7.4.21

Você conhece Georgina Albuquerque?


Vamos começar uma série aqui no blog As Imediatas com temas que mostram a importância das mulheres em vários segmentos da nossa sociedade. Vamos começar pelas artes, área que tem uma grande dívida com mulheres como Georgina Alburquerque. Ela foi pioneira em várias atividades artísticas, mas passa despercebida pela história apenas pelo fato de ser do sexo feminino. Quem nos apresenta esta personalidade é a especialista em História da Arte, Elisa Silva. Boa leitura!  

Georgina Albuquerque: A Pioneira

Nascida em Taubaté, Georgina (1885-1962) começou a estudar artes com quinze anos, seu primeiro professor foi o italiano Rosalbino Santoro, quando mudou-se para o Rio de Janeiro foi estudar na ENBA (Escola Nacional de Belas Artes) com Henrique Bernardelli.

Nossa artista casou-se em 1906 com Lucílio de Albuquerque com quem dividiu a vida e a carreira, na medida em que ele também era pintor. Lucílio ganhou o prêmio viagem para estudar artes em Paris, então o jovem casal parte para cidade-luz visando concluir seus estudos. Chegando lá Georgina é aprovada em 4º lugar na École Nationale Supérieure des Beaux-Arts, sendo a primeira mulher brasileira a ingressar nesta importante escola, ao mesmo tempo em que frequenta aulas livres no estúdio Julian. Infelizmente, não há registro da sua passagem pelo estúdio Julian, pois os arquivos de ateliês femininos não eram preservados.

Em Paris foi influenciada pela pintura impressionista e, além das pinceladas grandes e soltas, adota uma paleta de cores claras e vibrantes, tal qual os impressionistas europeus. Essa técnica acompanha a artista por toda sua carreira, porém a paleta de cores com o passar do tempo se torna mais escura.

De volta ao Brasil, em 1911, faz sua primeira exposição em nome próprio e a partir deste ponto passa a expor regularmente na exposição geral de belas artes. Antes já tinha exposto seus trabalhos em outras oportunidades, mas como aluna, o que equivale dizer que as conquistas eram atribuídas aos mestres e muitas vezes os nomes das artistas mulheres nem mesmo apareciam.

Após a morte do marido em 1940, Georgina funda em sua casa o museu Lucílio Albuquerque, tornando-se pioneira no ensino de desenho e pintura para crianças. Além disso, passa a dar aulas na ENBA (Escola Nacional de Belas Artes) primeiro como livre-docente, depois como catedrática-interina e, em 1952, torna-se a primeira diretora mulher da ENBA.

Ela também foi a primeira mulher a participar de um júri de pintura, o que consolidou sua posição dentro da academia, seus feitos institucionais são formidáveis, mas o brilhantismo da sua carreira não se limita apenas as questões acadêmicas, sua temática foi inovadora e quebrou paradigmas, pois ela foi a primeira mulher a se aventurar na pintura histórica nacional, área até então exclusivamente masculina.

Em 1922, como parte das comemorações do centenário da independência, Georgina expôs o quadro chamado Sessão do Conselho de Estado, que representa a proclamação da independência como um evento diplomático, cuja personagem principal é a Imperatriz Maria Leopoldina da Áustria.

A cena representada por Georgina é absolutamente diferente dos outros quadros sobre a proclamação da independência, os quais representam cenas de batalhas e um viril D. Pedro I, como podemos ver na pintura do mesmo tema de Pedro Américo, por exemplo. Considerando que a proclamação da independência foi um processo cujas negociações foram de 1821 até 1825, a cena representada por Georgina tem muito mais fundamento histórico do que o quadro de Pedro Américo, apesar de que essa obra é um primor do ponto de vista técnico.

A cena que outorga o protagonismo histórico a Imperatriz Maria Leopoldina não poderia ser concebida em um momento mais oportuno, o ano de 1922 foi marcado pela luta feminina pelo direito ao voto. Neste ano também aconteceu o 1º congresso feminista organizado por Bertha Lutz e a fundação da Federação Brasileira do Progresso Feminino, instituição cujo objetivo era lutar pelos direitos civis e políticos das mulheres.

A autora Ana Paula Cavalcanti Simioni chama atenção ao fato de que a obra de Georgina de Albuquerque surge em um momento histórico-social no qual as mulheres que desejavam seguir a carreira artística enfrentavam dificuldades de gênero. Isso se devia ao caráter excludente do sistema acadêmico, que impedia alunas de frequentarem aulas de desenho e estudo do nu artístico, fase fundamental para a formação da carreira do artista.

Dentro desse contexto, Vicentis defende que a composição de Sessão do Conselho de Estado oferece respaldo à luta feminista pelo reconhecimento do direito da mulher ao voto e à cidadania plena ao retratar, pela primeira vez, uma mulher decidindo os rumos da política do Brasil.

Assim, o quadro não é apenas uma alternativa histórica a cena da proclamação da independência tradicional, ele quebra paradigmas e chama a atenção para importância da mulher na sociedade.

Georgina Albuquerque foi uma grande artista, uma professora de artes renomada, pioneira em vários sentidos e uma mulher fantástica, muitos artistas brasileiros não colecionam os feitos desta notável pintora. Contudo, o papel a ela atribuído nos livros de artes é de impressionista brasileira, sem a notoriedade que muitos artistas inferiores a ela receberam pelo simples fato de serem homens.

 

Elisa Silva, especialista em História da Arte e autora dos livros Paris - Sonho Meu e Paris - uma viagem impressionista

Georgina Albuquerque, Sessão do Conselho de Estado, 1922

Pedro Américo, Independência ou Morte, 1888

Referências bibliográficas

Simioni, Ana Paula Cavalcanti. «Entre convenções e discretas ousadias: Georgina de Albuquerque e a pintura histórica feminina no Brasil»Revista Brasileira de Ciências Sociais: p. 143-144.

Vicentis, Paulo de (2015). «Pintura Histórica no Salão do Centenário da Independência do Brasil». Programa de Pós-graduação em Estudos Culturais da Universidade de São Paulo: 55 – via Universidade de São Paulo.

GEORGINA de Albuquerque. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2021. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa21325/georgina-de-albuquerque>. Acesso em: 04 de Abr. 2021. Verbete da Enciclopédia.
ISBN: 978-85-7979-060-7





3.2.21

Eliminando_______________

 

É claro que vamos falar de BBB. Porque isso é vida real, sim. Estou acompanhando o reality show e não apenas dando uma “passadinha” em frente à tv. Diferente da última versão (que também assisti e foi minha tábua de salvação quando recém começou o confinamento da pandemia), esta versão não só voltou a colocar o feminismo em pauta, como também lançou luz ao tema racismo.   

Em 2020, as meninas mandaram muito bem. Clap, clap, clap. Mas este ano.... Garotas, meu Deus. Muito discurso, muito choro, muito psedointelectualismo, muito mimimi. Raso, como tanta coisa do mundo virtual. Deveriam aproveitar este espaço superprivilegiado da tv brasileira para levar o debate até as classe mais populares. Mas o que se vê é muita lacração, preocupação em fazer bonito em frente às câmeras. Falam de empoderamento feminino de uma forma descabida. A expressão se tornou uma coisa tão chata, tão banal que nem posso mais ouví-la. Assim como “lugar de fala”. Para mim virou sinônimo de blablablá. Me dá arrepios. Pena porque são conceitos tão essenciais , que custam tão caro a quem sofre preconceito. Como diz Jojo Todynho: “ muita hipocrisia, muita falação e pouca atitude. Lacre menos”.  Karol Konká, a musa do rap feminino, que o diga. Deveria estar focada em sua causa
 (que tanto fala em frente à tv). Na verdade, está demolindo sua carreira ao utilizar autoritarismo para defender o empoderamento feminino. A sister Lumena, “a deusa- mor da razão”, também está se ofendendo com coisas ínfimas e deixando de lado a oportunidade de utilizar seu discurso, provavelmente enriquecedor (a  garota parece ter potencial), para fazer a diferença de verdade. Lamento.

Mudando de canal vemos as deslumbradas apresentadoras do programa “Saia Justa”  que também servem mais do mesmo:  muita história, muita discussão e...pouca atitude. Mais uma oportunidade de falar de verdade com as massas e o que se vê? Lacração apenas. Tá na hora de cancelar o mesmo discurso e partir para uma fala que realmente faça diferença.

Ps: O título deste artigo está incompleto não por esquecimento, não. O que você eliminaria da tv que também enfraquece o empoderamento feminino?





22.10.20

Carga e descarga de emoções

 

E do nada. Lá estava eu e mamy fazendo um lanchinho no fim de uma inocente tarde de quinta-feira. 17 horas. Na volta ao carro, opa....cadê? Segundos de pavor, mini-infarto. Cadê o carro? Última parcela de quatro anos de pagamento, sem seguro. Cadê a porra do carro? Do nada, uma voz do além: moça, tá procurando o carro?  Ele foi guinchado. O mini-infarto não passou, mas melhorou. Só aí então vi que estacionei em vaga de carga e descarga. Também do nada saiu a voz de um rapaz: “olha, guincharam teu carro. Eu até tirei foto”. Oi, como? Te conheço, como assim foto? Sem pensar em nada, sai correndo atrás do policial fdp que fez aquilo (ele tá fazendo o trabalho dele, mas pra mim continua sendo um fdp).

Ok. Descobri que meu carro estava no pátio da empresa parceira do Detran (louca para colocar aspas em parceira) simplesmente localizada no meio do nadaaaaaaa ao longo da BR. Ok, é pagar documentos, aguardar o tempo hábil e arrumar um anjo pra me dar carona e retirar o carro. Ok. No outro dia, liguei para a tal empresa quando fui informada de que os pneus também estavam carecas e precisariam ser trocados na oficina parceira (aspas de novo) próxima da empresa com pagamento de mais um ou dois guinchos. Oiiiiiiiiiiii????????????????? Como assim? Os pneus estavam ótimos. Aí tive mais alguns mini-infartos até o dia seguinte, seguido de algumas crises de ansiedade.   

Fui até o departamento de transporte, quando fui informada de que os documentos impressos só seriam entregues para os agendados. Um Uber a mais, um Uber a menos nesta etapa não faria diferença. Voltei pra casa. Foi quando cheguei em casa descobri que só havia agendamento para dali a um mês. Ummmmmmmmmmmm mês. Até então a pressão já devia estar a quinze por alguma coisa.

À tarde, mesmo sem dar baixa no documento, tive que ir até a tal empresa localizada em um lugar inóspito para pegar exames e medicamentos da minha mãe. Fomos eu, ela e meu irmão. Descobri que o sistema já havia dado baixa e depois de uma ligação para o órgão responsável (?), a atendente afirmou que o pneu não estava careca e sim meia vida.  Isso sem falar que tive que  passar por um despachante parceiro que me cobrou vinte reais para o pagamento de um boleto.

Ah, você acha que acabou? No! Em plena BR, o carro começou a fazer um barulho muito, muito, muito estranho. Pensei que tivessem mexido nos pneus e que a qualquer momento as quatro rodas sairiam dando um rolê pela estrada afora. Parei em um autocenter e descobri que os queridões colocaram o gancho do guincho simplesmente no eixo da roda, entortando-o. Muitos reais a menos na carteira, alguns músculos doídos pelo stress e uma lição: em um país como o Brasil não erre. Os lados se invertem e seu erro enfadonho vai ser julgado com uma proporção infinitamente maior por quem deveria ser realmente julgado por suas atitudes. Puxa o freio e vamos nessa.  






16.9.20

DIVERSÃO ALLA MODA CORONA

 Eu e o maridão tínhamos um hábito de toda sexta à noite tomar uma cervejinha na sacada, botar o papo da semana em dia ao som de playlistas do Youtube. Não fazíamos isso há um tempão, não sei lá bem o porquê, ou porque ficou repetitivo ou por esquecimento mesmo. Só sei que na última semana acabamos voltando ao velho hábito e digo...foi bem divertido.  

Quase sempre quem comanda a pick up caseira é ele com seus rocks setentistas, mas desta vez fui eu que botei o som. O que rolou? Não sei como, mas uma música dance foi levando à outra e à outra e quando vimos nossa setlist soltava purpurina: muito Abba, Lady Gaga, Katy Perry, Black Eyed Peace (putz, lembrei agora que faltou Mika). Bem do jeito Youtube, uma música foi levando à outra até que rolou cenas do Eurovision,  um importantíssimo festival de música europeu que eu até há pouco tempo desconhecia. Fui conhecer a sua grandiosidade até ver o filme homônimo. Sabia que ele lançou grandes nomes, como Abba e Céline Dion? Pois é, também não sabia. Pare alguns minutos para ver alguns dos melhores momentos deste evento. Você vai ver que as cenas apresentadas no filme não estão exagerando em momento algum. Sério mesmo. É bizarro...e hilário. Só sei que se não houvesse a pandemia, talvez nós dois terminássemos a noite em uma danceteria (coisa rara, ou inexistente em Joinville, já que a sofrência já é uma sofrência há muito tempo por aqui).

E pra fechar a noite e pra fazer a alegria do maridão, deixamos Mr. Robert Plant esbanjar seu talento. E fomos dormir assim: tontinho e bem felizes. Que venham outras sextas glamurizadas como esta.


Entra no clima, vai. Leia o texto ouvindo isso: https://www.youtube.com/watch?v=2FynBs_lI4g


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2.9.20

Vizinha fogosa dá trabalho sob os lençóis ao meio-dia de domingo (ou como melhor aproveitar seu fim de semana em quarentena)

 

Finais de semana são o dolce far niente proletário, tempo de nos debruçarmos apenas no que mais nos dá prazer, ou, é claro, de não fazer absolutamente nada. Alguns cozinham, outros entortam o caneco, muitos saem a passeio, e tem os que escolhem a ociosidade concedida a nós trabalhadores para transar ruidosamente ao meio-dia de domingo.

Moro em um condomínio imenso e não posso me dar ao luxo de muita privacidade. Os prédios são bem próximos uns aos outros e se o vizinho do lado espirrar, já vou pondo a máscara rapidão porque o vírus não tá pra bobeira.

Esse ~impeditivo moral~ que me impede de andar nua dentro do apê ou gritar a plenos pulmões durante uma discussão qualquer também tem lá suas vantagens, porque sempre há os que não dão a mínima para a opinião e os ouvidos adjacentes, e aí o big brother tá garantido. Não vou negar que sou uma observadora contumaz da vida alheia.

Briga de casal não me agrada, é lógico. E se a briga envolver um homem e uma mulher não hesito em passar a mão no telefone e chamar a polícia se sentir as coisas esquentarem. Porque espancadorzinho de merda tem é que se foder.

Mas falo de outras situações interessantes que não envolvem briga e/ou violência. Como o sexo, por exemplo. Ao longo da vida tive a sorte (ou o infortúnio? Nunca saberemos) de me avizinhar de gente fogosa, cheia do borogodó e do amor pra distribuir. São tantas histórias calientes que só Afrodite na causa.

Como no último domingo. Enquanto assava um rondele cremoso no forno e bebia uma cerveja na sacada, observando a tranquila movimentação de crianças e cães pela área comum do condomínio, fui surpreendida por gemidos femininos lancinantes de puro deleite sexual. Alguma privilegiada largou mão dos eventuais afazeres domésticos dominicais e caiu nas graças de Bilquis em pleno almoço. Confesso que salivei, invejosa.

Mas a invejinha logo deu lugar ao constrangimento porque, assim como eu, outras pessoas também curtiam o domingão na sacadinha. Com a sanha voluptuosa e bem barulhenta da vizinha, todo mundo subitamente resolveu avaliar o piso da sala bem de pertinho, ou lembrou que a panela de arroz queimava no fogão. Não dá pra manter a pose de vizinha simpática e cachaceira quando a trilha sonora é ao vivo, x-rated e cheia de paixão e loucura, né?




13.8.20

Menos namastê, mais uppercuts!

 

Na minha outra vida, aquela, que a gente deixou pra trás por causa da pandemia, eu levava uma rotina bastante ativa. Corria e praticava natação com regularidade. Claro que eu sabia que isso me fazia bem, mas só fui sentir o peso de todo aquele bem-estar glorioso após o início da quarentena. Sem praticar nenhuma atividade física, comecei a sentir uma inquietação, um estresse já potencializados por este momento atípico e compreensivamente recluso.

Só fui curtir exercícios físicos bem depois dos 30. Antes disso minha vida era basicamente trabalho/bar/casa. Trabalhe, beba, fume, coma, durma, repeat. Não vou negar: saudades.

Anyway, comecei a sofrer de abstinência de hormônio do prazer, de ficar embriagada de endorfina, mas como proceder quando não há muitas alternativas seguras para se exercitar fora de casa? A resposta estava ao alcance das minhas mãos e dona internet comunicou-me sobre um aplicativo de marca famosa de tênis que te passa treinos personalizados pra praticar em casa.

Academia é aquilo, né, gente? Tem quem ame e tem quem odeie. Sou do segundo time, acho um tédio absoluto. Sempre observei com curiosidade cômica aquela galera que subitamente vira crossfiteira e aí dá-lhe burpee, arrastamento de pneu e balanço de corda, misturado com quilos de peito de frango, whey e clara de ovo.

Então foi meio irônico porque agora me transformei numa pequena e rechonchuda musinha fitness, e tome burpee no meio da minha sala. A língua é o chicote do cu, já diria mamãe. Agachamento, flexão, prancha, o abdominal oblíquo é o limite.

Mas tem coisas que, né?, não vão. Neste plano montado pelo aplicativo em questão, um dos dias de treino é yoga based. Ou seja, coisas bizarras como árvore, cachorro olhado pra baixo e montanha são abordados com naturalidade. Eu via a galera saudando o sol na praia e dava risada, vou confessar. Aquela pose clássica pra foto do insta, sabe?, pessoa sentada no chão, mãos postadas, curtindo o sunset. Nunca me pareceu natural.

Só podia ser preconceito, eu pensava. Nunca fiz, nunca entrei na onda, só pode ser despeito. Não desta vez. Que. Coisa. Mais. Chata. Disus! Não aguentei cinco minutos do treino de yoga, juro. E não porque achei puxado, só achei chato mesmo. Eu não admito ficar paradinha por tanto tempo. Nem sou das mais agitadas, mas aquilo pra mim não desce. Enfim, agora posso zoar dos iogues com tranquilidade.

Em contrapartida ontem fiz um treininho de boxe que, puta merda, coisa mais querida. Então é isso, menos namastê, mais uppercuts pra esta senhora aqui. E claro, cada um faz a atividade que mais lhe apetecer, mas não me chame pra aplaudir o pôr do sol.



3.8.20

Pai: nosso primeiro príncipe ou nosso primeiro sapo?


Olá, garota. Tudo bem? Mais um Dia dos Pais vem aí. E sabe o que eu tava pensando? Em como o jeito de ser de nossos pais influencia na escolha dos homens que queremos para nossa vida. Procuramos a cara-metade que seja um espelho de nossos progenitores. Não sei dizer o porquê. Talvez Freud explique. Talvez porque procuramos o que nos seja comum, o que nos seja confortável...porque é com isto que estamos acostumadas (mesmo nem sempre isso sendo bom). E às vezes o que mais criticamos é o que mais vem ao nosso encontro (não se ache maluca: algumas terapias alternativas explicam bem isso. Tudo tem um motivo, pode acreditar). Você já ouviu um papo que filhas mulheres pagam por pais que zoaram a cabeça da mulherada na juventude? Eu sempre achei esta conversa tão injusta. Talvez tudo isso que estamos conversando seja o motivo para isso.


Os pais são a primeira referência que temos de um homem. Eu me lembro de como a presença masculina do meu avô passou confiança para minha mãe. Nunca a ouvi falar que “todo homem é vagabundo, que não presta” porque pra ela a sua imagem masculina era extremamente positiva. Eu pai era um homem de personalidade difícil, meio mandão mas, assim como meu vô, tinha uma vida muito familiar. Então, pra mim, acreditar nunca foi uma tarefa muito complica.

O que eu gostaria é que este nosso bate-papo se tornasse um conselho para os que são ou serão pais: pense bem quanto vocês influenciarão a vida de suas pequenas. Isso vai fazer toda a diferença para elas no futuro. Pode acreditar.


E você, tem alguma história pra contar do seu pai? Comente aqui ou envie email para asimediatas@gmail.com. Beijo e boa leitura!


Leia e depois veja filmes fofinhos de pai e filha:


Estes são só alguns. Escreva nos comentários outros filmes sobre a história de pai e filha que você gostou.



30.7.20

O egoísmo desmascarado (ou O Massacre da Quarentena Elétrica)

Você abre sua rede social favorita e lá estão, amigos e conhecidos, brindando com chopinho, viajando pra “ver” o frio, em festinhas animadas, ralando na academia, a programação é extensa. Às vezes usam a máscara, pra mostrar um suposto comprometimento no combate a terrível pandemia que nos assola. Como se bastasse. Outras vezes, nem isso, ligam o foda-se pra geral.

Imagens de aglomeros diversos Brasil afora estão cada vez mais comuns nestes dias tenebrosos. Pra mim, no entanto, é doloroso ver tanta gente pondo-se em risco – e pondo tantas outras pessoas em risco – em troca de algumas horas de entretenimento. É egoísta, é fútil, é constrangedor. E também é perigoso. Fã de filmes de horror, eu inevitavelmente relaciono esta galera com os jovens desavisados divertindo-se no camping de verão enquanto o serial killer se aproxima. Jasons microscópicos invadindo pulmões, aliens chocando seus ovos em órgãos internos, gremilins se multiplicando ad infinitum. Ai, que gente burra, ai, que cansaço. 

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O plot é simples e bem conhecido: um grupo de amigos reunidos em algum lugar isolado se veem subitamente como vítimas indefesas nas mãos de um psicopata imortal com habilidades ninja e o poder da invisibilidade. O cara que alcança um velocista de 100 metros rasos com cinco passadas largas e tranquilas. O sujeito que rasga carne, nervo, músculo e osso como manteiga quente. A criatura que, a despeito de seu porte admirável de mais de 1,90m, consegue se esgueirar para dentro da sua casa e você só vai vê-lo quando o machado descer. É ele, a personificação do Jason Voorhees, cheio do ódio insano em seu coraçãozinho apodrecido. Um covid (sobre)humano.

(Eu fui uma criança weird que trocava qualquer produçãozinha da Disney por uma sessão de Sexta-Feira 13. Também me refestelava com A Hora do Pesadelo e seu Freddy Krueger, luvinha de unhas metálicas pontiagudas a postos para o ataque.)

Existem diversas teorias que apontam os motivos para gostarmos de obras de horror (filmes, séries, livros, enfim). Uma delas defende que gostamos de passar medo porque, quando a situação assustadora acaba, o alívio libera uma grande quantidade de endorfina no cérebro, causando bem-estar. Daí o apreço pelos scary movies. Também porque quando o filme acaba, o perigo já passou (ao contrário das festinhas quarentenárias).

Ao longo dos anos desenvolvi toda uma estratégia pra fugir das garras e das lâminas afiadas dos Jasons da vida real (é sério, até comecei a correr pra isso). Agora percebo que devo incluir mais uma linha de ação na hora de escapar da morte:  manter a maior distância possível dos cloroquiners de plantão. Mais do que um facão desembainhado, é a falta de uma máscara que faz meu coração palpitar de horror, atualmente.

(a arte linda é da artista russa Anastasia Panina) 


15.7.20

Tô p da vida


A gente não tinha internet, smartphone, MTV, nem dinheiro pra comprar discos e revistas. Eram os anos 80 e nossas fontes primárias de cultura pop, música, cinema, celebridades era via rádio e programas de auditório. O Viva a Noite, do finado Gugu, era o ponto alto da semana.

Nós também não tivemos referências familiares muito significativas quando se tratava da área do entretenimento. Quer dizer… mamis me apresentou Hitchcock, Woody Allen e Kubrick, mas na área musical ela era mais Jovem Guarda que Novos Baianos.

Nossos pais - meus e da Kelzinha, prima inseparável - ouviam basicamente missa e sertanejo, nas rádios locais. Sertanejo raiz, lógico, que até hoje levo Tonico e Tinoco, João Mineiro e Marciano e César e Paulinho no coração.
Então veja bem, não me julgue mal. Nós queríamos era rock´n roll, e para preencher este vazio existencial em nossas almas, este desejo pela rebeldia, a contracultura, pelo polêmico e o controverso, nós contávamos com… Roupa Nova, Biquíni Cavadão e Yahoo (procure saber).

Nosso encantamento com as performances da Sandra de Sá e do Fábio Junior beiravam a idolatria. Mas todo nosso amor era reservado ao grupo Dominó.
Como concluímos que Dominó era rock´n roll eu nunca vou descobrir, mas era o que tinha para o momento.

Certa noite de sábado, enquanto dublávamos os gritinhos de “Viva a Noiteeeee” de mr. Liberato, chamaram a atração principal do programa, o Dominó, claro. Urros de histeria. O Afonso, band leader divoso e topetudo, ostentando um mullet de respeito, anunciou música nova. Delírio. Queríamos entrar na televisão, tamanho o furor.

Pois Afonso anunciou seu futuro novo sucesso com pompa e circunstância. Era uma MÚSICA DE PROTESTO, no que minha comunistazinha interior ainda não desabrochada (eu só tinha oito anos) gritou de emoção. A música falava da atual situação do Brasil, das dificuldades, da indignação e do desânimo de seu povo honesto e trabalhador. O título: Tô p da vida.

Aí eles cantaram e nós fizemos um esforço imenso pera absorver de imediato toda aquela letra linda e cheia de significados. A gente só queria saber aquela melodia primorosa de cor, pra cantar a plenos pulmões na sacada, tendo como platéia o Capão Cagado (que é a localidade onde minha prima residia).

Mas é claro que não rolou. Como ficamos desoladas… a música era nova, de um disco novo, e provavelmente ia levar semanas pra começar a tocar na rádio. Dormimos abatidas, mas no outro dia Kelzinha despertou com uma ideia genial em mente: se havia alguém que poderia nos ajudar, esse alguém seria o Geraldo.
O Geraldo era irmão de Kelzinha, jovem adulto de seus 18, 20 anos, vivia nas baladas, bebia e fumava, conhecia o mundo lá fora. É claro que Geraldo saberia a letra inteirinha de tô p da vida.

Esperamos o moço acordar, lá pelo meio dia, e, ansiosas, bloquinho e caneta em mãos, fomos até ele.

“Geraldo, Geraldo, Geraldo, presta atenção, ajuda a gente!”, estrilou kelzinha, frenética.
“Hummmmfff”, bufou o bom vivant, ressaqueadissimo.
“Sério, Geraldo, presta atenção!”, insistia a menina.
“Sai daqui, Kelzinha!”, ele gritou, atirando uma almofada em nossa direção.
“Oooow, mãe!”, Kelzinha apelou para a progenitora dos dois. Sendo ela a caçulinha mimada, foi atendida.
“Geraldo, presta atenção na menina, tadinha!”, ordenou tia Zilda. Suspirando, Geraldo dignou um olhar em nossa direção: “o que é?”
“Geraldo, eu nunca te pedi nada (era mentira), mas a gente PRECISA da letra da nova música do Dominó”, explicou a irmãzinha.
Geraldo resmungou mais um pouco, respirou fundo, mas finalmente pegou o caderninho e começou a escrever.

Risca daqui, rabisca dali, rasura, pensa, volta a escrever. Foram uns quinze minutos da mais pura ansiedade infantil. Em breve, teríamos nas mãos a tão sonhada daquele hino roqueiro com consciência política que ameaça, mas não fala palavrão porque é feio e a família tradicional brasileira reprovaria.

Finalmente, depois de tanta espera, Geraldo repousa a caneta na mesa, suspira mais uma vez e anuncia: “Pronto, terminei”.

Agarramos o bloquinho com as mãozinhas ávidas. Nele, jazia escrito uma única frase: “tô p da vida”.

Corremos amuadas para o quarto, de onde ainda conseguíamos ouvir a gargalhada retumbante daquela alma cruel.

É meio irônico porque hoje levei uns três segundos dando um Google pra conferir a letra de “Na raba toma tapão”. Venci na vida e o céu (e o wifi) são meu limite.



14.7.20

Quanta pressão!

Olá, garota! E aí, curtindo um pouquinho desta loucura toda? Quem está bem normal da cabeça aí levanta a mão. Então, um dia desses fui espairecer um pouco de tudo isso e vi um post no canal Hooponopono no Instagram que me chamou a atenção. Falava dessa coisa louca da nossa sociedade de colocar ordem e idade em tudo, de ter combinado (sem o nosso consentimento) que encontraríamos nossos caminhos profissionais e amorosos aos vinte. (justamente aos vinte, quando ainda nada faz sentido em nossa mente!).
Daí fica a pergunta: por que não descobrir seu caminho apenas aos 30, seu amor aos 40, seu propósito aos 50? Por que um rolo compressor passa em cima das expectativas de cada uma de nós?

Você já viu o filme “Os homens são de Marte...e é pra lá que eu vou”. É engraçadinho, né? E também muito desesperador. Quem já passou por isso entende bem a angústia da personagem vivida por Mônica Martelli.
E sabe o que essa pressa gera? Casamentos nascidos fadados ao fracasso simplesmente pelo fato do relacionamento não ter tido o tempo suficiente de ter amadurecido. O anseio é cumprir o protocolo casamento antes dos 30+ filho. E depois? Bem, o que vem depois é uma vida de vitrine à base de muita sertralina e sorriso no rosto: missão dada, missão cumprida.   

Mas isso também vale para para a profissão. E daí se percebermos que nossa primeira escolha não foi a mais acertada. E daí demorar para perceber outro caminho.  E daí recomeçar? Eu tento buscar uma outra profissão mas não sei bem ainda o que é. Mentira, sei sim. O que dá é um medo absurdo de começar do zero. Na verdade o que eu vejo é muitas mulheres buscando um novo caminho para recomeçar. E o caminho é este mesmo: se dar a este direito. Sempre é hora, sempre é tempo.




30.6.20

Yes, we back


Imediata de novo? Yes, de novo! Este projeto parece mesmo viver em uma metamorfose ambulante meio seixasniana, intercalando algumas fases que são bastante significativas para o universo  feminino, para o nosso universo, pelo menos. Nasceu como projeto de conclusão de graduação láaaaaaa em 1999, ainda como proposta de um projeto de uma revista impressa, que preencheria uma lacuna no mercado editorial para um público focado em mulheres de 20 anos, nada da comportada revista Claudia, nem da ninfomaníaca Nova ou Marie Claire. De um projeto impresso transformou-se em site adequando-se à realidade financeira de três quase formandas, eu Cintia Teixeira e Renata Nymberg.

O site era divertidíssimo, que pena que não guardamos os arquivos, foram registros bem interessantes, como por exemplo, o show da Gretchen (à moda antiga! Dá pra imaginar?). Vinte anos. Recém-formadas. Muitos projetos. Muitas possibilidades. Vida amorosa instável. O mundo era nosso. 

Após alguns anos o projeto voltou em formato de blog. Acabei escrevendo pouco e a Cíntia acabou tomando a divertida tarefa de atualização do canal. Ela escrevia de Tubarão e eu (quando escrevia), de Joinville. Trinta anos. A carreira um pouco mais consolidada. Primeiras conquistas materiais. Início de um relacionamento sério. A gente se adequou ao mundo.   

E aqui estamos nós. Depois de uma breve (?) pausa de nove anos, voltamos com o olhar de quem tá na idade da loba com muito mais histórias para compartilhar. Ainda com tudo em cima, mais experientes do que nunca, sabendo o que queremos (ou não), mais decididas. Quarenta anos. Relacionamento estável. Foda-se o mundo.



We're back, bitches!!!

Quem aí não teve um caderninho cor de rosa com um cadeado minúsculo, escondido debaixo do travesseiro, que atire a primeira caneta perfumada. Ganhei meu primeiro diário aos oito anos e, desde então, inúmeras agendas reaproveitadas e cadernos velhos sucederam-se na missão de registrar minhas memórias.

Escrever um diário é uma atividade altamente recomendada - e por inúmeros motivos. Para eternizar momentos interessantes, curiosos, inesquecíveis (ou perfeitamente esquecíveis); para promover saúde mental, exorcizar demônios íntimos, fazer confissões, revelar desejos e segredos... O papel (ou algum arquivo escondido no seu computador) aceita tudo sem recriminações, como bem sabemos.

Também é uma forma interessante de autoconhecimento. Já escreveu um diário e, ao reencontrá-lo anos depois espantou-se com a maturidade (ou a falta dela), com os relatos ingênuos, absurdos, com as histórias que poderiam ser uma memória falsa se não estivessem devidamente registradas? Com o blog das Imediatas funcionou mais ou menos assim. Pensado para ser uma continuidade de nosso projeto de conclusão de curso (uma revista feminina não convencional), o Imediatas encontrou sobrevida com a facilidade e o custo zero oferecidos pela internet. Virou blog, virou diário, um livro aberto sobre mulheres adultas zero glamour e ostentação, 100% vida real com aquela pitadinha de humor safado (e mais autodepreciativo do que eu gostaria).

Reler os posts antigos (o blog teve início em 2006) me deixou bastante surpresa, ligeiramente incomodada e, de modo geral, relativamente feliz com o que eu era, fui, e pensava há mais de nove anos. Que bom que a gente amadurece. Que ruim que a gente amadurece.

Manter o blog foi uma experiência prazerosa, um exercício de escrita criativa, um rascunho para pensamentos e ideias não muito bem desenvolvidos, um registro de histórias absurdas ouvidas por aí. O As Imediatas (res)surgiu num momento legal, suprindo uma necessidade de contar histórias (algo que jamais me abandonou, de fato). Mas a vida se encarrega de te fazer perder o foco e mergulhar em outros tantos projetos e rotinas e o hábito de escrever cotidianamente acabou ficando pra trás.

O convite da amiga imediata Stella B. veio em hora boa, numa hora complicada de nossa existência e que, por isso mesmo, suscita tantos pensamentos aleatórios que talvez, para trazer alívio mental, precisem ser despejados / transformados em palavras.

Então vamos mais uma vez brincar de escrever e resgatar este hábito. Lembro de certa vez chegar em casa da escola, há coisa de trinta e tantos anos, e encontrar minha mãe, tias e primas, todas ao redor do meu diariozinho, rindo descontroladamente. A vergonha e o desconforto que senti naquele momento foram esmagadores. Hoje, não seriam. Mãe, tias e primas, fiquem à vontade para ler, compartilhar e rir de nossas histórias no Imediatas 4.0!




30.8.11

Como manter acesa a chama da paixão

Daí o namorido, todo pimpão, dá uma passadinha em meu flat (hohoho) e anuncia que vai sair com os amigos. Pela quarta vez consecutiva. Levar a mulher de sua vida para jantar? Ih, faz tempo. Cineminha? "Só quando tiver filme bom em cartaz", argumenta, muito sabido e metido a cinéfilo. Ultimamente minha vida romântica se resume a sessões intermináveis de séries, regadas a muito Kit-Kat e amendoim japonês. Não que eu esteja reclamando, até gosto desta rotininha de casal (de idosos), mas, enfim, quebrá-la (a rotina, não a cara do namorado) de vez em quando também faz bem.
Pensando nisso (e incentivada pelos últimos comentários no blog), pensei em trazer à baila, na lição de hoje, um manual basicão sobre como manter acesa a chama da paixão (HAHAHAHHAHA, sou do tipo que ri das próprias piadinhas, ok?). Sendo assim, mãos à obra!
Cansada daquela rotininha maçante proporcionada pelo maridão (noivo, namorado, rolo e afins)? Já não aguenta mais a cara do bofe estirado em frente à TV, vendo futebol e babando na capa da almofada limpinha?


As outrora vigorosas sessões de sexo foram substituídas por algo mecânico e pré-agendado (quarta-feira, amor, vamos brincar de fazer neném)? Cansada por nunca mais ter recebido elogios, flores, presentinhos inesperados e propostas de viagens-relâmpago a um romântico hotel-fazenda? Filhinha, tá na hora de dar aquela chacoalhada em seu relacionamento.
Reclame. Sim, amiga, ponha a boca no trombone, conte para as amigas, desabafe no seu blog (ahahahahha!), alfinete-o sempre que possível (mas de maneira elegante, não saia do salto). Torça para que a estratégia funcione.
Não funcionou? Ok, temos mais algumas cartas na manga.
Se o querido não toma nenhuma iniciativa, assuma a dianteira e proponha ao gajo tudo aquilo que você tem em mente (ok, talvez não tudo). Porque reclamar é fácil, néam, gata?, mas há quanto tempo você não dá aquela geralzona nas partes pudentas com brazilian wax e arrasa na lingerie novinha? Tem certeza que não está abusando das calçolas da vovó, aquelas em tom bege-espanta-homem? O visú tá em dia? E as finanças? Se estiver tudo azul, leve-o você para jantar. Presenteie-o você mesma, inesperadamente (e aí vale tudo, desde um smartphone até uma cueca no formato de elefantinho, passando pelo anel peniano ou por um livro do Proust). Faça uma massagem “relaxante”. Invista numa dança sensual só para os olhos dele. Assuma as panelas e faça aquela massa que ele tanto gosta.
Tentou tudo isso e não deu em nada? Ops, o caso é difícil (mas não impossível).
Matreiramente (como só as mulheres sabem fazer), faça-o lembrar de quando se conheceram, as primeiras baladinhas juntos, a primeira garrafa de vodka que dividiram, aquela rapidinha marota que teve que ser interrompida porque alguém queria usar o banheiro, estes grandes momentos que os transformaram no casal maravilhoso que são hoje. Apele para o “psicológico”, faça ele ter saudades de seu antigo “eu” (no caso, o “eu” dele). Diga que também tem saudades desta época.
Se depois disso, a coisa não andar, só restam duas alternativas: terapia de casal ou... é melhor arrumar alguém mais animadinho, né? (olha a ameaça...).
Enfim, estou na fase da boca no trombone (deu pra notar?). Já xinguei, briguei, fiz beicinho e afins. Aí o fofo teve o desplante de me convidar pra inauguração de um restaurante mexicano, aqui em Shark city. Detalhe: o convite, inicialmente, havia sido feito POR MIM, há coisa de uma semana. Originalidade é mato.

• dicas absorvidas e adaptadas da melhor revista feminina ever, a Cosmopolitan/Nova (contém quilos e litros de ironia).

24.8.11

Como encontrar seu príncipe encantado na balada

(o título é pega-corno no Google, sou malandra)

Aí você se encontra às vésperas de ser considerada titia oficialmente (ok, seu sobrinho mais novo já está com sete anos, agilize!) e ainda se recupera do pé-na-bunda antológico que o traste do seu ex-marido/namorado/noivo lhe deu. Respire fundo, muita calma e leia o post anterior para saber como proceder.
Então, pronta pro abate? A aula de hoje é sobre a mágica arte de conquistar sua alma-gêmea na balada. Yes! Então capricha no saltão e no batom vermelho e... ops, te peguei, hein? É, fia, definitivamente não é partindo pro clichê de Mulher Caçadora que você vai sair do 0x0. Lembre-se que sutileza é vida. Cuidado com vestidos muito curtos, saltos muito altos, batons muito vermelhos e cachos muito loiros. Você quer um marido, e não ser considerada a nova biscate divorciada/largada/abandonada do bairro, néam? Seja (ou pareça) fina. Até os bofes mais chucros se admiram com a fineza feminina. Não fale alto, não GRITE, não gargalhe atirando a cabeça pra trás propositalmente (a não ser que seja sua marca registrada, aí paciência).
Roupinha sexy-sem-ser-vulgar escolhida, maquiagem clean-fake (do tipo que parece que você não fez nada, quando passou uma hora e meia corrigindo a cobertura da base), saltinhos decentes (mas confortáveis: pior coisa é ver a muiézinha capengando no meio do salão, cuide da postura): bóra pra luta.
A escolha do lugar: aí vai depender do tipo de homem que você quer conquistar. Se for um gurizão, todos os barzinhos/boates da cidade (de todas as cidades) estão liberados. Se for um tipão mais velho, aí complica. Restaurantes descolados, onde rola um happy hour amigo, são boas sugestões. Bailões com música sertaneja: têm potencial, não os despreze. Mas seja seletiva, olho vivo! Festas na casa de amigos populares são boas dicas, sempre tem alguém dando sopa.
A bebida: um ou dois drinks não fazem mal a ninguém. UM OU DOIS DRINKS. Chutou o balde? Encerre a caça esta noite, está fadada ao fracasso. Você curte homem bêbado bafejando no seu ouvidinho? Então...
A música: não tente ser o centro das atenções exibindo suas habilidades na pole-dance. Não desça até o chão nem bote a mão no joelho, dando uma abaixadinha em seguida. O resto tá liberado.
O olhar: amiga, não faz a coruja, girando a cabeça 180º por segundo a procura de um olhar interessado. Low profile é de regra. Observe discretamente, alguém vai morder a isca, se Deus quiser.
Se alguém se aproximar, belezera. Inicie uma conversa com um sorriso simpático. Por favor, logo no primeiro encontro, não precisa informar que o bastardo do ex está com a pensão atrasada, que você está deprimida por estar solteira, que a família inteira anda cobrando casório, ou, pior, que sonha em ter quatro filhos. Cale esta boca!
Se ninguém se aproximar: não desanime. Encha-se de coragem e troque comentários com aquele tipinho interessante ao seu lado.
Sexo no primeiro encontro? Você que sabe, amiga. Se rolar, rolou. E se ele não te ligar mais depois, mande este homem das cavernas à merda. Camisinha, né?
Enfim, é por aí. Seguindo estas regrinhas de ouro, você certamente iniciará 2012 com uma vistosa aliança no dedinho. Ou, pelo menos, com alguma história hilária pra contar. Tenha fé.

Mulher Caçadora

Você, gatinha marota, que perdeu preciosos seis (sete, oito?) anos de sua vida com aquele namorado imprestável que abusava do desodorante Axe, cortava as unhas do pé na sala e dormia de meia;
Você, que investiu sangue, suor e lágrimas num (im)provável casamento, comprou terreno no Monte Castelo, deixou a manicure de lado por um ano só pra economizar pros tijolos e telhas;
Você, que já sonhava com a decoração da igreja no dia do casório, e no churrasco com maionese que se seguiria depois, no centro comunitário anexo;
Você, querida amiga, que de repente se vê novamente solteira: CORAGEM. Agora que seu relacionamento acabou, é preciso ter em mente duas certezas:
1) Não tem como você encontrar um outro sujeitinho tão mala quanto o primeiro, é praticamente impossível.
2) Homens solteiros com mais de 30 não existem.
Partindo desta triste e dramática premissa, vamos aos fatos:
a) Garotões lindos, solteiros e sarados com menos de 30 anos estão aí pra isso mesmo;
b) Homens divorciados, charmosos, inteligentes e bem-sucedidos, com (mais ou menos) mais de 40 também – e a vantagem é que já fizeram o testdrive com alguma outra pobre-coitada;
c) Sempre existe a possibilidade de você partir pro lesbianismo.

Porque, né, gente?, casar hoje virou Festa da Uva, o jovem casalzinho se apaixona e no mês seguinte já dá entrada nos papéis, sem sequer imaginar que: ele vai roncar/peidar a noite toda; ela vai esquecer a depilação por meses a fio; a TPM dela vai deixar de ser temporária para se tornar permanente, 24/7; o descaso dele pela própria aparência vai se tornar tão alarmante que será necessário tocá-lo para o banho semanalmente (pelo menos); nenhum dos dois é papai e mamãe de nenhum dos dois – e é aí que a porca torce o rabicó.

Enfim, vistas todas as suas possibilidades, vamos à luta. Perca aqueles quatro (seis, oito?) quilinhos que adquiriu durante sua vida de comprometida, passando noites a fio pedindo pizza e bebendo vinho barato em frente à TV. Afine esta cintura, pelamor. E de preferência não a engrosse mais (exceções são permitidas para casos de gravidez).
Renove seu guarda-roupa. Venda o terreno do Monte Castelo e invista em peças sexies (mas não periguetes, pleeeease), que valorizem suas novas formas pós-separação. Não esqueça dos sapatos!
Arregimente aquelas amigas que até ontem você ignorava no MSN (“ai, credo, só falam de homem...”). Elas serão sua porta de entrada para a vida da Mulher Caçadora. Sim, querida amiga-que-não-consegue-ficar-sozinha (fica a dica, Débora, que nunca vai entrar aqui pra ler isso): agora você é oficialmente uma Caçadora. Mas com muito mais expertise, savoir-faire, jogo de cintura e bom gosto (bom, pelo menos é o esperado: amadurecer também serve pra isso!).
Se sobrar dinheiro, melhor ainda: mulheres bem-sucedidas são afrodisíacas (hahahah). Não venda o terreno do Monte Castelo e construa sua casa. Só sua. Lindona.
Esqueça esta ideia fixa (que sua avó implantou em sua cabecinha) de que tem que “arrumar marido rico”. Bobinha... homens ricos casam com meninas de 20. Lindas. Saradas. Perfeitas. Em contrapartida, agora que você é uma mulher de respeito, tem casa própria e tudo, também pode se dar ao luxo de casar com um menino de 20. Igualdade entre os sexos é a palavra-chave, galero.
Estude. Leia. Ande sempre bem informadinha. Ok, pelo menos não use o português errado, “nós vai”, “eu truxe”, “tá meia cheia/vazia/estragada”. A não ser que seu foco sejam homens burrinhos. Tem gosto pra tudo.
Atenção aos detalhes: sobrancelhas e unhas em dia, cabelos impecáveis. Homem não repara em detalhe, você poderá me dizer. Mas repara o resultado geral.
Enfim, agora é só atacar! Seja seletiva, não pareça desesperada. Boa sorte.
Mais uma dica: esqueça tudo isso e vá ler um livro. Perder tempo pensando em achar homem é uó.
Em breve: como encontrar seu príncipe na balada (hahaha, vou me divertir muito escrevendo isso).

19.7.11

Nerd, não-nerd, patricinhas, mauricinhos e seja qual for o raio da tribo que exista hoje: estão todos convidados

1º NOB-TUB




Que tal entrar em contato com todo aquele povo bonito e simpático que transforma sua timeline num stand-up comedy virtual diário?
Ou conhecer "ao vivo e a cores" os avatares mais engajados, politizados e bem informados da região?
De repente, trocar urls com aquele blogueiro divertido e polêmico que tanto admira?
Esta é a sua oportunidade! Participe da primeira edição do NOB-TUB, que vai acontecer no próximo dia 27 de julho, a partir das 20h, na Dilson Pizzaria. A entrada é franca, a diversão é garantida e o contato humano, indispensável.
O NOB (NerdsOnBeer) é um evento aberto a todos os interessados cujo objetivo é promover o entrosamento entre todas as tribos que fazem uso das mídias sociais (ou não). O encontro não tem regras – ou apenas uma regra – conversar, interagir, conhecer pessoas interessantes, ampliar seu círculo de amizades/contatos/fontes.
Ah! Quase esquecemos de uma informação importantíssima: Os participantes do NOB-TUB terão descontinho amigo no delicioso chopp do Dilson. Venha, participe e seja feliz com a gente.

2.3.11

Moda : as finas de Paris, as doidas de Londres

Claro que não sou nenhuma especialista (hahaha, longe disso). Mas minhas incursões por editoriais de moda em todos os formatos e meu interesse sui generis pelo tema me levaram a escrever um modesto post sobre a moda em Paris e tudo o que você deve ter no armário para o inverno que se aproxima. Claro, vale a sugestão, não há nenhuma regra. Até porque... acredito que será meio difícil fazer os brasileiros (homens) usarem LEGGING, coisa que os londrinos fazem com maestria (e sem nenhuma vibe gay, juro).
Em Paris o que impera é a elegância e a reinvenção do clássico. Lá não vinga nenhuma modinha maluca e temporal, como saias de tule e cortes de cabelo moicano. Mulherada se joga nas botonas (aí valem coturnos lindos, saltões vertiginosos e flats fofinhas), usadas com meia-calça grossa ou mesmo leggings. E os casacões pesados e lindos de morrer, super bem cortados, ajustadinhos.
Ah, e tem todo o glamour das echarpes fofonas, enoooormes, de todos os materiais possíveis (lã é um básicão digno e indispensável). Sim, tanto elas quanto eles usam boinas e gorros, acho lindo e comprei meia dúzia (mentira, só três).
O casaco super quentinho e volumoso se justifica: suficiente para, sozinho, espantar o frio da rua, pode ser usado com quase nada embaixo, já que deve ser descartado ao se entrar em qualquer lugar: aquecimento central é luxo e alegoria indispensável por lá. Tá com muito frio? Se joga em qualquer lojinha ou boteco que vai estar quentinho.
Os homens são absurdamente ligados em moda, não vi nenhum cafonão com a camiseta do time (ops, @caetanomachado, foi mal...) e aquela calça véia de moleton frouxa na bunda. Os caras usam ternos de corte perfeito, ou jeans (skinny, skinny, skinny!!!), com os casacões superpower. Seus cortes de cabelo mereceriam uma postagem exclusiva, mas não tenho muita habilidade pra desenvolver algo na seara capilar. Meio compridinhos, meio desleixados "propositalmente" (mas com aquele jeitão de que foram repicados com esmero no coiffeur mais caro do quarteirão). Eles também lançam mão das echarpes e cachecóis grandões/gigantes. Pra complementar, luvas e boinas. Amei. Só não fiz fotos dos caras no metrô porque fiquei com vergoinha. Sei lá, vai que alguém resolve pedir direitos de imagem, né?
Já em Londres o que impera é a originalidade. Nada de sair por lá "uniformizadinho", jeans e camiseta sozinhos não ornam ninguém. Olha, é cada figuraça que me dá vontade de voltar só pra ficar na janela olhando os tipões excêntricos.
Claro, pode observar um certo padrão: meninas de vestidos (bem fofos) e sapatilha, meninos de legging (já falei que é sério), coturnos e jaquetinhas ou casacos pesados.
Por ficarmos apenas três dias por lá, não deu pra apurar muita coisa, mas algo me intriga (e se alguém por aí tem experiência em Londres, favor explicar): o frio tava de lascar, chuva incessante, minha pele ressecou inteirinha (ah, Avéne, o que seria de mim sem você?), mas a galera nem tchuns, dispensam até meia-calça pra exibir as pernocas branquelas. Só de olhar me arrepiava. Mas tá valendo, talvez tenham se acostumado com estas agruras climáticas.
Em Londres o povo é doido, usa acessórios ultra-bacanas, mix de estampas, chapéus alucinantes, cortes de cabelo UAU, makeups lika Lady Gaga. Vi até uma mulher de calça de pijama no metrô. Não, não era louca nem mendiga. E o povo nem confiança, tudo pode, nada é proibido e "estranho" (pra eles, néam?).
Enfim, foi uma puta aula de estilo e comportamento. Espero conseguir adaptar alguma coisa pro nosso inverninho tão amigável. Claro, tem muito mais, vou postando assim que possível.

Como ser pobre (e feliz) em Paris

Ai, gents, voltei da minha venturosa peregrinação a Paris e Londres ontem e só agora me dignei a postar algo a respeito. Não é fácil: quando você dispõe de poucos dias para conhecer tudo aquilo, não é de bom tom ficar na frente de um computador quando o mundo revoluciona lá fora, há muito o que fazer e as horas de folga são direcionadas ao sono dos justos. Porque se anda muitíssimo, ainda que com a providencial ajuda dos metrôs. E só não emagreci uma grama porque também se come como reis e clérigos.
Dizer que foi sensacional, um "sonho realizado", a coisa mais maravilhosa ever e afins é pecar pelo clichesismo e pelo lugar-comum. As duas cidades são maravilhosas (ainda mais para quem tem o bolso recheado daquele rico dinheirinho europeu, claro).
A temperatura variou entre os quatro e os oito graus, dilícia que me fez parar para pensar sobre minhas aquisições em matéria de casacos. Eu não sabia, mas meus lindos trenchcoats não SERVEM para o inverninho das zoropa, nem mesmo para o fim do inverno. Tem que ser lã, senão é foda e você vai peregrinar de um lado a outro encolhidinha feito uma ostra, batendo o queixo. Tênis são excelentes opções para o city tour, ainda que não tão glamourosos quanto as botinhas que TODAS as francesas ostentam em seus delicados pezinhos (claro, elas não estão ali para percorrer a cidade de ponta a ponta).
Falo mais sobre Paris porque foi onde permaneci por mais tempo (cinco dias muito intensos). Neste período, pude comprovar e refutar algumas das teorias mais repetidas pelo senso comum sobre a Cidade Luz.
Primeiro: Capital da Moda, néam? Fato. TODOS os franceses são lindíssimos, homens e mulheres. Magros, elegantes, bem vestidos e perfumados (não cafunguei no sovaco de ninguém pra saber se tomam banho ou não, mas todos deixam aquele maravilhoso rastro de perfume bão quando passam). Juro que não vi um nativo gordo - nem mesmo gordinho - por lá.
As mulheres andam super maquiadas (sem exageros, no entanto), algumas usam salto, mas a maioria opta por calçados baixos e confortáveis (mas não aquelas sapatilhas de velhinhas, claro). Os homens - pelo amor de Deus, pausa para respirar - parecem terem saído de um anúncio da Dolce & Gabbana. Uma coisa assim:

Sério.
Claro, crianças, velhinhos e até os cachorros também são finos e bem-vestidos.
E segundo: franceses são antipáticos e maltratam os turistas: MENTIRA. Ai, gente, esta foi a maior maldade já dita sobre este povo. Podem não gostar de água e assoar o nariz com força no metrô, na frente de todo mundo, sem pudores. Mas te tratam muito bem, são educados, gentis e atenciosos e, o mais legal, franceses (e europeus em geral) AMAM brasileiros. É dizer que é brésilien pra um sorrisão abrir no rosto de seu interlocutor. Dá até um orgulhinho.
Tem mais: todo mundo fala inglês (e outros idiomas também, de vez em quando). Comunicação, de fato, não é nenhum problema. Vá sem medo.
Agora, se a grana é curta... don't worry! Vá aos museus, passei pelas ruas, arrisque-se pela Champs-Élysées e pela galeria Lafayette sem medo, reserve seus trocados para comer e beber bem (o que é muito fácil, com bistrôs fabulosos a cada cinco metros). De quebra, dê uma passadinha naquela farmácia da esquina do hotel e surpreenda-se: produtinhos da La Roche Posay, da Avéne e da Vichy, entre outras marcas locais, a preços convidativos (mas não baratos. Nada é barato de fato, lá). Fiz o sacolão básico. Além do que, sempre tem uma H&M a cada esquina, além de Montmartre, reduto da boemia francesa onde rola toda uma vibe 25 de Março em forma de bibelôs, lencinhos e posteres incríveis.
Seja feliz, o que é bastante fácil mesmo sem a carteirinha recheada. Agora é economizar pra voltar o quanto antes!



Eu com meus partners de viagem, Regininha e Dieguito (por trás das lentes, namorado).

18.2.11

Espanando teias de aranha

Ok, passando por aqui só porque não aguento mais ler o título daquele último post, datado de mil novecentos e lá vai pedrada. Se alguma alma viva ler estas poucas linhas, saiba que muito em breve postaria alguma coisa, qualquer coisinha, pra que ainda possa me intitular blogueira. Juro (promessa feita por mim para mim mesma).

21.12.10

Reminiscências de 2010

E então você se percebe pensativa na época mais feliz do ano porque o amigo querido do coração de mil anos a destrata como se lixo fosse, porque uma bichinha pocpoc fez pouco caso de sua onipotência, porque a chefe cobrou algo que não pode ser pago, porque o fim da linha se aproxima galopante. É época de festas, pernis, maioneses elaboradas, arrozes a grega, espumantes em promoção, presentinhos da Natura e da Cacau Show, mas você só consegue pensar no rumo que sua vida deverá seguir quando voltar de Paris.
É, amigos, porque eu sou pobre (mas limpinha), fodida e com a corda no pescoço, mas vou me divertir na cidade luz em fevereiro, portanto, até lá, dane-se o mundo, com seus tsunamis de ocasião, guerras civis, wikileaks, Tula Luana, Aretuza, tetinhas de Susana Vieira, 2012 e afins.
Anyway, caso não seja raptada por um francês charmoso, limpinho (faço questão, eis a dificuldade) e minimamente inteligente (e caso o namorado permita o sequestro), eu hei de voltar para minha vidinha mais ou menos em Shark City, onde amigos cospem no confessionário onde despejaram suas mais secretas ansiedades e paranoias, onde para ser relevante (ou pensar ser relevante) é necessário lamber as bolas das autoridades estabelecidas, onde contestar é sinônimo de afronta moral.
É difícil chegar aos (oooooops!) 30 anos (e mais alguma coisa) e verificar que sua vida não caminhou do jeito que deveria ter sido, e perceber que só uma reviravolta estilo twist, do cinema, conseguiria fazer a diferença.
Mas eu não sou assim de desistir tão fácil (hum-hum, mentira!), ou, melhor dizendo, algo muito estranho que habita minhas entranhas me diz constantemente que devo relaxar e acreditar que coisas melhores virão. A merda é que eu me influencio por esta previsão picareta auto-infligida e bóra acreditar piamente que, daqui a dois, três meses, as coisas mudarão de figura.
A merda é que nem dá pra apelar pra ironia extrema, visto que, repassando o passado não tão distante, as coisas realmente mudaram de figura, de quando em vez (pelo menos pra mim). É o que me leva a alimentar certa fé.
Nunca fui de amarrar bode por conta de fim de ano, acho uó depressão pré-réveillon, mas fica aqui meu desabafo contido (poderia ser pior, sério!) por conta desta época do ano tão significativa. Anyway, bóra preparar os petiscos pra servir pra moçada faminta que vai invadir meu espaço neste fim de semana. A dica? Farofa de banana. Mammy aprovou ano passado, vou repetir caso ela não insista em ganhar um neto nesta altura do campeonato.