Claro que não sou nenhuma especialista (hahaha, longe disso). Mas minhas incursões por editoriais de moda em todos os formatos e meu interesse sui generis pelo tema me levaram a escrever um modesto post sobre a moda em Paris e tudo o que você deve ter no armário para o inverno que se aproxima. Claro, vale a sugestão, não há nenhuma regra. Até porque... acredito que será meio difícil fazer os brasileiros (homens) usarem LEGGING, coisa que os londrinos fazem com maestria (e sem nenhuma vibe gay, juro).
Em Paris o que impera é a elegância e a reinvenção do clássico. Lá não vinga nenhuma modinha maluca e temporal, como saias de tule e cortes de cabelo moicano. Mulherada se joga nas botonas (aí valem coturnos lindos, saltões vertiginosos e flats fofinhas), usadas com meia-calça grossa ou mesmo leggings. E os casacões pesados e lindos de morrer, super bem cortados, ajustadinhos.
Ah, e tem todo o glamour das echarpes fofonas, enoooormes, de todos os materiais possíveis (lã é um básicão digno e indispensável). Sim, tanto elas quanto eles usam boinas e gorros, acho lindo e comprei meia dúzia (mentira, só três).
O casaco super quentinho e volumoso se justifica: suficiente para, sozinho, espantar o frio da rua, pode ser usado com quase nada embaixo, já que deve ser descartado ao se entrar em qualquer lugar: aquecimento central é luxo e alegoria indispensável por lá. Tá com muito frio? Se joga em qualquer lojinha ou boteco que vai estar quentinho.
Os homens são absurdamente ligados em moda, não vi nenhum cafonão com a camiseta do time (ops, @caetanomachado, foi mal...) e aquela calça véia de moleton frouxa na bunda. Os caras usam ternos de corte perfeito, ou jeans (skinny, skinny, skinny!!!), com os casacões superpower. Seus cortes de cabelo mereceriam uma postagem exclusiva, mas não tenho muita habilidade pra desenvolver algo na seara capilar. Meio compridinhos, meio desleixados "propositalmente" (mas com aquele jeitão de que foram repicados com esmero no coiffeur mais caro do quarteirão). Eles também lançam mão das echarpes e cachecóis grandões/gigantes. Pra complementar, luvas e boinas. Amei. Só não fiz fotos dos caras no metrô porque fiquei com vergoinha. Sei lá, vai que alguém resolve pedir direitos de imagem, né?
Já em Londres o que impera é a originalidade. Nada de sair por lá "uniformizadinho", jeans e camiseta sozinhos não ornam ninguém. Olha, é cada figuraça que me dá vontade de voltar só pra ficar na janela olhando os tipões excêntricos.
Claro, pode observar um certo padrão: meninas de vestidos (bem fofos) e sapatilha, meninos de legging (já falei que é sério), coturnos e jaquetinhas ou casacos pesados.
Por ficarmos apenas três dias por lá, não deu pra apurar muita coisa, mas algo me intriga (e se alguém por aí tem experiência em Londres, favor explicar): o frio tava de lascar, chuva incessante, minha pele ressecou inteirinha (ah, Avéne, o que seria de mim sem você?), mas a galera nem tchuns, dispensam até meia-calça pra exibir as pernocas branquelas. Só de olhar me arrepiava. Mas tá valendo, talvez tenham se acostumado com estas agruras climáticas.
Em Londres o povo é doido, usa acessórios ultra-bacanas, mix de estampas, chapéus alucinantes, cortes de cabelo UAU, makeups lika Lady Gaga. Vi até uma mulher de calça de pijama no metrô. Não, não era louca nem mendiga. E o povo nem confiança, tudo pode, nada é proibido e "estranho" (pra eles, néam?).
Enfim, foi uma puta aula de estilo e comportamento. Espero conseguir adaptar alguma coisa pro nosso inverninho tão amigável. Claro, tem muito mais, vou postando assim que possível.
2.3.11
Como ser pobre (e feliz) em Paris
Ai, gents, voltei da minha venturosa peregrinação a Paris e Londres ontem e só agora me dignei a postar algo a respeito. Não é fácil: quando você dispõe de poucos dias para conhecer tudo aquilo, não é de bom tom ficar na frente de um computador quando o mundo revoluciona lá fora, há muito o que fazer e as horas de folga são direcionadas ao sono dos justos. Porque se anda muitíssimo, ainda que com a providencial ajuda dos metrôs. E só não emagreci uma grama porque também se come como reis e clérigos.
Dizer que foi sensacional, um "sonho realizado", a coisa mais maravilhosa ever e afins é pecar pelo clichesismo e pelo lugar-comum. As duas cidades são maravilhosas (ainda mais para quem tem o bolso recheado daquele rico dinheirinho europeu, claro).
A temperatura variou entre os quatro e os oito graus, dilícia que me fez parar para pensar sobre minhas aquisições em matéria de casacos. Eu não sabia, mas meus lindos trenchcoats não SERVEM para o inverninho das zoropa, nem mesmo para o fim do inverno. Tem que ser lã, senão é foda e você vai peregrinar de um lado a outro encolhidinha feito uma ostra, batendo o queixo. Tênis são excelentes opções para o city tour, ainda que não tão glamourosos quanto as botinhas que TODAS as francesas ostentam em seus delicados pezinhos (claro, elas não estão ali para percorrer a cidade de ponta a ponta).
Falo mais sobre Paris porque foi onde permaneci por mais tempo (cinco dias muito intensos). Neste período, pude comprovar e refutar algumas das teorias mais repetidas pelo senso comum sobre a Cidade Luz.
Primeiro: Capital da Moda, néam? Fato. TODOS os franceses são lindíssimos, homens e mulheres. Magros, elegantes, bem vestidos e perfumados (não cafunguei no sovaco de ninguém pra saber se tomam banho ou não, mas todos deixam aquele maravilhoso rastro de perfume bão quando passam). Juro que não vi um nativo gordo - nem mesmo gordinho - por lá.
As mulheres andam super maquiadas (sem exageros, no entanto), algumas usam salto, mas a maioria opta por calçados baixos e confortáveis (mas não aquelas sapatilhas de velhinhas, claro). Os homens - pelo amor de Deus, pausa para respirar - parecem terem saído de um anúncio da Dolce & Gabbana. Uma coisa assim:

Sério.
Claro, crianças, velhinhos e até os cachorros também são finos e bem-vestidos.
E segundo: franceses são antipáticos e maltratam os turistas: MENTIRA. Ai, gente, esta foi a maior maldade já dita sobre este povo. Podem não gostar de água e assoar o nariz com força no metrô, na frente de todo mundo, sem pudores. Mas te tratam muito bem, são educados, gentis e atenciosos e, o mais legal, franceses (e europeus em geral) AMAM brasileiros. É dizer que é brésilien pra um sorrisão abrir no rosto de seu interlocutor. Dá até um orgulhinho.
Tem mais: todo mundo fala inglês (e outros idiomas também, de vez em quando). Comunicação, de fato, não é nenhum problema. Vá sem medo.
Agora, se a grana é curta... don't worry! Vá aos museus, passei pelas ruas, arrisque-se pela Champs-Élysées e pela galeria Lafayette sem medo, reserve seus trocados para comer e beber bem (o que é muito fácil, com bistrôs fabulosos a cada cinco metros). De quebra, dê uma passadinha naquela farmácia da esquina do hotel e surpreenda-se: produtinhos da La Roche Posay, da Avéne e da Vichy, entre outras marcas locais, a preços convidativos (mas não baratos. Nada é barato de fato, lá). Fiz o sacolão básico. Além do que, sempre tem uma H&M a cada esquina, além de Montmartre, reduto da boemia francesa onde rola toda uma vibe 25 de Março em forma de bibelôs, lencinhos e posteres incríveis.
Seja feliz, o que é bastante fácil mesmo sem a carteirinha recheada. Agora é economizar pra voltar o quanto antes!

Eu com meus partners de viagem, Regininha e Dieguito (por trás das lentes, namorado).
Dizer que foi sensacional, um "sonho realizado", a coisa mais maravilhosa ever e afins é pecar pelo clichesismo e pelo lugar-comum. As duas cidades são maravilhosas (ainda mais para quem tem o bolso recheado daquele rico dinheirinho europeu, claro).
A temperatura variou entre os quatro e os oito graus, dilícia que me fez parar para pensar sobre minhas aquisições em matéria de casacos. Eu não sabia, mas meus lindos trenchcoats não SERVEM para o inverninho das zoropa, nem mesmo para o fim do inverno. Tem que ser lã, senão é foda e você vai peregrinar de um lado a outro encolhidinha feito uma ostra, batendo o queixo. Tênis são excelentes opções para o city tour, ainda que não tão glamourosos quanto as botinhas que TODAS as francesas ostentam em seus delicados pezinhos (claro, elas não estão ali para percorrer a cidade de ponta a ponta).
Falo mais sobre Paris porque foi onde permaneci por mais tempo (cinco dias muito intensos). Neste período, pude comprovar e refutar algumas das teorias mais repetidas pelo senso comum sobre a Cidade Luz.
Primeiro: Capital da Moda, néam? Fato. TODOS os franceses são lindíssimos, homens e mulheres. Magros, elegantes, bem vestidos e perfumados (não cafunguei no sovaco de ninguém pra saber se tomam banho ou não, mas todos deixam aquele maravilhoso rastro de perfume bão quando passam). Juro que não vi um nativo gordo - nem mesmo gordinho - por lá.
As mulheres andam super maquiadas (sem exageros, no entanto), algumas usam salto, mas a maioria opta por calçados baixos e confortáveis (mas não aquelas sapatilhas de velhinhas, claro). Os homens - pelo amor de Deus, pausa para respirar - parecem terem saído de um anúncio da Dolce & Gabbana. Uma coisa assim:

Sério.
Claro, crianças, velhinhos e até os cachorros também são finos e bem-vestidos.
E segundo: franceses são antipáticos e maltratam os turistas: MENTIRA. Ai, gente, esta foi a maior maldade já dita sobre este povo. Podem não gostar de água e assoar o nariz com força no metrô, na frente de todo mundo, sem pudores. Mas te tratam muito bem, são educados, gentis e atenciosos e, o mais legal, franceses (e europeus em geral) AMAM brasileiros. É dizer que é brésilien pra um sorrisão abrir no rosto de seu interlocutor. Dá até um orgulhinho.
Tem mais: todo mundo fala inglês (e outros idiomas também, de vez em quando). Comunicação, de fato, não é nenhum problema. Vá sem medo.
Agora, se a grana é curta... don't worry! Vá aos museus, passei pelas ruas, arrisque-se pela Champs-Élysées e pela galeria Lafayette sem medo, reserve seus trocados para comer e beber bem (o que é muito fácil, com bistrôs fabulosos a cada cinco metros). De quebra, dê uma passadinha naquela farmácia da esquina do hotel e surpreenda-se: produtinhos da La Roche Posay, da Avéne e da Vichy, entre outras marcas locais, a preços convidativos (mas não baratos. Nada é barato de fato, lá). Fiz o sacolão básico. Além do que, sempre tem uma H&M a cada esquina, além de Montmartre, reduto da boemia francesa onde rola toda uma vibe 25 de Março em forma de bibelôs, lencinhos e posteres incríveis.
Seja feliz, o que é bastante fácil mesmo sem a carteirinha recheada. Agora é economizar pra voltar o quanto antes!
Eu com meus partners de viagem, Regininha e Dieguito (por trás das lentes, namorado).
18.2.11
Espanando teias de aranha
Ok, passando por aqui só porque não aguento mais ler o título daquele último post, datado de mil novecentos e lá vai pedrada. Se alguma alma viva ler estas poucas linhas, saiba que muito em breve postaria alguma coisa, qualquer coisinha, pra que ainda possa me intitular blogueira. Juro (promessa feita por mim para mim mesma).
21.12.10
Reminiscências de 2010
E então você se percebe pensativa na época mais feliz do ano porque o amigo querido do coração de mil anos a destrata como se lixo fosse, porque uma bichinha pocpoc fez pouco caso de sua onipotência, porque a chefe cobrou algo que não pode ser pago, porque o fim da linha se aproxima galopante. É época de festas, pernis, maioneses elaboradas, arrozes a grega, espumantes em promoção, presentinhos da Natura e da Cacau Show, mas você só consegue pensar no rumo que sua vida deverá seguir quando voltar de Paris.
É, amigos, porque eu sou pobre (mas limpinha), fodida e com a corda no pescoço, mas vou me divertir na cidade luz em fevereiro, portanto, até lá, dane-se o mundo, com seus tsunamis de ocasião, guerras civis, wikileaks, Tula Luana, Aretuza, tetinhas de Susana Vieira, 2012 e afins.
Anyway, caso não seja raptada por um francês charmoso, limpinho (faço questão, eis a dificuldade) e minimamente inteligente (e caso o namorado permita o sequestro), eu hei de voltar para minha vidinha mais ou menos em Shark City, onde amigos cospem no confessionário onde despejaram suas mais secretas ansiedades e paranoias, onde para ser relevante (ou pensar ser relevante) é necessário lamber as bolas das autoridades estabelecidas, onde contestar é sinônimo de afronta moral.
É difícil chegar aos (oooooops!) 30 anos (e mais alguma coisa) e verificar que sua vida não caminhou do jeito que deveria ter sido, e perceber que só uma reviravolta estilo twist, do cinema, conseguiria fazer a diferença.
Mas eu não sou assim de desistir tão fácil (hum-hum, mentira!), ou, melhor dizendo, algo muito estranho que habita minhas entranhas me diz constantemente que devo relaxar e acreditar que coisas melhores virão. A merda é que eu me influencio por esta previsão picareta auto-infligida e bóra acreditar piamente que, daqui a dois, três meses, as coisas mudarão de figura.
A merda é que nem dá pra apelar pra ironia extrema, visto que, repassando o passado não tão distante, as coisas realmente mudaram de figura, de quando em vez (pelo menos pra mim). É o que me leva a alimentar certa fé.
Nunca fui de amarrar bode por conta de fim de ano, acho uó depressão pré-réveillon, mas fica aqui meu desabafo contido (poderia ser pior, sério!) por conta desta época do ano tão significativa. Anyway, bóra preparar os petiscos pra servir pra moçada faminta que vai invadir meu espaço neste fim de semana. A dica? Farofa de banana. Mammy aprovou ano passado, vou repetir caso ela não insista em ganhar um neto nesta altura do campeonato.
É, amigos, porque eu sou pobre (mas limpinha), fodida e com a corda no pescoço, mas vou me divertir na cidade luz em fevereiro, portanto, até lá, dane-se o mundo, com seus tsunamis de ocasião, guerras civis, wikileaks, Tula Luana, Aretuza, tetinhas de Susana Vieira, 2012 e afins.
Anyway, caso não seja raptada por um francês charmoso, limpinho (faço questão, eis a dificuldade) e minimamente inteligente (e caso o namorado permita o sequestro), eu hei de voltar para minha vidinha mais ou menos em Shark City, onde amigos cospem no confessionário onde despejaram suas mais secretas ansiedades e paranoias, onde para ser relevante (ou pensar ser relevante) é necessário lamber as bolas das autoridades estabelecidas, onde contestar é sinônimo de afronta moral.
É difícil chegar aos (oooooops!) 30 anos (e mais alguma coisa) e verificar que sua vida não caminhou do jeito que deveria ter sido, e perceber que só uma reviravolta estilo twist, do cinema, conseguiria fazer a diferença.
Mas eu não sou assim de desistir tão fácil (hum-hum, mentira!), ou, melhor dizendo, algo muito estranho que habita minhas entranhas me diz constantemente que devo relaxar e acreditar que coisas melhores virão. A merda é que eu me influencio por esta previsão picareta auto-infligida e bóra acreditar piamente que, daqui a dois, três meses, as coisas mudarão de figura.
A merda é que nem dá pra apelar pra ironia extrema, visto que, repassando o passado não tão distante, as coisas realmente mudaram de figura, de quando em vez (pelo menos pra mim). É o que me leva a alimentar certa fé.
Nunca fui de amarrar bode por conta de fim de ano, acho uó depressão pré-réveillon, mas fica aqui meu desabafo contido (poderia ser pior, sério!) por conta desta época do ano tão significativa. Anyway, bóra preparar os petiscos pra servir pra moçada faminta que vai invadir meu espaço neste fim de semana. A dica? Farofa de banana. Mammy aprovou ano passado, vou repetir caso ela não insista em ganhar um neto nesta altura do campeonato.
5.11.10
Assalto frustrado
A noite estava agradável, propícia para aquele pulinho ao restaurante/bar/boate mais próximo. O clima de guerrilha provocado pelas eleições havia arrefecido, todo mundo só pensava mesmo em se jogar na cerveja gelada e papear gostosamente com os amigos. Chegamos à pizzaria, eu e a família do meu homem (hahahahhahah, eu tento parecer séria, mas me dá engulhos só de escrever "meu homem", que coisa cafona...) e pedimos uma rodadinha básica, com coca-cola zero que é pra manter a cinturinha de buj... quer dizer, de pilão.
Conversa vai, conversa vem, planos sonhadores para a viagem que se aproxima, sonzinho rolando bacana, o sogro até arrisca cantarolar junto com o crooner: "...nosso apartamento... um pedaço de saigon-on-on".
Eu estava sentada bem no fundo do restaurante, de costas para a entrada. E só percebi certa movimentação quando todos os olhos já se fixavam em uma criatura com uma camiseta enrolada na cabeça, caminhando, decidido, rumo ao caixa do estabelecimento. "É um assalto", o namorado solicitamente me informou, e eu já jurando que era uma performance teatral daquelas, cujos atores fazem três piruetas e duas falas, ninguém dá bola, e depois vêm pedir dinheiro na sua mesa.
Não consegui entender direito, quando me virei pra acompanhar o movimento o garoto já saia porta afora. Ficava difícil acreditar no potencial marginalístico do gurizinho, que não devia ter mais que 16 anos, dava vontade de estapear a cabeça e mandar ir dormir sem tomar nescauzinho.
Mas você manja só o perfil pacífico da cidade (que de pacífica não tem mta coisa, já fui assaltada a mão armada DUAS vezes em Shark city, e homicídios pululam por aí). Quer dizer, pacífico é o perfil dos moradores de Shark, não habituados com situações como estas. Geral simplesmente ficou cantarolando Emílio Santiago, mordiscando suas bordas de cheddar e nem tchuns pro piá (na verdade, eram dois meninos, eu tive a incrível capacidade de não ver o segundo indivíduo).
E o que rolou é que o assalto simplesmente NÃO ACONTECEU. Yeah. Os delinquentes foram solenemente ignorados e acharam de bom tom dar no pé antes que alguém os deixasse de castigo, ajoelhados no milho.
Até chegaram a chamar a polícia, e tals, só pra fingirmos, coletivamente, que tinha sido algo relevante. E poderia: dizem que um dos garotos estava armado, mostrou o brinquedinho pra quem quisesse ver - nada muito diferente do que uma pistolinha de 1,99.
Poderia ter dado bem certo (se o som estivesse mais baixo, talvez todos tivéssemos escutado o "é um assalto" da dupla). Caso o pânico se instaurasse, os guris levariam uma boa soma pra casa - pensa no conteúdo de umas 50 bolsas e umas 50 carteiras, no mínimo, fora a soma do caixa? Mas eles calcularam mal. Entraram com rosto coberto, tentaram intimidar com a pistolinha de plástico mas... a camiseta. A camiseta enrolada na cabeça do menino. Aquilo ali não era um assaltante nunca na vida. Branquíssima, lavadinha, devia ter cheirinho de amaciante, cuidadosamente passadinha por mamã. O garoto devia ter até talco e hipoglós no meio das pernas. Dica para o assaltantezinho de araque: tente parecer mais perigoso, menos filhotinho indefeso. Como já disse, fui assaltada duas vezes, sou expert no assunto, e aparência conta muito, nesta hora.
Conversa vai, conversa vem, planos sonhadores para a viagem que se aproxima, sonzinho rolando bacana, o sogro até arrisca cantarolar junto com o crooner: "...nosso apartamento... um pedaço de saigon-on-on".
Eu estava sentada bem no fundo do restaurante, de costas para a entrada. E só percebi certa movimentação quando todos os olhos já se fixavam em uma criatura com uma camiseta enrolada na cabeça, caminhando, decidido, rumo ao caixa do estabelecimento. "É um assalto", o namorado solicitamente me informou, e eu já jurando que era uma performance teatral daquelas, cujos atores fazem três piruetas e duas falas, ninguém dá bola, e depois vêm pedir dinheiro na sua mesa.
Não consegui entender direito, quando me virei pra acompanhar o movimento o garoto já saia porta afora. Ficava difícil acreditar no potencial marginalístico do gurizinho, que não devia ter mais que 16 anos, dava vontade de estapear a cabeça e mandar ir dormir sem tomar nescauzinho.
Mas você manja só o perfil pacífico da cidade (que de pacífica não tem mta coisa, já fui assaltada a mão armada DUAS vezes em Shark city, e homicídios pululam por aí). Quer dizer, pacífico é o perfil dos moradores de Shark, não habituados com situações como estas. Geral simplesmente ficou cantarolando Emílio Santiago, mordiscando suas bordas de cheddar e nem tchuns pro piá (na verdade, eram dois meninos, eu tive a incrível capacidade de não ver o segundo indivíduo).
E o que rolou é que o assalto simplesmente NÃO ACONTECEU. Yeah. Os delinquentes foram solenemente ignorados e acharam de bom tom dar no pé antes que alguém os deixasse de castigo, ajoelhados no milho.
Até chegaram a chamar a polícia, e tals, só pra fingirmos, coletivamente, que tinha sido algo relevante. E poderia: dizem que um dos garotos estava armado, mostrou o brinquedinho pra quem quisesse ver - nada muito diferente do que uma pistolinha de 1,99.
Poderia ter dado bem certo (se o som estivesse mais baixo, talvez todos tivéssemos escutado o "é um assalto" da dupla). Caso o pânico se instaurasse, os guris levariam uma boa soma pra casa - pensa no conteúdo de umas 50 bolsas e umas 50 carteiras, no mínimo, fora a soma do caixa? Mas eles calcularam mal. Entraram com rosto coberto, tentaram intimidar com a pistolinha de plástico mas... a camiseta. A camiseta enrolada na cabeça do menino. Aquilo ali não era um assaltante nunca na vida. Branquíssima, lavadinha, devia ter cheirinho de amaciante, cuidadosamente passadinha por mamã. O garoto devia ter até talco e hipoglós no meio das pernas. Dica para o assaltantezinho de araque: tente parecer mais perigoso, menos filhotinho indefeso. Como já disse, fui assaltada duas vezes, sou expert no assunto, e aparência conta muito, nesta hora.
13.9.10
Velha infância
Laurinha P. veio com mais um meme bacaninha pra gente quebrar a cabeça e pensar na vida. Este diz a respeito das coisas bacanas (ou não tão bacanas) da infância. Here we go:
1) Coisas que tive e adorava
Ainda esta semana, conversando com mamã, falei de meu desejo de adquirir novamente o jogo "Pulo da Aranha", que ganhei aos sete anos, e que me fez rir e chorar e ser o centro das atenções nas festinhas de família. Minha mãe garantiu que este tipo de desejo passa após ter um filho (ela e todas as suas chantagens pró-procriação...).
O jogo era muito bacana, uma imperceptível tremidinha de mão fazia a terrível aranha de pelúcia pular em sua jugular. Queria, tipo, pra ontem, porque garanto que ia levar os mesmos sustos.

2) Coisas que queria muito, mas não tive
Meio clichê, mas eu queria muito a casa da Barbie que custava, tipo, o valor de um carro usado (mas em bom estado). Aquela casinha da Moranguinho, em formato (é claro) de morango, também figurava nos meus ardentes sonhos de consumo infantis.

3) Uma lembrança boa
Felizmente, minhas lembranças de infância são, invariavelmente, boas. Brincar de "pé na bola", me arrumar pra ir a uma festinha de aniversário usando a minha indefectível salopete cor-de-rosa. Ficar até tarde na TV vendo SuperCine com mamã. Tomar sorvete de gelo e achar uma delícia (tomar suco de pacotinho - leia-se Q-suco - e também achar uma delícia, argh).
4) Uma lembrança ruim
Quando arrombei o joelho caindo da árvore, na casa da minha tia, na longínqua Capivari de Baixo. Sangue quente e espesso perna abaixo, a tia cheia dos compromissos tendo que me levar pro hospital pra fechar aquela cratera. Cinco pontos.
5) Coleções
Papel de carta, néam? E alguns álbuns de figurinhas (como as da Rainbow Brite, cheirosas e de cores psicodélicas, embora eu não soubesse o que era psicodelia, thanksGod).

6) Ídolo da época
Ai, tive que quebrar a cabeça pra pensar, mas acho que era o Indiana Jones. Ah, e o Christopher Reeve, em Superman (nossa, agora entreguei a idade legal). É, eu sei. Era melhor ter dito a Xuxa, né? Mas não vou mentir...

7) Programa favorito da época
Tá bom, era o da Xuxa. Mas só pelos desenhos. Get along gang rules!

8) A moda mais legal que usei
Polainas.

9) A moda mais brega que usei
Que eu NÃO usei, melhor dizendo. Saia balonê. Feio até pra criança.
Nem vou indicar alguém pra responder. Se curtiu, sinta-se à vontade.
1) Coisas que tive e adorava
Ainda esta semana, conversando com mamã, falei de meu desejo de adquirir novamente o jogo "Pulo da Aranha", que ganhei aos sete anos, e que me fez rir e chorar e ser o centro das atenções nas festinhas de família. Minha mãe garantiu que este tipo de desejo passa após ter um filho (ela e todas as suas chantagens pró-procriação...).
O jogo era muito bacana, uma imperceptível tremidinha de mão fazia a terrível aranha de pelúcia pular em sua jugular. Queria, tipo, pra ontem, porque garanto que ia levar os mesmos sustos.

2) Coisas que queria muito, mas não tive
Meio clichê, mas eu queria muito a casa da Barbie que custava, tipo, o valor de um carro usado (mas em bom estado). Aquela casinha da Moranguinho, em formato (é claro) de morango, também figurava nos meus ardentes sonhos de consumo infantis.

3) Uma lembrança boa
Felizmente, minhas lembranças de infância são, invariavelmente, boas. Brincar de "pé na bola", me arrumar pra ir a uma festinha de aniversário usando a minha indefectível salopete cor-de-rosa. Ficar até tarde na TV vendo SuperCine com mamã. Tomar sorvete de gelo e achar uma delícia (tomar suco de pacotinho - leia-se Q-suco - e também achar uma delícia, argh).
4) Uma lembrança ruim
Quando arrombei o joelho caindo da árvore, na casa da minha tia, na longínqua Capivari de Baixo. Sangue quente e espesso perna abaixo, a tia cheia dos compromissos tendo que me levar pro hospital pra fechar aquela cratera. Cinco pontos.
5) Coleções
Papel de carta, néam? E alguns álbuns de figurinhas (como as da Rainbow Brite, cheirosas e de cores psicodélicas, embora eu não soubesse o que era psicodelia, thanksGod).

6) Ídolo da época
Ai, tive que quebrar a cabeça pra pensar, mas acho que era o Indiana Jones. Ah, e o Christopher Reeve, em Superman (nossa, agora entreguei a idade legal). É, eu sei. Era melhor ter dito a Xuxa, né? Mas não vou mentir...

7) Programa favorito da época
Tá bom, era o da Xuxa. Mas só pelos desenhos. Get along gang rules!

8) A moda mais legal que usei
Polainas.

9) A moda mais brega que usei
Que eu NÃO usei, melhor dizendo. Saia balonê. Feio até pra criança.
Nem vou indicar alguém pra responder. Se curtiu, sinta-se à vontade.
8.9.10
Festa de formatura
A decoração é exagerada; os discursos, longos e enfadonhos, os trajes são cafonas, a trilha sonora é de embrulhar o estômago, mas não tem jeito: bailes de formatura são garantia de diversão ou o dinheiro da rolha de volta. O mais curioso: festas assim são exatamente iguais umas às outras. Idênticas. E não importa se você se formou há 15 anos ou pretende colar grau só em 2016 - a comemoração você já conhece.
Começando pela colação de grau, quando você descobre em poucos minutos quem é o estudante mais popular da turma e quem é aquele pra quem ninguém dava bola, o sem-amigos e sem torcida. Colação é foda: você se emociona com a conquista de seu amigo/parente/, e tals, mas ter que aguentar todo aquele discurso padrão não é moleza. Enfim, centenas de bocejos depois, e com a maquiagem já escorrendo, é que realmente começa a festa.
Porque a magia de uma festa de formatura está no desenrolar do baile. E ninguém sabe explicar porque alguns bailes são ruins e outros considerados muito bons, já que o roteiro é estritamente seguido a risca, sempre o mesmo. Vai do estado de espírito e do teor alcoólico do sujeito, acredito. Importante salientar que as observações abaixo foram feitas durante a melhor formatura dos últimos dez anos, da minha querida pérola negra Rúbia (parabéns, amore!, de novo).
A banda começa com a valsinha, um Frank Sinatra aqui, um Glenn Miller ali, todo mundo tentando parecer um pouco controlado, o randevú só está começando. Fotos familiares feitas, é dada a largada, e o bandleader invariavelmente sai com algo do tipo "whisky a go go", pra todo mundo entrar na onda e cantar junto coisas como "eu perguntava: do you wanna dance? E te abraçava (do you wanna dance?)". Aí entra as mais babas de Beatles (e bóra todo mundo jurar que dança twist), um pouquinho de ABBA, algo do Queen, nada de novo debaixo do sol.
A putaria começa com os "hinos" (como diria Lu, em posição solene, com a mão no peito) "It's raining man", "I will survive" e "Y.M.C.A.". É incrível como um bando de gente ainda diz haver preconceito contra gays no mundo: não tem UM suposto hétero que fique quietinho na cadeira com estes hits. E dá-lhe coreografia com os bracinhos. Aliás, o momento "gay" do repertório musical está sendo levado tão a sério que tem até figurino especial: a banda toda com perucas coloridas (ops, gays não são palhaços, #fail).
Naquela hora que eu já estou pensando em tirar as sandálias discretamente e massagear meus pezinhos doloridos por debaixo da mesa, começa a muvuca: axé music. Ah, que inferno. E que inferno adorável, como deve concordar @joaojoenck. "Sou praieirô-ô, sou guerreiro, tô solteiro, quero mais o que?"... Que beleza, que riqueza de letra, que poesia!
Ah, mas não basta o axé. Uhum. Nada é suficiente. E agora contamos com a magia dos forrós (ou qualquer que seja o gênero musical de bandas como Calypso ou Calcinha Preta, juro que googlei mas não encontrei nada). E aí de repente o universo inteiro pára pra você ouvir, pela primeira vez na vida, esta pérola: "Ela sai de saia, e de bicicletinha, uma mão vai no guidom, e a outra tapando a calcinha". Uma pequenina lágrima percorreu meu rosto angelical, borrando todo o rímel. Senhores, estamos lidando com gênios letristas da MPB.
E quando você pensa que nada mais pode te surpreender (já que até vanera você dançou com o amigo pé-de-valsa), de repente seus olhos encontram a joia rara da noite:

(infelizmente, o choque foi tanto que não consegui fotografar a original, mas é bem por aí, um misto Kaoma, Joelma e ringue de patinação americano)
Aí já passava das quatro da manhã e provavelmente se tratava de alucinação coletiva. Porque, né? Não é possível.
Tem coisa melhor do que um bom baile de formatura?
Começando pela colação de grau, quando você descobre em poucos minutos quem é o estudante mais popular da turma e quem é aquele pra quem ninguém dava bola, o sem-amigos e sem torcida. Colação é foda: você se emociona com a conquista de seu amigo/parente/, e tals, mas ter que aguentar todo aquele discurso padrão não é moleza. Enfim, centenas de bocejos depois, e com a maquiagem já escorrendo, é que realmente começa a festa.
Porque a magia de uma festa de formatura está no desenrolar do baile. E ninguém sabe explicar porque alguns bailes são ruins e outros considerados muito bons, já que o roteiro é estritamente seguido a risca, sempre o mesmo. Vai do estado de espírito e do teor alcoólico do sujeito, acredito. Importante salientar que as observações abaixo foram feitas durante a melhor formatura dos últimos dez anos, da minha querida pérola negra Rúbia (parabéns, amore!, de novo).
A banda começa com a valsinha, um Frank Sinatra aqui, um Glenn Miller ali, todo mundo tentando parecer um pouco controlado, o randevú só está começando. Fotos familiares feitas, é dada a largada, e o bandleader invariavelmente sai com algo do tipo "whisky a go go", pra todo mundo entrar na onda e cantar junto coisas como "eu perguntava: do you wanna dance? E te abraçava (do you wanna dance?)". Aí entra as mais babas de Beatles (e bóra todo mundo jurar que dança twist), um pouquinho de ABBA, algo do Queen, nada de novo debaixo do sol.
A putaria começa com os "hinos" (como diria Lu, em posição solene, com a mão no peito) "It's raining man", "I will survive" e "Y.M.C.A.". É incrível como um bando de gente ainda diz haver preconceito contra gays no mundo: não tem UM suposto hétero que fique quietinho na cadeira com estes hits. E dá-lhe coreografia com os bracinhos. Aliás, o momento "gay" do repertório musical está sendo levado tão a sério que tem até figurino especial: a banda toda com perucas coloridas (ops, gays não são palhaços, #fail).
Naquela hora que eu já estou pensando em tirar as sandálias discretamente e massagear meus pezinhos doloridos por debaixo da mesa, começa a muvuca: axé music. Ah, que inferno. E que inferno adorável, como deve concordar @joaojoenck. "Sou praieirô-ô, sou guerreiro, tô solteiro, quero mais o que?"... Que beleza, que riqueza de letra, que poesia!
Ah, mas não basta o axé. Uhum. Nada é suficiente. E agora contamos com a magia dos forrós (ou qualquer que seja o gênero musical de bandas como Calypso ou Calcinha Preta, juro que googlei mas não encontrei nada). E aí de repente o universo inteiro pára pra você ouvir, pela primeira vez na vida, esta pérola: "Ela sai de saia, e de bicicletinha, uma mão vai no guidom, e a outra tapando a calcinha". Uma pequenina lágrima percorreu meu rosto angelical, borrando todo o rímel. Senhores, estamos lidando com gênios letristas da MPB.
E quando você pensa que nada mais pode te surpreender (já que até vanera você dançou com o amigo pé-de-valsa), de repente seus olhos encontram a joia rara da noite:

(infelizmente, o choque foi tanto que não consegui fotografar a original, mas é bem por aí, um misto Kaoma, Joelma e ringue de patinação americano)
Aí já passava das quatro da manhã e provavelmente se tratava de alucinação coletiva. Porque, né? Não é possível.
Tem coisa melhor do que um bom baile de formatura?
2.9.10
Cabelo
Eu vivia perfeitamente bem com meu cabelo até chegar perto dos 30. Aí o bicho degringolou - ou fui eu que me tornei mais exigente, acho que um mix das duas coisas. Meu cabelo tem frizz. E achata bem em cima da cabeça. Sabe aqueles dias em que você acorda, se olha no espelho e já diagnostica: hoje meu cabelo não vai colaborar comigo? Então, o famoso "bad hair day". Pois comigo não existe isso, existe o "good hair day". Porque de vez em quando meu cabelo resolve ser querido comigo. Mas só bem de vez em quando. Gasto milhões de dólares com meu cabelo (ai, que mentira), mas até hoje, nenhum resultado realmente positivo (espero que Laurinha resolva meu problema!).
Pois bem. Mas o drama maior da minha experiência de vida capilar ocorreu na infância, e acredito que quem tem mais ou menos a minha faixa etária saiba do que estou falando. Porque nós tínhamos os famosos cortes "Chitãozinho e Xororó", modernosamente chamados, na época, de moicanos. Tínhamos o corte "cuia", cujo formato era basicamente o resultado obtido após se colocar uma cuia na cabeça e passar a tesoura no que restava, do lado de fora (também jocosamente apelidado de "corte penico"). Tínhamos a franjinha, os cortes joãozinho, perversamente escolhidos por algumas mães para erradicar a piolhada, mas que infelizmente só serviam para estimular a sapatice latente nas meninas. Ah, e tínhamos os glamourosos acessórios: tiaras forradas e gigantescas, flores de plástico imensas, trecos fluorescentes. Um horror.
Lembro que, aos 12, consegui deixar meu cabelo bem compridinho e, influenciada pela prima, adentrei, soberana, em uma cabeleireira de fundo de quintal munida do dinheirinho contado para pagar o haircut. Era moda, boba, e ela me aplicou o Chitãozinho - e porque EU pedi. Cara, foi traumático. No fim das contas a própria cabeleireira começou a rir e disse que parecia ter sido cortado a foice. A foice. Ouvi muito esta expressão nos meses subsequentes.
Agora soube de uma historinha cabreira: menininho é hostilizado no colégio por ser o único entre os guris a não adotar o corte de cabelo "Justin Bieber". Que é, basicamente, um corte cuia estilizado. Pensei em dizer a ele para contar no colégio que Justin Bieber é gay, mas vai que ele apanha, né?
Com a história, desencavei mais uma passagem maligna do passado, com relação às minhas madeixas. Certo dia, por volta dos dez anos, por algum motivo desconhecido mamã mandou ver no corte cuia pra primogênita aqui. Tudo bem, tinha uma novela cujo personagem exibia o mesmo corte, deve ter sido por isso (ou foi crueldade mesmo). Ai fui dar aquela voltinha na rua, pra me exibir. E uma vizinha (pouco mais velha e meio agressiva) passou de bicicleta, cantou o pneu, parou na minha frente, apontou o dedão e ficou gritando: "AHAHHAHA, Juruna, Juruna, Juruna!". Eu não sabia direito quem era o Juruna na náite, mas sabia exatamente do que ela estava falando. Sofri como sofrem as crianças vítimas de bullying.

O corte da moda...

... e o personagem sensação dos 80's. Mães, não deixem seus meninos fazerem isso.
Pois bem. Mas o drama maior da minha experiência de vida capilar ocorreu na infância, e acredito que quem tem mais ou menos a minha faixa etária saiba do que estou falando. Porque nós tínhamos os famosos cortes "Chitãozinho e Xororó", modernosamente chamados, na época, de moicanos. Tínhamos o corte "cuia", cujo formato era basicamente o resultado obtido após se colocar uma cuia na cabeça e passar a tesoura no que restava, do lado de fora (também jocosamente apelidado de "corte penico"). Tínhamos a franjinha, os cortes joãozinho, perversamente escolhidos por algumas mães para erradicar a piolhada, mas que infelizmente só serviam para estimular a sapatice latente nas meninas. Ah, e tínhamos os glamourosos acessórios: tiaras forradas e gigantescas, flores de plástico imensas, trecos fluorescentes. Um horror.
Lembro que, aos 12, consegui deixar meu cabelo bem compridinho e, influenciada pela prima, adentrei, soberana, em uma cabeleireira de fundo de quintal munida do dinheirinho contado para pagar o haircut. Era moda, boba, e ela me aplicou o Chitãozinho - e porque EU pedi. Cara, foi traumático. No fim das contas a própria cabeleireira começou a rir e disse que parecia ter sido cortado a foice. A foice. Ouvi muito esta expressão nos meses subsequentes.
Agora soube de uma historinha cabreira: menininho é hostilizado no colégio por ser o único entre os guris a não adotar o corte de cabelo "Justin Bieber". Que é, basicamente, um corte cuia estilizado. Pensei em dizer a ele para contar no colégio que Justin Bieber é gay, mas vai que ele apanha, né?
Com a história, desencavei mais uma passagem maligna do passado, com relação às minhas madeixas. Certo dia, por volta dos dez anos, por algum motivo desconhecido mamã mandou ver no corte cuia pra primogênita aqui. Tudo bem, tinha uma novela cujo personagem exibia o mesmo corte, deve ter sido por isso (ou foi crueldade mesmo). Ai fui dar aquela voltinha na rua, pra me exibir. E uma vizinha (pouco mais velha e meio agressiva) passou de bicicleta, cantou o pneu, parou na minha frente, apontou o dedão e ficou gritando: "AHAHHAHA, Juruna, Juruna, Juruna!". Eu não sabia direito quem era o Juruna na náite, mas sabia exatamente do que ela estava falando. Sofri como sofrem as crianças vítimas de bullying.

O corte da moda...

... e o personagem sensação dos 80's. Mães, não deixem seus meninos fazerem isso.
1.9.10
Mascaradas
A muiézinha já acorda atrasada, com os bofes pra fora, cheia dos compromissos inadiáveis, reuniões, agendas a serem cumpridas, horários, negócios. Mau humor contagiante. Resmungos, palavrões sussurrados, "cadê a porra daquele sapato?", esgares coléricos.
Mas aí é o momento de abrilhantar os ambientes com seu sorriso perolado, então bóra reforçar a maquiagem, caprichar no batonzinho, sorrir e cumprimentar a todos obedientemente, trabalho é assim mesmo e ninguém merece ser tolhido por uma mala ranzinza. Aí é só sacar da máscara "Boooom dia, amiguinhos!!!".
Chega o momento do almoço, aquela pausa balsâmica que deveria oferecer equilíbrio e tranquilidade para enfrentar o turno subsequente, mas, qual? Você recheia seu prato no buffezão da esquina com montanhas de carbs, friturinhas mil e simplesmente esquece da salada (comer para compensar frustrações?). Mas não temos tempo pra remoer bobagens e você sabe que vai compensar o exagero com uma sopa rala no jantar (not). Então bóra fazer cara de gordinha feliz. Só sacar a máscara "Comi uma ceasar salad com chá verde no almoço e estou super relax".
À noite é a vez de dar atenção a ele (ou a ela, whatever - tudo porque detesto usar a palavra "cônjuge"). Muita paciência para ouvir o dia também atribulado do gajo, força para não despejar toda a sua mágoa de cabocla na cabeça do pobre rapaz, e, como diria Madame Louise, "ranço na cola" pra ronronar gostosinho no ouvido dele e pedir uma massagem nas costas. O momento é ideal para se cercar da máscar "É tempo de amar".
Taisinha, a reaparecida, observou sobre as inconstâncias no universo feminino, e do artifício das máscaras para estarmos sempre bem em todos os momentos da vida, quando, em alguns casos, a vontade é mandar tudo pra puta que o pariu.
Se você não se identificou com nada do texto e acredita que pode encarar o mundo de cara lavadíssima (ok, protetorzinho básico e gloss), parabéns! E já aproveito para te pedir a receita. Porque eu prezo muito por minha autenticidade, mas convenhamos que é hardcore engolir sapos alheios, aturar chatice e malice-sem-alça, inconveniências e afins com um eterno e imutável sorriso cor de carmim nos lábios, confessa.
Mulheres são atrizes natas. Ok, alguns homens também (e é aí que mora o perigo).
Mas aí é o momento de abrilhantar os ambientes com seu sorriso perolado, então bóra reforçar a maquiagem, caprichar no batonzinho, sorrir e cumprimentar a todos obedientemente, trabalho é assim mesmo e ninguém merece ser tolhido por uma mala ranzinza. Aí é só sacar da máscara "Boooom dia, amiguinhos!!!".
Chega o momento do almoço, aquela pausa balsâmica que deveria oferecer equilíbrio e tranquilidade para enfrentar o turno subsequente, mas, qual? Você recheia seu prato no buffezão da esquina com montanhas de carbs, friturinhas mil e simplesmente esquece da salada (comer para compensar frustrações?). Mas não temos tempo pra remoer bobagens e você sabe que vai compensar o exagero com uma sopa rala no jantar (not). Então bóra fazer cara de gordinha feliz. Só sacar a máscara "Comi uma ceasar salad com chá verde no almoço e estou super relax".
À noite é a vez de dar atenção a ele (ou a ela, whatever - tudo porque detesto usar a palavra "cônjuge"). Muita paciência para ouvir o dia também atribulado do gajo, força para não despejar toda a sua mágoa de cabocla na cabeça do pobre rapaz, e, como diria Madame Louise, "ranço na cola" pra ronronar gostosinho no ouvido dele e pedir uma massagem nas costas. O momento é ideal para se cercar da máscar "É tempo de amar".
Taisinha, a reaparecida, observou sobre as inconstâncias no universo feminino, e do artifício das máscaras para estarmos sempre bem em todos os momentos da vida, quando, em alguns casos, a vontade é mandar tudo pra puta que o pariu.
Se você não se identificou com nada do texto e acredita que pode encarar o mundo de cara lavadíssima (ok, protetorzinho básico e gloss), parabéns! E já aproveito para te pedir a receita. Porque eu prezo muito por minha autenticidade, mas convenhamos que é hardcore engolir sapos alheios, aturar chatice e malice-sem-alça, inconveniências e afins com um eterno e imutável sorriso cor de carmim nos lábios, confessa.
Mulheres são atrizes natas. Ok, alguns homens também (e é aí que mora o perigo).
25.8.10
Nine things
A Maitê, do Penso em Tudo, inventadeira de moda que só ela, repassou a missãozinha-delícia em forma de meme para a Imediata aqui. A ideia é contar nove coisinhas que pouca gente sabe sobre você, segredinhos, manias, sentimentos ou bobagenzinhas quaisquer que nos fazem ser quem somos, diferentes mas igualmente interessantes. Quer dizer, a interessância aí vai ficar por conta do leitor, e já me arrependo de ter escrito isso, visto que minha vida e meu blog são livros abertos e não há muito que já não tenha dito por estas mal-digitadas linhas.
So, here go:
1. Eu realmente acho que vim ao mundo a passeio. Sim, eu levo as coisas a sério, eu trabalho, estudo, me esforço para concluir determinadas atividades fundamentais para o andamento da minha vida, mas tem alguma coisa, daquelas meio que inexplicáveis, que faz com que eu não encare quase nada com temor, receio ou tensão. A não ser ir ao dentista. Aí eu tremo na base, sempre.
2. Se você me perguntar qual meu "prato favorito" eu vou responder, cheia de bossa, que é salmão ou sushi ou alguma massa sofisticada, mas na verdade meu prato favorito é arroz e feijão.
3. Tenho pavor de hospital, mas sinto uma calma reconfortante (e absurda) em cemitérios (é, meio freak, isso, e juro que sem conotações góticas).
4. (essa é punk): Fui barrada na Palladium com 12 anos de idade. E todo mundo viu e vaiou. Acho que foi a maior vergonha que já passei na vida, tipo nerd em filme americano. Depois disso levei mais uns dois ou três anos pra tentar entrar em uma boate, e com o c. na mão. (ok, ok, podem falar, Palladium é das antigas, né?).
5. Eu não assisto o mainstream da Rede Globo e afins e já não me orgulho mais disso, porque me sinto cruelmente desatualizada e por fora das conversinhas de corredor. E conversinha de corredor é vida.
6. Eu não tenho inveja. Juro por Deus, e pode parecer que estou contando vantagem, mas eu não consigo ter inveja de verdade. De ninguém. Nem daquela amiga que estudou com você, casou com um sheik árabe charmoso, é dona de 18 poços de petróleo e esfrega logos de Louis Vitton e Chanel na sua cara.
7. Às vezes eu penso que poderia ter seguido carreira no Judiciário, ou me tornado uma cientista genética, o que, obviamente, me daria muito mais dinheiro do que ganho hoje. Mas aí eu percebo que seria opressivamente infeliz e me contento com o que sou hoje. É isso, eu me contento. Sempre. Não sei se isso é muito bom.
8. Eu acho que encontrei minha alma gêmea. E se for verdade, aviso: encontrar sua alma gêmea não faz de sua vida uma comédia romântica com final esplendorosamente feliz. Apenas te faz feliz (mesmo quando você está triste, se é que dá pra entender).
9. Uma vez eu roubei em um supermercado. E outra vez, roubei da mochila de uma coleguinha de classe. But it's ok, eu tinha menos de oito anos, e já ouvi falar que crianças costumam roubar, eventualmente. Um chicletinho de morango e figurinhas da Rainbow Brite, by the way. Mas sinto uma dor na consciência até hoje...
Acho que é isso. E, olha, gostei, viu? Terapêutico. Desencavar a história da Palladium foi um bálsamo para minha alma.
Agora passo a missão da revelação de segredinhos picantes para os seguintes amigos blogueiros:
Guigui
Chaps
Manu
Marcinha
Novochadlo (é, fia, eu sei que você já recebeu a missão, mas vale a insistência)
Rozeng (ok, meio fora do perfil do blog, but, whatever, encara assim mesmo!)
Marquinhos Vai atualizar este blog, criatura!
E as meninas do Cheia de Estilo. E este vale por duas, viram, Schneider e Fê?
So, here go:
1. Eu realmente acho que vim ao mundo a passeio. Sim, eu levo as coisas a sério, eu trabalho, estudo, me esforço para concluir determinadas atividades fundamentais para o andamento da minha vida, mas tem alguma coisa, daquelas meio que inexplicáveis, que faz com que eu não encare quase nada com temor, receio ou tensão. A não ser ir ao dentista. Aí eu tremo na base, sempre.
2. Se você me perguntar qual meu "prato favorito" eu vou responder, cheia de bossa, que é salmão ou sushi ou alguma massa sofisticada, mas na verdade meu prato favorito é arroz e feijão.
3. Tenho pavor de hospital, mas sinto uma calma reconfortante (e absurda) em cemitérios (é, meio freak, isso, e juro que sem conotações góticas).
4. (essa é punk): Fui barrada na Palladium com 12 anos de idade. E todo mundo viu e vaiou. Acho que foi a maior vergonha que já passei na vida, tipo nerd em filme americano. Depois disso levei mais uns dois ou três anos pra tentar entrar em uma boate, e com o c. na mão. (ok, ok, podem falar, Palladium é das antigas, né?).
5. Eu não assisto o mainstream da Rede Globo e afins e já não me orgulho mais disso, porque me sinto cruelmente desatualizada e por fora das conversinhas de corredor. E conversinha de corredor é vida.
6. Eu não tenho inveja. Juro por Deus, e pode parecer que estou contando vantagem, mas eu não consigo ter inveja de verdade. De ninguém. Nem daquela amiga que estudou com você, casou com um sheik árabe charmoso, é dona de 18 poços de petróleo e esfrega logos de Louis Vitton e Chanel na sua cara.
7. Às vezes eu penso que poderia ter seguido carreira no Judiciário, ou me tornado uma cientista genética, o que, obviamente, me daria muito mais dinheiro do que ganho hoje. Mas aí eu percebo que seria opressivamente infeliz e me contento com o que sou hoje. É isso, eu me contento. Sempre. Não sei se isso é muito bom.
8. Eu acho que encontrei minha alma gêmea. E se for verdade, aviso: encontrar sua alma gêmea não faz de sua vida uma comédia romântica com final esplendorosamente feliz. Apenas te faz feliz (mesmo quando você está triste, se é que dá pra entender).
9. Uma vez eu roubei em um supermercado. E outra vez, roubei da mochila de uma coleguinha de classe. But it's ok, eu tinha menos de oito anos, e já ouvi falar que crianças costumam roubar, eventualmente. Um chicletinho de morango e figurinhas da Rainbow Brite, by the way. Mas sinto uma dor na consciência até hoje...
Acho que é isso. E, olha, gostei, viu? Terapêutico. Desencavar a história da Palladium foi um bálsamo para minha alma.
Agora passo a missão da revelação de segredinhos picantes para os seguintes amigos blogueiros:
Guigui
Chaps
Manu
Marcinha
Novochadlo (é, fia, eu sei que você já recebeu a missão, mas vale a insistência)
Rozeng (ok, meio fora do perfil do blog, but, whatever, encara assim mesmo!)
Marquinhos Vai atualizar este blog, criatura!
E as meninas do Cheia de Estilo. E este vale por duas, viram, Schneider e Fê?
24.8.10
A ladra misteriosa
Ela caminhava, faceira, pelo shopping Cidade Jardim, bolsa Kelly a tiracolo, scarpins Jimmy Choo saltitantes do piso de mármore, plocploc, plocploc. Saíra de sua confortável residência, a Mansão Rosa, no bairro Universitário, para dar aquela espairecida e adquirir mais algumas pulseiras de ouro – nossa heroína da ocasião tem como hobbie colecionar peças em ouro, porque, sorry periferia, ela pode.
O ar-condicionado central do estabelecimento deixava a temperatura extremamente agradável, mas Madame, que não é boba nem nada, não se desfazia de seu pullôver de cashmere caramelo, que lhe caia suavemente pelos quadris.
Tomou um sorvetinho da Gelateria Häagen-Dazs, fez uma apostinha básica na lotérica (que Madame é rica, mas também não quer deixar a sorte grande escapar assim impunemente), parou para um chá com biscoitos num bistrô até que sentiu aquela pressãozinha na bexiga: “Preciso ir ao reservado das senhôuras”, pensou Madame, dirigindo-se apressada para o banheiro.
Lá chegando, cerrou a porta, jogou displicentemente sua Kelly ao chão, desabotoou sua calça de linho egípcio e, quando se preparava para despejar as primeiras gotículas de urina na privada, percebeu, não sem espanto, uma mão. Sim senhores, uma mãozinha malandra esgueirava-se por debaixo da divisória do banheiro. “Por que será que eles não fecham a porta até o chão?”, reclamou Madame, horas depois.
Pois foi por aquela pequena abertura na parte inferior do reservado que uma gatuna tentava surrupiar os ricos pertences de Madame Louise. “Segurei na borsa, bem firme, e só gritei: Vagabunda!”.
A ladra não retrucou. Permaneceu no banheiro até que Madame o desocupasse. “Queria era olhar na cara dela! E era rica! Com os dedos cheios de anéis de ouro”, garantiu Madame, que conhece bem o material, faceira por ter recuperado sua limitadíssima edição da Kelly by Hermés.
O único inconveniente foi que, com o flagrante, o ato de urinar não pode ser devidamente interrompido – lembrando que Madame pertence, orgulhosamente, à categoria da Melhor Idade, e foi mãe de três gorduchos filhotes. Ora, é claro que não se trata de incontinência, sejamos respeitosos! Mas cortar o fluxo no meio do caminho é tarefa para canais urinários mais jovens, convenhamos. “Me molhei toda. TODA. A sorte foi meu casaquinho comprido, de lã. Cobriu minha bunda. Só assim pude sair com dignidade do shopping”, relatou Madame.
Yeah, bab, she's back! Madame Louise passou por aqui para relatar mais uma de suas desventuras em série. Para os marinheiros de primeira viagem, importante explicar: madame é uma badalada socialite de Shark city, da mais pura linhagem Teixeira, protagonista e testemunha das mais alucinantes situações jamais imaginadas ever (interessados, conferir o arquivo que eu não sou escrava de vocês pra ficar lincando).
O ar-condicionado central do estabelecimento deixava a temperatura extremamente agradável, mas Madame, que não é boba nem nada, não se desfazia de seu pullôver de cashmere caramelo, que lhe caia suavemente pelos quadris.
Tomou um sorvetinho da Gelateria Häagen-Dazs, fez uma apostinha básica na lotérica (que Madame é rica, mas também não quer deixar a sorte grande escapar assim impunemente), parou para um chá com biscoitos num bistrô até que sentiu aquela pressãozinha na bexiga: “Preciso ir ao reservado das senhôuras”, pensou Madame, dirigindo-se apressada para o banheiro.
Lá chegando, cerrou a porta, jogou displicentemente sua Kelly ao chão, desabotoou sua calça de linho egípcio e, quando se preparava para despejar as primeiras gotículas de urina na privada, percebeu, não sem espanto, uma mão. Sim senhores, uma mãozinha malandra esgueirava-se por debaixo da divisória do banheiro. “Por que será que eles não fecham a porta até o chão?”, reclamou Madame, horas depois.
Pois foi por aquela pequena abertura na parte inferior do reservado que uma gatuna tentava surrupiar os ricos pertences de Madame Louise. “Segurei na borsa, bem firme, e só gritei: Vagabunda!”.
A ladra não retrucou. Permaneceu no banheiro até que Madame o desocupasse. “Queria era olhar na cara dela! E era rica! Com os dedos cheios de anéis de ouro”, garantiu Madame, que conhece bem o material, faceira por ter recuperado sua limitadíssima edição da Kelly by Hermés.
O único inconveniente foi que, com o flagrante, o ato de urinar não pode ser devidamente interrompido – lembrando que Madame pertence, orgulhosamente, à categoria da Melhor Idade, e foi mãe de três gorduchos filhotes. Ora, é claro que não se trata de incontinência, sejamos respeitosos! Mas cortar o fluxo no meio do caminho é tarefa para canais urinários mais jovens, convenhamos. “Me molhei toda. TODA. A sorte foi meu casaquinho comprido, de lã. Cobriu minha bunda. Só assim pude sair com dignidade do shopping”, relatou Madame.
Yeah, bab, she's back! Madame Louise passou por aqui para relatar mais uma de suas desventuras em série. Para os marinheiros de primeira viagem, importante explicar: madame é uma badalada socialite de Shark city, da mais pura linhagem Teixeira, protagonista e testemunha das mais alucinantes situações jamais imaginadas ever (interessados, conferir o arquivo que eu não sou escrava de vocês pra ficar lincando).
14.7.10
Pela dignidade virtual ou Vista-se ao ligar a cam
Sammy é um guri antenado. Quer ver as fotos da Cleo Pires pra Playboy? Pede pra ele. O último viral bombado da world wide web? Deixa com o Sammy. Quer levantar a ficha de qualquer indivíduo por aí que lhe despertou curiosidade? Ask to him.
Samuca é proprietário de farto material cibermidiático de conteúdo digamos que... impróprio para menores. Marias-chuteira, capas de revistas masculinas, sex tapes vazadas no Youtube, twitcams com exibições despudoradas, vira e mexe ele aparece com uma novidade.
O Samuca tinha o vídeo daquela galera da cooperativa tubaronense em atividades pouco convencionais realizadas durante um curso em Florianópolis; ele também tinha o dossiê Elisa Samudio (fotos e videos). O vídeo da garota pagando a aposta pro gurizão, as fotos da Larissa Riquelme e, se bobear, até imagens da Sandy nua o Samuca tem e/ou já viu.
Sammy costuma dizer, com muita sabedoria, que o computador é uma janela para o mundo instalada no conforto de seu lar (ou escritório, ou sala de aula, whatever). Aí que, evidentemente, ele também tem percebido a revolução sexual provocada pelo advento da internet e pela "maldita inclusão digital", como ele mesmo gosta de denominar.
"Vez em quando eu entro numa destas sala de chat pra dar aquela zoada. Cara, só trocar três palavras e a criatura do outro lado do pc liga a cam e abre as pernas. Na hora. Sem grilo", conta ele, descrevendo, em seguida e com minúcias, toda a exuberante anatomia dos mais variados tipos de mulher existentes neste Brasilzão de meu Deus, todas as cores, credos e estilos de depilação possíveis. Não, Samuca não conta vantagem, até porque ele nem se identifica nestes chatlines. Só revela que é homem. E basta. Desespero, teu nome é mulher.
Mas nem precisa ir muito longe nos relatos de Sammy. Dia desses e uma criatura me add no msn. Como sou mulher trabalhadora e cheia dos contatinhos, adedei. E aí vem o papo: "Oi, amiga!". Um segundo depois, pipoca a frase: "Sou gay". Aliás, a única coisa que o rapaz sabia escrever certinho era a palavra gay.
E aí começou com uma ladainha que ó, vou te dizer, só não dei block em 10 segundos porque era de uma riqueza e de uma exuberância que me fez salivar no teclado. Contou tudo, toooooda sua agitadíssima vida sexual. Tudo. Sem eu perguntar absolutamente nada. Contou que sai com horrores de homens muito bem-casados, contou que já foi no motel novo aqui da grande Shark city ("Amiga, um luxo, tem até tv de lcd na banheira"), contou que seu maior sonho é fazer bem bonita na frente de uma "amiga" (ok, nesta hora deu uma mini-gorfadinha).
Eu já ia recomendando cuidado e atenção com toda esta parafernália digital da qual, mesmo sem querer, podemos nos tornar vítimas quando ele lança: "Mas não me preocupo com isso não, AMIGA" (é, ele repetia o AMIGA a cada vírgula, apesar de não usar vírgulas). Foi quando mudou a fotinho do perfil: "Vê se tu me conhece aê, AMIGA".
Choque.
O garoto em questão era um colega de escola, daqueles que ninguém guarda qualquer espécie de recordação, feioso, freak, pele ruim, dentes idem, que sobreviveu à época escolar arrastando-se anonimamente pelos corredores, sempre sozinho. Mas EU lembrava dele (esta minha memória às vezes me aflige). Cortou-me o coração. Aí sim resolvi dar block.
Samuca é proprietário de farto material cibermidiático de conteúdo digamos que... impróprio para menores. Marias-chuteira, capas de revistas masculinas, sex tapes vazadas no Youtube, twitcams com exibições despudoradas, vira e mexe ele aparece com uma novidade.
O Samuca tinha o vídeo daquela galera da cooperativa tubaronense em atividades pouco convencionais realizadas durante um curso em Florianópolis; ele também tinha o dossiê Elisa Samudio (fotos e videos). O vídeo da garota pagando a aposta pro gurizão, as fotos da Larissa Riquelme e, se bobear, até imagens da Sandy nua o Samuca tem e/ou já viu.
Sammy costuma dizer, com muita sabedoria, que o computador é uma janela para o mundo instalada no conforto de seu lar (ou escritório, ou sala de aula, whatever). Aí que, evidentemente, ele também tem percebido a revolução sexual provocada pelo advento da internet e pela "maldita inclusão digital", como ele mesmo gosta de denominar.
"Vez em quando eu entro numa destas sala de chat pra dar aquela zoada. Cara, só trocar três palavras e a criatura do outro lado do pc liga a cam e abre as pernas. Na hora. Sem grilo", conta ele, descrevendo, em seguida e com minúcias, toda a exuberante anatomia dos mais variados tipos de mulher existentes neste Brasilzão de meu Deus, todas as cores, credos e estilos de depilação possíveis. Não, Samuca não conta vantagem, até porque ele nem se identifica nestes chatlines. Só revela que é homem. E basta. Desespero, teu nome é mulher.
Mas nem precisa ir muito longe nos relatos de Sammy. Dia desses e uma criatura me add no msn. Como sou mulher trabalhadora e cheia dos contatinhos, adedei. E aí vem o papo: "Oi, amiga!". Um segundo depois, pipoca a frase: "Sou gay". Aliás, a única coisa que o rapaz sabia escrever certinho era a palavra gay.
E aí começou com uma ladainha que ó, vou te dizer, só não dei block em 10 segundos porque era de uma riqueza e de uma exuberância que me fez salivar no teclado. Contou tudo, toooooda sua agitadíssima vida sexual. Tudo. Sem eu perguntar absolutamente nada. Contou que sai com horrores de homens muito bem-casados, contou que já foi no motel novo aqui da grande Shark city ("Amiga, um luxo, tem até tv de lcd na banheira"), contou que seu maior sonho é fazer bem bonita na frente de uma "amiga" (ok, nesta hora deu uma mini-gorfadinha).
Eu já ia recomendando cuidado e atenção com toda esta parafernália digital da qual, mesmo sem querer, podemos nos tornar vítimas quando ele lança: "Mas não me preocupo com isso não, AMIGA" (é, ele repetia o AMIGA a cada vírgula, apesar de não usar vírgulas). Foi quando mudou a fotinho do perfil: "Vê se tu me conhece aê, AMIGA".
Choque.
O garoto em questão era um colega de escola, daqueles que ninguém guarda qualquer espécie de recordação, feioso, freak, pele ruim, dentes idem, que sobreviveu à época escolar arrastando-se anonimamente pelos corredores, sempre sozinho. Mas EU lembrava dele (esta minha memória às vezes me aflige). Cortou-me o coração. Aí sim resolvi dar block.
28.6.10
Presente certeiro
Olha, eu tenho certa dificuldade em achar o presente ideal. Sabe quando você quer muito encontrar o mimo perfeito para aquele amigo, familiar, namorado, sobrinha? Então, invariavelmente, eu ferro com tudo, compro a coisa mais uó do planeta e sofro ao ver a cara de insatisfação dos presenteados.
Poderia dizer que me faltam recur$os mais polpudos para conseguir satisfazer na hora de presentear, mas seria ridículo, visto que, evidentemente, dinheiro não compra o melhor presente, e sim criatividade, carinho e conhecimento de causa (no caso, a causa é a criatura a receber o presente).
Mas acho que desta vez eu acertei na mosca:

(a autora deste post reconhece que TPM é assunto sério, e em alguns casos algo absurdamente patológico, não-contornável com o uso de chás, ponstans, analgésicos e bolsas de água quente na barriga. Em caso de TPM crônica, procure um médico)
Poderia dizer que me faltam recur$os mais polpudos para conseguir satisfazer na hora de presentear, mas seria ridículo, visto que, evidentemente, dinheiro não compra o melhor presente, e sim criatividade, carinho e conhecimento de causa (no caso, a causa é a criatura a receber o presente).
Mas acho que desta vez eu acertei na mosca:
(a autora deste post reconhece que TPM é assunto sério, e em alguns casos algo absurdamente patológico, não-contornável com o uso de chás, ponstans, analgésicos e bolsas de água quente na barriga. Em caso de TPM crônica, procure um médico)
18.6.10
Babacas
Eu conheço um monte de babacas. Sei lá, dezenas. Tudo bem, confesso que meu conceito de babaca pode ser um tanto quanto extremista, não costumo perdoar sentimentalismos baratos, draminhas pessoais enfadonhos, gostos exóticos (exóticos partindo do meu ponto de vista, o que é muito salutar), enfim, posso até disfarçar, mas me irrito profundamente com quem, por exemplo, continua twittando #calaabocagalvão ou #tomeiactivia. Babaca.
Babaca é o cara que se esgoela da janela do carro bem no seu ouvido gritando que o Brasil ganhou de 2 a 1. Você até pode estar feliz, mas nunca-na-vida iria entrar nesta vibe de encher o cu de cachaça numa terça à tarde, botar o rabão na janela do carro e circular pela única avenida da cidade tremulando a bandeirinha.
Todo o cara que buzina por mais de três segundos é babaca. TODO. E peço perdão se você é do time que gosta de enfiar o dedão na buzina por cinco minutos, mas você é um puta de um babaca, durma com isso.
Babaca é o sujeito que comenta em portais de notícias que, sei lá, por exemplo, "o Saramago tinha é que morrer mesmo". Se você quiser perder minutos preciosos de sua existência acesse uma notícia qualquer de um G1 da vida e observe os comentários. É de ferver o sangue.
Babaca é o cara que chora com a música "Pai", do Fábio Júnior (aliás, separou de novo, menina! Agora é sua chance, Charlotte!). Nem mesmo minha querida amiga Charlotte C., fanática pelo pai do Fiuk (descobri a paternidade ontem, choque!), que mantém em ordem cronológica todo o acervo mágico de LPs do homem, chora com "Pai". O cara que ainda verte lágrimas de tristeza pelos Mamonas e pelo Airton Senna também é bem babaquinha, né? Ah, pára.
Outra babacona notória é a gata que se faz de puritana, recatada, discreta e reservada, mas exibe uma foto de pernas arreganhadas no álbum do Orkut e/ou congêneres e de nick no msn atira um "tá calor, né? vou dormir nua". Ou a gata que não sabe falar (nem miar): a mulher que grita. Ai que ódio de mulher que grita. "Ai, páááááára, Otávio, tua barba tá me machucaaaando!", no meio do restaurante. Pior que a que grita é a que ri gritando. Do tipo que não pára até ter voltados para si todos os olhos do recinto. Um clássico.
O cara que fala alto no cinema, ou pior, o tipo que comenta o filme no meio do filme, em alto e bom som. A família que crê piamente que toda a humanidade ao seu redor tem que suportar seu filhinho recém-nascido e roído de cólicas, em local público. A galera que acha que as calçadas do Centro da cidade são passarelas, e não vias para serem percorridas rapidamente, de um ponto a outro, sem distrações (a não ser uma vitrininha ou outra, que ninguém é de ferro). Adolescentes (todos). A lista é imensa e desconfio que jamais terá fim.
Mas sem sombra de dúvida o pior tipo de babaca é o cara que didn't care pros outros quando se trata de gostos musicais. Que taca um Revelação, um Proibidão do Funk ou um Victor e Leo no talo em frente à buátchi, incorporando um Mr. DJ from hell. O cara que decide desenterrar um CD do É o Tchan bem em frente ao seu prédio, às três da manhã. Ou o cara que estaciona em frente ao bar de sua preferência, bem ao lado da sua mesa, e resolve seduzir com um CHITÃOZINHO E XORORÓ de 1986 no último volume. E que faz cara feia e ameaçadora quando você pede pro garçon ir reclamar. Ah, seu babaca cafona, vai tomar no seu cu e tira este fio de cabelo no meu paletó da minha cara!
(eu sei, admito que blogueiras extremamente críticas também pendam pra babaquice...)
Babaca é o cara que se esgoela da janela do carro bem no seu ouvido gritando que o Brasil ganhou de 2 a 1. Você até pode estar feliz, mas nunca-na-vida iria entrar nesta vibe de encher o cu de cachaça numa terça à tarde, botar o rabão na janela do carro e circular pela única avenida da cidade tremulando a bandeirinha.
Todo o cara que buzina por mais de três segundos é babaca. TODO. E peço perdão se você é do time que gosta de enfiar o dedão na buzina por cinco minutos, mas você é um puta de um babaca, durma com isso.
Babaca é o sujeito que comenta em portais de notícias que, sei lá, por exemplo, "o Saramago tinha é que morrer mesmo". Se você quiser perder minutos preciosos de sua existência acesse uma notícia qualquer de um G1 da vida e observe os comentários. É de ferver o sangue.
Babaca é o cara que chora com a música "Pai", do Fábio Júnior (aliás, separou de novo, menina! Agora é sua chance, Charlotte!). Nem mesmo minha querida amiga Charlotte C., fanática pelo pai do Fiuk (descobri a paternidade ontem, choque!), que mantém em ordem cronológica todo o acervo mágico de LPs do homem, chora com "Pai". O cara que ainda verte lágrimas de tristeza pelos Mamonas e pelo Airton Senna também é bem babaquinha, né? Ah, pára.
Outra babacona notória é a gata que se faz de puritana, recatada, discreta e reservada, mas exibe uma foto de pernas arreganhadas no álbum do Orkut e/ou congêneres e de nick no msn atira um "tá calor, né? vou dormir nua". Ou a gata que não sabe falar (nem miar): a mulher que grita. Ai que ódio de mulher que grita. "Ai, páááááára, Otávio, tua barba tá me machucaaaando!", no meio do restaurante. Pior que a que grita é a que ri gritando. Do tipo que não pára até ter voltados para si todos os olhos do recinto. Um clássico.
O cara que fala alto no cinema, ou pior, o tipo que comenta o filme no meio do filme, em alto e bom som. A família que crê piamente que toda a humanidade ao seu redor tem que suportar seu filhinho recém-nascido e roído de cólicas, em local público. A galera que acha que as calçadas do Centro da cidade são passarelas, e não vias para serem percorridas rapidamente, de um ponto a outro, sem distrações (a não ser uma vitrininha ou outra, que ninguém é de ferro). Adolescentes (todos). A lista é imensa e desconfio que jamais terá fim.
Mas sem sombra de dúvida o pior tipo de babaca é o cara que didn't care pros outros quando se trata de gostos musicais. Que taca um Revelação, um Proibidão do Funk ou um Victor e Leo no talo em frente à buátchi, incorporando um Mr. DJ from hell. O cara que decide desenterrar um CD do É o Tchan bem em frente ao seu prédio, às três da manhã. Ou o cara que estaciona em frente ao bar de sua preferência, bem ao lado da sua mesa, e resolve seduzir com um CHITÃOZINHO E XORORÓ de 1986 no último volume. E que faz cara feia e ameaçadora quando você pede pro garçon ir reclamar. Ah, seu babaca cafona, vai tomar no seu cu e tira este fio de cabelo no meu paletó da minha cara!
(eu sei, admito que blogueiras extremamente críticas também pendam pra babaquice...)
Modinhas (ou Traz o balde)
Sério, eu preciso desabafar: como admiradora de moda, acompanho as coleções dos estilistas mais importantes do país - principalmente através dos blogs de moda - e admito ter, ao longo dos anos, aprendido muito sobre o tema. Também sabemos todos que você não precisa ser escravo das últimas "tendências" (odeio) para ter um estilo notável. E aí bóra deixar as estampas de oncinha e os leggings tigrados pra ex-BBBs e dançarinas de programa de auditório.
Mas confesso ter me decepcionado: não bastasse ter aceitado, não sem relutância, as ankle boots e o retorno das ombreiras (nãããão!), agora vejo com horror a glamurização da calça baggy/pescador, da meia-calça de estampado psicodélico e das terríveis CLOGS! O que me doeu profundamente é que blogueiras das mais queridas, super-referência em moda, para mim, recomendam fortemente toda esta mediocridade fashion. O pior: desconfio que apenas por serem amigas dos stylists responsáveis por tanta atrocidade fashion.
Porra, acho que tá faltando um pouquinho da criticidade americana: o cara vacila na coleção e a imprensa especializada não mede palavras. Mas, se faz bonito, também sabe valorizar. CLOGS?
Vamos dar uma olhadinha?

Varizes, fia? Bóra pro cirurgiã queimar?
Ah, pára, né? To-da-ca-ga-da

Ai... e é Ralph Lauren, tá?
Eu juro: vou estudar moda, arrumar um padrinho fashion icon e relançar a moda das polainas! (ops, tarde demais...)
Mas confesso ter me decepcionado: não bastasse ter aceitado, não sem relutância, as ankle boots e o retorno das ombreiras (nãããão!), agora vejo com horror a glamurização da calça baggy/pescador, da meia-calça de estampado psicodélico e das terríveis CLOGS! O que me doeu profundamente é que blogueiras das mais queridas, super-referência em moda, para mim, recomendam fortemente toda esta mediocridade fashion. O pior: desconfio que apenas por serem amigas dos stylists responsáveis por tanta atrocidade fashion.
Porra, acho que tá faltando um pouquinho da criticidade americana: o cara vacila na coleção e a imprensa especializada não mede palavras. Mas, se faz bonito, também sabe valorizar. CLOGS?
Vamos dar uma olhadinha?

Varizes, fia? Bóra pro cirurgiã queimar?
Ah, pára, né? To-da-ca-ga-da

Ai... e é Ralph Lauren, tá?
Eu juro: vou estudar moda, arrumar um padrinho fashion icon e relançar a moda das polainas! (ops, tarde demais...)
10.6.10
Doctor Dolittle
O vizinho novo fala com o gato. Tá, grandes merdas, eu poderia dizer. Quem tem bichinho em casa sabe das dores e delícias que é conviver com um monstrinho peludo e indomável que em poucos dias de vivência torna-se senhor dono absoluto de seus impérios (no caso, os SEUS impérios, do humano supostamente dono da criatura). Claro que a Nina é minha dona, ama e senhora, e é com ela que eu passo um bom tempo batendo longos papos-cabeça, quando não tenho nada melhor pra fazer. Tipo, perguntar "a menina é da mamãe?" ad infinitum até o dia em que a sem-vergonha virar pra mim e dizer "não, porra, eu sou CACHORRO e você é gente (ou quase isso)", mas deixa quieto.
O negócio é que o vizinho novo, um homem adulto, faz vozinha de debilóide com o gatinho dele. E só então que eu pude perceber o quão ridículo é pagar de Doutor Dolittle assim, publicamente. "Bebê qué comê, qué? Bebezinho do papai...", em falsete e com uma overdose de meiguice e ternurinha embutidas que, ó, difícil não "gorfar". E aí lá vai ele pro microondas esquentar a papinha do bebê-gatinho, pelos miados exigentes de fome já nem tão bebê assim. Aí o bebê não come, ele volta, confere a tigela e replica: "Óin, o bebê não vai comer?" e remexe, remexe. Aí ele mesmo responde: "É que tem que ser fesquinho, né? Fesquinho". E bóra preparar outra tigelada no microondas. O bichano é exigente.
Aqui em casa não é assim não. Ração molinha só aos fins de semana e em datas especiais (tipo na Quarta-feira do Cachorro-Quente ou na Terça-feira de Big Bang Theory). E se roer a porta de novo, só ganha meio bifinho. E chocolate só depois do jantar!
Agora dá licença que vou lá dar um bifinho de peru pra menina da mãe...

"Bem fesquinho, né?"
O negócio é que o vizinho novo, um homem adulto, faz vozinha de debilóide com o gatinho dele. E só então que eu pude perceber o quão ridículo é pagar de Doutor Dolittle assim, publicamente. "Bebê qué comê, qué? Bebezinho do papai...", em falsete e com uma overdose de meiguice e ternurinha embutidas que, ó, difícil não "gorfar". E aí lá vai ele pro microondas esquentar a papinha do bebê-gatinho, pelos miados exigentes de fome já nem tão bebê assim. Aí o bebê não come, ele volta, confere a tigela e replica: "Óin, o bebê não vai comer?" e remexe, remexe. Aí ele mesmo responde: "É que tem que ser fesquinho, né? Fesquinho". E bóra preparar outra tigelada no microondas. O bichano é exigente.
Aqui em casa não é assim não. Ração molinha só aos fins de semana e em datas especiais (tipo na Quarta-feira do Cachorro-Quente ou na Terça-feira de Big Bang Theory). E se roer a porta de novo, só ganha meio bifinho. E chocolate só depois do jantar!
Agora dá licença que vou lá dar um bifinho de peru pra menina da mãe...

"Bem fesquinho, né?"
25.5.10
24.5.10
LuluzinhaCamp
Interneteiras, blogueiras, twitteiras e viciadas em mídias sociais de toda a região, atenção: participem do primeiro LuluzinhaCamp catarinense, que vai acontecer no dia 19 de junho, em Tubarão.
O primeiro LuluzinhaCamp ganhou forma em agosto de 2008, em São Paulo, organizado por seis blogueiras. A proposta inicial era fazer um encontro anual reunindo mulheres que usam a internet (com blogs e outras ferramentas) para a troca de experiências ao vivo. Mas o negócio cresceu e hoje o evento é realizado regularmente tanto na Capital paulista quanto no Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Juiz de Fora e Salvador.
Os encontros regionais ocorrem em março, junho e dezembro, e em setembro acontece a reunião nacional, em São Paulo, quando Luluzinhas de todo o Brasil são convidadas para um intercâmbio de ideias.
Venha trocar ideias, ampliar seu networking e divertir-se muito. O LuluzinhaCamp em Tubarão é aberto a todas as interessadas, acontece no dia 19 de junho, a partir das 16h, no Café com Pinga. Inscrições aqui no valor de R$ 15. Maiores informações sobre o evento, no site oficial (http://www.luluzinhacamp.com).
O primeiro LuluzinhaCamp ganhou forma em agosto de 2008, em São Paulo, organizado por seis blogueiras. A proposta inicial era fazer um encontro anual reunindo mulheres que usam a internet (com blogs e outras ferramentas) para a troca de experiências ao vivo. Mas o negócio cresceu e hoje o evento é realizado regularmente tanto na Capital paulista quanto no Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Juiz de Fora e Salvador.
Os encontros regionais ocorrem em março, junho e dezembro, e em setembro acontece a reunião nacional, em São Paulo, quando Luluzinhas de todo o Brasil são convidadas para um intercâmbio de ideias.
Venha trocar ideias, ampliar seu networking e divertir-se muito. O LuluzinhaCamp em Tubarão é aberto a todas as interessadas, acontece no dia 19 de junho, a partir das 16h, no Café com Pinga. Inscrições aqui no valor de R$ 15. Maiores informações sobre o evento, no site oficial (http://www.luluzinhacamp.com).
26.4.10
SMS
Quarta-feira qualquer, 20h30, ela esplanava sobre verbos irregulares em iídiche para seus aluninhos quando o telefone vibra: uma mensagem. Que dizia exatamente assim: "Eh, eu sei bem como eh. Ate agora nao contei pra nenhum dos meus amigos q eu so tenho 3 meses de vida" (sic). Pânico no bairro Dehon. Inconformada com o teor misterioso e trágico da mensagem, e mais inconformada ainda por não conhecer o número do celular remetente, recorreu aos estudantes aplicados para solucionar aquele mistério. "Alguém se enganou e digitou o número errado", foi o veredito. Ok.
Horas depois, já bem instalada em seu flat à beira-rio, recebe outra mensagem. "Isso porque a carine nem sonha q o reinaldo eh o pai do meu filho, ne? (sic)". Do mesmo número misterioso. "Jesus, me chicoteia", pensou nossa heroína predileta.
Depois de detonar um maço e meio de Lucky, a morenaça resolveu deixar para solucionar o mistério no outro dia. Havia coisas mais interessantes para se fazer, como ouvir a potranca da vizinha e seu vigoroso amante contorcerem-se em alto e bom som sob os lençóis.
Mas o que veio, dias depois, deixou Charlotte C. a beira de um ataque de nervos. Confortavelmente sentada no bar de sua predileção, na companhia de um casal amigo, foi contemplada com o seguinte torpedo: “To passando ai daqui apouco. Dou um toque e tu desce” (sic). Aí a situação ficou feia. Ao invés de buscar consolo junto aos amigos, compartilhar suas dores e angústias, a paulistana preferiu calar-se, fingir que não era nada e bóra tocar Skol gelada garganta abaixo. Mas a pulga já estava devidamente encravada em sua nuquinha aveludada.
Despediu-se dos amigos e rumou levemente cambaleante para casa. “Agora vou descobrir quem é o fdp que está me sacaneando”, jurava. Ligou. Foi atendida por uma mulher de voz tão misteriosa quanto o teor das mensagens, totalmente não-identificável. Desligou. Ligou de novo, mais uma vez, a mulher desconhecida. O joguinho durou algum tempo, até ser interrompido pela voz de um homem: “Pô, Charlotte, ainda não descobriu quem é?”, como quem dizia: “Puuutz, é tão óbvio!”. Não, a cheerleader da perspicácia e da desconfiança não conseguiu matar a charada.
Mais um par de dias e ela resolve tentar novamente. Acompanhada da inseparável S., incumbiu a amiga de ciceronear a ligação. “Oi, gostaria de falar com Maria Joaquina”, solicitou S., aterrorizada com a portentosa voz da terrorista virtual. Momentos depois, e mais por desistência dos trotistas, o jogo foi revelado.
Ela tem uma relação complicada com a telefonia celular. Proprietária de dois telefones (cujos números só são obtidos ao custo de muita bajulação), invariavelmente desativa ambos para poder viver sua vidinha na mais absoluta paz, sem chateação de chefe, sem o assédio dos inúmeros pretês, sem a inconveniência dos milhares de amigos que desejam arrancá-la de casa a todo custo. Foi por isso que considerei a morenaça mais polêmica da Acácio Moreira como a vítima perfeita para meu golpe. Meu novo número de celular veio a calhar. Nunca imaginei ser dona de uma voz misteriosa.
Horas depois, já bem instalada em seu flat à beira-rio, recebe outra mensagem. "Isso porque a carine nem sonha q o reinaldo eh o pai do meu filho, ne? (sic)". Do mesmo número misterioso. "Jesus, me chicoteia", pensou nossa heroína predileta.
Depois de detonar um maço e meio de Lucky, a morenaça resolveu deixar para solucionar o mistério no outro dia. Havia coisas mais interessantes para se fazer, como ouvir a potranca da vizinha e seu vigoroso amante contorcerem-se em alto e bom som sob os lençóis.
Mas o que veio, dias depois, deixou Charlotte C. a beira de um ataque de nervos. Confortavelmente sentada no bar de sua predileção, na companhia de um casal amigo, foi contemplada com o seguinte torpedo: “To passando ai daqui apouco. Dou um toque e tu desce” (sic). Aí a situação ficou feia. Ao invés de buscar consolo junto aos amigos, compartilhar suas dores e angústias, a paulistana preferiu calar-se, fingir que não era nada e bóra tocar Skol gelada garganta abaixo. Mas a pulga já estava devidamente encravada em sua nuquinha aveludada.
Despediu-se dos amigos e rumou levemente cambaleante para casa. “Agora vou descobrir quem é o fdp que está me sacaneando”, jurava. Ligou. Foi atendida por uma mulher de voz tão misteriosa quanto o teor das mensagens, totalmente não-identificável. Desligou. Ligou de novo, mais uma vez, a mulher desconhecida. O joguinho durou algum tempo, até ser interrompido pela voz de um homem: “Pô, Charlotte, ainda não descobriu quem é?”, como quem dizia: “Puuutz, é tão óbvio!”. Não, a cheerleader da perspicácia e da desconfiança não conseguiu matar a charada.
Mais um par de dias e ela resolve tentar novamente. Acompanhada da inseparável S., incumbiu a amiga de ciceronear a ligação. “Oi, gostaria de falar com Maria Joaquina”, solicitou S., aterrorizada com a portentosa voz da terrorista virtual. Momentos depois, e mais por desistência dos trotistas, o jogo foi revelado.
Ela tem uma relação complicada com a telefonia celular. Proprietária de dois telefones (cujos números só são obtidos ao custo de muita bajulação), invariavelmente desativa ambos para poder viver sua vidinha na mais absoluta paz, sem chateação de chefe, sem o assédio dos inúmeros pretês, sem a inconveniência dos milhares de amigos que desejam arrancá-la de casa a todo custo. Foi por isso que considerei a morenaça mais polêmica da Acácio Moreira como a vítima perfeita para meu golpe. Meu novo número de celular veio a calhar. Nunca imaginei ser dona de uma voz misteriosa.
5.4.10
Pele de pêssego
Aí a moça foi, obrigada, participar daquele evento mágico na Big City, em que prósperos proprietários de estabelecimentos diversos são convidados a congregar e onde os pobres comerciários são obrigados a labutar em mais um turno escravocrata, em plena tarde de sábado, o Dia G - quem é de Shark sabe do que estoy hablando. Ela foi, portanto, trabalhadora e honesta que é. Passou um pente nas madeixas, um batonzinho cereja de nada na boca, calçou as sandalhocas e partiu, cabeça erguida, para representar sua empresa, camiseta com o logo característico estourando nos peitos. Distribuiu folderes, concedeu três ou quatro entrevistas ("Jornalistas de merda que não sabem nem fazer uma entrevista", queixou-se a especialista-mor), conversou com clientes e possíveis futuros clientes, fez seu lobby, vendeu seu peixe. Contava os minutinhos no relógio para a hora que ditaria o fim daquele martírio quando uma moça a aborda, sem papas na língua: "Moça, quer concorrer a um tratamento de pele?".
Choque.
Como assim tratamento de pele, cara pálida? Como assim, que a pele de Charlotte, the powerpuff girl, precisa de tratamento? Anyway, de graça até injeção na testa, já dizia nossa pequena e acetinada heroína. "Quero", respondeu.
Deu nem cinco minutinhos e a feliz vencedora da promoção é anunciada, aos quatro ventos, para que todos os que estivessem ao alcance das potentes caixas de som ouvissem: "E a vencedora de um super tratamento facial é... CHARLOTTE C.!!!!!".
"Cara, até pensei que a menina fez de propósito. Olhou pra minha pele, achou que eu precisava e resolveu salvar uma alma e me dar uma forcinha. Mas acho que não, né?", duvidou nossa diva, que, faceira, foi lá, um quê constrangida, buscar seu cupom premiado.
Nem bem passou o fim de semana e Charlotte gruda-se ao telefone, seu hobby predileto, conferir a validade de seu super-brinde. "Cara, recebi um folder, uma clínica pooodre de chique, tipo spa, manja? Já atendeu de Ana Maria Braga a Ivete Sangalo". WHAT??? "Sim", ela insistiu. "Quando Ivetinha veio pra cá passou na clínica pra uma recauchutada. Eles tem foto pra provar", insistiu a VIP, achando-se a very important person com seu mimo revitalizante facial.
Pra provar o montante da chiquice, o horário de funcionamento. "É só pra madame, filha. Pensando o que? Abre a partir das 13h30, que é quando madame acorda. Fecha só depois das 22h. Vou lá".
E foi.
Após uma exaustiva caminhada (sim, porque para Charlotte, consciência ambiental é tudo: dispensa o carro e corre meio mundo a pé. Até porque faz bem pra saúde e a ajuda a mandar suas curvas esculpidas a cinzel), a moça chega a seu destino: uma casinha acanhada, com uma plaquinha capenga na porta. "Ops... deve ser pra distrair os pobres, rico tem cada mania...". Limpou os pés no capacho e entrou, refestelando-se.
Na "sala de recepção" (uma mesa tosca e um sofá meio furado, com várias revistas da década de 90 ao lado), um garotinho de uns 10 anos. "Oi?", Charlotte começa a acreditar que veio ao lugar errado. "Oi", o menino responde, lacônico, enquanto fazia sua lição de casa. "Hum, tem algum adulto por aqui?, ela insiste. De repente, alguém grita lá de trás. "Espeeeera, já vou". E surge uma mulher, capengando. "Ai, boba, desculpa, fiz uma cirurgia pra tirar varizes, nem podia vir trabalhar", e a mulher já desandou a contar sua vida toda.
Determinada, insistente (putz, a Ivete Sangalo veio aqui!), Charlotte resolve ver no que dá. "Seguinte, ganhei um tratamento facial num sorteio lá no Dia G. Rola?". A varizenta não disfarçou um muxoxo. Achava que iria faturar os primeiros 10 contos do dia, mas não era desta vez. Profissional, no entanto, não deixou a bola cair. "Sim, sim, sim! Vamos fazer, sim, minha mãe vai ajudar. Mããããeeeee!!!", e sai mancando chamar sua velha progenitora.
Enquanto Charlotte se acomodava numa caminha de massagem de lençol puído, uma das mulheres remexia freneticamente um produto esverdeado em um potinho. Meia hora de pinceladas da meleca depois e nossa heroína estava nova em folha: nada melhor do que abacate para recuperar o vigor e a elasticidade cutânea - fica a dica, meninas. "Viu, boba? Por isso que estas famosas estão sempre impecáveis", completou a paulistana da cútis de veludo. Sem dar o braço a torcer.
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