primeira edição do NOB-TUB, que vai acontecer no próximo dia 27 de julho, a partir das 20h, na Dilson Pizzaria. A entrada é franca, a diversão é garantida e o contato humano, indispensável.
O NOB (NerdsOnBeer) é um evento aberto a todos os interessados cujo objetivo é promover o entrosamento entre todas as tribos que fazem uso das mídias sociais (ou não). O encontro não tem regras – ou apenas uma regra – conversar, interagir, conhecer pessoas interessantes, ampliar seu círculo de amizades/contatos/fontes.
Ah! Quase esquecemos de uma informação importantíssima: Os participantes do NOB-TUB terão descontinho amigo no delicioso chopp do Dilson. Venha, participe e seja feliz com a gente.

2.3.11

Moda : as finas de Paris, as doidas de Londres

Claro que não sou nenhuma especialista (hahaha, longe disso). Mas minhas incursões por editoriais de moda em todos os formatos e meu interesse sui generis pelo tema me levaram a escrever um modesto post sobre a moda em Paris e tudo o que você deve ter no armário para o inverno que se aproxima. Claro, vale a sugestão, não há nenhuma regra. Até porque... acredito que será meio difícil fazer os brasileiros (homens) usarem LEGGING, coisa que os londrinos fazem com maestria (e sem nenhuma vibe gay, juro).
Em Paris o que impera é a elegância e a reinvenção do clássico. Lá não vinga nenhuma modinha maluca e temporal, como saias de tule e cortes de cabelo moicano. Mulherada se joga nas botonas (aí valem coturnos lindos, saltões vertiginosos e flats fofinhas), usadas com meia-calça grossa ou mesmo leggings. E os casacões pesados e lindos de morrer, super bem cortados, ajustadinhos.
Ah, e tem todo o glamour das echarpes fofonas, enoooormes, de todos os materiais possíveis (lã é um básicão digno e indispensável). Sim, tanto elas quanto eles usam boinas e gorros, acho lindo e comprei meia dúzia (mentira, só três).
O casaco super quentinho e volumoso se justifica: suficiente para, sozinho, espantar o frio da rua, pode ser usado com quase nada embaixo, já que deve ser descartado ao se entrar em qualquer lugar: aquecimento central é luxo e alegoria indispensável por lá. Tá com muito frio? Se joga em qualquer lojinha ou boteco que vai estar quentinho.
Os homens são absurdamente ligados em moda, não vi nenhum cafonão com a camiseta do time (ops, @caetanomachado, foi mal...) e aquela calça véia de moleton frouxa na bunda. Os caras usam ternos de corte perfeito, ou jeans (skinny, skinny, skinny!!!), com os casacões superpower. Seus cortes de cabelo mereceriam uma postagem exclusiva, mas não tenho muita habilidade pra desenvolver algo na seara capilar. Meio compridinhos, meio desleixados "propositalmente" (mas com aquele jeitão de que foram repicados com esmero no coiffeur mais caro do quarteirão). Eles também lançam mão das echarpes e cachecóis grandões/gigantes. Pra complementar, luvas e boinas. Amei. Só não fiz fotos dos caras no metrô porque fiquei com vergoinha. Sei lá, vai que alguém resolve pedir direitos de imagem, né?
Já em Londres o que impera é a originalidade. Nada de sair por lá "uniformizadinho", jeans e camiseta sozinhos não ornam ninguém. Olha, é cada figuraça que me dá vontade de voltar só pra ficar na janela olhando os tipões excêntricos.
Claro, pode observar um certo padrão: meninas de vestidos (bem fofos) e sapatilha, meninos de legging (já falei que é sério), coturnos e jaquetinhas ou casacos pesados.
Por ficarmos apenas três dias por lá, não deu pra apurar muita coisa, mas algo me intriga (e se alguém por aí tem experiência em Londres, favor explicar): o frio tava de lascar, chuva incessante, minha pele ressecou inteirinha (ah, Avéne, o que seria de mim sem você?), mas a galera nem tchuns, dispensam até meia-calça pra exibir as pernocas branquelas. Só de olhar me arrepiava. Mas tá valendo, talvez tenham se acostumado com estas agruras climáticas.
Em Londres o povo é doido, usa acessórios ultra-bacanas, mix de estampas, chapéus alucinantes, cortes de cabelo UAU, makeups lika Lady Gaga. Vi até uma mulher de calça de pijama no metrô. Não, não era louca nem mendiga. E o povo nem confiança, tudo pode, nada é proibido e "estranho" (pra eles, néam?).
Enfim, foi uma puta aula de estilo e comportamento. Espero conseguir adaptar alguma coisa pro nosso inverninho tão amigável. Claro, tem muito mais, vou postando assim que possível.

Como ser pobre (e feliz) em Paris

Ai, gents, voltei da minha venturosa peregrinação a Paris e Londres ontem e só agora me dignei a postar algo a respeito. Não é fácil: quando você dispõe de poucos dias para conhecer tudo aquilo, não é de bom tom ficar na frente de um computador quando o mundo revoluciona lá fora, há muito o que fazer e as horas de folga são direcionadas ao sono dos justos. Porque se anda muitíssimo, ainda que com a providencial ajuda dos metrôs. E só não emagreci uma grama porque também se come como reis e clérigos.
Dizer que foi sensacional, um "sonho realizado", a coisa mais maravilhosa ever e afins é pecar pelo clichesismo e pelo lugar-comum. As duas cidades são maravilhosas (ainda mais para quem tem o bolso recheado daquele rico dinheirinho europeu, claro).
A temperatura variou entre os quatro e os oito graus, dilícia que me fez parar para pensar sobre minhas aquisições em matéria de casacos. Eu não sabia, mas meus lindos trenchcoats não SERVEM para o inverninho das zoropa, nem mesmo para o fim do inverno. Tem que ser lã, senão é foda e você vai peregrinar de um lado a outro encolhidinha feito uma ostra, batendo o queixo. Tênis são excelentes opções para o city tour, ainda que não tão glamourosos quanto as botinhas que TODAS as francesas ostentam em seus delicados pezinhos (claro, elas não estão ali para percorrer a cidade de ponta a ponta).
Falo mais sobre Paris porque foi onde permaneci por mais tempo (cinco dias muito intensos). Neste período, pude comprovar e refutar algumas das teorias mais repetidas pelo senso comum sobre a Cidade Luz.
Primeiro: Capital da Moda, néam? Fato. TODOS os franceses são lindíssimos, homens e mulheres. Magros, elegantes, bem vestidos e perfumados (não cafunguei no sovaco de ninguém pra saber se tomam banho ou não, mas todos deixam aquele maravilhoso rastro de perfume bão quando passam). Juro que não vi um nativo gordo - nem mesmo gordinho - por lá.
As mulheres andam super maquiadas (sem exageros, no entanto), algumas usam salto, mas a maioria opta por calçados baixos e confortáveis (mas não aquelas sapatilhas de velhinhas, claro). Os homens - pelo amor de Deus, pausa para respirar - parecem terem saído de um anúncio da Dolce & Gabbana. Uma coisa assim:

Sério.
Claro, crianças, velhinhos e até os cachorros também são finos e bem-vestidos.
E segundo: franceses são antipáticos e maltratam os turistas: MENTIRA. Ai, gente, esta foi a maior maldade já dita sobre este povo. Podem não gostar de água e assoar o nariz com força no metrô, na frente de todo mundo, sem pudores. Mas te tratam muito bem, são educados, gentis e atenciosos e, o mais legal, franceses (e europeus em geral) AMAM brasileiros. É dizer que é brésilien pra um sorrisão abrir no rosto de seu interlocutor. Dá até um orgulhinho.
Tem mais: todo mundo fala inglês (e outros idiomas também, de vez em quando). Comunicação, de fato, não é nenhum problema. Vá sem medo.
Agora, se a grana é curta... don't worry! Vá aos museus, passei pelas ruas, arrisque-se pela Champs-Élysées e pela galeria Lafayette sem medo, reserve seus trocados para comer e beber bem (o que é muito fácil, com bistrôs fabulosos a cada cinco metros). De quebra, dê uma passadinha naquela farmácia da esquina do hotel e surpreenda-se: produtinhos da La Roche Posay, da Avéne e da Vichy, entre outras marcas locais, a preços convidativos (mas não baratos. Nada é barato de fato, lá). Fiz o sacolão básico. Além do que, sempre tem uma H&M a cada esquina, além de Montmartre, reduto da boemia francesa onde rola toda uma vibe 25 de Março em forma de bibelôs, lencinhos e posteres incríveis.
Seja feliz, o que é bastante fácil mesmo sem a carteirinha recheada. Agora é economizar pra voltar o quanto antes!



Eu com meus partners de viagem, Regininha e Dieguito (por trás das lentes, namorado).

18.2.11

Espanando teias de aranha

Ok, passando por aqui só porque não aguento mais ler o título daquele último post, datado de mil novecentos e lá vai pedrada. Se alguma alma viva ler estas poucas linhas, saiba que muito em breve postaria alguma coisa, qualquer coisinha, pra que ainda possa me intitular blogueira. Juro (promessa feita por mim para mim mesma).

21.12.10

Reminiscências de 2010

E então você se percebe pensativa na época mais feliz do ano porque o amigo querido do coração de mil anos a destrata como se lixo fosse, porque uma bichinha pocpoc fez pouco caso de sua onipotência, porque a chefe cobrou algo que não pode ser pago, porque o fim da linha se aproxima galopante. É época de festas, pernis, maioneses elaboradas, arrozes a grega, espumantes em promoção, presentinhos da Natura e da Cacau Show, mas você só consegue pensar no rumo que sua vida deverá seguir quando voltar de Paris.
É, amigos, porque eu sou pobre (mas limpinha), fodida e com a corda no pescoço, mas vou me divertir na cidade luz em fevereiro, portanto, até lá, dane-se o mundo, com seus tsunamis de ocasião, guerras civis, wikileaks, Tula Luana, Aretuza, tetinhas de Susana Vieira, 2012 e afins.
Anyway, caso não seja raptada por um francês charmoso, limpinho (faço questão, eis a dificuldade) e minimamente inteligente (e caso o namorado permita o sequestro), eu hei de voltar para minha vidinha mais ou menos em Shark City, onde amigos cospem no confessionário onde despejaram suas mais secretas ansiedades e paranoias, onde para ser relevante (ou pensar ser relevante) é necessário lamber as bolas das autoridades estabelecidas, onde contestar é sinônimo de afronta moral.
É difícil chegar aos (oooooops!) 30 anos (e mais alguma coisa) e verificar que sua vida não caminhou do jeito que deveria ter sido, e perceber que só uma reviravolta estilo twist, do cinema, conseguiria fazer a diferença.
Mas eu não sou assim de desistir tão fácil (hum-hum, mentira!), ou, melhor dizendo, algo muito estranho que habita minhas entranhas me diz constantemente que devo relaxar e acreditar que coisas melhores virão. A merda é que eu me influencio por esta previsão picareta auto-infligida e bóra acreditar piamente que, daqui a dois, três meses, as coisas mudarão de figura.
A merda é que nem dá pra apelar pra ironia extrema, visto que, repassando o passado não tão distante, as coisas realmente mudaram de figura, de quando em vez (pelo menos pra mim). É o que me leva a alimentar certa fé.
Nunca fui de amarrar bode por conta de fim de ano, acho uó depressão pré-réveillon, mas fica aqui meu desabafo contido (poderia ser pior, sério!) por conta desta época do ano tão significativa. Anyway, bóra preparar os petiscos pra servir pra moçada faminta que vai invadir meu espaço neste fim de semana. A dica? Farofa de banana. Mammy aprovou ano passado, vou repetir caso ela não insista em ganhar um neto nesta altura do campeonato.

5.11.10

Assalto frustrado

A noite estava agradável, propícia para aquele pulinho ao restaurante/bar/boate mais próximo. O clima de guerrilha provocado pelas eleições havia arrefecido, todo mundo só pensava mesmo em se jogar na cerveja gelada e papear gostosamente com os amigos. Chegamos à pizzaria, eu e a família do meu homem (hahahahhahah, eu tento parecer séria, mas me dá engulhos só de escrever "meu homem", que coisa cafona...) e pedimos uma rodadinha básica, com coca-cola zero que é pra manter a cinturinha de buj... quer dizer, de pilão.
Conversa vai, conversa vem, planos sonhadores para a viagem que se aproxima, sonzinho rolando bacana, o sogro até arrisca cantarolar junto com o crooner: "...nosso apartamento... um pedaço de saigon-on-on".
Eu estava sentada bem no fundo do restaurante, de costas para a entrada. E só percebi certa movimentação quando todos os olhos já se fixavam em uma criatura com uma camiseta enrolada na cabeça, caminhando, decidido, rumo ao caixa do estabelecimento. "É um assalto", o namorado solicitamente me informou, e eu já jurando que era uma performance teatral daquelas, cujos atores fazem três piruetas e duas falas, ninguém dá bola, e depois vêm pedir dinheiro na sua mesa.
Não consegui entender direito, quando me virei pra acompanhar o movimento o garoto já saia porta afora. Ficava difícil acreditar no potencial marginalístico do gurizinho, que não devia ter mais que 16 anos, dava vontade de estapear a cabeça e mandar ir dormir sem tomar nescauzinho.
Mas você manja só o perfil pacífico da cidade (que de pacífica não tem mta coisa, já fui assaltada a mão armada DUAS vezes em Shark city, e homicídios pululam por aí). Quer dizer, pacífico é o perfil dos moradores de Shark, não habituados com situações como estas. Geral simplesmente ficou cantarolando Emílio Santiago, mordiscando suas bordas de cheddar e nem tchuns pro piá (na verdade, eram dois meninos, eu tive a incrível capacidade de não ver o segundo indivíduo).
E o que rolou é que o assalto simplesmente NÃO ACONTECEU. Yeah. Os delinquentes foram solenemente ignorados e acharam de bom tom dar no pé antes que alguém os deixasse de castigo, ajoelhados no milho.
Até chegaram a chamar a polícia, e tals, só pra fingirmos, coletivamente, que tinha sido algo relevante. E poderia: dizem que um dos garotos estava armado, mostrou o brinquedinho pra quem quisesse ver - nada muito diferente do que uma pistolinha de 1,99.
Poderia ter dado bem certo (se o som estivesse mais baixo, talvez todos tivéssemos escutado o "é um assalto" da dupla). Caso o pânico se instaurasse, os guris levariam uma boa soma pra casa - pensa no conteúdo de umas 50 bolsas e umas 50 carteiras, no mínimo, fora a soma do caixa? Mas eles calcularam mal. Entraram com rosto coberto, tentaram intimidar com a pistolinha de plástico mas... a camiseta. A camiseta enrolada na cabeça do menino. Aquilo ali não era um assaltante nunca na vida. Branquíssima, lavadinha, devia ter cheirinho de amaciante, cuidadosamente passadinha por mamã. O garoto devia ter até talco e hipoglós no meio das pernas. Dica para o assaltantezinho de araque: tente parecer mais perigoso, menos filhotinho indefeso. Como já disse, fui assaltada duas vezes, sou expert no assunto, e aparência conta muito, nesta hora.

13.9.10

Velha infância

Laurinha P. veio com mais um meme bacaninha pra gente quebrar a cabeça e pensar na vida. Este diz a respeito das coisas bacanas (ou não tão bacanas) da infância. Here we go:

1) Coisas que tive e adorava
Ainda esta semana, conversando com mamã, falei de meu desejo de adquirir novamente o jogo "Pulo da Aranha", que ganhei aos sete anos, e que me fez rir e chorar e ser o centro das atenções nas festinhas de família. Minha mãe garantiu que este tipo de desejo passa após ter um filho (ela e todas as suas chantagens pró-procriação...).
O jogo era muito bacana, uma imperceptível tremidinha de mão fazia a terrível aranha de pelúcia pular em sua jugular. Queria, tipo, pra ontem, porque garanto que ia levar os mesmos sustos.



2) Coisas que queria muito, mas não tive
Meio clichê, mas eu queria muito a casa da Barbie que custava, tipo, o valor de um carro usado (mas em bom estado). Aquela casinha da Moranguinho, em formato (é claro) de morango, também figurava nos meus ardentes sonhos de consumo infantis.



3) Uma lembrança boa
Felizmente, minhas lembranças de infância são, invariavelmente, boas. Brincar de "pé na bola", me arrumar pra ir a uma festinha de aniversário usando a minha indefectível salopete cor-de-rosa. Ficar até tarde na TV vendo SuperCine com mamã. Tomar sorvete de gelo e achar uma delícia (tomar suco de pacotinho - leia-se Q-suco - e também achar uma delícia, argh).

4) Uma lembrança ruim
Quando arrombei o joelho caindo da árvore, na casa da minha tia, na longínqua Capivari de Baixo. Sangue quente e espesso perna abaixo, a tia cheia dos compromissos tendo que me levar pro hospital pra fechar aquela cratera. Cinco pontos.

5) Coleções
Papel de carta, néam? E alguns álbuns de figurinhas (como as da Rainbow Brite, cheirosas e de cores psicodélicas, embora eu não soubesse o que era psicodelia, thanksGod).



6) Ídolo da época
Ai, tive que quebrar a cabeça pra pensar, mas acho que era o Indiana Jones. Ah, e o Christopher Reeve, em Superman (nossa, agora entreguei a idade legal). É, eu sei. Era melhor ter dito a Xuxa, né? Mas não vou mentir...



7) Programa favorito da época
Tá bom, era o da Xuxa. Mas só pelos desenhos. Get along gang rules!



8) A moda mais legal que usei
Polainas.



9) A moda mais brega que usei
Que eu NÃO usei, melhor dizendo. Saia balonê. Feio até pra criança.

Nem vou indicar alguém pra responder. Se curtiu, sinta-se à vontade.

8.9.10

Festa de formatura

A decoração é exagerada; os discursos, longos e enfadonhos, os trajes são cafonas, a trilha sonora é de embrulhar o estômago, mas não tem jeito: bailes de formatura são garantia de diversão ou o dinheiro da rolha de volta. O mais curioso: festas assim são exatamente iguais umas às outras. Idênticas. E não importa se você se formou há 15 anos ou pretende colar grau só em 2016 - a comemoração você já conhece.
Começando pela colação de grau, quando você descobre em poucos minutos quem é o estudante mais popular da turma e quem é aquele pra quem ninguém dava bola, o sem-amigos e sem torcida. Colação é foda: você se emociona com a conquista de seu amigo/parente/, e tals, mas ter que aguentar todo aquele discurso padrão não é moleza. Enfim, centenas de bocejos depois, e com a maquiagem já escorrendo, é que realmente começa a festa.
Porque a magia de uma festa de formatura está no desenrolar do baile. E ninguém sabe explicar porque alguns bailes são ruins e outros considerados muito bons, já que o roteiro é estritamente seguido a risca, sempre o mesmo. Vai do estado de espírito e do teor alcoólico do sujeito, acredito. Importante salientar que as observações abaixo foram feitas durante a melhor formatura dos últimos dez anos, da minha querida pérola negra Rúbia (parabéns, amore!, de novo).
A banda começa com a valsinha, um Frank Sinatra aqui, um Glenn Miller ali, todo mundo tentando parecer um pouco controlado, o randevú só está começando. Fotos familiares feitas, é dada a largada, e o bandleader invariavelmente sai com algo do tipo "whisky a go go", pra todo mundo entrar na onda e cantar junto coisas como "eu perguntava: do you wanna dance? E te abraçava (do you wanna dance?)". Aí entra as mais babas de Beatles (e bóra todo mundo jurar que dança twist), um pouquinho de ABBA, algo do Queen, nada de novo debaixo do sol.
A putaria começa com os "hinos" (como diria Lu, em posição solene, com a mão no peito) "It's raining man", "I will survive" e "Y.M.C.A.". É incrível como um bando de gente ainda diz haver preconceito contra gays no mundo: não tem UM suposto hétero que fique quietinho na cadeira com estes hits. E dá-lhe coreografia com os bracinhos. Aliás, o momento "gay" do repertório musical está sendo levado tão a sério que tem até figurino especial: a banda toda com perucas coloridas (ops, gays não são palhaços, #fail).
Naquela hora que eu já estou pensando em tirar as sandálias discretamente e massagear meus pezinhos doloridos por debaixo da mesa, começa a muvuca: axé music. Ah, que inferno. E que inferno adorável, como deve concordar @joaojoenck. "Sou praieirô-ô, sou guerreiro, tô solteiro, quero mais o que?"... Que beleza, que riqueza de letra, que poesia!
Ah, mas não basta o axé. Uhum. Nada é suficiente. E agora contamos com a magia dos forrós (ou qualquer que seja o gênero musical de bandas como Calypso ou Calcinha Preta, juro que googlei mas não encontrei nada). E aí de repente o universo inteiro pára pra você ouvir, pela primeira vez na vida, esta pérola: "Ela sai de saia, e de bicicletinha, uma mão vai no guidom, e a outra tapando a calcinha". Uma pequenina lágrima percorreu meu rosto angelical, borrando todo o rímel. Senhores, estamos lidando com gênios letristas da MPB.
E quando você pensa que nada mais pode te surpreender (já que até vanera você dançou com o amigo pé-de-valsa), de repente seus olhos encontram a joia rara da noite:


(infelizmente, o choque foi tanto que não consegui fotografar a original, mas é bem por aí, um misto Kaoma, Joelma e ringue de patinação americano)
Aí já passava das quatro da manhã e provavelmente se tratava de alucinação coletiva. Porque, né? Não é possível.
Tem coisa melhor do que um bom baile de formatura?

2.9.10

Cabelo

Eu vivia perfeitamente bem com meu cabelo até chegar perto dos 30. Aí o bicho degringolou - ou fui eu que me tornei mais exigente, acho que um mix das duas coisas. Meu cabelo tem frizz. E achata bem em cima da cabeça. Sabe aqueles dias em que você acorda, se olha no espelho e já diagnostica: hoje meu cabelo não vai colaborar comigo? Então, o famoso "bad hair day". Pois comigo não existe isso, existe o "good hair day". Porque de vez em quando meu cabelo resolve ser querido comigo. Mas só bem de vez em quando. Gasto milhões de dólares com meu cabelo (ai, que mentira), mas até hoje, nenhum resultado realmente positivo (espero que Laurinha resolva meu problema!).
Pois bem. Mas o drama maior da minha experiência de vida capilar ocorreu na infância, e acredito que quem tem mais ou menos a minha faixa etária saiba do que estou falando. Porque nós tínhamos os famosos cortes "Chitãozinho e Xororó", modernosamente chamados, na época, de moicanos. Tínhamos o corte "cuia", cujo formato era basicamente o resultado obtido após se colocar uma cuia na cabeça e passar a tesoura no que restava, do lado de fora (também jocosamente apelidado de "corte penico"). Tínhamos a franjinha, os cortes joãozinho, perversamente escolhidos por algumas mães para erradicar a piolhada, mas que infelizmente só serviam para estimular a sapatice latente nas meninas. Ah, e tínhamos os glamourosos acessórios: tiaras forradas e gigantescas, flores de plástico imensas, trecos fluorescentes. Um horror.
Lembro que, aos 12, consegui deixar meu cabelo bem compridinho e, influenciada pela prima, adentrei, soberana, em uma cabeleireira de fundo de quintal munida do dinheirinho contado para pagar o haircut. Era moda, boba, e ela me aplicou o Chitãozinho - e porque EU pedi. Cara, foi traumático. No fim das contas a própria cabeleireira começou a rir e disse que parecia ter sido cortado a foice. A foice. Ouvi muito esta expressão nos meses subsequentes.
Agora soube de uma historinha cabreira: menininho é hostilizado no colégio por ser o único entre os guris a não adotar o corte de cabelo "Justin Bieber". Que é, basicamente, um corte cuia estilizado. Pensei em dizer a ele para contar no colégio que Justin Bieber é gay, mas vai que ele apanha, né?
Com a história, desencavei mais uma passagem maligna do passado, com relação às minhas madeixas. Certo dia, por volta dos dez anos, por algum motivo desconhecido mamã mandou ver no corte cuia pra primogênita aqui. Tudo bem, tinha uma novela cujo personagem exibia o mesmo corte, deve ter sido por isso (ou foi crueldade mesmo). Ai fui dar aquela voltinha na rua, pra me exibir. E uma vizinha (pouco mais velha e meio agressiva) passou de bicicleta, cantou o pneu, parou na minha frente, apontou o dedão e ficou gritando: "AHAHHAHA, Juruna, Juruna, Juruna!". Eu não sabia direito quem era o Juruna na náite, mas sabia exatamente do que ela estava falando. Sofri como sofrem as crianças vítimas de bullying.


O corte da moda...


... e o personagem sensação dos 80's. Mães, não deixem seus meninos fazerem isso.

1.9.10

Mascaradas

A muiézinha já acorda atrasada, com os bofes pra fora, cheia dos compromissos inadiáveis, reuniões, agendas a serem cumpridas, horários, negócios. Mau humor contagiante. Resmungos, palavrões sussurrados, "cadê a porra daquele sapato?", esgares coléricos.
Mas aí é o momento de abrilhantar os ambientes com seu sorriso perolado, então bóra reforçar a maquiagem, caprichar no batonzinho, sorrir e cumprimentar a todos obedientemente, trabalho é assim mesmo e ninguém merece ser tolhido por uma mala ranzinza. Aí é só sacar da máscara "Boooom dia, amiguinhos!!!".
Chega o momento do almoço, aquela pausa balsâmica que deveria oferecer equilíbrio e tranquilidade para enfrentar o turno subsequente, mas, qual? Você recheia seu prato no buffezão da esquina com montanhas de carbs, friturinhas mil e simplesmente esquece da salada (comer para compensar frustrações?). Mas não temos tempo pra remoer bobagens e você sabe que vai compensar o exagero com uma sopa rala no jantar (not). Então bóra fazer cara de gordinha feliz. Só sacar a máscara "Comi uma ceasar salad com chá verde no almoço e estou super relax".
À noite é a vez de dar atenção a ele (ou a ela, whatever - tudo porque detesto usar a palavra "cônjuge"). Muita paciência para ouvir o dia também atribulado do gajo, força para não despejar toda a sua mágoa de cabocla na cabeça do pobre rapaz, e, como diria Madame Louise, "ranço na cola" pra ronronar gostosinho no ouvido dele e pedir uma massagem nas costas. O momento é ideal para se cercar da máscar "É tempo de amar".
Taisinha, a reaparecida, observou sobre as inconstâncias no universo feminino, e do artifício das máscaras para estarmos sempre bem em todos os momentos da vida, quando, em alguns casos, a vontade é mandar tudo pra puta que o pariu.
Se você não se identificou com nada do texto e acredita que pode encarar o mundo de cara lavadíssima (ok, protetorzinho básico e gloss), parabéns! E já aproveito para te pedir a receita. Porque eu prezo muito por minha autenticidade, mas convenhamos que é hardcore engolir sapos alheios, aturar chatice e malice-sem-alça, inconveniências e afins com um eterno e imutável sorriso cor de carmim nos lábios, confessa.
Mulheres são atrizes natas. Ok, alguns homens também (e é aí que mora o perigo).

25.8.10

Nine things

A Maitê, do Penso em Tudo, inventadeira de moda que só ela, repassou a missãozinha-delícia em forma de meme para a Imediata aqui. A ideia é contar nove coisinhas que pouca gente sabe sobre você, segredinhos, manias, sentimentos ou bobagenzinhas quaisquer que nos fazem ser quem somos, diferentes mas igualmente interessantes. Quer dizer, a interessância aí vai ficar por conta do leitor, e já me arrependo de ter escrito isso, visto que minha vida e meu blog são livros abertos e não há muito que já não tenha dito por estas mal-digitadas linhas.
So, here go:

1. Eu realmente acho que vim ao mundo a passeio. Sim, eu levo as coisas a sério, eu trabalho, estudo, me esforço para concluir determinadas atividades fundamentais para o andamento da minha vida, mas tem alguma coisa, daquelas meio que inexplicáveis, que faz com que eu não encare quase nada com temor, receio ou tensão. A não ser ir ao dentista. Aí eu tremo na base, sempre.

2. Se você me perguntar qual meu "prato favorito" eu vou responder, cheia de bossa, que é salmão ou sushi ou alguma massa sofisticada, mas na verdade meu prato favorito é arroz e feijão.

3. Tenho pavor de hospital, mas sinto uma calma reconfortante (e absurda) em cemitérios (é, meio freak, isso, e juro que sem conotações góticas).

4. (essa é punk): Fui barrada na Palladium com 12 anos de idade. E todo mundo viu e vaiou. Acho que foi a maior vergonha que já passei na vida, tipo nerd em filme americano. Depois disso levei mais uns dois ou três anos pra tentar entrar em uma boate, e com o c. na mão. (ok, ok, podem falar, Palladium é das antigas, né?).

5. Eu não assisto o mainstream da Rede Globo e afins e já não me orgulho mais disso, porque me sinto cruelmente desatualizada e por fora das conversinhas de corredor. E conversinha de corredor é vida.

6. Eu não tenho inveja. Juro por Deus, e pode parecer que estou contando vantagem, mas eu não consigo ter inveja de verdade. De ninguém. Nem daquela amiga que estudou com você, casou com um sheik árabe charmoso, é dona de 18 poços de petróleo e esfrega logos de Louis Vitton e Chanel na sua cara.

7. Às vezes eu penso que poderia ter seguido carreira no Judiciário, ou me tornado uma cientista genética, o que, obviamente, me daria muito mais dinheiro do que ganho hoje. Mas aí eu percebo que seria opressivamente infeliz e me contento com o que sou hoje. É isso, eu me contento. Sempre. Não sei se isso é muito bom.

8. Eu acho que encontrei minha alma gêmea. E se for verdade, aviso: encontrar sua alma gêmea não faz de sua vida uma comédia romântica com final esplendorosamente feliz. Apenas te faz feliz (mesmo quando você está triste, se é que dá pra entender).

9. Uma vez eu roubei em um supermercado. E outra vez, roubei da mochila de uma coleguinha de classe. But it's ok, eu tinha menos de oito anos, e já ouvi falar que crianças costumam roubar, eventualmente. Um chicletinho de morango e figurinhas da Rainbow Brite, by the way. Mas sinto uma dor na consciência até hoje...

Acho que é isso. E, olha, gostei, viu? Terapêutico. Desencavar a história da Palladium foi um bálsamo para minha alma.

Agora passo a missão da revelação de segredinhos picantes para os seguintes amigos blogueiros:

Guigui

Chaps

Manu

Marcinha

Novochadlo (é, fia, eu sei que você já recebeu a missão, mas vale a insistência)

Rozeng (ok, meio fora do perfil do blog, but, whatever, encara assim mesmo!)

Marquinhos Vai atualizar este blog, criatura!

E as meninas do Cheia de Estilo. E este vale por duas, viram, Schneider e Fê?

24.8.10

A ladra misteriosa

Ela caminhava, faceira, pelo shopping Cidade Jardim, bolsa Kelly a tiracolo, scarpins Jimmy Choo saltitantes do piso de mármore, plocploc, plocploc. Saíra de sua confortável residência, a Mansão Rosa, no bairro Universitário, para dar aquela espairecida e adquirir mais algumas pulseiras de ouro – nossa heroína da ocasião tem como hobbie colecionar peças em ouro, porque, sorry periferia, ela pode.
O ar-condicionado central do estabelecimento deixava a temperatura extremamente agradável, mas Madame, que não é boba nem nada, não se desfazia de seu pullôver de cashmere caramelo, que lhe caia suavemente pelos quadris.
Tomou um sorvetinho da Gelateria Häagen-Dazs, fez uma apostinha básica na lotérica (que Madame é rica, mas também não quer deixar a sorte grande escapar assim impunemente), parou para um chá com biscoitos num bistrô até que sentiu aquela pressãozinha na bexiga: “Preciso ir ao reservado das senhôuras”, pensou Madame, dirigindo-se apressada para o banheiro.
Lá chegando, cerrou a porta, jogou displicentemente sua Kelly ao chão, desabotoou sua calça de linho egípcio e, quando se preparava para despejar as primeiras gotículas de urina na privada, percebeu, não sem espanto, uma mão. Sim senhores, uma mãozinha malandra esgueirava-se por debaixo da divisória do banheiro. “Por que será que eles não fecham a porta até o chão?”, reclamou Madame, horas depois.
Pois foi por aquela pequena abertura na parte inferior do reservado que uma gatuna tentava surrupiar os ricos pertences de Madame Louise. “Segurei na borsa, bem firme, e só gritei: Vagabunda!”.
A ladra não retrucou. Permaneceu no banheiro até que Madame o desocupasse. “Queria era olhar na cara dela! E era rica! Com os dedos cheios de anéis de ouro”, garantiu Madame, que conhece bem o material, faceira por ter recuperado sua limitadíssima edição da Kelly by Hermés.
O único inconveniente foi que, com o flagrante, o ato de urinar não pode ser devidamente interrompido – lembrando que Madame pertence, orgulhosamente, à categoria da Melhor Idade, e foi mãe de três gorduchos filhotes. Ora, é claro que não se trata de incontinência, sejamos respeitosos! Mas cortar o fluxo no meio do caminho é tarefa para canais urinários mais jovens, convenhamos. “Me molhei toda. TODA. A sorte foi meu casaquinho comprido, de lã. Cobriu minha bunda. Só assim pude sair com dignidade do shopping”, relatou Madame.



Yeah, bab, she's back! Madame Louise passou por aqui para relatar mais uma de suas desventuras em série. Para os marinheiros de primeira viagem, importante explicar: madame é uma badalada socialite de Shark city, da mais pura linhagem Teixeira, protagonista e testemunha das mais alucinantes situações jamais imaginadas ever (interessados, conferir o arquivo que eu não sou escrava de vocês pra ficar lincando).

14.7.10

Pela dignidade virtual ou Vista-se ao ligar a cam

Sammy é um guri antenado. Quer ver as fotos da Cleo Pires pra Playboy? Pede pra ele. O último viral bombado da world wide web? Deixa com o Sammy. Quer levantar a ficha de qualquer indivíduo por aí que lhe despertou curiosidade? Ask to him.
Samuca é proprietário de farto material cibermidiático de conteúdo digamos que... impróprio para menores. Marias-chuteira, capas de revistas masculinas, sex tapes vazadas no Youtube, twitcams com exibições despudoradas, vira e mexe ele aparece com uma novidade.
O Samuca tinha o vídeo daquela galera da cooperativa tubaronense em atividades pouco convencionais realizadas durante um curso em Florianópolis; ele também tinha o dossiê Elisa Samudio (fotos e videos). O vídeo da garota pagando a aposta pro gurizão, as fotos da Larissa Riquelme e, se bobear, até imagens da Sandy nua o Samuca tem e/ou já viu.
Sammy costuma dizer, com muita sabedoria, que o computador é uma janela para o mundo instalada no conforto de seu lar (ou escritório, ou sala de aula, whatever). Aí que, evidentemente, ele também tem percebido a revolução sexual provocada pelo advento da internet e pela "maldita inclusão digital", como ele mesmo gosta de denominar.
"Vez em quando eu entro numa destas sala de chat pra dar aquela zoada. Cara, só trocar três palavras e a criatura do outro lado do pc liga a cam e abre as pernas. Na hora. Sem grilo", conta ele, descrevendo, em seguida e com minúcias, toda a exuberante anatomia dos mais variados tipos de mulher existentes neste Brasilzão de meu Deus, todas as cores, credos e estilos de depilação possíveis. Não, Samuca não conta vantagem, até porque ele nem se identifica nestes chatlines. Só revela que é homem. E basta. Desespero, teu nome é mulher.
Mas nem precisa ir muito longe nos relatos de Sammy. Dia desses e uma criatura me add no msn. Como sou mulher trabalhadora e cheia dos contatinhos, adedei. E aí vem o papo: "Oi, amiga!". Um segundo depois, pipoca a frase: "Sou gay". Aliás, a única coisa que o rapaz sabia escrever certinho era a palavra gay.
E aí começou com uma ladainha que ó, vou te dizer, só não dei block em 10 segundos porque era de uma riqueza e de uma exuberância que me fez salivar no teclado. Contou tudo, toooooda sua agitadíssima vida sexual. Tudo. Sem eu perguntar absolutamente nada. Contou que sai com horrores de homens muito bem-casados, contou que já foi no motel novo aqui da grande Shark city ("Amiga, um luxo, tem até tv de lcd na banheira"), contou que seu maior sonho é fazer bem bonita na frente de uma "amiga" (ok, nesta hora deu uma mini-gorfadinha).
Eu já ia recomendando cuidado e atenção com toda esta parafernália digital da qual, mesmo sem querer, podemos nos tornar vítimas quando ele lança: "Mas não me preocupo com isso não, AMIGA" (é, ele repetia o AMIGA a cada vírgula, apesar de não usar vírgulas). Foi quando mudou a fotinho do perfil: "Vê se tu me conhece aê, AMIGA".
Choque.
O garoto em questão era um colega de escola, daqueles que ninguém guarda qualquer espécie de recordação, feioso, freak, pele ruim, dentes idem, que sobreviveu à época escolar arrastando-se anonimamente pelos corredores, sempre sozinho. Mas EU lembrava dele (esta minha memória às vezes me aflige). Cortou-me o coração. Aí sim resolvi dar block.

28.6.10

Presente certeiro

Olha, eu tenho certa dificuldade em achar o presente ideal. Sabe quando você quer muito encontrar o mimo perfeito para aquele amigo, familiar, namorado, sobrinha? Então, invariavelmente, eu ferro com tudo, compro a coisa mais uó do planeta e sofro ao ver a cara de insatisfação dos presenteados.
Poderia dizer que me faltam recur$os mais polpudos para conseguir satisfazer na hora de presentear, mas seria ridículo, visto que, evidentemente, dinheiro não compra o melhor presente, e sim criatividade, carinho e conhecimento de causa (no caso, a causa é a criatura a receber o presente).

Mas acho que desta vez eu acertei na mosca:



(a autora deste post reconhece que TPM é assunto sério, e em alguns casos algo absurdamente patológico, não-contornável com o uso de chás, ponstans, analgésicos e bolsas de água quente na barriga. Em caso de TPM crônica, procure um médico)

18.6.10

Babacas

Eu conheço um monte de babacas. Sei lá, dezenas. Tudo bem, confesso que meu conceito de babaca pode ser um tanto quanto extremista, não costumo perdoar sentimentalismos baratos, draminhas pessoais enfadonhos, gostos exóticos (exóticos partindo do meu ponto de vista, o que é muito salutar), enfim, posso até disfarçar, mas me irrito profundamente com quem, por exemplo, continua twittando #calaabocagalvão ou #tomeiactivia. Babaca.
Babaca é o cara que se esgoela da janela do carro bem no seu ouvido gritando que o Brasil ganhou de 2 a 1. Você até pode estar feliz, mas nunca-na-vida iria entrar nesta vibe de encher o cu de cachaça numa terça à tarde, botar o rabão na janela do carro e circular pela única avenida da cidade tremulando a bandeirinha.
Todo o cara que buzina por mais de três segundos é babaca. TODO. E peço perdão se você é do time que gosta de enfiar o dedão na buzina por cinco minutos, mas você é um puta de um babaca, durma com isso.
Babaca é o sujeito que comenta em portais de notícias que, sei lá, por exemplo, "o Saramago tinha é que morrer mesmo". Se você quiser perder minutos preciosos de sua existência acesse uma notícia qualquer de um G1 da vida e observe os comentários. É de ferver o sangue.
Babaca é o cara que chora com a música "Pai", do Fábio Júnior (aliás, separou de novo, menina! Agora é sua chance, Charlotte!). Nem mesmo minha querida amiga Charlotte C., fanática pelo pai do Fiuk (descobri a paternidade ontem, choque!), que mantém em ordem cronológica todo o acervo mágico de LPs do homem, chora com "Pai". O cara que ainda verte lágrimas de tristeza pelos Mamonas e pelo Airton Senna também é bem babaquinha, né? Ah, pára.
Outra babacona notória é a gata que se faz de puritana, recatada, discreta e reservada, mas exibe uma foto de pernas arreganhadas no álbum do Orkut e/ou congêneres e de nick no msn atira um "tá calor, né? vou dormir nua". Ou a gata que não sabe falar (nem miar): a mulher que grita. Ai que ódio de mulher que grita. "Ai, páááááára, Otávio, tua barba tá me machucaaaando!", no meio do restaurante. Pior que a que grita é a que ri gritando. Do tipo que não pára até ter voltados para si todos os olhos do recinto. Um clássico.
O cara que fala alto no cinema, ou pior, o tipo que comenta o filme no meio do filme, em alto e bom som. A família que crê piamente que toda a humanidade ao seu redor tem que suportar seu filhinho recém-nascido e roído de cólicas, em local público. A galera que acha que as calçadas do Centro da cidade são passarelas, e não vias para serem percorridas rapidamente, de um ponto a outro, sem distrações (a não ser uma vitrininha ou outra, que ninguém é de ferro). Adolescentes (todos). A lista é imensa e desconfio que jamais terá fim.
Mas sem sombra de dúvida o pior tipo de babaca é o cara que didn't care pros outros quando se trata de gostos musicais. Que taca um Revelação, um Proibidão do Funk ou um Victor e Leo no talo em frente à buátchi, incorporando um Mr. DJ from hell. O cara que decide desenterrar um CD do É o Tchan bem em frente ao seu prédio, às três da manhã. Ou o cara que estaciona em frente ao bar de sua preferência, bem ao lado da sua mesa, e resolve seduzir com um CHITÃOZINHO E XORORÓ de 1986 no último volume. E que faz cara feia e ameaçadora quando você pede pro garçon ir reclamar. Ah, seu babaca cafona, vai tomar no seu cu e tira este fio de cabelo no meu paletó da minha cara!

(eu sei, admito que blogueiras extremamente críticas também pendam pra babaquice...)