31.3.09

Espelho, espelho meu...

Na última semana tosei a cabeleira, que estava longuésima, até pouco abaixo dos ombros. Teimosia pura (o modelo é recorrente, quando eu RESOLVO cortar o cabelo), já que este corte exige certa habilidade no manejo da escova, para que as pontinhas fiquem voltadas para fora, exibidas. A moça aqui, no entanto, que até se esforça para aperfeiçoar suas habilidades domésticas, é um zero a esquerda quando se trata de auto-cuidado pessoal. Não sei escovar, não tenho chapinha, não faço as unhas nem em caso de emergência e não sei lidar com a pinça - Claudinho é quem me salva todos os meses para que a borboleta aqui não vire taturana.
Já disse em outras ocasiões que nasci para ser rica - o que, unfortunatelly, não aconteceu (mas bóra tentando...). Porque para ficar minimamente apresentável preciso da assessoria integral de cabeleireiras, manicures, maquiadoras, fazedores de sobrança, sou uma completa incapaz (sei passar perfume, vale?).
Todo este enorme preâmbulo para ressaltar a que ponto vai a vaidade de algumas mulheres (mulheres comuns, não vamos fazer referência às biônicas que moram em clínicas de estética, aka Angela Bismarchi). Claaaaro que é legal estar sempre bonitinha, na adolescência eu acordava um tantinho mais cedo para acertar no "book" (para os não iniciados, topete preso com passadeirinha, moda nos 90's). Mas certas coisas beiram o ridículo: 7h30 da manhã de uma terça-feira, um calor tropico-infernal, e, no banheiro do shopping que acomoda minha academia e um colégio, duas adolescentes deslizavam cuidadosamente a chapinha pelos cabelos (mal) pintados de vermelho - e cada uma com a sua prancha de estimação, não tem esta de repartir não.
Pior que isso só a moreninha de 38 quilos da academia (já falei dela, está cada vez mais magra), que, antes de suar a bacurinha em bicas pedalando a ergométrica e saltitando no jump, alisa os vários cachinhos um por um com a chapinha que carrega permanentemente na mochila.


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Ontem lavei os cabelos e fui dormir com eles molhados. Deu uma pregui de pegar no secador...

25.3.09

De melissa a crocs

Nasci e fui criada numa cidade onde diversidade de estilos nunca foi marca registrada. Meninos podiam ser mauricinhos - babylook (sim, na minha época babylook não era patrimônio gay) e calças de sarja coloridas, do amarelinho canário ao vermelho cardeal.

Ou podiam ser "largadões" - ostentando o maldito triunvirato boné, bermudão-quase-calça e correntes no pescoço. Sendo que, com o passar dos anos, estes adereços foram ganhando peso. Bonés ganharam o capuz do moleton por cima. Calças e bermudas, bolsos e passamanarias suficientes para deixarem meio rabo do sujeito à mostra. Correntes de pescoço passaram a ser adquiridas nas docas.

Meninas variavam ainda menos. Havia as patricinhas e as patricinhas wannabe. As primeiras, poucas, usavam roupinhas transadas e caras das boutiques de Shark. As outras contentavam-se em imitar as riquinhas comprando peças similares nos outlets de BR que abundam na região.

O básico: camisetinha (barriga à mostra), mini jeans e mega plataformas. É assim até hoje, mas as saias perderam terreno para o famigerado legging.

Eu me achava de vanguarda (hahahaha). Eu e Lô, que não me deixa mentir. Guiadas pela bíblia das teenagers dos anos 90, a revista Capricho, cismamos de ressuscitar a sandália Melissa. E fomos encontrá-la, aquele modelinho retrô, baixinha, em um único lugar da cidade, o Mercadão Público - devo observar que o mercado público de Shark não é semelhante a tantos MP existentes no país, cheios de vida, música, chopp gelado e peixinho frito. Ah, nem queira saber...

O look era o "máximo": jeans, camisetinha branca comprada em loja de criança (tinha que ser pequena) e a Melissa - muitas vezes usada com meia - nos pés.

É foda morar na roça. Olhares horrorizados nos devastavam por onde andássemos. Mas, seis meses depois (ou um ano?), todas as meninas haviam adotado as sandalinhas de plástico - ainda que muitas delas na versão "tropicaliente", com um saltão medonho de juta falsa.



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Hoje devo admitir que, de maneira geral, o povo de Shark e adjacências já manda muito melhor no figurino. O que a globalização não faz, não é mesmo, minha gente? Arriscam mais, brincam mais, coordenam peças com mais ousadia e, com frequência, acabam acertando.

É que hoje, além das "patricinhas" (termo em desuso, mas não achei substituto), dos "playboyzinhos", dos riponguinhos e dos pagode stylers (help!), temos que conviver com os (pseudo) emos. Pseudo porque certamente nenhum deles conhece ou segue a "causa" emo - se é que emos têm causa (hahahahahah, morri!) a não ser usar franjão e lápis no olho e parecer melancólico (é lógico que ser "emo" é a desculpa adolescente para sair do armário, mas não vem ao caso).

Aí que, dia desses, circulando pela cosmopolita Marcolino Cabral, cruzo com uma criatura ímpar. Franjão, lapisinho no olho (mas bem de leve, era dia), camiseta com estampa descolada, jeans e, nos pés, crocs. Laranjas. O proprietário do look era um menino, deixo claro. Na hora tive ímpetos de me atirar ao chão e rolar de rir, ninguém merece croc. Muito menos laranja. Mas depois lembrei-me de mim e Lô aos 16, exibindo, nos pés, o que meio mundo deveria considerar "esquisitos trecos de plástico". Aí fiquei comovida com o esforço fashion do moçoilo - é bem possível que daqui a alguns meses surja uma horda de teens batendo crocs coloridas pelas calçadas de nossa big city.

Eu comprei uma destas pra minha sobrinha. Branca, da Hello Kitty. A menina tem sete anos, mas já acha meio cafona.

23.3.09

Tópicos típicos

  • Eu definitivamente prefiro o inverno. Principalmente se alojada neste Sul catarina do meu coração (hohoho). Porque o Sol é massa, calorzinho é gostoso, verão é bonito de se ver, mas nada mais civilizado do que um termômetro indicando menos de 18 graus.
    Porque temos as roupas bonitas. E os cachecóis. As botas. E tem as comfort foods. Né?, porque, fala sério, salada é saudável, sorvete é tudo, mas uma sopinha fervilhando num dia frio de trincar os ossos é muito reconfortante. E vinho.
  • O que é você sustentar bem uma montação, não é mesmo? Assistindo a episódios de Sex and the City no Fox Life, sempre me surpreendo com Carrie Bradshaw. Sempre. Porque ela carrega dignidade de qualquer jeito, seja usando um tubinho preto de jersey ou um trapo furado e esfarrapado. Mesmo que este trapo esfarrapado for Roberto Cavalli. A roupa era tão feia, a Sarah Jessica Parker é o cão chupando manga, mas, ah, reles mortais... o conjunto da obra é sempre fantástico. Estilo: ou você tem ou você não tem. Seja com Roberto Cavalli esfarrapado ou com regatinha de R$ 9,99 da Renner.
  • Preferia ter lido algo a respeito de Watchmen antes de assistir sua versão para o cinema - até porque viajei horrores nos primeiro 30 minutos. Aí depois foi esquentando - principalmente quando Dr. Manhattan aparecia como veio ao mundo - só que azulzinho. Sim, taradas (os) de plantão, Watchmen tem nu frontal masculino! Ainda não é o suficiente para conduzi-lo ao cinema? Ok, é um bom filme de ação (bons efeitos, mocinhos vilões, zzzz...).
  • Você sabe que tem tudo para recuperar aqueles quilos que custosamente perdeu quando já se enche da academia na primeira semana... Anyway, não quero nada de Páscoa mesmo... nada comível, deixo claro. Um sapato luxo com salto de cone invertido iria bem...
  • A velhice chega para todos, não há como escapar. Mas para Shannon Doherty ela foi mais cruel. Vide a velha e boa (?) Brenda Walsh, na nova versão de Beverly Hills 90201. Com direito a queixo duplo e tudo.
  • E que venha o inverno. Que eu tô louca pra usar meu casaqueto vermelho.
  • Eu já contei que quase me afoguei no rafting? (dããããã...)

18.3.09

Miguelito, o anti-arcanjo

Ele já chegou causando. Nem havia pisado na empresa e já provocava polêmica. Foi só dar uma olhadela básica no currículo extraordinário do moço para um funcionário mais esperto já apontar: picareta. Mas os chefes preferiram não concordar com o pré-conceito. E contrataram a polêmica criatura. Por mais de um ano, Pablo Miguelito "La Garantía Soy Yo" Herrera divertiu seus colegas de trabalho com as mais bizarras situações.
Para ele não havia tempo ruim. Qualquer terça-feira era boa para reunir a galera em suas luxuosas dependências, onde oferecia cerveja gelada, uísque importado, paella, tacos, guacamole e doses generosas dos produtos colombianos "tipo exportação". A vida era uma bela e colorida festa.
No Carnaval, marcou época em Shark city ao desfilar abraçado a sete vampiras traficantes lésbicas. Na campanha eleitoral, encheu a burra de money, money, money vendendo a alma a Deus, ao diabo, anjos, santos, íncubos, súcubos e quem mais se interessasse. Mas não votou: seu título é de Pedro Juan Caballero.
Virou figurinha fácil em lojas de móveis e eletrodomésticos, redecorando seu flat com o típico bom gosto paraguajo. LCD de 49 polegas, sofás de couro, chaise de camurça fina, tapetes, cortinas, esculturas. Obras de arte das mais variadas, luxo e ostentação.
Aos que o visitavam em suas dependências, tudo. Filés de linguado, camarões gigantes na manteiga, lagosta ao termidor, prosecco geladíssimo. E entre garfadas de risoto de açafrão e golinhos de vinho, estalava a linguinha marota e exibia fotos de sua intimidade com a adorável esposa. "Numa delas a bichinha abocanhava até o talo. Depois tentaram dizer que era um brinquedinho de borracha, mas, ah, meu bem, de pau eu entendo", revela D., testemunha das orgias gastro-sexuais de Miguelito.
Se com a esposa o sexo parecia tão ardente, sem ela o panorama era de filme pornô. Bastava a bichinha ir embora visitar familiares distantes e era aquele desfile de criaturas-que-fazem-da-calçada-local-de-trabalho.
Os vizinhos, na (vã) tentativa de preservar a moral e os bons costumes, pediam para que ele não posasse tão ostensivamente, nu, balagandãs à mostra, apalpando coxas, bundas e peitos, em frente à janela com vista para o playground, às 11 da manhã. Para sua fúria, que jamais permitiu ser cerceado em suas vontades.
Só muito tempo depois foi que perceberam o rombo. Tentaram interceptá-lo, mas não houve tempo hábil. Háhá, amadores...
No meio da madrugada Miguelito evaporou com todos os seus recém-adquiridos pertences não-pagos. E dívidas, muitas. No rent-a-car, na Fatia de Baguete, lanchonete de Shark, na rotisserie, na locadora, na padaria, imobiliária... enfim, ainda gastou a última gota de sua lábia invejável para levar, na faixa, um equipamento fotográfico de última geração.
Pânico em Shark city.
A polícia foi acionada, autoridades comunicadas, mas já era tarde. Na parede do apartamento vazio, um recado desaforado dirigido a todos os seus "desafetos" - e escrito com o conteúdo da uma fralda bem cheia da filha mais nova...

10.3.09

Little black underpant

Quem trabalha ou já trabalhou em uma redação (de jornal, de TV, rádio, blog, portal de notícias, whatever) sabe o quanto pode ser divertido e proveitoso lidar com agências e assessorias de imprensa diversas. Primeiro porque, obviamente, estes profissionais podem realmente te quebrar os maiores galhões ever nos conturbados horários de fechamento.
Segundo - e aí reside a magia - porque eventualmente você recebe pérolas como esta abaixo, que me foi enviada por um povo amigo que trabalha na portentosa press sharkcitiana.

Uma agência (do Rio) enviou, como sugestão de pauta, um pacote onde relaciona o hit "Você não vale nada (?????)" com uma personagem da novela O Clon... ops, Caminho das Índias. Coitadinha da Dira Paes, que figura como protagonista no meio dessa cafonice... Sente o drama (as observações em itálico, entre parênteses, não vieram no release, evidentemente):

Melô da boa: Forró 'Você Não Vale Nada', tema de personagem de Dira Paes, é o maior sucesso da novela 'Caminho das Índias'!!! (as exclamações são luxo e alegoria)
'Você não vale nada mas eu gosto de você!' Toda vez que Norminha (Dira Paes) aparece em 'Caminho das Índias', o forró cantado pela banda Calcinha Preta (yep!) marca os olhares e o requebrado da fogosa mulher do guarda Abel (Anderson Muller). Nem a exótica abertura da novela de Glória Perez faz tanto sucesso com o público. É um sucesso entre as mulheres.
A Agência XXX oferece esta matéria especial composta por texto e imagens, no valor de: R$ 120,00 (caí pra trás: não é que eles COBRAM por isso?).
Mas o mais impressionante ficou pro final. Junto do release, algumas fotinhos como "aperitivo" (tipo, o ovo colorido que antecede o banquete de coxinha com molho farrapo). Além da imagem de Dira Paes e do marido "guarda" (hahahahah, guarda...), três criaturas que se denominam os integrantes do Calcinha Preta. Vamos a elas?
Essa é a basiquinha da turma. Peitinho murcho, mas com dignidade, macacãozinho fiiiino de risca-de-giz e cintão branco adornando a cinturita de pilão. Gamei na franjinha estrategicamente cobrindo meia testa. E o relógio?

...
Nem sei o que dizer. Tipo, sei lá, meio que virou tendência o cara se bandear pro seu salão de beleza (ou instituto, ou coiffeur) predileto e pedir pela escova progressiva amiga. Mas esse aí passou do padrão Charlotte Belzebu e exagerou no formol. Exagerou pesado. E isso que devemos considerar sua descendência tupi-guarani, que mesmo sem chapinha já lhe garantiria fios ultra-lisos. Pra que tanto?


Heheheh... mas isso é Brasil, meu povo! Olha o piRci no umbiguinho! Olha o macacãozinho sedutoramente aberto até o púbis! Olha o franjão! Ela deve frequentar o mesmo saloon onde seu colega de banda faz a progressiva.
Não é uma delícia abrir seu email DO TRABALHO e se deparar com uma pérola destas? É o que eu digo, jornalistas são os que mais se divertem...

Fio-terra

Bom demais para ser verdade... após meses de paz e tranquilidade sem a presença do meliante pós-adolescente que reside logo embaixo de meu flat, eis que a criatura volta mostrando a que veio. Relembrando: o menino e a mãe viviam às turras, brigas violentas every day. Até que o filhote chutou o balde e bandeou-se, mala e cuia, para casa de papá, em terras gaúchas. Para desespero de sua mãe e minha alegria, que já não aguentava tantos berros, uivos e gemidos. Aliás, os gemidos continuaram, em outra escala, dada a profissão de minha cara vizinha...
Pois bem, volta o menino e, desta vez, acompanhado por uma garota, a namorada. Aí que, noite de sábado, a mãe provavelmente "trabalhando duro" no Little Castle, e o rala-e-rola dos mais calientes pôde ser ouvido em minhas dependências. Dos mais calientes vírgula, porque sexo adolescente - ainda que pós-adolescente - me soa tão aflito, angustiado, tão ejaculação precoce que eu relembrei porque é bom ser adulta e se relacionar com seres adultos.
Aí foram aqueles ruídos sôfregos, nervosos, grunhidos de ambas as partes, uma coisa gutural. E os tapas... Ah, minha gente, era schlep daqui, schlep dali, uma espancação hard core. Fiquei alerta pensando que o bruto estaria machucando a pobre menininha, mas, qual!, de repente escuto a voz dele, abafada, implorando para que ela pegasse mais leve: "Devagar aí!", dizia o garoto, pedindo água. A menina gargalhava, perversazinha.
Uns dez minutos de esfregação e gozo depois, e o silêncio. Pensei que minha experiência sexual auditiva tinha chego ao fim quando escuto o menino pedindo mais. Ela recusa, regateia, faz beicinho. Aí o guri fecha com chave de ouro: "Se tu não queres mais, então tira o dedo do meu cu!".

Humpf... já não se fazem adolescentes românticos como antigamente...

3.3.09

BBB



Nossa... esta eu não perco de jeito nenhum. É, já ultrapassei a barreira da vergoinha por estar acompanhando o BBB. E para os iniciados: continuo meio que fã da catarina retardada, mas o Ralf não é nada mais do que a versão carolinística de calças. Ou sunga branca, whatever.
Update: Peninha do Ralf... mas bem-feito pra vaca da Milena e pro (semi) enrustido do Flávio. Nojentos. (você descobre que chegou ao fim da linha em matéria de reality shows quando sabe os nomes dos participantes de cor).

1.3.09

Mitômana

Ela já chegou chamando atenção - não por ser terrivelmente feia nem por radiantemente bela, mas por falar alto. Só alto não, praticamente aos berros, uma coisa horrorosa. Estavamos embarcando no bus em POA, rumo a Sharkcity, e os agudos (mais graves que agudos, devo admitir) da rapariga fizeram com que eu desviasse os olhos das palavras cruzadas um bocado de vezes, ao longo do trajeto.

Juro que ainda tentei seguir indiferente, mas percebi que todo o blablablá e a postura overreacting da gritona poderiam me render horas de puro deleite. Pois bem.

Mal se acomodou em sua poltrona e a mulherzinha vociferou para sua partner de viagem: "Vim a trabalho. Trabalho em Porto Alegre mas tenho casa em Garopaba, aí já viu, né? Tive que vir, tinha um monte de projetinho atrasado. Mas deixei minha filhota com a avó. Coisa booooa, né? Ter alguém pra cuidar da filhona assim...". Estranhei o tom de "gabância" do comentário. Casa em Garopaba, a meca litorânea dos gaúchos, muitos projetos, sinal de dinheiro entrando... decidi continuar bem atenta.

Quando ela comunicou, em seguida, que preferiu não vir com seu automóvel (um Omega GLS), resolvi analisar o visú da gata. Camiseta do time do (meu) marido (no Rio Grande do Sul simpatizei com o Grêmio, justificou), daquelas encontradas penduradas em série na barraca do camelô; jeans "corsário" (afff) e sandálias de salto colossal de madeira, cobertas com camurça puída; bolsa adquirida, provavelmente, no mesmo lugar onde encontrou a camiseta. E as bagagens, inúmeras, socadas com força na parte superior de sua poltrona, entre bolsões sintéticos e gigantescas sacolas plásticas repletas de badulaques. Foi quando desconfiei da incapacidade da menina de falar a verdade.

Ela mentia, juro que mentia. Mas mentia com tanto orgulho e sinceridade que certamente levava sua interlocutora a acreditar. Contou dos projetos que desenvolveria (móveis de mdf); da filha liiinda de enormes olhos verdes; das belezas, atrações e deficiências de TODAS as cidades por onde passávamos. Ah, fala sério, ninguém sabe nada de Maquiné a não ser que lá tem um restaurante de beira de estrada que vende bala de banana. De Sharkcity, ela fez apenas comentários supérfluos, en passant.

Cansei de tanta lorota e abstraí por algumas horas. Na paradinha para um xixi básico, mais mitomania. "Agora a gente pára aqui pra comer um sanduíche natural e um chocolate quente", instruia ela, exatamente o lanche eleito pelo inconsciente popular coletivo como sendo "fino", hahaha, não sei de onde saem estas coisas. Um calorão fdp e a guria foi seca no "chocolate quente" (nescau), pose é tudo neste mundo.

Só fui me deter na criaturinha novamente pouco antes de desembarcarmos. Havia despirocado. Marcava um encontro com sua companheira de viagem, levaria a linda filha de olhos verdes para conhecê-la. Disse que havia retornado, há pouco, de Buenos Aires, e que já se programava para fazer um tour ligeiro pelo Uruguai (adoro fazer compras lá). Também falou da possibilidade de um cruzeiro, teria amigos em Fernando de Noronha, para onde costumava ir com regularidade.

Não ouvi o motivo de ela ter desembarcado em Shark, já que, originalmente, seu destino era Garopaba. Ainda antes de descer, perguntou para as paredes (ou janelas da Santo Anjo) se seria melhor ligar e pedir para a família vir buscá-la ou chamar um táxi. Optou por ligar.

No orelhão, telefonou a cobrar e convenceu alguém a vir buscá-la alertando para os diversos presentes que havia trazido (imagino que acondicionados na sacolona de plástico paraguaia). Percebi certa relutância do outro lado da linha, já que chovia, mas como tinha presentes na jogada, em pouco mais de dez minutos uma humilde senhora, pilotando uma bicicleta, com uma menininha encardida na garupa, chegou para receber nossa protagonista. A rapidez teve explicação óbvia: quem conhece a geografia de Shark, sabe que a localidade de Capão Cagado fica logo ali atrás da rodô.

27.2.09

Momo e seu Mundo Bizarro

Dos desenhos animados que eu assistia na infância poucos me fascinavam tanto quanto o da Liga da Justiça - principalmente quando o Superman descambava pro tal Mundo Bizarro para encontrar seu morador mais ilustre, o Superman do B. Ok, meus prediletos continuam sendo Zan e Jayna, os Super Gêmeos (ativar!).
Aí que neste Carnaval tive my own private experience mundobizarrística. Não que o balneário que me acolheu durante os dias de folia sofresse de anomalias do tipo "Carnaval de Jesus" ou retiro-espiritual-para-livrar-pecadores-da-tentação-da-carne. Não. Em Cassino beach, quase lá na fronteirona, Chuí praticamente, o Carnaval é algo que pode ser denominado com expressões da linha "saudável", "família"e até com a odiosa "do bem".
Durante o dia, crianças, idosos e muitos, muitos jovens gauchisticamente belos e sarados exibiam seus corpos dourados ao longo da gigantesca orla praiana bebericando... chimarrão. Dos automóveis, um pouco de jazz aqui, clássicos acolá, MPB, um sambinha pra entrar no clima, tudo em volume agradavelmente moderado. Juro, em cinco dias ouvi apenas dois funks - e acho que brotavam do mesmo automóvel, deveria ser um deslocado qualquer.
À noite, a mesma galera da praia levava suas cadeiras reclináveis para a avenida e as acomodavam na calçada, de modos a ver o desfile dos bloquinhos sossegadamente, bem sentados, sorvendo sofregadamente... chimarrão.
Ei, eu disse que estava numa festa de Carnaval, não num retiro. O povo era animado, divertido, usava e abusada de fantasias das mais criativas. Tangas enterradas no rabo e vestidinhos medíocres eram sustentados com orgulho pela macharada doida para extravasar na única ocasião do ano em que isto é permitido. Palhaços, negas malucas, diabinhas, anjinhos, por aí vai. Tudo muito bonito, alegre e colorido. Acredito ter visto quatro ou cinco pessoas bebericando latas de CERVEJA (uau).
E o spray de espuma, minha gente, o maldito spray de espuma que me faz dispensar o Carnaval mais mara do sul-catarina devido a seu uso indiscriminado. Em Cassino beach o hit era jogar espuma PARA O ALTO, e não na boca dos desprevenidos. Foi quando percebi que provavelmente o inventor deste asqueroso artefato deveria ser bem-intencionado e apenas sonhava com a paz mundial e com a possibilidade de enlatar confete.
Por todo o lado ouvia-se "com licença", "boa noite", "desculpe" e afins. E por mais boazuda que fosse a loirosa de plantão ostentando um short cavado, ninguém se atreveria a passar-lhe a mão nas entranhas, que isso é coisa de degenerados.
Você até pode achar que minhas condições etílicas me propiciaram um delírio carnavalesco, mas o melhor eu deixei para o final: pela primeira vez em minha vida adulta, passei uma festança momística sem ingerir absolutamente NENHUMA gota de álcool. Sério.

11.2.09

Are, Baba!

Você percebe que alguma coisa está fora da ordem mundial quando o marido pontua suas frases com expressões exóticas como "este daí é um dalit", ou "Tik, tik, atchá".
Ou tudo não passa de um longo e ocioso período de férias diante de uma TV de (apenas) canais abertos.
Devo confessar minha queda por novelas da Glória Perez, não à toa perdi horas preciosas de minha agitadíssima vida diante da telinha, conferindo os emocionantes capítulos de "O Clone" (ai, que saudade...). Agora a coisa meio que se repete com "Caminho das Índias", parece-me mais um remake do que uma novela "nova", but, whatever.
Os make-ups, as roupas coloridas e os romances (sempre) proibidos são fascinantes, mesmo na pele da Juliana Paes (hehehhehe). Além do que, Osmar Prado e Antônio Calloni (magééérrimo) não costumam dar mole por aí (adooooro).
De lambuja, existem as curiosas expressões que certamente vão bailar na boca do povo por meses a fio (aí aguenta). E o que é Letícia Sabatella, linda de doer, de vilã? Já havia me acostumado com a mocinha só interpretando sofredoras e mártires, curti o desafio.

E como desgraça p0uca é bobagem, a moça anti-vênus platinada aqui também está acompanhado religiosamente o reality show mais bagaceiro ever do hemisfério Sul, BBB. Porcaria viciante, dá pra entender porque muitos não conseguem abandonar as drogas, o álcool e o cigarro... o pior sou eu torcendo pra catarina loira-burra retardada (eu sei, é feeeeio, Papai do céu não gosta...).

Para os que, como eu, incorreram na desgraça de acompanhar o folhetim global, aí vai um glossário muito do engraçadinho encontrado neste site. Curte só.

Expressões da Índia (todas muitíssimos bem utilizadas na novela da Glória Perez)
BALDI - Pai
TOOK TOOK - Veículo motorizado de três rodas
RIQUIXÁ - Charrete puxada por homem de bicicleta
SARI - Roupa que consiste em longa peça de tecido enrolada em volta do corpo
MAGALA SUTRA - Colar que corresponde às alianças de casamento
MAHADEVA - Deus Supremo da religião hindu, sinônimo de Shiva
FIRANGI - Estrangeiro (a)
ARE, BABA - Ai, meu Deus!
ARE, RAMA - Rama é uma das personalidades de Vishnu (deus que forma a trindade com Brahma e Shiva). É interjeição como ‘Are, Baba’
TIK TIK - Sim, sim
ATCHÁ - Tudo bem, OK
CHALO - Vamos!

6.2.09

Fevereiro, tempo de gastar (ou não)

Então afastei-me temporariamente de minhas atividades cotidianas para servir de acompanhante à tia sedenta por roupas novas. Quem conhece Shark city sabe da vocação comercial do município, que vive às custas de carnês e prestaçõezinhas alheias. A gentalhada de toda a região se esbalda nas lojinhas, sapatarias, boutiques, baratões e afins espalhadas pelas ruas centrais de nossa querida megalópole azul. E fevereiro, meu povo amigo, ahhhhh, fevereiro é o mês para boas compras (teoricamente), quando tem início a temporada de liquidações. Que Natal, que nada! O hit do momento é por o cartãozinho de crédito na bolsa (ou o rg e o cpf, caso dos tradicionalistas que não abrem mão do crediário) e rumar faceira para as lojinhas de Shark.
Foi o que fizemos. Ela, com mil intenções de compras na cabeça; eu, com nenhuma, juro por Deus, eu devo estar (argh...) amadurecendo.
Mas, ahhh, a felicidade está nas pequenas coisas - ou nas coisas que não te dão vontade de comprar. Penetramos todas as portículas da Marcolino Cabral e, alegria das alegrias, absolutamente nada encantou-me sobremaneira. Uma regatinha branca ali, uma sandália cobrada acolá, tudo muito chinfrinzinho, coisitas que não valeriam nem os R$ 40 que custavam.
Fui seguindo, firme, determinada a não consumir absolutamente nada, e, dada a mesmice dos produtos em oferta, vi-me saindo vitoriosa. Mas...
foi quando decidi entrar em uma lojita razoável de Shark, onde blusinhas de malha eram ofertadas com 50% de desconto. E eu a vi. Metalizada, grandona, modelito diferenciado, meio cobre, meio prata, meio dourada, couro. A bolsa dos meus sonhos. Não, não realizei meu grande sonho, e saí frustradíssima, a poucos minutos de adentrar minha residência com aquela deliciosa sensação de "não preciso de nada". Eu precisava daquela bolsa. Mas R$ 750 não são pro meu bico. Nem com os oportunos 50% à vista, ou tentadoras quatro parcelas de R$ 100.
Só de raiva, entrei na portinha seguinte e comprei um biquíni. Quarentinha. Azul. Que deverá fazer sua estreia neste findi, aqui em Anita's beach, onde repouso temporariamente. Sem a minha bolsa metalizada, no entanto. Aceito presentes e/ou doações.

2.2.09

TPDPM

Meu grande problema, além dos referentes ao meu novíssimo cabelo permanente-style, é uma maldita TPM que vai muito além da letrinha P desta sigla que traz tanto infortúnio às mulheres. Eventualmente, este mal ganha início (pré), meio (durante) e fim (pós), e o que era pra ser apenas uma dorzinha de cabeça e uma cólica corriqueira torna-se um monstro recém-desperto e sedento por sangue (blargh).
Em meses normais costumo flanar sossegadamente por este período causador de tanta dor e sofrimento às criaturas providas de útero. Mas desta vez não deu pra escapar.
Aí de repente me vi em pleno sábado de sol aborrecendo-me, sem grandes motivos, com mãmã, a sobrinha querida e o marido; me vi soluçando, aos prantos, por conta da linda propaganda de doação de órgãos; me vi achando sinceramente que o mundo iria acabar porque meu ferro de passar quebrou, porque preciso de uma câmera fotográfica nova, porque quero comprar uma bolsa mas não tenho grana, porque lembrei de minha querida vozinha (que nesta hora deve estar tricotando horrores ao lado de Virgem Mary) e fiquei com saudades.
Aí fui caminhando e chorando e lamentando profundamente por minha vidinha tão infame, monótona, sem graça, até o shopping de Shark, onde assistiria a Vicky Christina Barcelona, o novo do Woody.
Ahhhh, meninas, que Atroveran, que nada! O melhor antídoto para curar uma TPM daquelas vem da sétima arte, do lúdico, da fantasia, do cinema! Pouco mais de uma hora e meia depois renascia uma nova mulher, sorridente, confiante, bem-humorada, cantarolando a deliciosa "Barcelona" (confiram: Giulia y los Tellarini), pronta para outros dramas e adversidades (que não venham, please).
Infelizmente, o efeito não é lá muito duradouro. Enquanto escrevo este texto, hoje, segunda-feira, pós-período menstrual, tento não inundar meu teclado com copiosas lágrimas por conta do primeiro episódio da nova temporada de CSI, com o funeral do carismático personagem Warrick Brown. Lindo!

Plus lágrimas gratuitas - Evidentemente, nem todos precisam sustentar um útero para verter copiosas molhadas à toa. Quando rumava ao cinema cruzei com amigos queridos e custei a reconhecê-los. Mark and Davis exibiam olhinhos orientais, de tão inchadinhos. O culpado? Benjamin Button. O que não quer dizer nada, Davizinho chorou pencas com o fim da A Favorita, haha.

27.1.09

O Orkut e seus indecifráveis mistérios

Desde 2006 faço bom uso, como proprietária de um perfil, do site de relacionamentos Orkut - hoje para mim mais um eficiente calendário para lembrar aniversários e um álbum de fotos com boa capacidade de armazenamento do que um "espaço" para fazer "novas amizades" - hahaha, se é que alguém consegue fazer amizades pelo Orkut.
Aí que, de vez em quando, gosto de dar uma conferidinha nas "comunidades" das quais teoricamente participo. E pela segunda ou terceira vez, sei lá, descobri-me participante de uma comu (olha a intimidade) com a qual não tenho a menor identificação e onde não entrei por livre e espontânea vontade. Imagino que a original tenha sido roubada por hackers, que tratam de modificar seu nome para coisas das mais esdrúxulas.
Por exemplo: semana passada vi-me inserida na comunidade "Viver é superar desafios". Mas, quá, dede quando euzinha aqui vou join assim, facinho, numa chumbreguice destas?
Desfiliei-me e me dei ao trabalho de fuçar suas relacionadas. São comus que não dizem nada com coisa alguma e que abusam de clichês e de filosofia rasteira, do tipo "A vida é feita de escolhas" (really?); "O segredo é NÃO correr atrás" (jura?, pois eu achava que a correria era parte da vida...); "Sou assim e não vou mudar" (é por estas que eu nunca vou fazer novos amigos by Orkut), além desta, que é o máximo: "Quem é você para me criticar?", tipo, você deve ter sido cruelmente criticada na vida para querer entrar nessa, né?
Outra recordista de participantes é "Deixe acontecer naturalmente", hahaha, muita gente que conheço está nessa, são justamente as mais ansiosas, carro-na-frente-dos-bois style.
Outra divertida (de tão cafona) é a "Atitudes valem mais que palavras" (deve ser por isso que todos amam os mudinhos) e, finalmente, "Minha atitude depende da sua" (what? Desculpa, minha inteligência rasa não consegue compreender direito o significado disto).
Eu não sei exatamente qual de minhas queridas comunidades foi furtada para dar espaço a estas pérolas da mediocridade virtual, mas será que estes hackers fdps não poderiam roubar comus do tipo "Eu amo chocolate" ou "Eu odeio acordar cedo"? É por estas e por outras que eu faço questão de pertencer a esta comunidade aqui, só pra não correr riscos...

Colegas...

A moça, aquela atentada, afastada temporariamente do jornalismo a fim de cumprir tarefas mais nobres (como as aulas de Alemão Arcaico, Esperanto, Aramaico e Português - Versão Novas Regras Gramaticais), circulava tranquila por sua comunidade quando, ao cruzar pelo bar da esquina escuta aquela voz bizonha: "Ei, coleeeega!". Assustada, a brunette bem que tentou fingir que não era com ela, mas o dono da voz foi um pouco mais além: "Eeeeeei, Charlotte B., eeeei, coleeega!", nominou. Aí não houve meios de fazer a surda.
Lentamente e temerosamente, a paulistana desvairada foi virando o pescocinho na tentativa de reconhecer seu interlocutor. Enquanto isto, mil pensamentos eram fabricados ininterruptamente pelas sinopses nervosas de seu cérebro em ebulição. "Ai, quem deve ser? Só tem um tipo de gente aqui na região que infla o peito pra chamar o outro de colega, os que pertencem à categoria pseudo-jornalista", antevia a médium. Estava coberta de razão.
Curioso, fosse ela médica ou advogada, a cena não aconteceria. Mas não, além de professora Charlotte é JORNALISTA, ou seja, cheinha de colegas por toda Shark city e adjacências. Colegas temos aos montes, centenas, do pedreiro ao encanador, do gerador de caracteres ao sonoplasta. Basta um microfone na mão, ou caneta e bloquinho, e voilá! Temos um colega. Argh.
Voltando à história. E quem cumprimentava nossa heroína, aos berros, copinho suado de cerveja na mão? Siiiiiim, mais um destes coleguinhas, um tipão figurinha fácil na cidade, gordo, afetado, espalhafatoso, barulhento, daqueles que vivem de lembranças dos bons tempos passados e que jura ter alcançado fama, glamour e poder protagonizando um programete de TV no canal 247 que só pega na Coronel Cabral.
Mas ele não estava só, que desgraça pouca é bobagem. Junto ao gorduchinho fanfarrão havia uma outra criatura bizarra da pseudo-press sharkcitiana, mais reconhecido por suas semelhanças físicas com um cantor da MPB do que por qualquer outra coisa.
Embriagados, os dois propagandearam os mais mirabolantes projetos, e que vão "revolucionar o jornalismo no Sul catarina", algo entre um site e um programa de rádio, whatever.
"Faço questão da sua participação, Charlottinha, contamos contigo! Me passa o teu msn!", gritava o gordo. Maldito msn. Endereço fake repassado, "um batizado me espera logo ali na São Judas Tadeu" foi dado como desculpa para fugir e finalmente nossa morenaça belzebu viu-se livre da dupla do capeta.
Sabemos da necessidade de vagas e oportunidades de emprego neste ramo que escolhemos como profissão, mas... numa hora destas limpar uma privada bem suja é praticamente poesia.

Michelle e os modelitos

Não acho muito simpático - pra não dizer pretencioso demais - afirmar que Barack Obama chegou para ocupar o cargo de grande líder mundial - o que, tecnicamente, menosprezaria todos os outros grandes líderes, pondo em xeque questões tão importantes quanto soberania e independência (Hipocrisia ou ingenuidade? Whatever, eles são grandes, mas não são dois).
Mas devo admitir ter me emocionado com a trajetória do mais novo presidente americano - quer coisa mais simbólica, e bela, e unificadora, e representativa do que um homem negro, cujo nome sustenta origens africanas, árabes e tribais, no comando da grande nação americana?
Mas o que me encantou durante o longo e memorável dia 20 de janeiro de 2009, data da posse de Barack, foi a perfeita integração da família Obama, os gestos de carinho, o orgulho e a alegria, os sorrisos largos.
Tudo - pelo menos do meu ponto de vista - parecendo muito natural, muito espontâneo, sem aquele carão de roteiro pré-estabelecido e exaustivamente ensaiado (ok, sabemos que havia um gigantesco protocolo a ser seguido, ainda assim prevaleceu a impressão de que todos estavam muito à vontade, felizes, sem deslumbramento).
Fino demais - além de mega-significativo - foi a descoberta da misteriosa designer responsável pelos modelitos de Michelle Obama, na posse. Ao contrário das apostas dos mais influentes fashionistas de plantão, que davam como certo o toque de estillistas já consagrados, a autora dos elegantes trajes da primeira-dama foi uma cubana, Isabel Toledo. Michelle já está fazendo história, e de maneira bastante positiva, no controverso hall de primeiras-damas americanas. A esposa de Barack é conhecida por optar por peças de estilistas fora do tradicional circuitinho de moda, o que, na terra dos exageros e da breguice, pode até ser encarado como ousadia - se Michelle não soubesse sustentar, o que vem fazendo com maestria desde que se tornou pessoa pública.
Mais do que uma prova inconteste de estilo próprio, elegância e bom gosto, Michelle mostrou personalidade e pés no chão, diante do maior templo da frivolidade e do deslumbramento, no mundo.
Ah, e ordenar o fechamento de Guantánamo também é sinal de que finalmente começaremos a caminhar rumo a um mundo melhor.

17.1.09

BBB e novelas wannabe Hollywood

Mesmo alimentando certa curiosidade, ainda não me dei ao trabalho de assistir algum capítulo (sim, capítulo, tipo novela, haja vista que o programa deve ter até roteiro pormenorizado) do BBB. Nada radicalmente contra o reality, mas cheguei ao meu limite com aquele "amor" ensebado, nauseabundo, absurdamente fake e exaustivamente explorado pela mídia entre Alemão e Siri. O jantar rebelava-se em meu estômago e ameaçava sair por onde havia entrado com uma simples troca de carícias entre o paulista marrento e a caipira oxigenada.

Tanto mal me fez que não tive condições psicológicas de acompanhar a edição seguinte, de onde, como pude constatar, nenhuma pseudo-celebridade conseguiu alcançar mais do que míseros 10 minutinhos de fama, e se. Quem ganhou, fui informada, foi um emo muito do fuleiro sem o menor carisma - este é um país que sabe como ninguém eleger seus representantes...

No novo BBB diverte-me a idéia de dois velhotes dividindo espaço com bombas hormonais ambulantes, mas é tudo o que sei do programa, até então. Certamente vou seguir o conselho da amiga Charlotte e acompanhar, ainda que en passant, a odisséia dos famintos por reconhecimento e admiração - Grasi Massafera deve ser a mulher mais invejada do Brasil. E se calhar de acompanhar situações divertidas, estas serão devidamente postadas e comentadas neste espacinho cor-de-rosa. Vamos ver se vai valer a pena...



Plus A Favorita - E o engodo das oito que tem a incrível capacidade de parar um país finalmente chegou ao fim - e mais uma vez escapei incólume das garras de outra novela global. A Favorita bateu recordes de audiência com, mais uma vez, um elenco canastrão, uma trama absurda e cada vez mais parecida com suas irmãs mexicanas. Bebericando um dry-martini no nosso point de estimação, Youngest Child, pude acompanhar, num misto de fascínio e horror, o último capítulo do folhetim mais badalado da Vênus Platinada e, concomitantemente, a reação e os comentários de seus fiéis discípulos seguidores. "Ah, eu sabia que ciclana iria ficar com beltrano". Infelizmente não consegui decorar os nomes dos personagens.

O que me arrancou algumas risadas marotas (que tiveram que ser abafadas, dada a cara de reprovação das pessoas ao meu redor) foi o final feliz da atriz Claudia Raia com seu partner novelesco (hahahahha, a gay couple...). Na cara dura, o autor simplesmente "inspirou-se" no bestseller (e agora filme) Marley e Eu e encaixou um cão labrador na vida do casal. Pa-té-ti-co.

Mas o mais engraçado foi flagrar meus amiguinhos chegarem apressados ao bar, depois da novela. Todos eles com os olhinhos levemente inchados... Novelas são o ópio do povo.

12.1.09

Promoções da semana

O cara entregando folhetos promocionais da Drogapopular me enxerga de longe e de lembrança me estica não um, mas cinco folderes. O do Magazine Luiza praticamente caminha na minha direção, eu devo ter cara de quem precisa urgente de uma cadeira do Papai ou de um processador de alimentos.
Devo confessar: não posso ver uma folhinha com as promoções mais quentes da semana - seja de que produto for - para já ir esticando a mãozinha faminta.
Minha tara pelos folhetos tem explicações. Primeiro: vai que eu deixe passar a liquidação mega-super-blaster da minha vida? E segundo: certa vez um conhecido quebrou um galho distribuindo folhetinhos na rua e me relatou os "horrores" da ingrata profissão. Uns o xingavam por ter entregue o papelzinho, outros chegavam ao cúmulo de amassá-lo e atirar na cara do moço. Muitos simplesmente ignoravam seu humilde bracinho esticado. O problema é que até o fim do dia o sujeito tem que entregar todo aquele monte de lixo. E não adianta atirar na lixeira mais próxima - as lojas vão descobrir. Sim, estes conglomerados devem usar de magia para descobrir quando o cara entrega ou não, diz a lenda que é melhor distribuir do que simplesmente livrar-se deles.
Pois bem, estávamos eu e a nordestininha mais sumida da face da Terra circulando pelo Centrão de Shark city quando, ao passar em frente a uma "butique" conhecida da cidade - onde regatinhas feiosas de malha custam R$ 480 e onde não entra ninguém, vai entender como o dono se sustenta - vimos um lounge instalado. Uma tenda, com sofazão, estampas tropicais e jovens sarados de barriga de fora distribuindo... folhetinhos! Como pensei que a loja estivendo apelando pra um torra-torra, achei que não custaria muito espiar o folderzinho das meninas. Mas quem disse que alguém se dignou a me entregar?
Percebi que a galera que circulava pela calçada (de bermudão, tênis, regata e óculos na cabeça), coisa dos 20 e poucos, era fortemente assediada pelas meninas (e meninos) do lounge. Passou um moço de dreadlocks no cabelo, ganhou folheto. Passou uma loiraça de microsaia e calcinha vermelha à mostra, folheto. Passaram duas adolescentes pseudo-emos de jeans skinny e all-star, folheto. Passamos eu e minha idosa amiga... nada.
Não engoli a história direito. Peraí, vai dizer que os belíssimos entregadores de folheto foram orientados a distribuir os panfletinhos só para pré e pós-adolescentes? (olha o despeito...). Após algumas comprinhas, retornamos ao mesmo local. "Agora a moça vai ter que me dar o folheto", calculei. Passou um cabeludo com camiseta de banda, ganhou folheto; uma dondoquinha a la Paris Hilton, idem; uma hippie de saião arrastando no chão e cabelos desgrenhados, folheto na mãozinha. Quando cruzamos a frente do lounge as loirinhas do folheto nem tchuns, basicamente não nos enxergaram.
Como eu praticamente me debrucei no folheto para enxergar o que o bendito comunicava, descobri que se tratava da "transferência" de uma casa noturna de Shark para o balneário mais badalado da região, durante os meses de verão. Só então respirei aliviada: o lugar definitivamente não faz meu estilo. Nada contra o ritmo predominante neste tipo de náite, uma incrível mistura de DJs e bandas de pagode, que isso é Brasil (hehehe, contém ironia).

Velhos hábitos (ou O Menino e os ossinhos)

Quando iniciamos este humilde bloguinho, eu e Stellita, imaginamos que, para que a idéia funcionasse de fato deveríamos postar diariamente, várias vezes ao dia, se possível. No início a coisa fluiu bem, mas com o passar dos meses minha disposição foi se reduzindo e os assuntos, escasseando (assuntos nunca escasseiam, mas é a desculpa mais compreensível, vinda de um blogueiro).
Outro problema era o meu acesso precário à net. Logo no início deste ano, quando finalmente conquistei o status on line sem restrições, calculei que finalmente o As Imediatas seria bombardeado por postagens múltiplas. Ledo engano. Bastava sentar em frente ao computador para invocar o mal-afamado "bloqueio" de escritor. Nada, branco, vazio, oco, no máximo algumas idéias esparsas que caberiam muito bem em um rascunho.
Hoje dispus-me em frente a TV e, casualmente, enxerguei meu caderninho (um dos vários que mantenho, atirados por todos os cômodos da casa). Imediatamente diversas idéias tomaram forma e foi só pegar na caneta para sair escrevendo postagens que estavam encalhadas em alguma gavetinha do cérebro.
Lembrei-me de quando acompanhava o programa dominical Fantástico - durante a infância, a família se reunia na sala de TV para assistir às reportagens especiais, era meio que sagrado esta confraternização silenciosa (porque o pai não permitia um mísero pio que desviasse sua atenção).
Uma reportagem marcou-me sobremaneira. Um repórter visitou o sertão nordestino para mostrar a vida de algumas famílias miseravelmente pobres, sem comida, sem água, sem qualquer infra-estrutura que lhes oferecesse dignidade. Mas sobreviviam, com trabalho duro, com suor e lágrimas, às duras penas.
Um menino comovou o repórter: quando não estava trabalhando com o pai (em plantações de cana ou cavando poços artesianos), ele, que deveria ter uns oito anos, divertia-se com seus brinquedinhos feitos em casa, nada mais do que pedaços de ossos de animais precariamente moldados em formatos que a imaginação da criança garantia serem carrinhos e bonequinhos.
Emocionado, o jovem jornalista retornou à cidade e lá comprou um super presente para o menino sertanejo, entregando-o nas mãos do mesmo: um autorama dos mais modernos, o equivalente a um Playstation, nos dias de hoje.
Qual não foi a surpresa do repórter ao retornar à casa da criança, semanas depois? Sentadinho no batente da porta, o menino não fazia nada diferente do que anteriormente. Brincava animado com seus pedacinhos de osso. Sobre o guarda-roupa quebrado da família repousava, quase que intocada, a caixa do autorama.
Não se tratava de pouco caso com o presente, mas o brinquedo novo era tão suntuoso, tão bonito, colorido, que trouxe preocupação a todos os membros da família. E se quebrasse? Melhor seria não mexer. Sendo assim, o menino voltou, resignado, para seus carrinhos de ossos. O repórter chorou (minha mãe também).
Neste momento quis ser repórter também, igual ao moço generoso da Globo, para conhecer universos totalmente díspares do meu, para ter contato com as mais diferentes personalidades, para constatar quão grande é este mundão, e para descobrir o quanto é difícil modificar velhos hábitos. Sei que posso fazer mais por mim e pelo blog com meus bloquinhos em punho. Subitamente, me enxeguei no menino dos ossinhos. Em breve, mais postagens (agora é sério).

3.1.09

New Yorker

Você, profissional de qualquer área, certamente deve alimentar sonhos fabulosos a respeito de sua carreira. Invariavelmente, médicos sonham em montar clínica própria - ou ter um trabalho citado e reconhecido em palestras mundo afora. Cientistas imaginam-se conquistando o Prêmio Nobel por alguma descoberta sensacional, do tipo cura do câncer, viagens no tempo ou teletransporte. Professores gostariam de ser os queridinhos da turma; publicitários, de criar a nova versão do “primeiro sutiã a gente nunca esquece”.
Mulheres-fruta desejam desesperadamente ganhar um programa de auditório próprio. Apresentadoras de TV querem abraçar a carreira musical; cantores se arriscam o tempo todo a fazer pontas na novela das oito. Modelos wannabe Gisele.
Jornalistas também têm sonhos. Sonhos belíssimos, mágicos, esplêndidos. Sonhamos em lançar livros mega-reportagem que vendam mais de 100 mil exemplares no país (Há!, vendendo mais de mil já se está no lucro. Vender qualquer coisa já seria lucro). Sonhamos com aquele furo de reportagem que denunciaria uma injustiça social das mais atrozes. Enfim, sonhamos, basicamente, com certa estabilidade e com um salário um tantinho mais digno, o que já estaria de bom tamanho.
No Brasil, há os que almejam trabalhar na Folha. Os que preferem sonhar com o Estadão. Também há os que dariam os olhos para trabalhar na revista Veja (tem gosto e cérebro pra tudo no mundo). Conheço os que amariam topar com uma Contigo! ou uma Caras; os que se acham com o perfil da Rede Globo e os modernos, que apostam em blogs para ganhar dinheiro - há quem diga que isto poderá ocorrer, algum dia.
Como telespectadora compulsiva da programação da tv fechada, chamou-me atenção, no entanto, o sonho de TODAS as heroínas de filmes e séries dos últimos 20 anos: ser jornalista. Mas não uma jornalistazinha qualquer, trabalhando no periódico da esquina. Elas almejam a fama, a glória e o reconhecimento de um único veículo, em todo aquele país, o The New Yorker.
Rory Gilmore planejava publicar seus textinhos prolixos no The New Yorker desde bebê, provavelmente; Betty Suarez, a protagonista de Ugly Betty, rala adoidado como babá do editor da Mode, mas nos bastidores vive escrendo suas mal-traçadas mirando a prestigiada revista. Megan Smith, de Privileged, é jornalista e por enquanto passa o tempo como tutora de gêmeas milionárias, mas algum dia, ahhh, algum dia, guess what? Andrea Sachs, de The Devil Wears Prada, também só deu um tempo na Runway até ser "descoberta" pelo TNY. Até o Bryan, de Family Guy, já arriscou enviar alguns textos para a publicação.
Vale informar: de acordo com a Wiki, a The New Yorker é uma revista editada nos Estados Unidos que publica críticas, ensaios, reportagens investigativas e ficção. A publicação é reconhecida em todo o mundo ocidental pela qualidade de seu jornalismo, e é apontada como responsável pela popularização da crônica, que eu adoooooooro, como forma literária nos Estados Unidos. É só dar uma olhadinha na lista dos nomes que já se aventuraram pelas páginas desta revista para sentir o naipe do negócio, não é a toa tamanho fascínio de Hollywood e afins.
Ah, é claaaro que eu também gostaria de ser publicada na The New Yorker. Mas quer saber? O meu sonho de verdade é ter um texto publicado na revista Piauí. Ou no Diarinho, o que vier primeiro.

26.12.08

On line, finalmente (ou Meu Melhor Presente de Natal)

1996 foi, para mim, um ano de descobertas definitivas, seguramente. Neste ano entrei na universidade, fui morar sozinha, arrumei namorado(s), tornei-me segura e independente (relativamente independente, deixo claro), aprendi horrores de coisas incríveis, desde cozinhar a mexer direito (relativamente direito, é bom frisar) no computador. Também foi o ano em que entrei na internet pela primeira vez. E o que era apenas uma caixa (gigantesca e lenta) de metal com uma série de funções aborrecidas tornou-se, subitamente, viva, mágica, encantada. Um oráculo, uma resposta a todas as perguntas (hein?), um semideus ao alcance do mouse.
Desde então litros de água barrenta passaram por debaixo da ponte, e, vejam só, consegui a proeza de até montar um site como projeto de conclusão de curso - site este que deu origem a este humilde blog que vos serve.
Mas a roliça e endiabrada pulga que sempre me mordia a orelhinha era o triste fato de que, em plena era da informática e da informação, eu, como jornalista, jamais havia adquirido um pc. Para me conectar ao mundo valia de tudo: desde o ambiente de trabalho até a casa de bons amigos. Com os anos ter um computadorzinho ordinário em casa tornou-se o básico do Brasil - e vejam só, até minha mãe adquiriu um lindão e aprendeu a enviar pps "simpáticos" (contém ironia) para todos os seres de sua lista de contatos, included me.
Finalmente, ainda este ano, consegui a proeza de me presentear com um fabuloso lépitópi, coisa linda de Deus. Mas o diabinho, fininho, brilhante, tentador, não passava, assim como em 1996, de uma caixa (tudo bem, mais pasta do que caixa) sem vida, sem personalidade, oco, vazio.
Hoje, a mudança: pela primeira vez desde meu primeiro acesso à internet, estou postando de minha own private residência. Sim, o processo foi inexplicavelmente árduo e dificultoso, mas finalmente estou conectada para o mundo - e meu lindo computador adquiriu alma.
Seria desnecessário (pra não dizer praticamente impossíve) enumerar todas as possibilidades oferecidas por este já tão banal recurso, mas cito uma: diz o meu queridíssimo amigo Google que o feitiço mais cruel e maléfico que pode ser lançado pelos bruxos de Hogwarts é um só, o Avada Kedavra. Não entendeu nada? Basta saber que passei a noite anterior inteirinha quebrando a cabeça para lembrar da tal expressão - sabe aquela coisa que malditamente fica na ponta da língua e parece impossível arrancá-la dali? É... agora não tenho mais este problema. Google rules!
Um feliz Natal para todos. E sim, o meu tem sido extremamente feliz...